quarta-feira, 10 de maio de 2017

O rio a ponte e o projeto



O rio Preguicas cobriu a ponte proxima ao povoado Boa Uniao. O rio veio sonâmbulo. Sem eira e nem beira. As fortes chuvas que cairam a partir de dezembro empurraram a sujeira causada pelos tanques de psicultura para bem longe e deram-lhe novas cores ou devolveram as suas cores originais. Os caminhos pelas Chapadas e pelos baixoes se empapucaram de tanta agua. Quase quatro meses de chuva equivaleram às chuvas dos ultimos oito anos. Os moradores de Sao Raimundo se comprometeram a cercar uma area rica em bacurizeiros assim que as chuvas amolecessem o chão da Chapafa. Deve se crer que o verao endurece o solo e que enfiar uma estaca num solo endurecido requer muita forca. No final de janeiro, Francisca ex presidente da associacao explicou que nao fora possivel erguer a cerca porque os agricultores se ocuparam das suas roças. Isso era bem cabivel, afinal agricultores lavram a terra com o intuito de produzirem alimentos para si e para seus familiates. Contudo, trato é trato. Cobrou-se um novo prazo. A associação de Sao Raimundo não podia fazer essa desfeita. Combinou-se. No mês de maio se apronta tudo, estacas e arame e fotografa o realizado para enviar ao financiador do projeto a ong holandesa XminY. Por que uma ong holandesa financiaria um pequeno projeto em Urbano Santos ? Incrivel que uma ong de um pais rico da europa financie uma comunidade negra e pobre na zona rural do Maranhão ? Muito mais incrivel é que esse aporte de recursos veio por conta de uma solicitação da propria comunidade. Caso fosse a pedido de outrem a ong não aprovaria a solicitação. Fechou-se o mes de maio como o "the end" do projeto. Desse mês não passa. Nem precisou. Antes disso, a Francisca dava conta que os agricultores pisaram firme por varios fins de semana e adiantaram o serviço.
Mayron Regis

terça-feira, 9 de maio de 2017

Safra de soja no Maranhão tem queda de 800 mil toneladas

AQUILES EMIR
A produção de soja no Maranhão, que estava estimada em 2,840 milhões de toneladas, conforme números do sexto levantamento da safra divulgado em março pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deverá cair cerca de 800 mil toneladas, como divulgado, semana passada, na sétima estimativa do órgão, que projeta agora uma produção de 2,030 milhões de toneladas. Com esta nova estimativa, em vez de um aumento de 127,2% em relação à safra anterior, que foi de  1,250,2 milhão de toneladas, será de 62,4%.
“No Maranhão ocorreu forte decréscimo de14% na área plantada em relação à anterior, com produtividade estimada em 3.003 kg/ha, o que representa incremento de 88,9% em relação à safra passada, fortemente prejudicada pela falta de chuvas. A forte redução da área, constatada na atual pesquisa, foi mais acentuada no município de Tasso Fragoso. Estima-se que a metade das lavouras de soja já foi colhida, enquanto 24% encontram-se em maturação, 10% estão em enchimento de grãos e floração e apenas 6% ainda permanecem no estágio de desenvolvimento vegetativo”, diz o relatório da Conab.
Outra queda considerável na produção maranhense é do arroz, que estava estimada em 222,4 mil toneladas e agora está projetada em 218,8 mil, o que daria, na comparação com a safra passada, uma queda de 18,45, pois a colheita em 2016 foi de 268,3 mil. Segundo a Conab, este fenômeno vem se registrando safra após safra. “Em relação à safra 2015/16, o Maranhão deverá apresentar redução de 21,4% na área plantada. Essa diminuição é observada a cada nova safra, principalmente nas áreas de arroz em sistema de sequeiro, mas nesse levantamento detectou-se que as áreas irrigadas também devem sofrer uma redução em relação à última safra. A produtividade deve chegar a 1.535 kg/ ha, 3,8% maior em relação à safra passada devido às condições meteorológicas favoráveis para a cultura, diferentemente do ocorrido na safra anterior”, diz.
De acordo com o último levantamento da Conab, safra total de grãos no estado este ano será de 4.298,3 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 73,2% na comparação com a anterior, que foi de 2,481,7 milhões, ma a estimativa de abril aponta um volume menor que a projeção de março, que era de era 4,719,9 milhões de toneladas, o que dava uma variação positiva de  90,2% na comparação com a colheita do ano passado.
Brasil – No que diz respeito à produção nacional, a safra de grãos 2016/17 deve chegar a 227,9 milhões de toneladas, com um aumento de 22,1% ou 41,3 milhões de toneladas frente às 186,6 milhões de t da safra passada. A previsão está no 7º Levantamento da safra atual, divulgado nesta terça-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a soja, a expectativa é de um crescimento de 15,4% na produção, devendo atingir 110,2 milhões de toneladas, com aumento de 14,7 milhões de t em relação à safra anterior e ampliação de 1,4% na área, que deve chegar a 33,7 milhões de hectares.
A produção nacional de arroz será 11,948,0 milhões de toneladas, ou seja,12,7% a mais que a safra anterior, quando foram colhidas 10,603,0 milhões de toneladas.
No caso do milho total, deve alcançar 91,5 milhões de toneladas (37,5% de crescimento), com 29,9 milhões de toneladas para a primeira safra e 61,6 milhões para a segunda. A área total do milho deve alcançar 17,1 milhões de hectares (ampliação de 7,3%). No total, milho e soja representam quase 90% dos grãos produzidos no país. O feijão pode chegar a 3,29 milhões de toneladas, com área total de 3,1 milhões de hectares.  Já o algodão pluma deve crescer 14,3% e chegar a 1,47 milhão de toneladas, mesmo com uma redução de 2,6% na área cultivada.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Bacabal


