sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Tribunal de Justiça do Maranhao dá provimento a apelação do Ministerio Publico contra desmatamento ilegal da familia introvini em Buriti

https://www.jusbrasil.com.br/diarios/documentos/523432122/andamento-do-processo-n-20059-2017-apelacao-civel-23-11-2017-do-tjma?ref=topic_feed

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EXPERIÊNCIAS SUSTENTÁVEIS DE MULHERES EXTRATIVISTAS E GRUPOS FAMILIARES COM MODOS DE PRODUÇÃO SOCIOECONÔMICA DO MUNICÍPIO DE URBANO SANTOS-MA.

Este ofício tem por tradição a mão de obra das mulheres camponesas que na temporada do bacuri, pequi e outros frutos do cerrado que vai de janeiro a março, elas saem cedinho com seus cofos, mulas e jacás para a colheita dos frutos especiais das chapadas do município de Urbano Santos e toda região do Baixo Parnaíba maranhense. O bacuri é o mais desejado e importante dos frutos, rico em vitaminas, nativo da floresta tropical amazônica, essa fruta pouco maior que uma laranja, com pele mais espessa de uma cor amarelo-limão pertence à família (Guttiferae), oferece muitos benefícios para a saúde e é usado em cremes, geleias, doces, bolos, purê e licores. O bacurizeiro, conhecido cientificamente como (Platonia insignis) pode atingir mais de 30 metros de altura, com tronco de até 2 metros de diâmetro nas árvores mais desenvolvidas. Sua madeira considerada nobre também tem variadas aplicações, mas é proibida a derrubada, apesar dos crimes de capitação ilegal. É encontrada naturalmente desde o Piauí seguindo a costa do Pará até o Maranhão. A massa possui alguns nutrientes em ​​quantidades notáveis de fósforo, potássio, ferro, cálcio e vitamina C; a casca também é aproveitada na culinária regional e o óleo extraído de suas sementes é usado como anti-inflamatório e cicatrizante na medicina popular e na indústria de cosméticos. Comunidades tradicionais de Urbano Santos como São Raimundo, Boa União, Bom Princípio e Bracinho praticam o extrativismo do bacuri servindo como fonte de renda para as famílias camponesas, além de uma alimentação saudável. Um dos problemas nesse período de safra é a derrubada do fruto ainda verde, mas as associações destas comunidades citadas se juntaram para defender o território (chapadas) e criaram autonomamente uma lei (norma conjunta) que proíbe a derrubada do bacuri verde, pois o bacuri para ser colhido deve-se esperar o fruto cair de maduro – assim colaborando para a reprodução da espécie - quando se joga rebolo e bagunça seus galhos, no ano seguinte aquele pé não brota mais, atrasa de 1 a 2 anos para voltar ao normal.  Com leis severas, o conselho de fiscalização formado pelos presidentes das associações acordado na norma conjunta desde algum tempo já fazem a fiscalização rondando as variantes das áreas, punindo aqueles que desobedecerem as leis do Estatuto Social das entidades e o documento oficial que foi discutido coletivamente deliberado e aprovado para o bem do território. Os moradores do São Raimundo, Boa União, Bom Princípio e Bracinho lutam pela terra, batalham pela sobrevivência em convivência com a natureza. Chegando agora o período do inverno os frutos desabam no chão, homens e mulheres sobem o carrasco para a colheita, uma enorme alegria. Os catadores (as) devem ter a consciência de colher o bacuri no tempo certo, essa prática faz parte de sua cultura. Problemas fundiários que se arrastam há décadas envolvendo empresas do agronegócio e latifundiários vem atrapalhando os modos de vida destas comunidades tradicionais.



