sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ministerio Público do Trabalho investiga Suzano

MINISTERIO PUBLICO DA UNIÃO
MINISTERIO PUBLICO DO TRABALHO
PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO DA 16 REGIÃO

PORTARIA PRT - 16 CODIN N428/2012 17 DE AGOSTO 2012

O Ministerio Público do Trabalho considerando o que consta no procedimento preparatório n 000461.2012.16.000/0, instaurado para apurar denuncia de que o Sindicato dos Trabalhadores na Industrias de papel celulose pasta de madeira para papel papelão artefatos de papel florestamento e reflorestamento de madeira para celulose e papel do Estado do Maranhão,a empresa Suzano e suas terceirizadas estariam praticando condutas violadoras dos direitos sindicais dos trabalhadores dessas ultimas empresas, resolve instaurar inquerito civil para apurar as irregularidades relatadas.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Moção de apoio à criação das resex nos cerrados de Minas Gerais

Os agroextrativistas de Minas Gerais estão pagando muito caro pelos desmandos ambientais provocados pelo avanço das grandes fazendas e corporações sobre os cerrados, a mata seca e caatinga de Minas Gerais. Sob a conveniência dos governos de Minas Gerais e União, projetos, programas e empreendimentos financiados com recursos públicos nacionais e internacionais, pelo BNDS, vem provocando enormes impactos ambientais e sociais sobre as populações que, historicamente, aprenderam a conviver com estes ecossistemas de forma muito mais sábia.
Os participantes do Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas reunidos nos dias 16 e 17 de agosto na cidade de Montes Claros relataram os enormes dramas que vem as comunidades rurais, povos e comunidades tradicionais vem enfrentando em função dos grandes empreendimentos associados à mineração de ouro e ferro, do avanço das monoculturas de eucalipto, dos grandes projetos de pecuária, irrigação e barragens que encontram guarida no licenciamento ambiental da destruição dos ecossistemas. A repercursão é visível pois muitas nascentes, córregos e rios estão se acabando. A contaminação por agrotóxicos pulverizados com aviões, agora também pelas empresas de eucalipto, estão contaminando águas e comunidades com suas nuvens de veneno.
Em Minas Gerais há mais de 10 anos comunidades agroextrativistas entraram com solicitação para criação de 5 Reservas Extrativistas nos municípios de Rio Pardo de Minas, entre estas as do Areião Vale do Guará nos municípios de Montezuma, Rio Pardo de Minas e Vargem Grande do Rio Pardo e a Resex Tamanduá no município de Riacho dos Machados. No entanto, a morosidade das ações do ICMBio na criação destas RESEX estimulam a ganância dos que promovem a destruição no estado de Minas Gerais. Desmatamentos clandestinos são realizados, lideranças locais são ameaçadas, licenciamentos são aprovados sem considerarem a enorme necessidade das comunidades que vivem no entorno destas áreas.
Neste sentido viemos cobrar do Governo Federal:
A imediata criação das Resex de Minas Gerais que encontram-se tramitando no ICMBio e na Casa Civil (Resex Areião Vale do Guará cujo processo já encontra-se finalizado);
Que sejam suspensos de imediato pela SEMAD todos os licenciamentos nas áreas de abrangência das RESEX Tamanduá e Areião Vale do Guará;
Que sejam contratados imediatamente os estudos fundiários da RESEX Tamanduá seguido da realização de consulta pública.
Norte de Minas Gerais, agosto de 2012
Assinam:
Fórum do Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas
Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas
Cáritas Regional Minas Gerais
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Pardo de Minas
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Riacho dos Machados
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Varzelandia
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capitão Enéas
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha
Comissão Pastoral da Terra
Cáritas Arquidiocesana Diocesana de Montes Claros
Cooperativa Agro-extrativista Grande Sertão
Cáritas Diocesana de Januária
Esquel
Prosama
Rede de Comunicadores Populares do Semiárido Mineiro
Associação Sub-bacia Rio dos Cochos – ASSUSBAC
Associação Casa de Ervas Barranco de Esperança e Vida – ACEBEV
Comissão da Agrobiodiversidade do Norte de Minas
Comissão Rosalino de Povos e Comunidades Tradicionais
Pólo Regional Montes Claros – FETAEMG
Associação Coletivo de Mulheres Organizadas do Norte de Minas
Associação dos Agricultores Familiares do Município de Riacho dos Machados
Grupo Agroextrativista do Cerrado
Associação de Proteção e Apoio as Crianças – APAC
Associação Unidos pela Vida Vencendo Juntos Norte de Minas- AUVENOR
categorias

Quilombos no caminho do desenvolvimento econômico?


