terça-feira, 15 de novembro de 2011

Frutos Do Cerrado

Daniela Lustoza
 
O bioma cerrado cobre mais de 50% do território maranhense, onde podem ser encontradas inúmeras espécies de frutas nativas e não-nativas. As atividades econômicas ligadas aos frutos do cerrado revelam-se oportunidades de negócios, que ainda tem seu potencial pouco explorado no estado. O extrativismo e o processamento destes frutos são alternativas para a geração de emprego e renda em algumas regiões do estado, desenvolvendo cadeias produtivas, além de ser uma forma de preservar a vegetação nativa, por meio do extrativismo sustentável.
 
O desenvolvimento de atividades relacionadas aos frutos do cerrado desperta o interesse e o trabalho tanto de agricultores, responsáveis pelo extrativismo, como de industriais, donas-de-casa, comerciantes, cooperativas, entidades de pesquisa, universidades, entre outras, que juntos podem desenvolver atividades produtivas relacionadas a estes frutos. O cerrado maranhense conta com uma grande diversidade de frutos como, a ata, o buriti, bacuri, pequi, mangaba, macaúba, caju, cajuí, cajá - que podem ser beneficiados e transformados em variados tipos de produtos com valor comercial. 
 
 1-    As oportunidades 
 
Além das atividades extrativistas por parte dos empreendedores, que podem vender os frutos in natura, existem oportunidades também para agroindústrias que beneficiem os frutos para a produção de polpas congeladas, sucos, sorvetes, geléias, picolés, doces em compota, óleos, licores, biscoitos, bolos e tortas. O modelo de cooperativas é interessante neste caso, no qual há a possibilidade de associativismo entre as famílias extrativistas e as pequenas indústrias, responsáveis pelo beneficiamento e comercialização dos frutos. Estes produtos podem ser fornecidos para bares, lanchonetes, sorveterias, restaurantes, supermercados, além da possibilidade de fornecimento para as prefeituras locais para a merenda escolar.
Uma questão de grande relevância atualmente na produção de frutos e outros produtos alimentícios, são as certificações, extremamente importantes para a agregação de valor aos produtos, dada a maior exigência dos consumidores quanto à procedência dos alimentos. As frutas possuem três tipos de certificações possíveis: Orgânicas, Socioambientais e de Boas Práticas Agrícolas. A certificação Socioambiental visa associar práticas preocupadas com o ambiente e a sociedade, sem deixar de lado aspectos econômicos, como os selos FairTrade, Rainforest Alliance Certified e EcoCert.  Como exemplo de certificados de Boas Práticas Agrícolas, os quais visam a rastreabilidade, a qualidade e a segurança das frutas, existem os selos Global GapGarantia de Origem Carrefour e Qualidade desde a origem. Já os produtores de frutas orgânicas, devem se preocupar em adquirir selos regulamentados pela lei brasileira, seguindo as novas regras válidas desde 1º de janeiro de 2011.
 
2-    As ameaças
 
Por tratar-se de uma vegetação extremamente favorável a agropecuária, os cerrados encontram-se sob a ameaça que vem do avanço do agronegócio e das carvoarias, da prática antiga e rudimentar de queimadas, além da pecuária extensiva. O desmatamento e ocupação (principalmente com monoculturas) de vastas áreas de cerrado, com a utilização de técnicas avançadas de mecanização e defensivos agrícolas, põem em risco a preservação das espécies nativas do cerrado e expulsam as famílias produtoras do campo.
 
3- Tendências de Mercado 
 
3.1- Frutas
 
Os dados preliminares do IBGE revelam que a produção de frutas no Brasil cresceu 5,2% em 2010 comparado ao ano anterior. O país é o terceiro maior produtor do mundo, ficando atrás apenas da China e da Índia. O aumento da renda é um dos fatores que explicam a inclusão das frutas na alimentação dos brasileiros, além da busca por uma vida mais saudável. O consumo no Brasil é estimado em 47 kg por habitante ao ano.
 
3.2- Sucos
 
O aumento da renda da população, a praticidade no consumo e a divulgação dos benefícios à saúde têm feito o consumo de sucos de frutas crescer em todo o país. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não- Alcoólicas (ABIR) revelam que o consumo de suco de frutas no Brasil entre 2002 e 2009 cresceu 21,0%, sendo que em 2009 foram comercializados 1,41 bilhão de litros a mais que em 2002, totalizando cerca de 6,71 bilhões de litros de consumo total naquele ano. O seguimento de sucos e néctares obteve o maior destaque; cresceu 158,5% em sete anos. Já o consumo de sucos em pó cresceu 33,0% e o de suco concentrado, 8,0%.
Entre os sucos concentrados, os de maior consumo (em milhões de litros) em 2009 foram os de laranja (311,3), maracujá (262,55) e caju (243,24). Os sucos e néctares mais consumidos em 2009 foram laranja (121,65), pêra (66,03) e maracujá (56,58). Estes dados mostram que os frutos do cerrado ainda são pouco conhecidos no país, exceto o caju, representando um gargalo com grande potencial de exploração.
 