PRODUÇÃO DE FARINHA – COMUNIDADE QUILOMBOLA DE SANTA MARIA E COMUNIDADE BOM PRINCÍPIO – URBANO SANTOS-MA.
A puba é a mandioca amolecida em cima do giral (base de madeira coberto de palha), pronta para ser levada ao banco do caititú para a trituração. A massa é extraída da mandioca fermentada e largamente utilizada na produção de (farinha de puba), além de bolos, biscoitos e diversas outras receitas típicas do norte e nordeste. O processo de obtenção da puba consiste em deixar a mandioca de molho num recipiente com água, antigamente se utilizava os chamados “pubeiros” - um espaço no rio oulagoas, cercado de madeira ou palhas, atualmente os tradicionais pubeiros foram substituidos por tanques de cimento. Depois de tres dias a mandioca deverá estar mole. Deve-se então escorrer a água e lavar abundantemente a mandioca ralando-a em seguida. Depois de ralada, deve-se escorrer completamente o líquido nos tapitis, a massa seca é peneirada e jogada no forno aquecido para se transformar em farinha. Dois forneiros fazem o serviço: um passa a massa, o outro seca a farinha, este é o momento do “apuramento”. A farinha antigamente era empaneirada nos côfos, agora se embala o produto em sacas, com medidas de 75 litros em cada saca. O município de Urbano Santo já foi campenão na produção de farinha no estado do Maranhão. A farinha de mandioca, farinha de puba ou farinha d`água e farinha seca é um derivado da matéria prima da mandioca, conhecida cientificamente por “Manihot esculenta.” A arte de fazer farinha é uma atividade centenária herdada dos nossos ancestrais indígenas da América Latina. Há estudos afirmativos que a fabricação de farinha no Brasil tenha também a contribuição cultural dos africanos que aqui trabalharam como escravos nos séculos XVI, XVII, XVII e XIX. As mulheres tem uma grande contribuição no processo da farinhada – conhecimentos que passam de geração para geração; desde a  chamada “arranca”, ao ponto final. As rodas de descacar mandioca são animadas nas casas de forno. Os lavradores e lavradoras tem o costume de fabricar os cofos artesanalmente (cestos de palha de babaçu ou palmeira najá) e colher folhas de axixá, guarimã ou bananeiras para o forro. Os paneiros são forrados com as folhas para o alojamento da farinha pronta para a alimentação.  Portanto chega-se ao fim da farinhada – de julho a outubro. Os agricultores vendem a farinha para resolver seus negócios, uma fonte de renda muito forte que precisa ser ajustada seu preço e mais atenção do comércio.  Nos anos oitenta e noventa em Urbano Santos era muito comum os camponeses se preparar para a farinhada com o intuito de vendê-la para conseguir algum dinheiro e passar o “FESTEJO DA NATIVIDADE” de 1º a 7 de Setembro. Essa tradição é mantida até os dias de hoje em nossa cultura. O município já foi grande campeão na fabricação de farinha. Isso deve ser reconhecido, pois as gerações contemporâneas e futuras podem tomar conhecimento desse maravilhoso processo que contribui para o avanço do nosso município na questão socioeconômica, cultural e social, perpetuando-se de gerações para gerações. “Farinhada é motivo de alegria, força de trabalho rural, cultura e desenvolvimento sustentável e solidário.


QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇÚ – COMUNIDADE CAJAZEIRAS E BEBEDOURO – URBANO SANTOS-MA.
Elas forma uma roda com seus machados e cofos, antes disso as mulheres preparam os montes de coco (juntam as cargas e amontuam em baixo dos pés), para dá-se início a quebra do coco. Começa ali o som dos cassetes nos machados soando pela densa mata fechada. Durante o trabalho os assuntos e conversas envolvem tradicionalmente o dia-a-dia das comunidades, os afazeres domésticos, pescarias e os serviços da roça, donde os maridos estão também a trabalho. As mulheres mais jovens aprendem as técnicas e experiências com as mais velhas e esse conhecimento vai se perpetuando de geração para geração. O MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçú tem sido o principal alicerce da luta por direito e defesa dos territórios das extrativistas quebradeiras de coco que se organizam em associações comunitárias. O Maranhão é o estado de maior concentração dos índices de produção de amêndoa de babaçú comercializada para o resto do país. Em Cajazeiras e Bebedouro – zona rural de Urbano Santos o babaçú é extraído oficialmente para a produção de azeite, que chega hoje um valor de 15 reais por litro. Mas além disso ainda existem compradores que passam pelas comunidades rurais, outrora este tipo de comércio era mais forte – teve uma baixa por causas dos programas sociais que elevou a situação social de muita gente da zona rural – pois há algum tempo atrás, as famílias camponesas que moravam em áreas de cocais usufruíam desse sistema extrativista para o aumento da renda familiar. Tudo se aproveita da palmeira de babaçu – uma espécie de mil utilidades: cocos, folhas e talos são utilizados na confecção de diferentes tipos de artesanatos, produzidos pelas mulheres. A partir da riqueza das possibilidades de utilização, essas partes do babaçú se transformam em matéria-prima para a confecção de diversas peças e também em alguns casos o coco estragado (coco velho) também é utilizado para a fabricação de carvão usados em indústrias.
Texto e imagens: José Antonio Basto (98) 98607-6807 / 98 98494-0123.
Urbano Santos-MA, Dezembro – 2017.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

