quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

GRUPO SUZANO PRATICA VIOLÊNCIA NO BAIXO PARNAIBA


O grupo Suzano Papéis Celulose decidiu mais uma vez utilizar a violência para expulsar pequenos agricultores e detentores de  posses na região do Baixo Parnaiba. A família de um trabalhador rural  residente na comunidade Chapada da Formiga, município de Anapurus é uma das mais recentes vítimas da truculência, por não se render a entregar suas terras de herança. Com a utilização de empresas terceirizadas e jagunços travestidos de seguranças, o grupo  com a garantia da impunidade e a cobertura de instituições públicas exerce praticas criminosas para expulsar famílias das suas terras. Agora, segundo denúncias feitas pelo Fórum Carajás, eles chegaram na madrugada destruindo cercas de arames da área de herança e fizeram ameaças, proporcionando pânico em crianças, idosos e  mulheres. De há muito o grupo Suzano Papéis Celulose  vem  impondo o terror para se apropriar  de terras de posse e expulsar famílias das suas origens seculares, e  felizmente  não  é mais voraz pela defesa que algumas entidades da sociedade civil organizada  fazem dos povos sofridos, dentre as quais a Igreja Católica. O mais grave das ações destruidoras do grupo Suzano é que na proporção em que expulsa famílias, as remete a formação de bolsões de miséria em centros urbanos, empurra jovens para a prostituição e as drogas  e amplia as desigualdades sociais no Maranhão
O grupo Suzano Papéis Celulose já estendeu os seus tentáculos  a nove municípios do Baixo Parnaiba, destruindo reservas  ambientais, frutos do cerrado como o piqui e o bacuri  e substituindo o babaçu pelo eucalipto. Para que se tenha uma dimensão da audácia do grupo pedrador, ele detém incorporado ao seu patrimônio terras devolutas que deveriam ser utilizadas por instituições públicas  para a produção de alimentos pela agricultura familiar. Várias denúncias já foram feitas   ao Iterma  e  a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, mas todos realmente temem o grupo, que inclusive é um dos maiores responsáveis pelos desmatamentos praticados em todo o Estado, uma vez que vem  abrindo fronteiras em todas as direções do Maranhão . Com o respaldo irrestrito  do governo estadual, ele vem impondo regras e violência,  onde bem entende e assim vai consolidando os seus interesses na proporção em que demonstra generosidade  com apoios políticos.
aldir dantas

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O caráter usual das ações da Suzano Papel e Celulose

   
A forma como a Suzano Papel e Celulose derrubou a cerca da família Domingues na comunidade de Formiga, em Anapurus, Baixo Parnaiba maranhense, com seus funcionários na calada da noite, valendo-se da madrugada, quando as pessoas dormiam, para executar os serviços decididos por alguém da empresa, sem hesitar, reedita as piores práticas das oligarquias locais. A Suzano abdicar do seu discurso de sustentabilidade para os “investidores ingleses assistirem” e assumir o seu lado Hyde não deve ter sido fácil. Ou será que foi? Afinal intimidar uma comunidade do interior do Maranhão deve contar pontos em algum índice de negócios como o da Bovespa.
As horas dispendidas pelos trabalhadores da Suzano na derrubada da cerca família Domingues aparecem como? Como horas extras? Quanto a empresa pagou por esse serviço? No rebolo de gente, os funcionários da Suzano, protegidos por uma empresa de segurança, destruíram os tijolos na posse da Dona Graça, membro da família Domingues.
A ação dos funcionários da Suzano se baseia em uma liminar obtida ilegalmente a partir de um documento de compra de 148 hectares num local denominado Mirim, localizado em Anapurus. Esse documento tem mais furos que um queijo suíço ou em outras palavras é uma furada mesmo. O documento da Suzano data de 11 de dezembro de 1996 enquanto que o documento da família Domingues data de 08 de janeiro de 1966.
Traça-se uma nova dinâmica para o eucalipto em todo mundo o referendando como espécie de valor climático excelente como se as espécies nativas não o fossem vide o caso das espécies do Cerrado e da Caatinga. Mudam-se os nomes e os motivos, mas o caráter usual com o qual as elites maranhenses adornam a grilagem de terras e a intimidação de comunidades continua o de sempre. Esse foi o caso de um conselheiro do TCE do Maranhão que apertaria as mãos dos seguranças da Suzano caso estivesse por perto.
Mayron Régis

