terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PRM/Imperatriz quer que Vale indenize comunidades atingidas com o impacto dos trens da EFC

 
 


 
As construções das comunidades de Francisco Romão e Novo Oriente, em Açailândia, sofrem com rachaduras devido à vibração ocasionada pela passagem dos trens
A Procuradoria da República no Município de Imperatriz (PRM/Imperatriz) propôs ação civil pública, com pedido de liminar, contra a Vale S.A., visando a reparação dos danos materiais sofridos pelas comunidades de Francisco Romão e Novo Oriente, localizadas no município de Açailândia/MA, com a passagem dos trens pela Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Em perícia técnica elaborada pelo Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA), foi constatado que as rachaduras existentes nas construções da localidade são decorrentes da vibração ocasionada pela passagem dos trens pela estrada de ferro. As casas possuem infraestrutura precária, com padrão construtivo mínimo, o que as tornam mais vulneráveis à intensidade dos abalos.
Em caráter liminar, a PRM/Imperatriz pede que a Justiça determine que a Vale, sempre que for procurada por um morador das comunidades mencionadas, avalie e repare os danos causados, ou faça melhorias na estrutura da habitação, de forma que suporte a vibração ocasionada pela passagem dos trens. É solicitado, ainda, que a Vale indenize os danos morais, individuais e coletivos, pelos transtornos causados às comunidades de Francisco Romão e Novo Oriente.
A ação é movida pelos procuradores da República, Natália Lourenço Soares e Douglas Guilherme Fernandes.
EFC – Inaugurada em 1985, a EFC liga as minas de ferro de Carajás/PA ao Terminal Portuário de Ponta da Madeira/MA, e possui 892 km de extensão. Em 1997, a União concedeu à Vale S.A., pelo prazo de 30 anos, o direito de prestar serviço público de transporte ferroviário de cargas e passageiros, compreendendo a expansão e o desenvolvimento da Estrada. Açailândia é o município que abriga a maior extensão de trilhos da ferrovia, um total 123,6 km.
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Estado do Maranhão

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Secretaria Municipal de Políticas Públicas e Igualdade Racial de Chapadinha CONVIDA para Audiência Pública sobre a comunidade quilombola de Barro Vermelho


 
A Secretaria Municipal de Políticas Públicas e Igualdade Racial de Chapadinha convida o povo Chapadinhense para uma Audiência Pública a ser realizada no dia 07 de fevereiro de 2013, às 9h, no auditório da Prefeitura Municipal.


O referido evento tem por objetivo tratar da situação da comunidade “Quilombolas de Barro Vermelho”, que vem enfrentando grave situação de conflito pela regularização de seu território.


Por via, até a presente data a comunidade não dispõem dos serviços básicos comunitários, como energia elétrica e outros.


Estarão na presente audiência representantes da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Entidades da Sociedade Civil e autoridades de nosso Município.
 