cem anos de solidão

Ele não se tocara para o nome Matinha dos Helenos. Nem passou por sua cabeça perguntar o porque do nome ou se os moradores daquela comunidade descendiam da grécia antiga.Só a localização exata molestava a sua curiosidade. Por certo que não se ve pilastras ou estatuas como as vistas em Atenas ou outras cidades gregas. A civilização ocidental no baixo parnaiba maranhense festeja o conhecimento tecnico cientifico que sobrepujou o conhecimento filosofico e artistico das civilizações tradicionais. Uma das formas de festejar é doar quilos de feijão contaminados por agrotoxicos as comunidades que vivem no entorno dos plantios de soja. As comunidades de Anapurus e Brejo provaram desse beneficio doado pelos "gauchos".  O nome Matinha dos Helenos faz uma ligação entre o que se ansiava para as comunidades ( o ideal) e o que se conquistou definitivamente para essas mesmas comunidades ( o real).
Pintou a oportunidade de visitar a Matinha no começo de dezembro de 2017 após o Tomé e sua esposa marcarem um almoço tantas vezes adiado. Confraterniza-se-iam com os familiares que moravam  proximos a eles ( comunidade do Marajá) e vizinhos não tão vizinhos ( povoados de Carrancas e Areias). Sobre a Matinha, sabia-se que ela beirava o riacho Feio; que se criava bode; que os plantios de eucalipto comeram partes das Chapadas; e que ninguem sabia onde era. Numa situação dessas, quem assumiria o papel de guia? O Vicente de Paula, agricultor de Carrancas, viajaria para Parnarama dias antes do almoço e não retornaria a tempo. Arrumar-se-iam, então, com o Ataliba, agricultor das Areias e vizinho do Vicente, que se notabilizou por cortar madeira com presteza em favor dos vizinhos que necessitavam. Ele cortava madeira, carvoejava, criava peixe á beira do rio Preto e , por incrivel que possa parecer, intencionava cultivar uma horta. Não é todo dia que se ouve da boca de um agricultor um proposito desses. O Ataliba venderia os produtos da horta em Buriti, Coelho Neto, Duque Bacelar e etc. Assim planejava. Com relação a Matinha dos Helenos, não tinha certeza do percurso completo. Não era uma vaga ideia e nem uma ideia cheia. Ate a Santa Luzia não restava duvida. Dali em diante, o negocio pegava. Um pouco antes de entrarem no carro, o seu Zeca Barro, presidente da associação das Bicas e consertador de geladeira, parou a sua moto no terreiro do Vicente. O Ataliba disparou: "Nós dois nos complementamos. Eu sou das Areias e ele é das Bicas." O seu Zeca Barro deu algumas informações a respeito da Matinha. Nos primeiros minutos dentro do carro, Ataliba  e dona Rita, mulher do Vicente, falaram de filhos. Ele admitiu que viveu sua juventude querendo mandar seu pai se lascar, mas que agora ve o quanto se enganou nesse tocante. Essa reflexão se deve em parte ao fato de que mora sozinho na Chapada. A sua filha, que ficara cuidando dos avos, mudara-se para a casa dos sogros.
O Ataliba se mostrava um narrador de primeira qualidade pelos caminhos entre as Chapadas. "Bem aqui, nessa baixa (propriedade do senhor Gilson) nasce o riacho Feio."" O Duda vive nesse pedaço de terra a esquerda." A Santa Luzia era o local de morada do Duda e pela qual ele requeria a regularização fundiaria no Iterma o que impediria os "gauchos" de dominarem a área. O ministerio publico de Buriti recebeu documento do Iterma que sustenta a inexistencia de qualquer documento referente a Santa Luzia ou seja é terra publica. 
 Estava muito diferente o trecho depois da Santa Luzia que os levaria a Matinha dos Helenos. Ataliba passeara por ali num tempo de vegetação nativa abundante. Os eucaliptos apagaram esse tempo. Eles captavam a luz do sol  e absorviam a água do lençol freatico. O seu crescimento impressionava pela altura que alcançavam. O carro seguiu a reta. Nos plantios de eucalipto tudo é reta. Para entrar na vegetação nativa do Cerrado, voce se insinua por caminhos nem sempre previsiveis. "Aqui e Matinha dos Helenos ?". "Não aqui é Cafundo". Voltaram.  "A casa do Tomé está longe?"" Voce vai descer uma ladeira, descer outra ladeira e depois subir uma." Não seguiram as orientações e pararam no final da Matinha dos Helenos, mas não a Matinha desejada. A Matinha do Tomé estava mais adiante. A cada casa a beira do caminho procurava-se algum sinal de carne de bode. O temor era que não tivessem esperado para almoçar. Por fim, num beco sem saida, a casa do Tomé, a casa de farinha e o cercado dos bodes no morro foram vislumbrados. A sensação de secura oprimia. O leito do riacho Feio se empanturrara de areia com o fim do inverno.
A esposa do Tomé servia o bode guisado enquanto ele mostrava a propriedade e informava a quantidade de bode que vendera. Recomendou a dona Rita que comprasse um sal em Chapadinha. "Só esse sal alimenta os bodes e as cabras." O  Tome e sua esposa resolveram criar caprinos após o inusitado. A  esposa do Tomé vira uma cabra no morro e pensara que fosse coisa do demo. Custou a acreditar. Trouxe a cabra para a sua casa e esperou aparecer o dono. Aparecia um querendo saber da cabra mas sem ser o dono. Decidiu ficar com a cabra. Foi uma benção de Deus, dise ela. Esses são os Helenos da Matinha. 
mayron régis