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O homem segundo a Monsanto


Carta dos Povos do Cerrado

“Sabemos que nossas caras não são as caras que frequentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país. Somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja   de carvão” [destaque deste Blog]


À  Sociedade  Brasileira

Nós, extrativistas, agroextrativistas, agricultores familiares, assentados,  mulheres quebradeiras de coco babaçu, vazanteiros,  ribeirinhos,  geraizeiros,  retireiros  e  pescadores  dos  estados  de  Goiás,  Minas  Gerais,  Bahia,  Mato Grosso,  Tocantins,  Maranhão  e Piauí,  reunidos na  cidade de Goiânia  nos dias 1 e 2 de fevereiro de 2012,  após avaliação e análise criteriosa do que vem ocorrendo nos cerrados brasileiros, vimos a público informar e exigir providências imediatas diante da grave situação que se encontra esse bioma e seus povos. Para isso destacamos:

  • Até hoje, tanto o Executivo como o Legislativo sequer se dignaram a votar o pleito antigo dos Povos dos  Cerrado de considerar nosso bioma como Patrimônio Nacional como são reconhecidos a Amazônia, o Pantanal e a Mata Atlântica. Por quê? Por quê?
  • Ignora-se que esse bioma detém mais de um terço da diversidade biológica do país?
  • Ignora-se que é no Cerrado que se formam os rios que conformam as grandes bacias hidrográficas brasileiras como a do São Francisco, a do Doce, a do Jequitinhonha, a do Jaguaribe, a do Parnaíba, a do Araguaia/Tocantins, do Xingu, do Tapajós e Madeira (da bacia amazônica), além dos formadores da bacia do Paraguai e do Paraná/bacia do Prata?
  • Ignora-se que estão relacionadas ao Cerrado as duas maiores áreas alagadas continentais do planeta, ou seja, o Pantanal e o Araguaia?
  • Ignora-se, como disse  Guimarães Rosa, que o Cerrado é uma caixa d’água?

O  que mais se precisa para reconhecer esse rico bioma como  patrimônio nacional? Por que não? Por que não?

  • Ignora-se   que  esse   bioma   é  o   único  bioma   que   tem   vizinhança  com   todos  os  outros   biomas   brasileiros  (com  a   Amazônia,  com   a   Caatinga,   com   a   Mata Atlântica,  com  a   Mata  de  Araucária)?
  • Ignora-se   que   somente   essas  áreas  de  contato  correspondem   a   14%   do  território  brasileiro   que   somados   aos  22%   do  bioma   Cerrado  correspondem   a   36%   do nosso território?
  • Ignora-se   que   esses  14%   do  território   de  contato  com   o   bioma   Cerrado  a   outros  biomas  são  áreas de enorme  complexidade  e  ainda  maior diversidade  biológica?
  • Ignora-se   que  nessas   áreas,  particularmente,   o   conhecimento   em  detalhe,  o  conhecimento   local,  é  de  enorme  valia   e  que   o   Brasil  detém   um  acervo   enorme desse  conhecimento   com   suas   populações   camponesas,  indígenas   e  quilombolas  que,   assim,   se   mostram  importantes   para   a  sociedade  brasileira,  para   a  humanidade  e para  o  planeta?

Não   se   pode  ignorar   tudo   isso   que   clama  por  reconhecimento. Exigimos  tanto  do  Executivo   quanto   do  Legislativo  que   reconheçam  o   Cerrado,  enfim  como Patrimônio   Nacional.   Mesmo  assim  cabe   a   sociedade  brasileira   e  a   humanidade  indagar porque  o  Cerrado continua  sendo  esquecido.

De  nossa  parte,  como  populações   extrativistas   e  agroextrativistas   do Cerrado  temos   envidados  nossos   melhores   esforços   para   que   tenhamos  uma   política  socioambiental,  justa, democrática e  responsável.

Aprendemos  com   nossos   irmãos   amazônicos,  sobretudo  com   os  seringueiros   e  seu   líder   Chico  Mendes  que   não   há  defesa   de  nenhum  bioma   sem   seus   povos.  É  de  Chico  Mendes  a   máxima,  “não   há  defesa   da  floresta,   sem   os   povos  da  floresta”.   Daí dizermos  em  alto  e bom tom:  Não   há defesa  do Cerrado sem  os  povos do Cerrado.