Por Redação do Bloomberg - 06/09/2012
Alcântara: moradores se opõem ao projeto de expansão da base.

Por Redação do Bloomberg

Entre direito à propriedade e interesses econômicos, moradores de quilombos e governo se enfrentam em disputas judiciais pela terra.

No século XVI, Portugal passou a importar escravos da África para garantir que suas fazendas prosperassem no Brasil colonial.  Essa prática continuou até 1888.  Hoje, os descendentes desses escravos são o tema principal no debate sobre a localização dos quilombos brasileiros.

Quilombos são assentamentos rurais fundados por escravos libertados ou fugitivos.  O direito dos residentes à propriedade está garantido na Constituição.  Desde 1995, o Incra, órgão do governo responsável pela regularização agrária, vem formalizando as propriedades.  Ainda assim, moradores são frequentemente ameaçados de despejo, principalmente quando seu direito à propriedade está no caminho de algum grande negócio ou dos planos de crescimento econômico do governo.

Carlos Tauz, jornalista e coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e Controle Cidadão de Governos e Empresas, escreveu no Blog do Noblat sobre o projeto de duplicação da Estrada de Ferro Carajás, administrada pela Vale.

“A Justiça reconhece prerrogativas de indígenas e quilombolas, mas a economia não considera a legitimidade dos direitos.  É assim em toda a história brasileira e não tem sido diferente neste último surto de crescimento econômico que se inicia há cerca de 10 anos.”

As obras de duplicação foram suspensas por danos ao meio ambiente e às comunidades vizinhas, que incluem cerca de 80 quilombos.  O juiz responsável pela suspensão das obras acusou o Ibama de emitir a licença para o projeto sem a realização prévia de uma avaliação de impacto.

A exportação brasileira de minério de ferro, especialmente para a China, é crucial para a economia brasileira.  Segundo a Vale, a expansão da mina de Carajás e de suas vias de escoamento faria a exportação de minério saltar de 109,8 milhões de toneladas para 150 milhões em 2014.

Lucio Flavio Pinto, jornalista paraense, descreveu a batalha entre a Vale e as comunidades locais como “a luta entre David e Golias”.  O jornalista disse reconhecer a importância da mina para economia, mas acusou a Vale de ignorar as pessoas que moram ao longo dos 900 quilômetros da ferrovia.

No Maranhão, estado mais pobre do país, uma batalha parecida está sendo travada.  Na década de 1980, em Alcântara, região empobrecida e composta por diversos quilombos, 300 famílias foram realocadas para abrir caminho para a construção da base militar de Alcântara.  O governo tem planos de expandir a base, mas os moradores se opõem ao projeto.  Eles reclamam que desde a construção da base estão impedidos de pescar e produzir livremente, pois alguns militares temem espionagem.

Jose Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira afirmou que centros de treinamento serão construídos para envolver a população local no dia-a-dia da base.  Porém, os moradores não parecem acreditar muito na ideia.

O repórter Henrique Kugler concluiu que a situação em Alcântara “não deixa de ser um retrato típico da contradição generalizada que é o Brasil”.  Afinal de contas, Alcântara é um centro tecnológico localizado em uma região onde o século XXI parece ainda não ter chegado.

* Publicado originalmene no site Bloomberg e retirado do site Opinião e Notícia.

(Opinião e Notícia)

04/9/2012 - 09h32Envolverde

Programa entregará cisterna número 500 mil no semiárido

Na  terça-feira (4) será atingida a marca de dois milhões e meio de pessoas no Semiárido nordestino com acesso à água potável ao lado de casa, de forma descentralizada.

Neste dia, será entregue a cisterna de placa número 500 mil do Programa Água para Todos do governo federal, que tem parceria com a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). Quem vai receber a tecnologia é a agricultora Maria Nazaré da Silva, que vive no Assentamento Estadual Serrote Feio, no município de Madalena, a 180 km de Fortaleza.