Ascom/Sec. Mun. de Políticas Públ. e Iguald. Racial/Chapadinha

Monocultivos de Eucalipto e Florestas: Conceitos Inconciliáveis

por Wagner Giron de la Torre
As empresas nacionais e transnacionais cingidas ao setor de produção de papel e celulose investem muito na vã tentativa de consolidar a imagem do monocultivo do eucalipto como sendo florestas plantadas, no claro intento de escamotear os severos e até hoje imensurados impactos socioambientais defluentes da escala oceânica da expansão irrefreada dessa espécie monocultural no território nacional, já presente em vários estados  como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul dentre outros.
Essas “florestas plantadas” – não podemos olvidar – são formadas pelo cultivo de uma única espécie exótica (o eucalipto), a partir de formas clonais das espécies Eucalyptus grandis e Eucalyptus uropphylla, e implantadas sobre biomas como  Mata Atlântica, Cerrado Floresta Amazônica e Pampa através da incidência massiva de pesticidas químicos à base de glifosato, ou do formicida Mirex, à base de Sulfluramida, dentre outros agrotóxicos, a fim de eliminar a presença do que os gestores dos manejos denominam de “ervas daninhas”, matinhos rasteiros, formigas e outros elementos naturais potencialmente nocivos ao esperado desenvolvimento das clonadas mudinhas, em processo tecnicamente conhecido como capina química.
O eufemismo subjacente à eucaliptização de vastas regiões do país não leva em conta as conseqüências do lançamento indiscriminado da larga carga de pesticidas no solo, assim como a FAO, braço das Organizações das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, não considerou essa importante questão ambiental quando, por influência mercadológica das corporações que enriquecem com a produção de celulose no hemisfério sul, passou a considerar florestas como terras com superfície superior a 0,5 hectares com árvores de mais de 5 metros de altura e com cobertura de copa de mais de 10 por cento, em conceituação rasa urdida sob o indisfarçável viés de albergar, na terminologia oficial da ONU, o monocultivo industrial do eucalipto como “florestas”, para todos os efeitos legais, inclusive para formalizar subsídios estatais ao setor silvicultural e possibilitar que as empresas ligadas ao segmento da agroindústria também conseguissem extrair lucros no famigerado mercado de crédito de carbono.
Embora a conceituação de floresta pela FAO seja mui conveniente para atender aos interesses mercantis das transnacionais que vicejam no setor industrial da produção de commodities de celulose, não há, do ponto de vista científico, como aceitar-se que o cultivo de uma única espécie, no caso o eucalipto, com tempo escasso de corte (em média de 6 a 7 anos a partir do cultivo da muda clonada) e que só se desenvolve, de maneira tão espevitada, por conta da incidência de toneladas e toneladas de pesticidas químicos e adubo sintético no solo que a abriga, possa ser aceito como floresta.
É que o eucalipto – como toda e qualquer monocultura semeada nas artificialidades dos laboratórios das grandes corporações – não interage com a natureza. Nele não há possibilidade alguma de existir vida, intercâmbio natural, cadeia alimentar a permitir a sobrevivência até mesmo do mais rasteiro dos insetos.
As espécies exóticas implantadas em milhões de hectares contínuos pelo país afora são, no limite, mercadorias direcionadas ao mercado agroexportador, conformadas em um ciclo curtíssimo entre o cultivo das mudas e o corte das árvores, lapso esse que não suplanta os seis a sete anos. Nesse ínfimo espaço temporal, espécie animal alguma pode desenvolver seu ciclo biológico de existência e reprodução genética.
Nos monocultivos comerciais de eucalipto não há a presença de diversidade biológica necessária para que o aglomerado de clones exóticos possam ser aceitos tecnicamente como florestas.
Dessa sensação resulta a imagem – tão bem lapidada ao tema – do DESERTO VERDE, concebida pela população rural afligida por seus negativos impactos.
Como nos lembra Américo Luis Martins da Silva, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio – 92), acordou-se, na letra g do item 9 da Agenda 21 que as florestas são essenciais para o desenvolvimento econômico e para a manutenção de todas as formas de vida”, vida essa impossibilitada face ao despejo estratosférico de largas quantidades de agrotóxicos a insuflar, como já explicitado, o desenvolvimento dessa modalidade monocultural.
