terça-feira, 7 de março de 2017

O abusado capitalismo no campo e a espoliação de terras





O capitalismo abusa das situações no campo. A expropriação de terras rurais sempre foi um problema muito sério enfrentado por povos e comunidades tradicionais no Brasil. O capital no campo tendem otimizar seus lucros passando por cima da cultura camponesa e das comunidades tradicionais, incrementando os investimentos em grandes empresas neoliberalistas que procuram desenvolver estratégias de negócios principalmente nos setores do agronegócio florestal e na aquisição e arrendamento das terras rurais. Essas estratégias são antigas, as espoliações das terras e dos camponeses puxadas pela burguesia do campo em larga escala gera desigualdades sociais, o produtivíssimo insano de agrotóxicos e a pistolagem.
Esses sistemas e processos se dão pela reprodução e aprimoramento baseado na história das práticas da burguesia mercantil e mais tarde financeira de pilhar os recursos naturais do território rural nacional, em degradá-los e poluí-los, e de promover, pela pressão da grilagem e ou da aquisição das terras dos nossos povos do campo. O esvaziamento das massas camponesas passa a ser tratada como algo natural e orgânica atendendo portanto agora os interesses de classe pelos setores dominantes. O agronegócio que representa uma verdadeira ameaça aos povos tradicionais, tem se desenvolvido com métodos macabros, assim reproduzido e obtendo resultados financeiros que lhe são altamente favoráveis apesar da escolha pela oferta e comercialização de produtos para exportação em detrimento dos produtos de consumo alimentar e da absoluta indiferença com a dominação exercida pelas empresas capitalistas nacionais e transnacionais no agrário brasileiro.
Essa concentração de renda e riqueza pelas empresas capitalistas e pelos grupos de latifundiários no campo vem se concretizando desde tempos bem remotos – como outrora, no período colonial desde a época dos coronéis escravocratas; hoje esse sistema de acumulação de poder é representado por políticos de direita e conservadores das bancadas ruralistas do Congresso Nacional e das assembleias estaduais. Seus negócios caminham “pari passu” com os negócios dos governos que se aproveitam da situação de indiferença no país. E esta escolha de favorecimento político dos governos aos grandes negócios agropecuários e florestais privados nacionais e estrangeiros compromete com uma série de desacatos aos direitos humanos como o problema secular da pistolagem, ameaça às praticas e técnicas da soberania alimentar e sobretudo contribui ao mesmo tempo para a acumulação via espoliação dos recursos naturais e vegetais e comunidades camponesas, além da exploração dos trabalhadores do país em situações análogas a trabalho escravo. As relações antagônicas entre as comunidades camponesas e as empresas, latifundiários e investidores “empresários do agronegócio” - são algo simultaneamente contraditórios, pois o capital no campo tem um projeto alanvacador de rendas, já os camponeses, ribeirinhos, quilombolas e extrativistas precisam da terra e das águas de seus territórios para se procriarem e se reproduzirem social e culturalmente  - pois consideram então, esses espaços sagrados como centros de suas racionalidades nas resistências e na manutenção do trabalho familiar.  
Tudo leva a crer que o modelo extrapolado de produção tecnológica do capitalismo no campo, seja a única via que permitiria a geração de elevada renda e lucro compatíveis com o uso burguês e o esbulho dos recursos naturais, vegetais e minerais e, em especial, das terras agricultáveis no país que de direito pertence aos camponeses.
Não é concebível nesse modelo dominante qualquer relação com a natureza e com os trabalhadores que não se baseie na acumulação via espoliação dos recursos e a subalternização dos camponeses aos seus interesses de classe.

José Antonio Basto

E-mail: bastosandero65@gmail.com

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