segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Cafe sem troco, municipio de Urbano Santos

Presume-se que o nome Café sem troco dado a um estabelecimento comercial situado nos limites entre Urbano Santos e Barreirinhas e a beira da estrada que liga uma cidade a outra  advenha do singelo fato que quem comprava nessas estalagens ficava sem troco. O proprietário se aproveitava da inexistência de concorrência e a escassez de moedas para alegar a falta de troco. O caminho de Urbano Santos a Barreirinhas pouco ou quase nada se modificou. Esperava-se o contrario haja vista as promessas de torna-lo transitável. O caminho em si não se modificou ou se modificou muito pouco, mas as áreas de Cerrado, que o caminho acompanha por oitenta quilômetros, modificaram-se de maneira quase irreversível e quase inacreditável, principalmente, em Urbano Santos As empresas de soja e de eucalipto não admitem, mas a base dos seus projetos é a modificação do espaço físico, ambiental e social.  As licenças de desmatamento, produção de carvão e de plantio de soja ou eucalipto demoram a sair uns dois anos, pelo menos. No entanto, assim que as licenças saem e as licenças saem, quase sempre, toda a força material e força imaterial das empresas se converte numa maquina cujos únicos pensamentos são destruir e produzir a qualquer custo. 
Mayron Regis

sábado, 25 de agosto de 2018

Admiravel Mundo Novo

Ele conversara com Alex Motta em frente ao fórum de Buriti. Um dia em que, junto com o senhor Ferreira do povoado Brejão, aguardava uma audiência que rolaria no fórum da cidade. Alex Motta o informara que o Pedão, plantador de soja, frequentava em surdina o povoado Mundo Novo. Por certo, o Pedão não morria de amores pelos moradores do Mundo Novo e nem por suas historias que não se diferenciavam em nada de historias narradas por agricultores de outras regiões do município de Buriti ao longo de muitos anos. Essas histórias não o comoveram na época de sua chegada tanto que, a primeira chance, ordenara o desmatamento de uma Chapada próxima a sede do município sem dar a mínima para quem coletava pequi nela. A presença massiva de pequizeiros em boa parte de Buriti indica que o seu bioma característico é o Cerrado e o que seu clima característico é o tropical úmido seco. (Esses conceitos só não se sustentam nas Chapadas dos povoados Carrancas, Araça, Cacimba, Baixão e Bacaba, onde os bacurizeiros se concentram em grande quantidade). Porque, então, o Pedão se destacou tão longe de Buriti? Mundo Novo fica atrás dos povoados mais conhecidos de Buriti. Converge com os povoados das Bicas e da Macajuba. A resposta para a pergunta é que Pedão, além de empresário da soja, grila terras e nas proximidades do Mundo Novo existem Chapadas sem documentação e sem posseiros prontas para entrarem no circuito do agronegócio.  

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

A TRILHA




Viajaria pelas velhas trilhas e veredas dos antigos e valentes guerreiros insurretos, por estreitos caminhos, subindo serra e descendo ladeira – a comunidade era o “Bebedouro” – à margem esquerda do Rio dos Pretos, município de Urbano Santos. O Baixo Parnaíba é um território diferenciado que liga de norte a sul a chapada (cerrado) ao Oceano Atlântico – de leste a oeste o Rio Parnaíba ao Portal dos Lençóis maranhense. O Viajante trilhava pelas comunidades tradicionais da região –, aventurando-se, dirigindo, cavalgando, pilotando e até a pé. O tempo estava seco – o sol escaldante, muito fogo nas chapadas; a chuva suspendera o ciclo. As chapadas estão verdes e os bacurizeiros floridos – sinal de uma boa safra mais na frente. Acampava-se o “Viajante do Leste”, sobre as margens do Rio Preto e/ou “Rio dos Pretos”, assim melhor chamado. Em algum lugar exatamente na fronteira de Urbano Santos com Chapadinha. Terra donde seus irmãos Balaios possivelmente passaram em suas empreitadas contra as tropas legalistas; próximo aos quilombos de Bom Sucesso dos Pretos (Mata Roma) e Lagoa Amarela (Chapadinha). Décadas se passaram, séculos... O registro ficara e a prosa também. A história testemunhara a geografia, relações sociais e modos de vida deste povo, enxergados de longe a cada momento em que se passa por dentro ou perto de suas palhoças. Seguia caminho, rumo a um destino reservado de acontecimentos, experiências de ensino-aprendizagem... Composição... Leitura... Vivências.