Diante dessas precisas e exatas características subjacentes ao monocultivo do eucalipto, nos deparamos com relatos cotidianos da extinção da fauna e flora nas regiões já afligidas pela expansão, em escala industrial, dessa questionada eucaliptização, como, por exemplo, o histórico de degradação ambiental vivenciada nas áreas de cerrado, na região de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, exposto por MIECESLAU KUDLAVICZ, destacado pesquisador das severas alterações socioambientais decorrentes da implantação do pólo produtor da pasta de celulose naquela localidade, que nos conta “que um dos indicadores mais visíveis do desequilíbrio ambiental proveniente dos desmatamentos para implantação de pastagens e, mais recentemente, para plantio de eucalipto, é a presença de aves na cidade. A migração de papagaios, periquitos, tucanos e araras ocorre de forma mais freqüente a partir do final dos anos de 1990 e início dos anos 2000. Também é a partir deste período que os camponeses passam a sofrer ataques mais agressivos dos papagaios em suas lavouras de milho na Microrregião de Três Lagoas. (..) Ultimamente as aves estão invadindo os pomares dos camponeses e se alimentando de todas as frutas, inclusive de limão quando não encontram outro alimento. Esse fenômeno também se repete nos perímetros urbanos de outras cidades da região leste do Estado”.
Também no Vale do Paraíba Paulista há sucessivos relatos do campesinato sobre o êxodo de animais e aves, inclusive de onças e diversas outras espécies em extinção, que premidas pela perda de habitat, vivem a revirar os nichos de lixo das casas-sede das fazendas vizinhas às áreas de remanescentes de Mata Atlântica, estranguladas pela pressão do monocultivo, à cata de alimentos que já não mais podem acessar nos territórios naturais a cada dia aniquilados pela expansão, sem precedentes, dos implantes artificiais dessas monoculturas industriais.
É dogma inquestionável que as florestas tropicais, até mesmo por conta de imensa biodiversidade que as sustentam, encerram em si um sistema autorregulador de vida que alberga não só a fauna como a flora visíveis e principalmente a microfauna sedimentada em seu solo, construindo um sistema próprio de humificação que é absolutamente incompatível com a aplicação, em larga escala, de pesticidas químicos.
Portanto, afora os impactos ambientais visíveis decorrentes da escala industrial do monocultivo de eucaliptos, temos a extinção em massa de todas as bactérias, micro-organismos, insetos benéficos que são imprescindíveis no processo natural de fecundidade da terra e na retenção de carbono no solo.
Calha aqui, como luva, rememorarmos as lições emprestadas ao tema por RACHEL CARSON em  obra de justo prestígio que, a respeito do solo, sublinhou:
Há poucos estudos mais fascinantes, e ao mesmo tempo mais ignorados, do que esses a respeito das populações abundantes que existem nos reinos escuros do solo. Sabemos muito pouco dos laços que unem os organismos do solo uns aos outros e ao seu mundo, e ao mundo acima deles.
Talvez os organismos mais essenciais no solo sejam os menores – as hostes invisíveis de bactérias e de fungos filiformes. As estatísticas sobre sua abundância nos levam de imediato a cifras astronômicas. Uma colher de chá da camada superficial do solo pode conter bilhões de bactérias. (…)As bactérias, os fungos e as algas são os principais agentes da decomposição, reduzindo os resíduos vegetais e animais a seus componentes minerais. Os vastos movimentos cíclicos de elementos químicos como o carbono e o nitrogênio pelo solo e pelo ar, bem como pelos tecidos vivos, não poderiam acontecer sem essas microplantas. Sem as bactérias fixadoras do nitrogênio, por exemplo, as plantas morreriam por falta de nitrogênio, ainda que cercadas por um oceano de ar contendo esse gás.(…)Ainda outros micróbios do solo efetuam diversas oxidações e reduções por meio das quais minerais como o ferro, o manganês e o enxofre são transformados e se tornam disponíveis para as plantas. (…) Além de toda essa horda de criaturas minúsculas, mas que trabalham incessantemente, existem, é claro, muitas formas maiores, pois a vida que reside no solo vai das bactérias até os mamíferos. Alguns são moradores permanentes das camadas escuras abaixo da superfície; outros hibernam ou passam etapas bem definidas de seus ciclos de vida em câmaras subterrâneas; outros se deslocam livremente de suas tocas até o mundo da superfície. Em geral o efeito de toda essa ocupação do solo consiste em arejá-lo e melhorar sua drenagem quanto a penetração de água através das camadas onde as plantas crescem. Entre todos os maiores habitantes do solo, provavelmente nenhum é mais importante do que a minhoca. Mais de três quartos de século atrás, Charles Darwin publicou um livro