O Viajante atravessava as chapadas do Bacabal no Baixo Parnaíba maranhense, em direção às comunidades tradicionais das margens do Rio Preto, o rio que pede socorro! Ele parava perto do Riacho Seco nas imediações da grota da Bicuíba -, escutava o som dos pássaros... O som do vento! Ele dobrava sua velha motocicleta para as bandas da comunidade Bacabal - a vista do eucalipto e do cerrado todo verde contradizia em paradoxo a realidade de duas faces totalmente diferentes, uma com gente, animais e toda biodiversidade crescente e a outra sem gente, com veneno e agrotóxicos. Em 2013 o conflito se arrastara por lá, as chapadas foram provas da luta que se transformaram num sonho. A terra ainda está em processo de desapropriação pelo INCRA – umas 1.500 hectares e também uma sobra de terras devolutas do estado que deve ser incluída no projeto. O objetivo é distribuir a terra para as famílias de agricultores que trabalham e produzirem seus alimentos, por isso foi realizado na comunidade um seminário com assuntos relacionados a reforma agrária.
O medo ainda mora nas veredas do Bacabal e nos caminhos de Santa Rosa, a lembrança dos desacatos naquela época que tentou amedrontar os trabalhadores rurais, não conseguiu seus objetivos. A família dominante se diz dona, venderam parte da terra para interesse próprio, pois as leis mudaram de curso e quem? A legislação fundiária diz que quem “mora um ano e um dia numa determinada terra” – já tem direito a ela. A legitimação de posse de terras sempre foi uma questão polêmica desde séculos remotos e ainda nos dias de hoje continua sendo; as “práticas de lutas conceituam serviços de instrumentos para a efetivação de direito a moradia e sobretudo a produção na agricultura familiar”. A realidade agrária em nosso país nunca foi resolvida e a cada dia tem uma coisa diferente. Com essas transformações de reformas e PECs, as questões só pioraram para os homens e mulheres do campo, povos e comunidades tradicionais.
A luta de 2013 em Bacabal foi uma prova de demonstração de forças medida entre a associação de moradores e os latifundiários que se dizem donos da área. A Constituição de 1988, deixa claro sobre a função social da terra; se ela não está cumprindo sua função social, deve portanto ser ocupada e desapropriada para fins de reforma agrária.
Questões inerentes a terra tem sido tratada com atenção pelas esferas de governos, sem resolverem nada, infelizmente! Vista pelos setores capitalistas como forma de expropriação e lucros; o capitalismo no campo tenta passar por cima de tudo, inclusive das comunidades tradicionais para atingir seus objetivos econômicos. Muitas são as grandes áreas de terra em nossa região que foram tomadas e arrecadadas para o bem pessoal de empresas e grupos de latifundiários; as famílias influentes. O Baixo Parnaíba passa por uma crise de terras, as comunidades lutam pelos seus direitos sociais de acesso a terra, mas ainda falta muita informação e organização para se avançar, pois o agronegócio é muito forte e tem o apoio dos governos.
A luta do Bacabal tem se constituído para o reconhecimento de posse que tramita no INCRA, acompanhado pela FETAEMA, “Fórum Carajás” e por outros órgãos competentes, a associação aguarda respostas. As chapadas da região são grandes produtoras de bacuris e outros frutos do cerrado, apesar dos problemas socioambientais da capitação de madeira ilegal e de queimadas constantes na época do verão.
O Viajante concretizaria sua tarefa naquele dia, ele ficaria mais um tempo por lá, adentrava na aldeia Bacabal, as casas de palha ao redor do campo, sob o fundo as margens do rio, muitos animais: porcos, galinha, cabras e gado. Os moradores vivem felizes em seu lugar de origem, muitos não sabem dos seus direitos sociais, nem todos sabem ler... A maioria são analfabetos, mas são personagens de nossas histórias e projetos na luta pelo desenvolvimento social. As crianças brincam felizes debaixo do pé de jatobá – a árvore que chama a atenção de quem o visita, as crianças sonham com um mundo melhor, sem exploradores e explorados – precisam reconhecer a história de seu povo e da importância da terra. O Viajante passara alguns dias sem voltar para a cidade. Pois era tempo de arroz novo nas roças e ele foi convocado pelos camponeses para o trabalho coletivo da colheita.