José Antonio Basto

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Terra de Indio


Quem sabe um dia alguém se digne a e indigne-se ao pesquisar os povos indígenas que habitavam o nordeste maranhense. Não se está falando de povos que viveram em épocas remotas e que desapareceram por razões inexplicáveis. Quer-se crê na falta de solução de um mistério. Por acaso, alguém se declara indígena no nordeste maranhense? Como não se tem noticia de indígenas, por certo não os haverá. Ou se houve, não deixaram noticias dos seus feitos para os que vieram depois. Talvez seus feitos indignassem quem tomasse conhecimento deles. Talvez seus feitos carregassem a marca da inaptidão, decorrido certo tempo. A dona Maria, moradora de Brejão, município de Buriti, provavelmente, sabe da sua ascendência e sabe como seus pais e avôs se vestiam, sabe do que eles falavam, sabe o que comiam mais e o que comiam menos, sabe os nomes deles, o quanto são inesquecíveis, sabe se rezavam ou não sabe e sabe quem quebrava coco babaçu para tirar o azeite. Ela se recorda de um avô ou de um parente indígena? Ninguém perguntou a respeito. As vezes em que escutou algo sobre o assunto a depreciaram de tal forma que caíram no esquecimento rapidamente. O modo mais respeitoso com que tratavam lugares distantes como Brejão era “terra de índio”. Como se só vivessem índios nesses lugares. O meu marido é negro e eu sou branca. Apresentarmo-nos como índios passa atestado de indigência. O meu marido é orgulhoso por viver dos seus próprios recursos. Isso que importa. 
Mayron Régis

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O correntão


A comunidade de Lagoa Seca, município de Milagres, foi proibida por um plantador de soja de coletar bacuri dos bacurizeiros que restaram nesse trecho da Chapada entre Milagres e Brejo, Baixo Parnaiba maranhense. O Antonio de Pauda, vice presidente da Associação de Santa Helena, comunidade quilombola de Milagres, destacou esse fato durante uma conversa no caminho entre São Luis e a Palestina, povoado de Brejo. Os moradores de Lagoa Seca haviam perdido as suas áreas de extrativismo de bacuri no começo de 2009 ao permitirem o desmatamento de sua Chapada. Não era só uma área estratégica de coleta de bacuri. Dela, eles extraiam umas madeiras para construir casa ou cercar suas propriedades na própria Chapada ou nos Baixões e nela eles soltavam seus animais (gado  e porcos). O Manim, filho do Antonio de Pauda, classificou essa perda da Chapada pela comunidade de Lagoa Seca como um tremendo vacilo. Antes do desmatamento, os funcionários do plantador de soja largaram o correntão com a qual eles derrubariam a mata nativa do Cerrado no caminho. Esperaram para ver se a comunidade reagiria contra o possível desmatamento. Depois de duas semanas, os caras retornaram e, como o correntão continuasse estirado sobre a Chapada, entenderam que a comunidade não impediria nada que eles fizessem.      

sábado, 21 de julho de 2018

tempos atras


Tempos atrás, um município comportava vários municípios dentro de si. Não se desmembrava esse ou aquele município para dar origem a outro município. A divisão denotava fraqueza para o grupo politico que comandava. As comunidades restringiam suas cidadanias a simples cobranças do dia a dia, ou seja, um trabalho rotineiro, um dinheiro para comprar comida e remédio, telhas para cobrir a casa e etc. Sim, pedidos individuais que dificultavam demandas maiores de cunho publico se insurgirem. O morador pedia uma vez e satisfazia-se tanto que se devotava ao politico e a família dele por toda a vida. Será que o pedinte de trocados para comprar cachaça  alguma vez perguntou se o dinheiro recebido sairia bem mais caro que uma golada passageira?

terça-feira, 10 de julho de 2018

o caminho não e unico

O caminho não é único e nem uniforme. Ele se deforma e deforma o em volta. O começo e o fim roçam o que sobrou do gostar da Chapada. A Chapada ditava a sua narrativa em voz alta para quem quisesse ouvir. As pessoas entraram mudas e saíram caladas dos desmatamentos praticados por plantadores de soja nas Chapadas de Brejo e Milagres. Os quatro anos que se passaram entre a compra da terra e o desmatamento da Chapada não provam a inteligência ou a superioridade numérica do plantador de soja em relação a comunidade que lhe vendeu a terra. Pelo contrário, prova que, no caso do Baixo Parnaíba, o que é um negócio certo para um determinado grupo, para a maioria é um negocio duvidoso.
Mayron Regis