3.3- Fruticultura no Maranhão
 
Apesar de apresentar potencial de produção durante o ano todo, o Maranhão ainda possui pouca participação na produção e comércio de frutas no Nordeste e nas Regiões do Estado, sendo que as produções mais significativas são de banana, abacaxi, côco-da-baía, açaí e caju. A Tabela 1, elaborada com base no Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, mostra a quantidade colhida de alguns frutos da extração vegetal no Maranhão.
 
Tabela 1-Extração Vegetal de Frutos- 2006
Fruto
   Quantidade      colhida (ton)
Açaí (fruto)
267.499
Babaçu (coco)
257.967
Babaçu (amêndoa)
75.943
Pequi
19.353
Buriti (coco)
6.450
Licuri (coquilho)
5.162
Pinhão
5.126
Tucumã
4.040
Bacuri
3.159
Cupuaçu
3.026
Pupunha (coco)
1.916
Mangaba (fruto)
1.869
Cajarana
1.506
Fonte: IBGE - Censo Agropecuário
 
 Entre os frutos que podem ser encontrados no cerrado, além do caju, os que possuem maiores quantidades colhidas no Maranhão são o pequi, o buriti e o bacuri. Os demais frutos do cerrado são pouco explorados no Maranhão, já que não existe uma atividade produtiva regular na maior parte do Estado, apenas de subsistência com uso restrito a população local, a qual conhece os frutos, mas os explora muito pouco.
 A coleta da maior parte dos frutos baseia-se ainda em um tipo de atividade extrativista tradicional, com pouca ou nenhuma agregação de valor.
 Estas espécies, apesar de ser de pouco conhecimento do mercado consumidor, podem futuramente ganhar valor comercial, beneficiando principalmente o pequeno produtor rural. Há um enorme campo potencial a ser explorado, inclusive no que tange ao desenvolvimento de pesquisas que programem técnicas de produção e manejo de forma que não agridam o bioma do cerrado, mas que permitam a prática da extração dos frutos de maneira sustentável e supere as ameaças que vem principalmente do avanço das monoculturas do agronegócio.
 4-      Localização
 
As oportunidades estão alocadas principalmente no Cerrado Maranhense, predominante nas regiões centro-sul e nordeste do Estado. A proximidade do empreendimento a um centro fornecedor é importante, já que as frutas são altamente perecíveis, e sofrem deterioração ao longo do percurso de transporte, sem contar os custos que envolvem o transporte desses produtos pra localidades mais distantes.
 
5-      Acesso a Crédito
 
*PRONAF
Para o financiamento das famílias extrativistas, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do governo federal, disponibiliza crédito a todos os produtores rurais cuja renda familiar bruta anual seja superior a R$ 6 mil e inferior a R$ 110 mil, com pelo menos 70% provenientes da exploração agropecuária e não agropecuária do estabelecimento. Os principais agentes são o Banco do Brasil, o Banco do Nordeste, o Banco da Amazônia, bancos cooperativos, de desenvolvimento e cooperativas de crédito. O programa possui as mais baixas taxas de juros dos financiamentos rurais, além das menores taxas de inadimplência entre os sistemas de crédito do País. A Linha de Crédito do Pronaf Mais Alimentos financia a modernização das propriedades familiares com juros de 2% ao ano, prazo de pagamento de até dez anos e até três anos de carência. O limite de financiamento de projetos individuais é de R$ 130 mil. Além O Mais Alimentos também financia projetos coletivos de até R$ 500 mil.
 
*Banco do Nordeste
O Banco do Nordeste por meio FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) oferece o programa BNB – Cresce Nordeste Fruticultura, o qual financia todos os itens necessários à produção, desde preparação da terra, máquinas, equipamentos e veículos até capacitação, pesquisa, consultoria, projetos, assessoria empresarial e técnica, estudos de impacto ambiental e outros itens necessários à viabilidade da exploração justificados no projeto. Os beneficiários do crédito são produtores rurais (pessoas físicas e jurídicas), cooperativas de produtores rurais e associações de produtores rurais. Informações sobre taxas, prazos e outras condições no site: Cresce Nordeste – Fruticultura.
Outro programa do BNB é o BNB - Planta Nordeste que oferece crédito rotativo para custeio de lavouras periódicas, extração de produtos vegetais e custeio pecuário; e o BNB - RURAL. 
 
*Banco do Brasil
O programa BB-Fruticultura tem o objetivo de disponibilizar recursos, com as melhores condições do mercado, para financiar produção, beneficiamento, industrialização e demais investimentos necessários à melhoria dos padrões de qualidade e condições de comercialização de produtos da fruticultura. Toda a cadeia frutícola é beneficiada pelo programa. Mais informações no site  BB - Fruticultura. 
 
*BNDES 
O BNDES Automático é um programa que foi criado para financiar projetos de implantação, expansão, modernização ou relocalização das empresas. Os itens financiados são obras civis, aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional, instalações, veículos utilitários, mobiliário, informática e capital de giro associado, entre outros. Saiba mais sobre taxas, prazos e outras condições no site BNDES Automático.
http://www.cenarioeconomico.com.br/observatoriosebrae/index.php?conteudo=informativo&id=135

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