chamado ‘The Formation of Vegetable Mould, Througth the Action of Worms, wth Observations on Their Habits’ (A formação do húmus por meio da ação dos vermes, com observação sobre os hábitos destes). Nesse livro, Darwin forneceu ao mundo a sua primeira compreensão do papel fundamental exercido pelas minhocas como agentes geológicos do transporte do solo – um quadro que mostrava as rochas de superfície sendo gradualmente cobertas pelo solo que as minhocas traziam das camadas de baixo, em quantidades que chegavam a várias toneladas ao ano por acre. (…) E isso não é, de modo algum, tudo o que elas fazem: seus túneis arejam o solo, conservam-no drenado e ajudam a penetração das raízes das plantas. A presença das minhocas eleva o poder nitrificante das bactérias do solo e diminui a putrefação do solo. A matéria orgânica é decomposta ao passar pelo aparelho digestivo dos vermes, e o solo é enriquecido por seus produtos excretados. Essa comunidade do solo consiste, então, em uma teia de vidas entrelaçadas, cada uma relacionada de alguma forma com as outras. (…) O problema que nos preocupa aqui é um desses que têm recebido pouca atenção: o que acontece a esses incrivelmente numerosos e vitalmente necessários habitantes do solo quando substâncias químicas venenosas são introduzidas em seu mundo? Será razoável supor que possamos aplicar um inseticida de amplo espectro para matar os estágios larvares subterrâneos de um inseto destruidor de plantações, por exemplo,  sem também matar os insetos ‘bons’, cuja função pode ser a essencial decomposição da matéria orgânica? Ou então, será que poderemos usar um fungicida não específico sem também matar os fungos que moram nas raízes de muitas árvores em uma associação benéfica, que ajuda a árvore a extrair nutrientes?
Não sem razão, portanto, que no interior dos vastos eucaliptais triunfa o silêncio, a ausência de vida, a arenização da terra, a inexistência de sub-bosques e o aprofundamento dos processos erosivos também insuflados pela construção, sem qualquer monitoramento ou controle pelos Poderes Públicos, de milhares de quilômetros de estradas de rodagem clandestinas, para facilitar o corte e transporte dos milhões de toretes que são transferidos, todos os dias, das áreas de implantes dos monocultivos para as industrias produtoras de pasta de celulose e papel.
Como observa Winnie Overbeek
um primeiro alerta é sobre a linguagem utilizada pelas empresas de eucalipto e celulose quando cheguem numa região escolhida por elas e começam a apresentar sua proposta à opinião pública. Estas empresas costumam falar que vão implantar ‘florestas plantadas’, ou seja, vão plantar florestas. Pergunto: tem como plantar uma floresta? É claro que não, a única coisa que podemos plantar são as árvores. Uma floresta como conhecemos no Brasil é muito mais do que um conjunto de árvores da mesma espécie. As florestas no país contam com uma rica biodiversidade de árvores, plantas e animais, uma capacidade de manter e proteger recursos hídricos e abrigar comunidades para as quais as florestas representam uma casa”.
Os eufemismos urdidos pela indústria agroexportadora da pasta de celulose para escamotear os severos e desmedidos impactos dessa lucrativa atividade industrial sobre o meio ambiente não podem ser recebidos pela sociedade sem qualquer senso crítico, não obstante a notória dissimulação em intitular um monocultivo sem vida com o rótulo de “floresta plantada”
Em aprofundado trabalho de pesquisa científica que produziu perante o Departamento de Geografia da USP e que lhe valeu o título de mestre nessa universidade pública, o professor GERSON DE FREITAS JUNIOR, considerando todos os elementos geomorfológicos e biotécnicos inerentes ao manejo do monocultivo do eucalipto no Vale do Paraíba Paulista, para fins de produção e exportação de pasta de celulose, sustentou, nestes precisos termos,  que não há como aceitar-se o aforismo mercantilista de serem, tais monoculturas, “florestas plantadas”:
(…)Assim, em um primeiro momento, considerando apenas o aspecto fisionômico, a predominância de árvores, a extensão e a altura das árvores, um cultivo agrícola de eucaliptos poderia ser classificado como floresta. Além disso, escolhendo-se a definição mais adequada, pode-se facilmente inserir os plantios de eucaliptos com fins comerciais na condição de florestas. Entretanto, a argumentação contrária, presente neste item, baseou-se em critérios diferentes das definições, de forma que para que uma formação florestal possa ser designada como tal, seja necessário considerar parâmetros mais amplos, menos relacionados com a fisionomia das formações vegetais e mais relacionados às relações ecológicas entre biota e o ambiente.
