quinta-feira, 8 de outubro de 2026
cerrado não está a venda
Discorrer sobre o Cerrado. Começar por onde ? O cerrado e o eixo basilar da vida dos maranhenses. Do ponto de vista ambiental, e o bioma que mais economiza recursos e isso se verifica pela vegetação cujas raízes vão buscar água para depois crescerem rumo ao céu. O Cerrado e tanto um ponto de partida como um ponto de chegada. Nos meses de julho e dezembro, as famílias que se mudaram para as grandes cidades, atrás de trabalho e educação retornavam para suas cidades natais para passar as férias e quase sempre essas cidades natais se localizavam no Cerrado. As famílias procuravam o que não encontravam nas grandes cidades: comida saudável, ar puro, tranquilidade, parentes, amigos, rios, córregos, florestas, brincadeiras, juventude, ingenuidade e etc. Por muito tempo, essas jornadas eram feitas através dos rios que nasciam nas Chapadas dos Cerrados e desembocavam.nas baias de São Marcos e Sao José de Ribamar no litoral de São Luís. Os rios faziam os elos entre a zona rural e a zona urbana. Rios como: Mearim, Itapecuru, Parnaíba, Munim, preguiça e etc. Nessas jornadas que se davam tanto por rios como por via terrestre apanhava se frutas das mais variadas como bacuri murici Buriti pequi. Era uma fartura. Interessante como essa impressão de fartura permanece mesmo passados vários anos. Na realidade essa fartura ficou para trás e uma das causas e a extração de gás no cerrado maranhense realizada pela Eneva que atinge comunidades tradicionais e quilombolas no vale do Mearim. A Eneva pode alegar que ao assumir o empreendimento em Santo Antônio dos Lopes todo o processo de licenciamento fora finalizado. Só que nessa altura do campeonato as comunidades tradicionais e quilombolas não foram informadas dos impactos sócio ambientais que esse tipo de empreendimento causa. Quais os impactos no lençol freático nas águas superficiais no ar no solo na produção agrícola na saúde física saúde mental nas florestas na biodiversidade e nos direitos territoriais. A Eneva não pode alegar total desconhecimento que o seu empreendimento afeta comunidades tradicionais e quilombolas até porque recentemente devolveu blocos que sobrepunham a uma terra indígena e a um território quilombola. No entanto, ela ainda não devolveu os blocos que arrematou em Capinzal do Norte onde vivem várias comunidades quilombolas e faz de conta que está tudo bem com as comunidades quilombolas de Lima Campos. O leilão que deve acontecer em outubro evidência mais uma vez essa visão empresarial que evitam as questões sócio ambientais desde que o lucro seja promissor. Sabe se que um dos blocos a serem leiloados se sobrepõe a territórios quilombolas no município de Vargem grande e incide sobre a bacia do rio Munim que abastece vários municípios e povoados do leste maranhense.
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