
Diversas experiências foram visitadas durante as atividades, em destaque para o cultivo do babaçu com forte participação das mulheres nos movimentos das quebradeiras de coco. Na luta pela terra o destaque foi para o Padre Josimo, assassinado na década de 1980 pelo seu empenho na organização dos movimentos sociais da região. O trabalho das cooperativas e associações também mereceu um olhar mais atento dos participantes.
Além do reconhecimento das conquistas dos camponeses em termos de geração de renda e políticas públicas para o setor, algumas sugestões foram apontadas e propostas: busca de novas fontes de conhecimento para socializar o saber popular, fortalecer as agroindústrias e economias locais, valorizar os quintais da agricultura familiar, a importância dos sistemas agroflorestais, aproximar e fortalecer o trabalho das organizações parceiras junto a APA-TO, criação da Escola Família Agrícola (EFA) como polo de resistência do Bico, dentre outros elementos.
De acordo com Paulo Gonçalves, da ONG Alternativa para Pequena Agricultura do Tocantins (APA-TO), essas caravanas são um método extremamente importante e riquíssimo. Segundo ele, foi muito importante a mobilização das entidades da região como a participação dos quilombolas do Tocantins, Amapá e Pará.
Para Fabio Pacheco, da ONG Tijupá e integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), foi muito importante o fato de as organizações do Bico do Papagaio toparem desde o início a realização da caravana na região.
“Mostrar a história do Padre Josimo e as pessoas que encampam esse espírito, e a luta das organizações que fazem agroecologia nos territórios. Algo que é difícil dimensionar nesse momento, mas no debate a nível nacional poderemos mostrar as resistências e lutas na região”, disse.
Os grupos de trabalhos divididos para encerrar a caravana elencaram alguns limites para o avanço da agroecologia: o impacto dos grandes projetos na região, como a construção das hidrelétricas, o desconhecimento das pessoas sobre a agroecologia, a construção da barragem de Marabá e o avanço dos monocultivos, além da falta de articulação política a nível estadual e nacional e aprofundar mais na base o conhecimento agroecológico para, inclusive, melhorar o destino do lixo, etc.
A comunicação foi um ponto muito ressaltado pelos participantes. A criação de um blog das organizações do Bico para construir seu espaço para divulgar as experiência e servir de referência na região foi uma das propostas. A ideia é construir uma política de comunicação para apresentar os problemas, projetos e experiências, após a realização de um seminário sobre comunicação na região. Nesse sentido, será elaborada uma carta da caravana com denúncias sobre a não regularização da Reserva Extrativista Norte do Tocantins, o não funcionamento da EFA-Bico, a ameaça da hidrelétrica de Marabá, etc.
“Foi uma oportunidade muito simbólica realizar nessa escola que vai trabalhar a formação de filhos de camponeses com foco na agroecologia. Estamos num processo de transição agroecológica nessa região, de disputa com o agronegócio, então precisamos fortalecer esse processo. Pensar na possiblidade de realizar um encontro antes do ENA por causa desse momento que estamos vivendo, usarmos essas ferramentas para tentarmos impedir a barragem que vai inundar o território desses agricultores. Agradecemos a contribuição das lideranças locais para botar o alojamento funcionando, e os bastidores para a realização do evento”, disse João Palmeira, também da APA-TO.
A Caravana Agroecológica e Cultural do Bico do Papagaio foi mais uma etapa preparatória do III Encontro Nacional de Agroecologia, que será realizado em Juazeiro (BA), no final de maio em 2014.
www.agroecologia.org.br
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