O  conhecimento   de  nossos   povos  e  etnias  desenvolvido  com   o   Cerrado é  essencial   para   sua   preservação.  Com   todo   o   respeito   que   nutrimos   pelo   saber  cien tífico sabemos   que   o   conhecimento   e  a   sabedoria  desenvolvidos   há  milênios  e  séculos   pelos camponeses  e  indígenas   é  um  acervo   fundamental  que   colocamos  a   disposição  para   um diálogo  com   qualquer  outro saber.

Daí  a   convicção  que   temos   da  importância   de  nosso  conhecimento, reconhecido  por  vários  cientistas   e  pesquisadores   do  Brasil  e  do  exterior,  surgiu   a   idéia   de lutarmos   por  Reservas   Extrativistas   no  Cerrado.  Desde   o   início  dos anos   1990  que   vimos nessa  luta,   sabemos   que   a   política   socioambiental  não   pode  se   restringir   à   punição  e  à  fiscalização.   Ela  tem   que   ser  propositiva   e  ser  positiva.  Para   isso   propomos  as   Reservas  Extrativistas   onde  nosso  conhecimento  tradicionalmente   desenvolvido  pode contribuir  para  a   preservação   e  conservação  do  Cerrado  garantindo  uma   vida   digna  para   seus   povos.

Todavia como andamos?

No  balanço  que   fizemos  nesses   dois   dias   de  trabalho   intenso constatamos  que   nas  30  Resex’s,  tanto  nas  já   decretadas  como  nas  que   estão  em  processo  de  reconhecimento   e  regularização,   a   situação  das  comunidades   foi  sensivelmente  deteriorada   pelo   completo   descaso  das  autoridades,  sobretudo  em  resolver  o   problema  fundiário,   esse   nó estrutural  que   impede  até  hoje   que   a   sociedade  brasileira   seja   mais   justa   e  feliz.

O  fato   dessas   áreas  terem   sido   decretadas  ou  estarem  em  processo   de decretação   sem   que   o   problema   fundiário   tenha   sido   resolvido,   tem   feito   com   que   os  fazendeiros   que   deveriam   ser  indenizados   pelo   poder  público,  passem  a  impedir  que   a  população  local   tenha  acesso   para   a   coletar   o   baru,  o   pequi,   a   fava   d’anta,   o   babaçu   e   mais  de  uma   centenas   de  outros   produtos   com   que   temos   sobrevivido   e  oferecido   à   sociedade alimentos, remédios  e  bebidas.

Desde  que   o   ICMBIO  foi  criado   em  2007  nenhuma   Resex  foi  criada   no Cerrado.  Olhado   da  perspectiva   dos  Povos  do  Cerrado  o   ICMBIO  não   faz  jus  ao  nome  de  um dos  nossos   companheiros   que   morreu  por  sua   justa   luta,   para   afirmar   um  paradigma,   onde  a  defesa   da  natureza   não   se   faça   contra   os   povos  mas,   ao  contrário,  se   faça   através   deles.  Em função   dessa  omissão  das  autoridades   cuja   responsabilidade   pública   as   obriga   a   zelar   pelo  patrimônio   natural,   uma   das  entidades  de  nossa  articulação   entrou   com   uma   ação   pública  civil   junto  ao  Ministério  Público.  Todavia,  passado  1   ano sequer   nossa  ação   mereceu qualquer   resposta   por  parte  do  Ministério  Público,  apesar de  ser  uma   denúncia   de prevaricação  de  um  órgão  público.  A  julgar   pelos  dados  oficiais   que   nos  informam que no último   ano   foram   desmatados   somente   no  Cerrado  646   mil  hectares,   o   que   perfaz   um  total  de  1.772,33   hectares  por  dia,  podemos   dizer   que   a   cada   dia  que   o   Ministério  Público   deixa de  se   pronunciar  e,   assim,   de  julgar   o crime   de  prevaricação,  deixa  de  evitar  que   mais   de  mil e  setecentos   hectares  sejam   desmatados   diariamente.  A  palavra  está   com o Ministério Público   enquanto   a   nossa  realidade   espera   com   devastação   e  insegurança.  Tudo  isso  alimenta  um lamentável  clima de impunidade.

Ignora-se   que   muitos   remédios   que   curam   o   glaucoma,   a   hipertensão  arterial   dependem de  frutos   colhidos  por  nós,   como  é  o   caso   faveira/fava   d’anta   de  onde  se  extrai  mais   de  90%   da  rutina,   substância  química  para   esses  remédios.  Ignora-se,  e  por ignorância   alimenta se   o   preconceito,  que   essas  populações   podem   viver   dignamente   dessas  atividades,  como  provamos  que   numa  área   com   4   árvores  adultas   de  baru   se   obtém  mais renda  do  que  em um hectare plantado  com  soja.

