quinta-feira, 8 de outubro de 2026

mercado do monte castelo

Bem, a inspiração primeira desse texto compareceu ao sentir o odor de um fígado sendo preparado na frigideira de um box localizado dentro do mercado da rua Raimundo Correia, bairro Monte Castelo, cidade de São Luís. Chegava a hora do almoço e um odor desses era facilmente identificável. A partir dessa situação, outras situações seriam notadas como o da costureira do lado que refletia sobre rins e outras comedorias e também a da moça negra que cozinhava mocotó numa panela de pressão para vender no dia seguinte. Em se tratando de mercados, comer e um assunto que perpassa qualquer conversa. No entanto, outro assunto saltava aos olhos. O mercado da Raimundo Correia, assim como todos os mercados de São Luís, não oferece uma praça no seu entorno. Diferente do que acontece com bibliotecas, hospitais, igrejas, escolas e etc. A relação dos mercados se dá com as ruas. Isso se deve, e claro, ao fato de ser um espaço de comercialização e consumo, em que todas as atividades se concentram no interior dos mercados. Os shoppings centers que descendem em parte dos mercados encontraram uma solução para esse dilema: criaram praças de alimentação internamente. A inexistência de uma praça acarreta um corte na ligação entre o interno e o externo do mercado. O indivíduo faz suas compras e se manda. Não importa a arborização, a coleta de lixo, a sinalização de trânsito, esgoto a céu aberto e por aí vai.

as lacunas

Não sabia como chegara aquela conclusão, mas, se seus olhos não tivessem mentindo, pela pista da direita, que seguia em direção ao centro, moviam se menos carros do que pela pista da esquerda que seguia em direção a saída da cidade. Aparentemente, uma constatação banal. Para ele, entretanto, não interessava o número de veículos que trafegavam e sim o vácuo que surgia entre as levas de carros. Em um desses vácuos, um rapaz caminhava carregando um galão de água mineral. Em outro vácuo de carros, um cachorro vira lata se apressava intencionando obter um alimento. Essas duas visões contrastavam com os ipês rosas floridos e com as casas pouco afeitas a conversas.

cerrado não está a venda

Discorrer sobre o Cerrado. Começar por onde ? O cerrado e o eixo basilar da vida dos maranhenses. Do ponto de vista ambiental, e o bioma que mais economiza recursos e isso se verifica pela vegetação cujas raízes vão buscar água para depois crescerem rumo ao céu. O Cerrado e tanto um ponto de partida como um ponto de chegada. Nos meses de julho e dezembro, as famílias que se mudaram para as grandes cidades, atrás de trabalho e educação retornavam para suas cidades natais para passar as férias e quase sempre essas cidades natais se localizavam no Cerrado. As famílias procuravam o que não encontravam nas grandes cidades: comida saudável, ar puro, tranquilidade, parentes, amigos, rios, córregos, florestas, brincadeiras, juventude, ingenuidade e etc. Por muito tempo, essas jornadas eram feitas através dos rios que nasciam nas Chapadas dos Cerrados e desembocavam.nas baias de São Marcos e Sao José de Ribamar no litoral de São Luís. Os rios faziam os elos entre a zona rural e a zona urbana. Rios como: Mearim, Itapecuru, Parnaíba, Munim, preguiça e etc. Nessas jornadas que se davam tanto por rios como por via terrestre apanhava se frutas das mais variadas como bacuri murici Buriti pequi. Era uma fartura. Interessante como essa impressão de fartura permanece mesmo passados vários anos. Na realidade essa fartura ficou para trás e uma das causas e a extração de gás no cerrado maranhense realizada pela Eneva que atinge comunidades tradicionais e quilombolas no vale do Mearim. A Eneva pode alegar que ao assumir o empreendimento em Santo Antônio dos Lopes todo o processo de licenciamento fora finalizado. Só que nessa altura do campeonato as comunidades tradicionais e quilombolas não foram informadas dos impactos sócio ambientais que esse tipo de empreendimento causa. Quais os impactos no lençol freático nas águas superficiais no ar no solo na produção agrícola na saúde física saúde mental nas florestas na biodiversidade e nos direitos territoriais. A Eneva não pode alegar total desconhecimento que o seu empreendimento afeta comunidades tradicionais e quilombolas até porque recentemente devolveu blocos que sobrepunham a uma terra indígena e a um território quilombola. No entanto, ela ainda não devolveu os blocos que arrematou em Capinzal do Norte onde vivem várias comunidades quilombolas e faz de conta que está tudo bem com as comunidades quilombolas de Lima Campos. O leilão que deve acontecer em outubro evidência mais uma vez essa visão empresarial que evitam as questões sócio ambientais desde que o lucro seja promissor. Sabe se que um dos blocos a serem leiloados se sobrepõe a territórios quilombolas no município de Vargem grande e incide sobre a bacia do rio Munim que abastece vários municípios e povoados do leste maranhense.