Por isso, nos parágrafos a seguir, foram considerados outros parâmetros para defender a tese de que cultivos de eucaliptos não constituem florestas. Os plantios de eucaliptos para fins comerciais têm semelhança muito maior com outros tipos de cultivos agrícolas do que com formações florestais.
Embora existam grandes florestas de eucaliptos na natureza, elas são muito diferentes dos cultivos para fins comerciais existentes no Brasil. Ao contrário de florestas, os cultivos de eucaliptos para fins comerciais fora da área natural de distribuição, apresentam as seguintes características:
I dependência da supervisão e manutenção humanas para manutenção dos processos ecológicos.
II Distribuição linear dos espécimes arbóreos.
III Mesma idade dos espécimes arbóreos, principalmente quando os indivíduos são clones.
IV Incapacidade de se reproduzir.
V Ausência de história evolutiva integrada ao sistema geoecológico ao qual está relacionada.
VI Ausência de regeneração natural.
VII Não ocorrência de predomínio de espécies nativas do local de ocorrência do conjunto arbóreo em questão.
Apenas a existência de um extenso agrupamento de árvores, com altura mínima determinada, não é suficiente para configurar um sistema florestal. Floresta é um tipo de formação arbórea complexa e variada, com flora, estrutura e fisionomia adaptadas ao relevo e ao clima, capaz de se reproduzir e se manter por meios naturais (inclusive interagindo com a fauna), com distribuição irregular e aleatória dos espécimes arbóreos, apresentando sucessão ecológica natural.’(…)uma floresta pode se regenerar naturalmente, se houver fontes de sementes viáveis (o que não ocorre com cultivos agrícolas), como aquelas que permanecem dormentes no solo (bancos de sementes) ou produzidas por árvores remanescentes (chuvas de sementes)’ (ADLARD, 1993, in LEÃO, 2000, pag. 84).
Esses parâmetros não são encontrados em cultivos agrícolas de eucaliptos ou de outras árvores. Por isso, considera-se incorreto e enganoso, utilizar o termo florestas plantadas para designar plantios de eucaliptos. Os partidários do termo florestas plantadas como forma de designar cultivos de eucaliptos utilizam essa denominação com o intuito de esconder a natureza agrícola destes empreendimentos, tentando relacioná-los a práticas ecologicamente corretas e conservacionistas, sob a justificativa de que estão ‘plantando florestas’, mas na verdade, os cultivos de eucaliptos são agronegócios.
Além disso, afirmam, de forma reducionista, que uma floresta se define pelos serviços ambientais que ela proporciona, como captação de CO2, minimização de processos erosivos e interceptação das chuvas, além dos produtos que pode fornecer, como a madeira, por exemplo. Contudo, este pensamento relaciona a condição de existência de uma floresta a uma simples questão de funcionalidade.
Os serviços ambientais proporcionados por uma floresta estão relacionados à sua existência e não a existência da floresta aos serviços ambientais que ela presta!
Ao contrário dos cultivos agrícolas de eucaliptos, pode-se citar um exemplo real de floresta plantada, que é a Floresta da Tijuca no Rio de Janeiro-RJ. Mesmo contando com espécies exóticas em seu conjunto, embora não sejam predominantes, e tenha sido alvo de um grande projeto de reflorestamento no século XIX, esta floresta apresenta as características anteriormente citadas. Após os replantios, a flora da Floresta da Tijuca continuou a realizar os  processos ecológicos naturais, como a reprodução, independentemente da intervenção humana direta. A gestão da floresta na forma de Unidade de Conservação é diferente da manutenção de característica agrícola. (…) Quando o eucalipto é plantado com objetivo comercial, geralmente em grande escala e de forma intensiva, para fornecer matéria-prima para as indústrias de papel e celulose, construção civil ou siderurgia, trata-se de silvicultura.
O termo reflorestamento aplica-se ao plantio com espécies variadas preferencialmente nativas, com objetivo de recompor uma área originalmente florestada.
Resta evidenciado que a falácia fomentada pela indústria de papel e celulose de que seus monocultivos comerciais são “florestas plantadas” não possui fundamento algum nos contextos científico e, principalmente, ecológico, cingidos à questão, não passando de mais uma propaganda enganosa,  fruto do conhecido greenwashing tão comum no meio industrial, em específico, na seara capitalista do agronegócio, que semeia lucros estratosféricos às custas do exaurimento, impune, dos mais variados ecossistemas.