José Antonio Basto

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Acampamento no Maranhão inicia colheita de 200 hectares de arroz

Cerca de 150 famílias ocupam a área desde 2014

Brasil de Fato | São Paulo (SP)
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Uma área cultivada de 200 hectares de arroz no município de Bom Jesus das Selvas, no centro-oeste maranhense, é símbolo da resistência de 150 famílias que ocupam essa terra desde 2014.
No Acampamento Buritirana, do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a colheita do arroz já começou.
A expectativa é alcançar o volume de 7 toneladas neste ano.
A produção é livre de agrotóxicos e pode garantir o sustento das famílias acampadas por quase um ano.
Reynaldo Costa, da coordenação do MST na Região Sul do Maranhão, destaca que a boa safra é uma demonstração da fertilidade da terra.
“É a primeira vez que se planta nessa quantidade. Antes, como é uma situação de acampamento, as áreas de cultivo eram muito pequenas e nesse inverno os trabalhadores decidiram por expandir mais o tamanho da área plantada para termos uma produção suficiente para alimentar as famílias acampadas e demonstrar para a sociedade que vale a pena lutar pela terra”, disse.
Mas não é só o arroz que vai garantir a subsistência das famílias.
Milho verde, feijão, melancia, além das verduras, entre as elas, quiabo, tomate e a vinagreira, conhecida na região como cuxá, são mostra da diversidade da produção.
A área cultivada pelas famílias, no entanto, enfrenta pressões.
Após os trabalhadores ocuparem a área da Fazenda Rodominas, uma parte da terra foi arrendada pela empresa Suzano Papel e Celulose para plantação de eucalipto.
O integrante do MST explica a situações de conflito.
“Há uma situação sempre de tensão, aquela expectativa se vamos ficar aqui ou não. Se a gente vai nos ser dado o direito de terminar de colher a produção, quantos anos vamos ficar por aqui. Então a reivindicação maior é que se cumpra o mais imediato possível que se resolva a decisão de onde os trabalhadores vão ser assentados”, apontou.
Procurada pela reportagem, a Suzano Papel e Celulose disse, em nota, que uma reunião em outubro de 2016 entre trabalhadores e autoridades, como o Incra e o Ministério Público, definiu que a área onde está o acampamento deveria ser desocupada até março deste ano.
A Suzano destacou que aguarda a resolução de um processo judicial sobre o tema.