quinta-feira, 20 de julho de 2017

Tanques de piscicultura poluem rio em São Raimundo das Mangabeiras





Da pista apenas se enxerga alguns tanques de peixes e um pivô irrigando 76 hectares de soja. A fazenda se vale para suas atividades econômicas das águas do Riachao, tributário do rio Balsas que por sua vez desagua no rio Parnaíba. A soja, pelas bandas de São Raimundo das Mangabeiras, é um fenômeno antigo, por mais que sua área seja menor comparada com a área de soja em Balsas. O município de São Raimundo das Mangabeiras não é extenso e ainda apresenta características peculiares do ponto de vista climático, do ponto de vista do solo, do ponto de vista social e do ponto de vista ambiental. Foram três anos seguidos de chuvas escassas. O solo não é adequado para o plantio de soja. Há muitos posseiros. E parte do território do município engrossa o parque do Mirador. Ele é bem servido de água. Ele é cortado pelos rios Itapecuru e Balsas. A piscicultura é um fenomeno recente. O senhor Joao Silva e sua esposa Maria Jose Silva compraram uma propriedade de 12 hectares em 2010 colada ao riachao : o Canto do Riachao. Nesse ano, eles sairam do Café Bom, data Ipueiras, porque nesse povoado agua se rareava. A senhora Maria José pescou muito peixe no Riachao nos primeiros anos em seguida a compra da terra. Nesses sete anos muita coisa mudou e uma delas foi a construção de 200 tanques de piscicultura na fazenda do senhor Celso. Quem antes pescava no e bebia do rio não pode mais devido a presença de grande quantidade de resíduos da alimentação oferecida aos peixes. Como o Celso Gaucho licenciou 200 tanques em menos de sete anos? Parecia impossível. Não, não ea, respondeu irmão Francisco, membro do STTR de Mangabeiras. O secretario de estado do Meio Ambiente não recebe as comunidades impactadas pelos tanques, mas licencia fácil e rápido e nem precisa mandar algum técnico para verificar in loco. Para beber, o senhor João Silva não se utiliza do rio. Para esse fim cavou um poço. A  água do rio serve para agua as plantas dos canteiros. O Riachao antes transparecia o fundo. Nos seus piores dias, os dias em que a fazenda bombeia agua o dia inteiro, o rio vira lama.  
mayron regis

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Um canto na chapada



Alguma coisa cantava para as bandas do leste -, a chapada estava densa e triste porque sua fauna cansada se acabava aos poucos de forma violenta. O artista pregava em seu álbum o ultimo retrato da chapada, mas onde ela ficava localizada geograficamente? Porque haveria de alguém cantar na chapada a não ser os pássaros e suas árvores “unha-de-gato” ou sapucaia ringindo uma nas outras? Na chapada se ouve muitos cantos nos recantos dos ouvidos afinados das coisas que por lá acontecem.
A chapada roncava com um sono profundo que jamais acordara. Certa vez, há milhões de anos o cerrado nascia junto aos vários fenômenos da natureza, todavia aquele tempo tudo era diferente. Existia as mesmas coisas, outras se extinguiram com o passar dos anos e das reviravoltas. A chapada que nascera ali e que foi ocasionada há milênios de anos atrás por conta das águas e do vento que continua lá com seus prantos de outrora. O canto era triste e clamava por justiça - os viventes que habitavam os lugarejos tinham um habitat vivo na comunhão da própria consciência. Um velho sábio dizia com sua voz trêmula que seu mundo de criança não era aquele que via agora - os olhos enchiam de lágrimas que corria para os rios e lagoas. O Rio que nascera por lá secou por causa da ganância, eles ainda sonham com um mundo melhor para todos e todas.
O que é uma chapada? Pode ser descrita como uma forma de relevo que possui superfícies planas, onde são comuns vales e cabeceiras de rios. Muitos são os tipos de chapadas, cada uma com suas próprias características de fauna e flora. O Viajante fala das chapadas do leste – as únicas que cantam sua própria composição, são elementos de desenvolvimento da cultura, da geografia e da educação. Conhecer uma chapada é conhecer um vasto jardim que ao mesmo tempo é um pomar natural criado pela natureza, este pomar fornece frutos silvestres, caça e água para as comunidades que em troca lhe protege do mal, do veneno e da grilagem. O chão das chapadas foram também regados de sangue de companheiros que tombaram na luta em defesa da vida e dos direitos humanos, que lutaram pela liberdade – foram eles nossos irmãos “Balaios”, nossa luta vem desde as florestas de Chico Mendes ao cerrado do Pe. Josimo – foram espelhos que refletiram novos sonhos de ver um outro mundo possível.
Muito antes de batalhas, os nativos já se orgulhavam em tirar da terra seu sustento. “A terra é de quem mora nela”, dizia um velho sábio. “O sol, a lua, as nuvens e o vento não pertencem a ninguém porque atendem todo mundo – por isso a terra é de todos nós - nela moramos, pisamos... Trabalhamos”, disse o ancião. O Viajante aprendera lições de vida, ouvia o som de uma flauta que vinha de lugares distantes, das nascentes longínquas, percebia que o eco anunciava uma nova era, mas pregava dizendo que muitos tinham que sair de suas casas para juntos construir um novo tempo sem exploradores e explorados.

José Antonio Basto

Afonso Cunha : entre Chapadas e Baixões

O Chico da Cohab fez o percurso entre Chapadinha e Afonso Cunha incontáveis vezes (a perder de vista). A maioria, pela Chapada. A minoria. pelos Baixos. No ano em que chovia bem pra caramba, as pessoas pensavam duas vezes antes de sairem de casa em direçao a zona rural. Não se via nuvem de chuva na hora de sair, mas em pouco tempo se formava uma chuva sabe-la-Deus-de-onde que escancarava o mundo interno das grotas a quem quisesse ver. Enxergar as grotas debaixo de muita chuva ou sentir a secura da Chapada em pleno verão carecia de uma dose suave de ousadia e de loucura. Para encarar os embates pela tosse da terra, precisava aumentar  um pouco mais as doses, afinal as familias Lyra e Bacelar determinavam o que podia e o que não podia em suas propriedades. Incluia-se a vida social e economica das pessoas nesse poder absoluto em miniatura. As familias Lyra e Bacelar exerceram seus poderes em miniatura referentes as Chapadas e aos Baixões nos municipios de Chapadinha e Afonso Cunha durante decadas. O Incra desapropriou as fazendas dessas familias entre 2001 e 2014 em Chapadinha em resposta  as pressões exercidas pelo STTR e pelas comunidades de Vila Borges, Vila Januario, Vila Chapeu e Mangueira. Quanto ao municipio de Afonso Cunha, nenhuma terra da familia Bacelar "legitima detentora" de milhares de hectares nesse municipio e de outros grandes proprietarios foi desapropriada pelo Incra. Em parte, isso se deve a inercia do STTR de Afonso Cunha e das comunidades. Contudo, parece que essa inercia chegou ao fim. O proprietario  das fazendas Loiola, Feitoria, Jacu, Bacorrão e Canela despachou que os moradores não devem roçar áreas nessas fazendas. Esse despacho afeta mais de 100 familias ou mais de 500 pessoas em todo o municipio de Afonso Cunha. Chico da Cohab participou a convite do STTR de uma reunião no dia oito de julho de 2017 que pediu a regularização fundiária de  quatro mil hectares entre Chapadas e Baixões em favor dos moradores que vivem há mais de 100 anos nessas localidades.
Mayron Régis