O Fórum Cearense pela Vida no Semi-Árido (FCVSA), que representa a ASA no Ceará, considera essa cisterna um marco na democratização do acesso à água de qualidade ao povo do Semiárido. As cisternas são o resultado de um projeto da sociedade civil transformado em política pública.

A cisterna de número 500 mil será celebrada na casa de dona Maria Nazaré com a participação de cerca de 300 pessoas e da ministra Tereza Campelo, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O governador do estado Cid Gomes, secretários estaduais, prefeitos, agricultores e agricultoras de várias regiões do estado e representantes de fóruns também estarão presentes.

A cisterna de dona Maria Nazaré foi construída pelo Instituto Antônio Conselheiro (IAC), uma organização que executa as ações do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) da ASA em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). 

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Governo é cobrado em relação à Medida Provisória do Código Florestal

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas divulgou ontem (4) uma nota em que cobra da presidenta Dilma Rousseff um posicionamento do governo em relação às mudanças introduzidas no relatório sobre a Medida Provisória (MP) 571, do Código Florestal.





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MP ameaça florestas (estaçãovida)





A MP, que bateu recordes de emendas, foi enviada ao Congresso Nacional pela presidenta Dilma Rousseff após seu veto parcial ao Código Florestal aprovado em maio deste ano. 

O texto da Medida pode ser votado nesta quinta-feira (5) no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. A nota do Comitê em Defesa das Florestas critica algumas das alterações negociadas entre a bancada ruralista e os parlamentares governistas na Comissão Mista que aprovou o relatório, na semana passada.

Dentre as mudanças criticadas pelo Comitê estão: o reflorestamento de nascentes e matas ciliares com monoculturas de espécies exóticas; a redução das áreas de proteção para imóveis com até 15 Módulos Fiscais; além da delegação aos Estados para definir, caso a caso, quanto os grandes proprietários devem recuperar de Áreas de Preservação Permanente (APPs) ilegalmente desmatadas.

Para o Comitê, essas medidas permitem ainda mais desmatamentos na Amazônia e no Cerrado, além de serem totalmente desprovidas de fundamentos técnico-científicos e representarem ampliação da anistia ao desmatamento.

No final da nota, o Comitê diz esperar da presidenta uma mobilização contrária às medidas nas votações que ainda vão ocorrer na Câmara e no Senado. Caso sejam aprovadas, o Comitê espera o veto completo da presidenta. O Comitê Brasil em Defesa das Florestas é formado por mais de 200 organizações, redes e movimentos da sociedade civil organizada. 

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Lento adeus ao Código Florestal

Os ruralistas vão deixando cair as máscaras uma depois da outra. Já não precisam mais disfarçar nada, pois sabem que estão com tudo e não estão prosa




Os grandes jornais estamparam, na semana passada, a foto do bilhete da presidente Dilma endereçado à ministra Isabela Teixeira (Meio Ambiente), no qual extravasa um suposto descontentamento com o acordo fechado entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista para aprovar a Media Provisória (MP) do Código Florestal na comissão mista do Congresso que a analisa. A imagem foi flagrada numa reunião em Brasília.
Segundo o pequeno pedaço de papel, Dilma estaria preocupada com a alteração da “escadinha”, o escalonamento na obrigação de recuperar as chamadas Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens de rios e nascentes, de acordo com o tamanho do imóvel – móveis menores recuperam menos (veja a tabela abaixo, feita com base no texto aprovado na comissão mista).



Oxalá esse fosse o principal problema do texto aprovado na semana passada pela comissão e o governo estivesse realmente preocupado com uma legislação florestal coerente e eficaz para o país. Mas não é nada disso.

Enquanto a ministra veio a público dizer que não abre mão da “escadinha”, a bancada ruralista, com a benção dos emissários do Planalto, destrói o chão sobre a qual ela está apoiada. O texto aprovado – por unanimidade – acrescentou um item à MP que permite a recuperação de nascentes e matas ciliares com “árvores frutíferas”: laranjeiras, pés de café, mamoeiros e por aí vai. Não misturados entre a vegetação nativa, o que já era permitido aos pequenos agricultores e tem lá o seu sentido; mas inclusive na forma de monocultivos em grandes propriedades.

A escadinha vai sair do nada e chegar a lugar nenhum, pois uma plantação de laranja – exigente em agrotóxicos para ser produtiva – pode ter muitas funções, mas não a de proteger uma nascente ou servir como corredor de fauna ao largo de um rio, como deveria ser uma APP.