Enfim,   precisamos   ter  uma   política   que   dialogue  com   nossa  cultura, com   nossos   povos  para   que   se   tenha   um  viver   bem   com   justiça   social  e  responsabilidade  ecológica. Mas  para   isso   é  preciso   que   as   autoridades   viabilizem  as   Resex’s  no  Cerrado.  Toda nossa  mobilização   encontra   a   desculpa   pouco   crível  da  falta   de  recursos.   Bem   sabemos   que  se   há  falta   recurso  é  preciso   estabelecer   prioridades.   Isso   é  fundamental  na  política.  Desse modo,  a   falta   de  recursos   acaba  sendo   a   confissão   pública  de  que   as   Resex’s  no  Cerrado  não  são   prioridade.  Mas  sabemos   que   o   argumento   da  falta   de  recurso  é  um  argumento   em  si  mesmo  falso.  Afinal,   o   governo  tem   anunciado  publicamente   sua   eficiência   no  recolhimento  dos  impostos   que   a   cada   ano   engorda  mais   a   receita   federal.  O  nosso  governo  tem  anunciado  ainda  os   sucessivos  saldos,   nas  contas   externas,   como  prova  de  seu   êxito.  Se  tanto  êxito  há  na  entrada  de  divisas   no  país   e  no  recolhimento   de  impostos   da  receita  federal  como se  sustenta  o  argumento   de que  não   há  recursos?

Mais   grave  ainda,   é  o   fato   de  que   aqueles  que   como  nós,   vimos lutando  por  essas  reservas   extrativistas   estamos  expostos   à   truculência   não   só   dos fazendeiros   que   nos impedem   o   acesso   das  áreas  onde  tradicionalmente   colhemos,  como também   da  expansão   do  latifúndio   da  monocultura  de  exportação   de  soja,   da  monocultura de  algodão, da  monocultura  de  eucalipto,  da  monocultura  de  pinus,  da  monocultura  de girassol,  da  invasão  de  madeireiros,  da  expansão   de  carvoarias  para   fazer carvão   para   ferro gusa   e  exportar   minério  puro   para   mineradoras  que   vem   crescendo  sobre  nossas   áreas  da pressão  para   a   construção   de  barragens  que,   via  de  regra,   servem   de  base   para   a   exploração mineral  para   exportação.   Todos  esses  setores   foram   nominalmente   citados   na  avaliação  criteriosa   das  ameaças   de  cada   uma   das  Resex’s  criadas   e  em  processo   de  criação   nos cerrados.

A  truculência   dos  que   ameaçam   se   concretiza  na  ameaça  de  morte  aos nossos companheiros   e  companheiras   que   se   vêem  obrigados,  tal  e  como  na  época  da ditadura,   a   viverem   escondidos   longe   de  suas   famílias.   Exigimos   das  autoridades   todas  as  providências  para   a   garantia  das  vidas  de  Osmar   Alves  de  Souza  do  município  de  São  Domingos/GO;  de  Francisca   Lustosa  do  município  de  Tanque/PI,  Maria  Lucia  de  Oliveira Agostinho,  município  de  Rio  Pardo  de  Minas/MG;  Neurivan   Pereira   de  Farias,   município   de Formoso/MG,   Wedson  Batista   Campos,  município  de  Aruanã/GO;   Adalberto  Gomes   dos Santos   do  município  de  Lassance/MG;   Welington  Lins   dos  Santos,   município  de Buritizeiro/MG;  Elaine  Santos   Silva,  município  Davinópolis/MA;   José   da  Silva,  município  de Montezuma/MG.

Responsabilizamos   antecipadamente  as  autoridades  pelo  que  vier  acontecer  com   a   vida   desses  companheiros   e  dessas   companheiras,  cujo   único  crime  tem  sido   o   de  lutar   pela   dignidade  de  suas   famílias  através   da  Resex’s.  Não   queremos  que   o  nome  desses   companheiros   e  companheiras   venha   a   se   somar   ao  de  Chico  Mendes,  ao  de Dorothy  Stang  e  aos  quase  2000  assassinados  no  campo   brasileiro  desde  1985,  conforme  vem   acompanhando  a   Comissão   Pastoral  da  Terra.  Temos   todas  as   condições  com   as   Resex’s de  oferecer  condições  de  vida   digna,  com   justiça   e  equidade   social  com   a   defesa   do  Cerrado.