Mandioca - Apesar da riqueza, cultivo mantém posição de 'segunda classe' no país


04/02/2013 - Valor Online - Por Janice Kiss | De São Paulo
O historiador e antropólogo Luís da Câmara Cascudo definiu a mandioca como a "rainha do Brasil" no livro "A história da alimentação do Brasil", por conta do tubérculo estar associado à formação do próprio país.  A Manihot esculenta foi apresentada aos portugueses pelos índios, utilizada pelos bandeirantes que a semeavam pelo caminho como garantia de alimento ao desbravar sertões e símbolo de protesto dos padres do seminário de Olinda que, envolvidos com a luta pela independência do país, baniram os pratos à base de trigo, cereal que passou a ser considerado o símbolo do colonizador.

Mesmo com toda a importância - além do consumo da própria raiz, dela é extraído um punhado de tipos de farinhas - seu plantio permanece marginalizado na maioria das regiões (Norte e Nordeste, as principais produtoras) e um pouco menos no Centro-Sul, onde estão instalados plantios e colheitas mecanizados, e grandes indústrias de amido que produzem 500 mil toneladas por ano e movimentam cerca de R$ 800 milhões anuais, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam).

Para o pesquisador Joselito Motta, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), um dos maiores especialistas na área, a culpa para o baixo consumo é a da associação preconceituosa de que mandioca é comida de classes mais baixas.

Imagem que, por sinal, a nutricionista Neide Rigo se empenha em derrubar.  Há 20 anos, Neide se dedica a resgatar alimentos que saíram de moda, como o mangarito, tubérculo da família do inhame, ou outros que são considerados cultivos menos nobres.  A mandioca está nessa categoria.  "Até mesmo seu uso como legume foi substituído pela batata", diz.

A nutricionista que viaja por países para ensinar o uso e o potencial dos alimentos locais, explica que a planta é rica em vitaminas e cálcio e dela são extraídos uma centena de produtos, como alimentos para o homem, ração para animais, álcool, etc.

Ela concorda com especialistas, como o pesquisador da Embrapa, que o consumo do tubérculo ficou à sombra do trigo, desde quando o cereal começou a se popularizar no Brasil nos anos 1950.  No entanto, o país produz em torno de 50% do que consome e precisa importar cerca de 7 milhões de toneladas.

Há dez anos, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) propôs um projeto de lei para reduzir a "dependência" do trigo e incentivar o cultivo de mandioca que atingiu seu auge nos anos 1970, com 30 milhões de toneladas.  A proposta era adicionar 10% de fécula de mandioca à farinha de trigo usada na panificação sem prejuízo ao sabor do tradicional pão francês, mas o projeto não vingou.

O Brasil continua a ser o segundo maior produtor mundial de mandioca, atrás da Nigéria.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Padre diz que posseiros estão bebendo água contaminada por agrotóxicos


Imagem: Bruno SoaresPadre João Myers:(Imagem:Bruno Soares)PADRE JOÃO MYERS: "Como é que pode um baixão servir de reserva para uma área que está lá em cima da Serra?"

O padre redentorista João Myers, que desde 1978 serve à circunscrição eclesiástica de Bom Jesus do Gurguéia, fez na noite do último dia 1º, durante missa celebrada na Igreja Matriz de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, duas sérias denúncias.

A primeira delas se refere ao fato de que posseiros moradores no Vale do Riozinho, entre os municípios de Santa Filomena e Baixa Grande do Ribeiro, estariam vendendo as posses de seus terrenos por apenas e tão somente R$ 100,00 (cem reais) o hectare.