             

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

cobra criada da baixada ocidental maranhense

Nascido e criado em Pericuma, muicipio de Peri Mirim, seu Simeão Soares Gonçalves é uma cobra criada nesses campos e nesses babaçuais da baixada maranhese. Beberica uma cachacinha da terra em seu comercio ao lado da sua casa. A cachaça provém do municipio de Pinheiro e carrega consigo a marca das comunidades tradicionais onde se fabrica cachaça por séculos. Quase uma cachaça doce que te leva rápido para a embriaguez. Para não embriagar, recomenda-se acompanhar a cachaça com sal. Nesse dia, em que conversava com o jornalista Mayron Régis e com o agrônomo Edmilson Pinheiro do Forum Carajas, não bebericou a sua cachacinha, apenas ofereceu u trago e pediu a sua esposa que trouxesse a garrafa plástica onde mantinha a dita cuja. Não foi por acaso que ele chegou aos 77 anos. Ele chegou graças a cachaça que ameniza as tensões diárias e as amizades que angariou e desfez durante sua vida. Um dos seus ex amigos, o seu Constantino Marques Braga viveu uma existência pobre, com bem se recordou o seu Simeão Para sair da pobreza, ele  se escorou na família Sarney que os presenteou com o cartório de Bequimão, município vizinho a Peri Mirim. Desde então começou a disputa por terras envolvendo a família do seu Constantino e o seu Simeão, liderança de Pericumã. O seu Constantino denunciou em 2011 seu Simeao por invasão de um local conhecido por Barreiro. Para não se enredar nessa confusão, o seu Simeão se escorou no Incra. A comunidade do Pericumã se assumiu quilombola e recebeu a certificação da fundação palmares no final de 2011.    O seu Constatino morreu e o seu Simeão lamenta a sua morte por ele ter ido sem terem feito as pazes. É o fundo do coração esse sentimento? Seu Constantino se foi mas deixou o filho Ariolano Ferreira Braga, policial federal,  para aporrinhar os quilombolas. Eles perderam o cartório de Bequimão mas transferiram a influencia para o cartório de Peri Mirim. Em várias conversas o Zequinha do cartório assumiu que fraudou documentos para o Ariolano. Essas fraudes favorecem o Ariolano no seu iintuito de se apossar de terras do território quilombola, desmatar os babaçuais e cercar os recursos naturais em prol da sua criação de gado.
mayron regis