Não   queremos  que   nossas   famílias  venham  engordar   os   dados  estatísticos   dos  que  dependem  da  bolsa  família,  ou  outras   bolsas   para   viver.  Respeitamos  essa   política,  até porque   a   temos   como  uma   conquista   do  povo  brasileiro,  mas  não   vemos   com bons olhos  o  aumento   do  número  dos  que   vivem  dela.   A  Resex  é  uma   maneira  mais   sustentável   de garantir  a   sobrevivência   digna,  como  é   a   reforma  agrária.  Chico  Mendes,  dizia   que   a   “Resex  era  reforma  agrária   dos  seringueiros”.   E  nós  afirmamos  que   a   Resex  é  a   forma   de  ampliar  o  significado  da reforma agrária  ao lhe   dar  sentido ecológico  e  cultural.

Este   ano   o   Brasil  estará   recebendo   não   só   governantes  de  todo   o  mundo   como  diversas  populações   de  todo   o   planeta  na  Rio+20.  Assim  como  nós,   vários grupos   sociais   da  África,   da   Ásia   e  na  América  Latina   que   vem   sofrendo   com   avanço   sobre suas   terras   de  um  agro negócio  devastador   e  uma   mineração  voraz  de  minérios  e  água  estarão também  aqui  presentes.

Esperamos  que   as   autoridades   brasileiras  estejam  a   altura  de  suas  responsabilidades  de  estarem  à   frente   do  maior  país   tropical  do  mundo   e  onde  se  encontram  as   maiores  reservas   de  água   do  planeta.  Que   honre  esse   fato   de  ser  a  tropicalidade   caracterizada  pela   enorme  diversidade   biológica   e  que   ainda  honre  por  zelar  pelo   enorme  acervo   de  conhecimentos  que   está   entre  as   quebradeiras  de  coco   de  babaçu, os   vazanteiros,   os   retireiros,  os   caatingueiros,   os   pescadores,   os   geraizeiros  para   ficarmos  com  alguns  grupos  sociais  dessa enorme sociodiversidade  do Cerrado.

A  diversidade   biológica   e   a   sociodiversidade,  para   nós  indissociáveis,  não   podem   continuar   sendo   retórica  nos  documentos   oficiais,  sem   que   haja   o   rebatimento no  orçamento  para   garantia  de  solução  da  questão  fundiária.   De  nada  adianta  falar   de  rica  biodiversidade  se  não  se  garante no orçamento  dinheiro para  compra de terras.

Sabemos que nossas caras não são as caras que frequentam as páginas nobres das principais revistas e jornais do país. Somos em nossa maior parte mestiços, mulatos, cafuzos, negros, índios, brancos pobres muitas vezes com a cara suja   de carvão.

Sabemos que o Cerrado tem sido oferecido aos grandes latifúndios do agronegócio, que não só produzem muitas  toneladas  de  grãos,   de  pasta  de  celulose,   de  carnes   para   exportação  como  também   produzem  muita  poluição  e  muito  desperdício   das  águas,   produzem  muita erosão,  produzem  monocultura  onde  há  muita  diversidade   de  plantas   e  animais  e  ainda produzem  muito/as  trabalhadore/as   rurais  sem   terras   com   a   concentração   de  terras   e  concentram   poder  econômico  e  político  e,   assim,   contribuem   para por  em  risco   a  democracia.   Basta  ver  o   poder  que   têm   as   empresas   de  mineração  e  dos  agronegociantes  para   fazerem   propaganda,  financiarem   noticiários  nas  rádios,   jornais   e  TV’s   onde,   via  de regra,   somos   criminalizados   e  vistos  como  aqueles  que   querem  impedir  o   progresso,  como se  só  houvesse  uma  maneira de progredir, e como se   fôssemos  o  lado  errado. [grifos do Blog]



No  entanto,  estamos  aqui   cônscios   de  que   temos   muito  a   dar  ao Brasil, à  humanidade e ao  planeta. Nossa luta   não  será  em  vão  e,  por isso,  dizemos  com  o  poeta:

“Nem tudo  que  é  torto é  errado,
veja  as  pernas  do Garrincha
e as  árvores  do Cerrado”.  Nicolas Behr

Viva   o Cerrado!
Viva   os   Povos do Cerrado!
O  Cerrado não  vive   por si   só!
Que   a   Rio+20   seja   a  confluência   dos  diversos  rios   de  resistência pela  cultura   e pela   natureza!