barão de grajau

Entre Barão de Grajaú São João dos Patos e Sucupira do Riachão não se via nada e muito menos se escutava algo. Sinceras desculpas. Não se via nada e maneira de dizer. Chega a ser indelicado e grosseiro. Indigno como as afirmações do agronegócio de que "não havia nada só Cerrado".Afirmações discriminatorias que baseiam a destruição do cerrado como se vê em grande parte do Maranhão. No Cerrado e permitido desmatar a vontade sem prestar conta. O estado do Maranhão e nisso inclui se governo do Maranhão MP judiciário entrou numa de propor acordo em áreas de litígio envolvendo agronegócio e comunidades tradicionais e quilombolas. Então levando em consideração esses acordos que foram deletérios para as comunidades quilombolas e tradicionais denunciar esses acordos. Também denunciar a equatorial que se nega a ligar a luz da comunidade tradicional de Santa Luz em Sucupira do Riachão favorecendo assim o grileiro advogado da prefeitura que quer tomar as terras da comunidade.

tenha duvidas

Se você quiser ser um grande escritor tenha dúvidas. A dúvida e a essência do pensamento. Por essa razão, antes de escrever tenha dúvidas e as tire. Mantenha as dúvidas acesas caso as explicações não sejam suficientes. O governo federal celebrou um acordo em que o grupo João Santos entregou milhares de hectares com a finalidade de abater a divida que tem. Esses hectares seriam destinados a reforma agrária. No caso do Maranhão, esses milhares de hectares estão espalhados pelo leste maranhense. A partir dos anos 70, o grupo João Santos passou a concentrar terras num amplo processo de grilagem de terras envolvendo cartórios e interesses políticos para sustentar sua produção de açúcar álcool e papel. Essa concentração de terras se deu em cima de terras devolutas como e o caso do Brejo Dantas e Macajuba/cipó, município de Chapadinha, estado do Maranhão.A empresa comprava uma propriedade e registrava as chapadas, aumentando e muito a área original.Tudo isso pensando em um aumento de demanda por parte do mercado interno e internacional nos anos 70 e 80, o que não aconteceu tendo em vista a crise do petróleo que empobreceu as economias do mundo todo. Portanto, essas áreas ficaram paradas do ponto de vista do mercado, mas o grupo João Santos exercia forte intimidação para que as comunidades obedecessem seus desígnios e não lutassem por seus direitos a terra a produção e a moradia. Na década de 2010, o grupo João Santos pediu falência e os herdeiros venderam diversos ativos. Alguns desses ativos foram justamente as terras que o grupo grilou. Como eram terras públicas, essas terras foram arrendadas e não vendidas porque a documentação devia ser fraudada. Então o grupo João Santos arrendou as Chapadas para os gaúchos desmatarem e plantarem soja e entregou os baixoes para o governo federal transformar em assentamentos da reforma agrária. Como sempre, a melhor parte fica para o agronegócio enquanto as comunidades tradicionais se espremem em termos de área e recursos naturais.

dona do bar

A improvisação se reflete na cultura. A dona do bar se balançava na rede e se levantava a contra gosto para atender os clientes. Escutava se faith no more e ao mesmo tempo enchia se com farinha de puba e ovos cozidos. 'Cara, a inteligência artificial está fazendo mistura de vários cantores numa só música. Amy ayhouse e Bob Marley" . Resposta" Não tenho interesse. Elaborar uma obra para um ser humano depende de uma pergunta: por quê. Por que se vem só mundo e etc. A inteligência artificial não e capaz de fazer esse tipo de pergunta". Esse e o supra sumo da improvisação. Um boteco erguido acima do nível da avenida no qual a proprietária faz o maior esforço para levantar da rede, abrir o freezer, carregar a cerveja, servir os clientes e ainda cozinhar ovos para o cliente preferido. O mundo não é tão injusto quanto parece. Podia ser pior. A cerveja era Itaipava. Teve vezes que era glacial.

leitura

A leitura favorece que o indivíduo estruture a interpretação da realidade. A respeito do Maranhão, o que é mais correto de afirmar: que o maranhense é mais comedor de arroz ou mais comedor de farinha? (Essa pergunta remete de certa forma ao antropólogo Nina Rodrigues que pretendia pesquisar a farinha de mandioca e por ser comida de pobre a elite maranhense tocou ele pra fora). Antes de tentar responder, é bom ter em mente que os maranhenses do litoral são mais afeitos ao arroz enquanto que os maranhenses dos interiores são mais afeitos a farinha. Diz se isso por uma questão lógica: o arroz e uma cultura exotica que veio pelo mar e a farinha vinha sendo trabalhada há séculos pelos indígenas no Cerrado e na Amazônia. E claro que existem zonas de intersecção entre uma cultura e outra. No prato, uma cultura não exclui a outra. Elas interagem. Com relação ao eucalipto e a soja, a história e bem diferente. Essas duas culturas expulsam culturas alimentares tradicionais. A Aço verde Brasil, que produz carvão vegetal a partir das monocultura do eucalipto, denunciou a comunidade tradicional de Formiga, município de Anapurus porque os moradores faziam suas roças de mandioca.. A AVB alegava que os moradores da formiga haviam invadido suas propriedades. Comparem quarenta cinquenta mil hectares de plantios da AVB com 600 hectares que os moradores da Formiga lutam para conquistar. Quem invadiu o que no Baixo Parnaíba para conseguir seus objetivos? A alimentação e um direito natural de o ser humano e o plantio de monoculturas e um direito das grandes empresas lucrarem.