Padre João afirma que os grandes agricultores da região estão comprando os “baixões” por quase nada, objetivando utilizá-los como Reserva Legal, conforme estabelece o novo Código Florestal, que permite a averbação de reserva legal em área não continuada, desde que pertença à mesma Bacia Hidrográfica. “Como é que pode um baixão servir de reserva para uma área que está lá em cima da Serra?”, indagou o sacerdote em sua pregação.

Na outra denúncia, mais séria ainda, o missionário revelou que os afluentes do Riozinho estão sendo envenenados pelo agrotóxico que desce dos projetos agrícolas localizados na Serra da Fortaleza. Da mesma forma, Padre João disse que muitos brejos perenes estão sendo extintos, pois as áreas de recargas das nascentes se acham desmatadas.

Quanto à possível contaminação desses mananciais por ingredientes ativos empregados nas fórmulas de agrotóxicos, ele acrescentou que muitas daquelas famílias vem sendo obrigadas a abrir poços cacimbões, com medo de consumirem água envenenada. “Outros preferem vender as posses de terra por pouco dinheiro e morar nas pontas de ruas das cidades, passando por necessidades e dependendo de favores”, finalizou o padre João Myers.

Imagem: Tony Santosna outra(Imagem:Tony Santos)Padre João Myers chama ainda a atenção para a possiblidade de brejos estarem sendo contaminados por agrotóxicos

Acerca de um dos temas abordados pelo Padre João Myers, delatando a degradação do nosso ambiente natural (solo, água e ar), recentemente o jornal O GLOBO teve acesso a pesquisas científicas, mostrando que a presença de substâncias de agroquímicos põe em risco as regiões agrícolas e até áreas de importância ecológica.

A reportagem destaca ainda os altos índices de suicídios e mortes por câncer nessas regiões agrícolas, fato que vem ocorrendo com frequência em Santa Filomena (PI) e em Alto Parnaíba (MA). Inclusive, nos últimos anos temos discutido bastante o tema, tanto na tribuna da Câmara Municipal de Santa Filomena quanto na Rádio Rio Taquara FM.

Infelizmente, não temos obtido respostas satisfatórias para tais questionamentos. Seria muito oportuno que técnicos da SESAPI se dirigissem ao Vale do Riozinho, colhessem amostras de água e as mandassem analisar, a fim de que se possa comprovar a veracidade da denúncia.

O padre  irlandês João Myers, que reabre a discussão sobre o assunto, tem mais de 50 anos de sacerdócio e 84 anos de idade, reside há 34 anos na comunidade Santa Fé, zona rural de Santa Filomena e, igualmente, atua nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves, levando a palavra de Deus às populações ainda isoladas.
http://blogdojosebonifacio.blogspot.com/

OS IMPACTOS DAS MONOCULTURAS NO SOLO, NO CLIMA E NOS RECURSOS HIDRICOS




Ele passara muitos dias naquela região. Nem tinha ideia de quantos dias foram em oito anos. Como esses dias se comportavam em sua mente e em seu espirito também não sabia. De tantos dias, o ar empesteado pelas carvoarias se impusera como norma. Contrariar isso de que forma? Quem se interporia entre as áreas de Chapada e os plantios de soja e de eucalipto que as ameaçam? As Chapadas não se repetem. Um trecho da Chapada destoa completamente de outro. Neste, coleta-se bacuri. Naquele, coleta-se pequi. Sem esquecer a mangaba. Os pequizeiros se concentram em ambientes mais secos. Os bacurizeiros se concentram em ambientes mais úmidos. Com efeito, a relação entre espécies vegetais e o clima nunca foi, devidamente, estudada. Acusou-se agricultura familiar de impactar o solo, o clima e os recursos hídricos ao queimar ou desmatar pequenas áreas como, geralmente, acontecia no Maranhão décadas passadas. O que dizer, então, dos desmatamentos e plantios de monocultura em larga escala que as empresas praticam nas bacias hidrográficas do rio Munim, Preguiças, Buriti, Magu e Parnaiba? Quando alguém vê um bacurizeiro com cinquenta anos ou um pequizeiro com duzentos anos nem sonha quanto tempo essas espécies levaram para se adaptar ao clima e ao solo do Cerrado. O eucalipto e a soja se adaptaram em parte ao clima e ao solo do Cerrado por obra e graça da ciência. Em favor das espécies exóticas, as pesquisas encurtaram os panos do e os planos onde o tempo se inscreve. Ganhou-se em produtividade e perdeu-se em biodiversidade, microclima e recursos hídricos.  
Mayron régis