Assinam:
Rede  de Comercialização Solidária  de  Agricultores   Familiares e  Extrativistas  do Cerrado
Resex  Mata  Grande, Davinopólis/MA
Resex Lago   do Cedro,  Aruanã/GO
Resex  Recanto das Araras  de Terra Ronca,  São  Domingos/GO
Resex Chapada  Limpa,  Chapadinha/MA
Resex Chapada  Grande,  Tanque/PI
Resex  Galiota  e Córrego das Pedras, Damianopólis/GO
Resex Contagem  dos Buritis,  São  Domingos/GO
Resex  Rio da Prata, Posse/GO
Resex Tamanduá/Poções,  Riacho  dos  Machados/MG
Resex Sempre Viva,  Lassance/MG
Resex Serra  do Múquem,   Corinto/MG
Resex Barra  do Pacuí, Ibiaí/MG
Resex Três   Riachos, Santa Fé  de  Minas/MG
Resex Brejos  da Barra, Barra/BA
Resex Serra  do Alemão, Buritizeiro/MG
Resex Curumataí, Buenopólis/MG
Resex  Retireiros  do Médio Araguaia,  Luciara/MT
Resex Areião  e Vale   do Guará,  Rio Pardo de  Minas/MG
Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros e Guias Turísticos do Cerrado – COOPCERRADO
Cooperativa  Grande Sertão
Cooperativa  de Agricultores  Familiares  Agroextrativistas  de Água  Boa  II
Associação  dos Moradores agricultores  familiares  de Córrego Verde
Associação  dos Retir eiros  do Médio Araguaia
Associação  dos trabalhadores  da reserva extrativista  Mata  Grande/MA
Movimento  das Quebradeiras de Coco Babaçu
Associação  dos agricultores  familiares  trabalhando   junto
Colônia de Pescadores  de  Aruanã/GO
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Riacho   dos Machados/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Lassance/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Buritizeiro/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais Jequitaí/ MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Santa Fé  de  Minas/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais Ibiaí/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Montezuma/MG
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Davinopólis/MA
Sindicato   de Trabalhadores  e Trabalhadoras  Rurais  Tanque/PI
Coordenaçã o  do Pólo  Sindical  do Pólo  de Oeiras/PI
Centro de Desenvolvimento Agroecológico  do Cerrado – CEDAC
Centro de Agricultura Alternativa do  Norte de Minas Gerais – CAA
Projeto Chico Fulô
Universidade Federal Fluminense
Federação dos Trabalhadores  Rurais de Minas Gerais –  FETAEMG

Enviada por Carlos Alberto Dayrell.

Cartilha de manejo do Buriti amplia a coleção “Boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável”


O ISPN lançou a cartilha de “Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Buriti”, a qual faz parte da coleção composta por 6 publicações, com informações sobre a coleta e o manejo de frutos do Cerrado: buriti, umbu, mangaba, capim dourado, coquinho azedo e pequi.
Esta nova cartilha foi elaborada em parceria com a Embrapa e PNUD e teve o apoio do Projeto Florelos, financiado pela Comissão Európéia.

Clique aqui e acesse o conteúdo da cartilha do buriti.


www.ispn.org.br

domingo, 12 de fevereiro de 2012

MP realiza audiências públicas em Belágua e Santana do Maranhão

Projeto Positivando o Desenvolvimento Humano busca atuar na solução dos problemas citados pela população.
O Projeto do Ministério Público Positivando o Desenvolvimento Humano realizou audiências públicas, quarta (8) e quinta-feira (9), nos municípios de Belágua e Santana do Maranhão, completando a 11ª audiência do projeto, que deve acontecer em 14 municípios. Em março, nos dias 13 e 14, acontecerão as audiências em Governador Newton Belo e Rosário, encerrando o número de municípios escolhidos.
Com o projeto, o Ministério Público do Maranhão pretende atuar na solução dos problemas citados pela população, contribuindo assim com o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), certificando-se de que as políticas públicas relacionadas a saúde, educação e renda per capita, indicadores que medem o índice, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sejam aplicadas corretamente.

“O Ministério Público é uma instituição que vive e foi criada para resolver os problemas da população e com este trabalho nós também estamos cumprindo a nossa missão Constitucional”, explica o promotor de Justiça Marco Aurélio Fonseca, diretor da Secretaria para Assuntos Institucionais do MPMA, que nas audiências representou a procuradora-geral de Justiça, Fátima Travassos.

