sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Acumulação e escrita nos Cerrados maranhenses

O que se lê é que a escrita nasceu da necessidade de listar as propriedades. Retira se dessa afirmação que acumular materialmente e escrever (conhecimento) a andam juntos. Difícil não concordar quando se vê os interiores pelo Maranhão a fora onde a acumulação material por parte dos fazendeiros possibilitou aos seus filhos estudarem. Bem diferente dos filhos dos agricultores familiares que ou não estudaram ou estudaram em escolas públicas precárias. Está se falando de acumulação material e escrita do ponto de vista capitalista mas conversando com Vicente de Paulo agricultor familiar de Buriti pressente se outras formas de acumulação e de escrita vicejando pelos Cerrados do Maranhão. A Vara Agrária do Tribunal de Justiça do Maranhão manteve Vicente e sua família na posse de 150 hectares nas chapadas do povoado Carrancas município de Buriti numa disputa entre Vicente e a família Introvini de plantadores de soja. Com essa decisão a única acumulação com que Vicente se preocupa e a das espécies do Cerrado crescendo tranquilamente e a única escrita com que ele se preocupa e aquela que seus netos escreverão daqui por diante a partir da sua história.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Vem pra Cuba

Queria ir pra Cuba no mar das antilhas. Se fosse possivel, iria de barco. Desse jeito, conheceria o que ainda não conhecera do litroal maranhense, boa parte do litoral da região norte brasileira e enveredaria pelo oceano atlantico. O que encontraria pela frente? Muito dificil que realmente acontecesse. Cade a pratica nautica? Cade o barco? Cade a tripulação? Cade o recurso para comprar mantimentos e combustivel? Enfim, colocaria pra adormecer um pouco o seu sonho de navegador e de descobridor das Antilhas. Conversara anteriormente com amigos que ou desejavam fazer a viagem ou que a fizeram varias vezes. Quem dera chegar esse dia. Podia, pelo menos, que visitara outra Cuba, no centro oeste maranhense, municipio de Santa Inês. A visita ocorrera pelo motivo que a comunidade quilombola de Cuba lutava para impedir o desmatamento de sua reserva floresta ou o que restara da floresta amazonica após decadas de derrubadas para plantio de capim e criação de gado. Dessa visita, ficou a amizade da Aflisia que sempre lhe informava da situação do quilombo. Da ultima vez que conversaram, ela comentou da situção do quilombo Frangai, no municipio de Rosário, litoral leste maranhense e bacia do rio Itapecuru. Uma amiga e moradora do quilombo revelou que surgira um conflito no quilombo. Ele jamais ouvira qualquer mencão a esse quilombo em Rosário. Cada vez mais, as comunidades quilombolas maranhenses vem se tornando conhecidas pela sociedade não por sua historia e sim pelos conflitos que enfrentam nos ultimos anos e não são poucos os conflitos. Nota-se um movimento vindo de parte da sociedade que gera conflitos internos nas comunidades quilombolas e comunidades rurais em todo o Maranhão. Um movimento insinuante que procura atrair setores divergentes ao projeto desenvolvimentista apregoado como redentor.

domingo, 25 de setembro de 2022

o maniaco

Virara um maniaco por livros. Nada do tipo que comete os piores crimes para obte-los. Nenhum assassinato, nenhum roubo. Cometera crimes sim, mas dos tipos menores. Pegara um livro por emprestimo na biclioteca comunitaria de uma cidade pequena do interior do maranhao. Quem em Buriti lê Lawrence Sterne? Quanto preconceito. Nem ele tampouco conseguiu ler em tres anos ou quatro anos que pedira emprestado junto com um livro do jornalista maranhense Francisco Oliveira. Este ultimo sim lera bastante porque o jornalista escreve sobre literatura e arte de maneira geral. Ensaios que intelectuais brasileiros adoram escrever e escrevem na maioria dos casos.no caso de Sterne, uma das referencias de Machado de Assis, o leitor deve ter uma certa paciencia com as longas frases e com os efeitos digressivos que o autor confere a narrativa. Alem desse caso, existem outros que não ha nenuma intenção de ficar com o livros e sim a preguiça de procura-los entrea bagunça da biblioteca. O mais facil de achar talvez seja a biografia de Noel Rosa e é uma senhora biografia tanto do ponto de vista do tamanho como do ponto de vista do conteudo. Quem lhe emprestou fora um senhor misto de dono de bar antiquario e bibliotecario. Primeiro perguntou ao senhor se venderia, a resposta foi nao. Perguntou se poderia emprestar a ele, a resposta foi sim. Começou a ler em casa e a preguiça prevaleceu sob a sua vista. Guardou em algum lugar e todas as vezes que vai ao bar o propiretario pergunta lhe do livro. de tantas negativas não ve a hora em que levara uma cacetada na cabeça.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