Vegetação das margens do Rio Preguiças é recuperada por projeto apresentado no IFMA Maracanã

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Nos 182 km de extensão do Rio Preguiças, que vai da nascente em Santana do Maranhão até o Oceano Atlântico, foi recuperada a vegetação de 35 hectares antes devastados, com o plantio de 43 mil mudas de espécies nativas: açaí, pequi, bacuri e murici. O resultado alcançado pelo projeto “Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças”, do Instituto de Agronegócios do Maranhão (INAGRO), com patrocínio do programa Petrobrás Ambiental, foi divulgado no II Seminário de Avaliação do Projeto, que aconteceu no Campus Maracanã, nesta quarta-feira (23).
O Rio Preguiças banha a cidade de Barreirinhas, famosa por ser portal de entrada dos Lençóis Maranhenses, e mais 55 povoados. Ao lado das nascentes, havia uma situação grave de exploração predatória dos recursos naturais, com extração de madeira para construção de cercas, casas e produção de carvão vegetal, além das constantes queimadas de capoeiras, na preparação tradicional e danosa do terreno para a roça.  
estudantesAs medidas do projeto para conter a devastação iniciaram com reuniões de sensibilização e capacitação. Os ribeirinhos dessas comunidades participaram de três treinamentos sobre educação ambiental. Depois, foi construído um viveiro irrigado, para produção das mudas de plantas nativas, que em seguida ganharam lugar definitivo às margens do Rio Preguiças.
soares“Com essas ações, houve elevação do nível do lençol freático, estancamos o processo de degradação e reconquistamos a perenidade do rio, baseados na preservação e gestão ambiental”, comemorou o coordenador do projeto, Francisco Soares, que é engenheiro agrônomo.
ataideNa área recuperada, havia também plantio de pasto para alimentação de gado, o que é proibido pelo novo Código Florestal, já que a região faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Upaon-Açu. Mas o produtor foi sensibilizado e deixou o local. “Precisamos ter a consciência de que é necessário preservar e fazer uma agricultura forte e sustentável”, defendeu o presidente do INAGRO, José de Jesus Reis Ataíde.   

Impacto econômico
O rio preservado gera trabalho e renda. Segundo estimativa do instituto, 525 pessoas estão sendo diretamente beneficiadas pelo projeto “Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças”; mais 2.500 têm benefícios indiretamente e 85 mil ao longo de todo o Pregiças. São pessoas que cultivam banana, feijão, milho, arroz e mandioca com irrigação natural. Dessa região, também são extraídas seis mil toneladas de castanha de caju e mais de 1.200 famílias tiram seu sustento trabalhando como barqueiros, lavadeiras, motoristas de Toyota e artesãos.
Mesmo com as vantagens ambientais e socioeconômicas, o projeto ainda enfrenta dificuldades. O arame farpado usado para conter animais que pudessem estragar as mudas, por exemplo, teve uma parte furtada. A solução encontrada foi pintar o arame com tinta azul.
lucimeireA diretora geral do Campus Maracanã, Lucimeire Amorim Castro, que acolheu o evento, lembrou projeto semelhante já executado pela instituição para conservação do Rio da Prata. O professor de Fruticultura, Eliomar Braga, coordenou a recuperação da vegetação das nascentes do rio que fica no entorno do campus. “É algo feito por pessoas que realmente se preocupam com a preservação. Com cada um fazendo sua parte, tendo compromisso social e ambiental, todos saem beneficiados, porque teremos uma qualidade de vida melhor”, enfatizou Lucimeire.
O seminário contou com apoio do Núcleo de Educação Ambiental (NEA) do Campus Maracanã, coordenado pela professora Vilma Almeida, e foi acompanhado pelo diretor de Desenvolvimento Educacional, Jean Magno Moura de Sá.
Fonte: IFMA