A promotora de Justiça Thereza Muniz de La Iglésia, uma das coordenadoras do projeto, afirmou que todas as demandas das audiências públicas estão sendo analisadas e os devidos encaminhamentos serão dados pelo Ministério Público de acordo com a esfera de poder no qual as soluções poderão ser encontradas, sejam elas em nível de Município, Estado ou União.

Belágua - Localizada a 241 km de São Luís, Belágua vive o contraste entre ter grandes belezas naturais e ser o 6º lugar no ranking dos municípios mais pobres do Maranhão e o 7º do Brasil, segundo PNUD. Com IDH de 0,495 e uma população de 6.524 habitantes, revelou muitos problemas na audiência realizada na quarta-feira (8), entre eles a prestação de serviço público de má qualidade com carência de funcionários e horários irregulares de funcionamento, falta de ambulância, tratamento de água, drogas, gravidez na adolescência e titularização de terras.

A audiência pública mostrou problemas com relação à saúde. Além do acesso difícil dos povoados até a sede, o município não possui ambulância desde 2010, o que dificulta o atendimento à comunidade. “Eu quero pedir a reforma do posto de saúde, pois quando chove, como não tem forro no prédio, ficamos com atendentes e medicamentos expostos”, reivindicou Francisca Mota, auxiliar de enfermagem.

“Quando abriu concurso público para Belágua, a maioria dos aprovados eram de outros municípios, por isso, estas pessoas não cumprem seus horários e nós estamos sendo prejudicados. Eles vão embora antes de sexta-feira e a população fica sem servidores”, denunciou Luís Filho.

Belágua vive da agricultura familiar e a população reclamou também que não tem condições de cultivar as suas roças. “Nós precisamos ser donos das nossas terras, precisamos de titularização. Nosso povo tem sido ameaçado por empresas que plantam eucalipto. Aparecem donos que dizem que são proprietários e nós que moramos desde que o município foi criado, ficamos sem ter com que trabalhar. Com fome, ninguém estuda bem e ninguém tem saúde”, desabafou José Raimundo Nascimento, presidente da Associação Unificada dos povoados de Piquizeiro, Bracinho e Centro dos Picos.

No fim da Audiência Pública, o promotor de Justiça de Urbano Santos, Henrique Helder Pinho, citou que a colaboração de MPMA, gestores públicos e sociedade é importante, porém, o sentimento de pertença da população e a identidade que o morador tem com o local que vive são fortes elementos que ajudam na melhoria da qualidade de vida da população. 

“O homem se identifica como tal quando se responsabiliza por suas escolhas”, disse o promotor, citando Jean Paul Sartre, completando ainda: “Cabe a todos nós a construção do ideal do desenvolvimento. Por isso, o MP acredita que estas audiências públicas, estes espaços, representam searas para identificarmos os problemas e buscarmos soluções. Neste diálogo entre várias instituições é que daremos soluções”.

Município sofre com a falta de água e energia

Com uma população de 11.661 habitantes, Santana do Maranhão, 399 km de São Luís, ocupa o 3º lugar na lista dos 32 municípios com IDH (0,488) abaixo da média no estado. Na localidade, a audiência pública foi realizada quinta-feira (9).

As maiores queixas da população dizem respeito aos problemas relacionados à conscientização ambiental, fornecimento de energia e iluminação pública, falta de escolas, investimento no esporte e na cultura, maior transparência com as contas públicas e pouco incentivo na geração de renda.

Apesar das águas cristalinas do Rio Magu, a população sofre com a falta de água encanada e tratada nas residências e a falta de educação ambiental. “Eu sei que é errado, todo mundo diz para não bebermos água da fonte, mas se eu não fizer isso, morro de sede com minha família, pois não temos água encanada”, confessou Maria Venus.
 
“Eu sou da Pastoral da Criança, em Santana do Maranhão existem 1.932 crianças até 6 anos, destas, 1.777 são crianças pobres, mas só conseguimos atender 129 delas, pois não temos condições financeiras para ajudar a todas, por ser um serviço voluntário, porém, que exige algumas condições para serem cumpridas como transporte, por exemplo”, reclamou Lindomar Rocha, coordenador da Pastoral da Criança.
“Nós temos muitos jovens aqui e seria muito bom se tivéssemos uma quadra poliesportiva ou um ginásio para eles praticarem esportes”, reclamou José Santana Veras de Oliveira, esportista.