rio doce

Por sua vez, o que sabia? Nada vezes nada. O quadrado mais que perfeito do verbo reflorestar. Reflorestar é maneira de dizer. Quem diz teme ser ouvido. O temor segue escondido. Como o homem se formara ? Como a casa incendiara? O homem não vira o mundo nascer. O mundo, pelo contrario, dormira com o homem em seus braços e a luz vagueando pelo silencio com nada visivel. O homem descobrira o mundo descoberto sen que chegasse a um bom termo. Como se formara o homem com as palavras que abolira? Dormira no relento com o frio batendo nos pés e a secura na boca. Diz a que veio e como vieste. Vieste no degredo ou vieste no veleiro. A casa que queimou amanhceu as cinzas. O que se enxerga pouco se come. O que se enxerga pouco se dá. Como se formou o homem que se batizou nas aguas frias daquele lugar? O homem adormeceu a criança e repetiu a palavra para que não a esqueça. Partir a ignorancia para quem sabe nela pisar. Descalçou os pés porque queria andar. A mão veio a boca e o peixe migrou pelo rio docemente.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Admiravel mundo novo

O disco preferido. Essa construção ao mesmo tempo de cunho emocional e de cunho estetico, desapareceu quase por completo das rodas de conversa dos amigos. As rodas de conversas versam sobre diversos assuntos menos a respeito de preferencias. Preferir algo se tornou coisa do passado e como tal não compoe a narrativa atual. Por incrivel que pareça, alguem perguntou qual disco do grupo Nação Zumbi ele preferia, se da fase com Chico Science ou da fase com Jorge du Peixe no vocal. Entendera errado a pergunta e respondera que a fase com Chico Science. Vendo a distancia tanto a pergunta como a resposta incorrem em erros de analise porque se concluiria que a fase de Chico Science transbordava genialidade enquanto que a fase com Jorge du Peixe se traduzia numa sub expressao dos temas rotineiros que a banda costuamra cantar e tocar. É sempre bom ficar alerta as armadilhas qie os preconceitos sociais espalham pelo debate estetico e uma dessas armadilhas é que as pessoas tem escutado pouco discos em sua completude e mantem-se presos a musicas especificas. O ouvinte ecutar uma musica ou duas musicas apenas de um disco com dez musicas não dá a dimensão do todo nem o todo disco inidivudal e nem o todo dos discos anteriores. Uma obra esta sempre atrelada a uma obra anterior e sugere o que vira na obra seguinte. Jorge du Peixe em uma entrevista declarou que a banda sempre soltava pistas dos seus projetos futuros no disco que a banda acabava de lançar. Se a banda solta pistas ela tambem despista. É uma relação dialetica. Os processos de construção estetica que definiram Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, de 1994 e 1996, respectivaente, não poderiam ser repetidos pela banda pós morte de Chico Science em 1997. As condicçoes historicas e materiais que ensejaram a produção dos dois discos mudaram completamente. É o que se depreende de um disco como NZ de 2002. As letras de Chico Science constextualizavam a crise urbana vivida pelas grandes cidades com a historia recente do pais. Em NZ, como em Radio Samba de 2000, as letras e seus sentidos não sao tão explicitos. Na musica “Caldo de Cana” Jorge du Peixe canta “Meu Destino é agora/feito caldo de cana/é a cana caiana”. Jorge du Peixe relaciona a questão individual do sujeito com a questão coletiva da produção de cana de açucar monocultura que predomina em boa prte do litoral nordestino. Caldo de cana é preparado e consumido na hora, então o cidadão tambem é preparado para ser consumido agora como se depreende da letra. So resta admirar o mundo novo como canta sila do coco na mesma msuica numa referencia a admiravel mundo novo de aldous huxley.