Educação - Foram pedidas também melhores condições de trabalho para os professores e alunos nos povoados. “Eu sou professor e na escola onde leciono não temos cadeiras suficientes, nem carteiras. Muitas vezes o professor precisa colocar a bolsa no chão porque não tem lugar para colocar”, reclamou Wagner Carvalho, que também denunciou o fato de os professores não possuírem contracheque, como determina a lei.

Encerrando a audiência pública, a promotora de Justiça Herlane Maria Fernandes de Carvalho comprometeu-se em dar soluções a todas as demandas colocadas pela população em sua área de atuação. “Fomos criados para ser feliz, mas ninguém é feliz sem água, saúde e educação, neste sentido me comprometo em mediar as questões colocadas e buscar soluções para a população”, disse.

Mais

As próximas audiências públicas acontecem quarta-feira, dia 15 deste mês, em São Roberto; dia 13 de março, em Governador Newton Belo, e dia 14 de março, em Rosário.

Por: O Estado do MA
http://imirante.globo.com

Ações ambientais estão ajudando a preservar as nascentes do Rio Preguiças

Projeto de Revegetação do Rio Preguiças está sendo realizado pelo Instituto de Agronegócios do Maranhão por meio do Programa Petrobras Ambiental.




A partir do início deste semestre, 43 mil mudas de espécies nativas como buriti, juçara (açaí), murici, bacuri, pau-pombo, caju e piqui estão sendo plantadas na área da nascente do Rio Preguiças, no município de Barreirinhas, principal polo turístico do Maranhão depois de São Luís, e portão de entrada para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. 

A iniciativa é parte do Projeto Revegetação das Nascentes do Rio Preguiças, que está sendo executado pelo Instituto de Agronegócios do Maranhão (Inagro), desde maio de 2011, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

A meta é que, até 2013, quando o projeto estará concluído, as mudas sejam plantadas em uma área de 35 hectares da mata ciliar da Lagoa Traíra de Ouro, na nascente, que possui cerca de 1 km de comprimento de extensão e fica distante 132 km da sede do município de Barreirinhas. 

No total, a bacia hidrográfica da nascente do Preguiças abrange uma área de 9.910 hectares. É a principal fonte de água deste rio, ao lado do Rio Palmira, seu principal afluente, que nasce no município de Mata Roma e desemboca no Preguiças na altura do quilômetro 42. Já chegou a ser confundido com o próprio rio.
Na primeira etapa do projeto, foi construído um viveiro, em um povoado que fica próximo à nascente, onde foram produzidas 43 mil mudas. Desse total, três mil ficarão de reserva. Moradores dos povoados Vereda dos Teodoros, Assentamento Vereda e Rio Grande se integraram às atividades do projeto, um dos itens do sucesso da parceria Inagro/Petrobras. Eles já participaram de três treinamentos, objetivando a formação de uma consciência crítica a respeito da preservação da natureza e suas consequências futuras, instalação do viveiro e vão trabalhar no plantio das mudas e na construção de uma cerca de 8 km que será construída para proteger a nascente. 

Uma das propostas é que os moradores passem a produzir juçara na área para a venda no mercado turístico de Barreirinhas, o que vai ajudar na preservação na nascente e ainda vai gerar renda para eles.
Assoreamento - De acordo com estudos do Inagro, a recuperação da nascente é de fundamental importância para a preservação do Rio Preguiças, que tem 182 km de extensão, desde a Lagoa Traíra, até a foz, no povoado Atins. Banha 55 povoados e é imprescindível para a sobrevivência dos moradores destas localidades e para a indústria do turismo que se instalou na sede Barreirinhas e no trecho do Preguiças que vai da sede à foz, no Povoado de Atins.

A preocupação maior dos técnicos do Inagro é assegurar a perenidade do Rio Preguiças, contendo o processo de degradação assoreamento e a erosão que estão ameaçando a nascente. “Estamos estancando o processo de degradação e assegurando a perenidade do rio, além de promover ações de educação e gestão ambientais”, explicou o coordenador do projeto, engenheiro agrônomo do Inagro, Francisco Soares da Silva. A área começou a apresentar problemas por causa da retirada ilegal de madeira e a realização de queimadas.

As espécies nativas a serem plantadas são arbóreas com tamanho quando adultas acima de três metros. Durante a vigência do projeto, o Inagro manterá um técnico de nível médio, da área de ciências agrárias residindo na área das nascentes do Rio Preguiças para acompanhar a implantação de todas as etapas das ações. Outra meta, com o término do trabalho, é que a área fique sem a presença de animais domésticos.

Por: O Estado do MA
 http://imirante.globo.com