domingo, 11 de setembro de 2022

Baixada maranhense e leste Maranhense : Modos de vida e de produção

Comparando a região da baixada, caracterizada por grandes volumes de agua na superfiicie, com a região leste maranhense, caracterizada por grandes volumes de agua no seu subsolo, constata-se que a presença da agua na superficie em grande quantidade ou não é o que direciona as atividades economicas sociais das comunidades tradicionais e quilombolas do maranhão. Moradores do povoado Santa flor de bequimão conversavam no terraço do comercio de familaires enquanto o gado descansava em alguma sombra a beira da estrada. Dois deles se desafiavam e cruzavam chavelho ou cifre. Para a economia social desse povoado, o gado é mais um item entre tantos que compoe a economia domestica da população. Deve se admitir que o consumo da carne de gado se infiltrou de maneira expressiva na rotina domestica das pessoas nos ultimos anos. O que faz diferença para essa população, em determinados momentos, é uma traira seca ou jabiraca. A filha da dona da casa e do comercio trouxe um prato com peixe seco, nos finalmentes, e deu para o grupo se servir. Pensava-se que os mais velhos ficariam nas suas e dispensariam a iguaria. O que mais se viu foi justamente o contrario: um dos mais velhos se erguendo da cadeira e indo em direção ao prato com as trairas secas para pegar sua parte no botim. Um jornalista que fazia parte do grupo preferiu fazer politica ao telefone e não provou a oferenda. Os idosos devem se recordar do tempo em que em boa parte do maranhao o que havia para se comer provinha dos rios e lagos, principalmente na baixada maranhense, e como era dificil criar animais de medio e grande porte nos anos oitenta devido a crise economica. Na cabeça dessas pessoas, o fundamental para se manterem durante o dia é o peixe e a farinha. Essa constatação e bem diferente quando se pega o leste maranhense. Os rios do Cerrado nao sao piscosos e não há grandes reservatorios na superficie como acontece na baixada maranhense. O que implica dizer que as populações tradicionais dessa regiao não contam com grande oferta de peixe para se alimentarem e que elas tem que da um jeito de produzir para evitarem a fome. A criação de gado, porco, bode, frango e peixes de criatorio passa a ser uma necessidade inquestionavel para a economia dessas familias do leste maranhense. O problema é que para qualquer criação precisa de espaço fisico e formas de nutrir esses animais. As comunidades tradicionais vem perdendo espaço para o agronegocio como se ve na regiao entre chapadinha e codo onde o grupo Macedo de pecuaristas de presieente Dutra vem grilando e desmatando o babaçual do seu Antonio e sem area para plantar ele não tem alimentos para si e nem para as suas criações.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

O Mar o porto e as remoções

O Mar o porto e as remoções Gostava de Paulinho da viola e gostava principalmente quando cantava o mar. Timoneiro nunca fui que não sou de velejar. Paulinho exponencia insegurança e timidez por toda sua obra. E não há problema nenhum nisso. O mar quando quebra na praia e bonito, e bonito, Paulinho da viola cantando Dorival Caymmi. Quem e mais poderoso, o mar ou a praia? Você olha para o mar e o que vê ? Você olha para a terra e pensa que viu tudo. O mar enverga as certezas, pescador não vá pra pescar pescador não vá pescar que e noite de temporal, Dorival Caymmi pela voz de Virgínia Rodrigues. O governador Carlos Brandão afiancou em entrevista que o porto do Cajueiro será construído e para isso serão feitas remoções e indenizações. A Suzano papel e Celulose quer remover a comunidade Camboa dos Frades vizinha do cajueiro e construir um terminal, lembrando que a Suzano foi uma das principais interessadas na construção do porto do Cajueiro até pouco tempo. As notas promissórias das campanhas de 2014 e 2018 ainda não foram devidamente pagas. E o que se depreende da fala de Brandão a Mirante.

Minha preta

A verdade é que a compreensão do mundo acaba na esquina. No lugar onde estavam, não havia esquinas. Eles estavam em algum ponto entre Bequimão, Peri Mirim e São Bento. Comunidade quilombola do Pontal, casa da Preta, presidente do Sindicato de Trbalhdores Rurais de Bequimão. Ela se recuperava de uma operação e eles chegaram perguntando do queijo, o famoso queijo de São Bento que, pelo visto, não era de Sao Bento coisa nenhuma. Tudo bem. O queijo acabara e só haveria de novo no domigo. Entre uma conversa e outra, alguem lhe moveu uma questão “Por que Preta?” “Olha não sei é um apelido que me deram na minha infancia”. Quem sabe apelidar devia ganhar um prêmio porque requer uma criatividade que nem todos tem. Devem te-la apelidado de preta porque se observa traços negros em seu corpo e em sua feição sendo que os seus traços determinantes são indigenas. “ô minha preta”, é um tratamento que uns podem considerar carinhoso e outros podem considerar racista. A linguagem é utilizada de acordo com as conveniencias da Historia de cada povo. Quem olha o povo da Santa Flor, municipio de Bequimão, cravaria na hora que todos descendiam de portugueses tamanha a alvura dos rostos. Ledo engano. Descendem de indigenas e a alvura se acentuou por terem vivido muito tempo isolados o que levou a não se misturarem com europeus e africanos. Sem eles saberem, essas historias e outras historias se encontram ameaçadas em seus cernes pelos projetos de infraestrutura que o governo do estado do maranhão pretende implantar na baixada maranhense, uma ferrovia ligando açailandia a alcantara e um porto em alcantara para escoarem a produção de grãos da região oeste do estado. Se não há esquinas, há campos naturais a perder de vista onde se ve agua acumulada meses a fio graças aos invernos generosos e que se esvai com o adensamento do verão. Os quilombolas e indigenas retiram sua fonte de proteina diaria do consumo de peixes que pescam nesses campos. A anemia falciforme é uma doença caracterisitca dos negros que os acomete porque eles não tinham acesso a carne de gado. Caso o projeto do porto e da ferrovia seja levado adiante pelo governo do Maranhão é fazer a politica de terra arrasada contra as comunidades tradicionais e quilombolas.