Se a regra vier a ser confirmada pelos plenários da Câmara e do Senado e a presidente não vetá-la – algo bastante plausível – um determinado médio proprietário, por exemplo, que, em 2007, tenha desmatado ilegalmente 30 hectares de vegetação à beira de um pequeno rio, poderá se “regularizar” plantando nove hectares de mamoeiros e explorando o restante da área com pasto.

Se isso tiver ocorrido numa região de cerrado goiano, por exemplo, ele terá colocado abaixo, ilegalmente, 30 hectares de vegetação com pelo menos 50 espécies diferentes de árvores e mais centenas de outros tipos de plantas, que serve de abrigo e fonte de alimentação para um incontável número de espécies animais (de grandes mamíferos a pequenos insetos). Em seu lugar plantará nove hectares de uma única espécie (talvez algum capim se espalhe por debaixo, caso não exista “faxina química” com agrotóxicos, como ocorre usualmente nessas plantações), que servirão de abrigo e alimentação apenas para algumas espécies muito generalistas de insetos e pássaros, os quais provavelmente serão atacados de forma persistente com inseticidas para não danificarem a colheita.

A MP foi editada em maio para suprir as lacunas deixadas pela sanção parcial de Dilma ao projeto aprovado pela Câmara para alterar o antigo Código Florestal. Pelas regras já sancionadas e que agora são lei, esse pequeno rio terá suas margens medidas na época da seca, e não da cheia, o que fará com que ele “diminua” de tamanho, caindo de algo próximo a 15 metros para menos de 10 metros de largura. Esse médio proprietário, segundo as regras da MP, teria de recuperar, então, 15 metros de cada lado do curso de água, ou seja, 30% da área que em 2007 estava protegida por lei (50 metros em cada margem). Com a regra acrescentada pelos parlamentares, esses 15 metros poderão ser uma monocultura de mamão.
Ah, se essa propriedade estiver dividida em mais de uma matrícula e esse proprietário cadastrar cada uma como se fosse um imóvel diferente no Cadastro Ambiental Rural, fraude possível pela nova lei que já está em vigor, o tamanho da “restauração” será bem menor, pois cada “sítio” se enquadrará num degrau mais baixo da “escadinha”, no qual a obrigação de restaurar é menor ainda.

Caminho do absurdo

A criação de laranjais “produtores de água” não foi a única modificação no texto da MP promovida pelos parlamentares. Eles também diminuíram o tamanho da área de matas ciliares e nascentes a ser restauradas pelos grandes proprietários, que agora passará a ser definido no caso a caso por meio dos programas de regularização ambiental que serão criados pelos estados. Essa é uma pauta antiga dos ruralistas: deixar para o nível local a decisão de restaurar ou não. Além disso, diminuíram a proteção às veredas e pequenos rios intermitentes – as nascentes desses rios já estão sem proteção e podem ser legalmente desmatadas pela nova lei em vigor. Aos poucos, vamos dando o adeus definitivo àquilo que um dia chamamos de legislação florestal.

O acordo fechado não surpreende, por mais absurdo que possa parecer – pelo menos aos olhos de quem acredita que proteger nossas florestas faz algum sentido. Quem acompanha a novela, já sabe seu final. Já não há mais qualquer racionalidade nas discussões parlamentares sobre a nova legislação “florestal”. Permitir “recuperação” de nascentes com cafezais e de matas ciliares com laranjais é tratado como algo razoável, que sequer suscita qualquer tipo de questionamento. Retirar a proteção à vegetação responsável pela infiltração de água que alimenta as nascentes da Caatinga e do Cerrado, justamente as que secam durante alguns meses do ano em função do estresse hídrico, é algo comemorado. Determinar que cada estado defina o quanto os grandes proprietários terão de “recuperar” – se for com pés de mexerica, a palavra está equivocada – das áreas de preservação irregularmente desmatadas, incentivando uma “guerra ambiental”, é perfeitamente normal.

Bilhete em branco

O que fica claro nessa história toda é que nenhuma das partes está preocupada em ser coerente com o que diz, mas apenas em aprovar o texto o mais rápido possível e ficar bem na foto.

O bilhetinho de Dilma, embora escrito em letras garrafais para que todas as lentes pudessem flagrá-lo, carece de sinceridade. O Palácio do Planalto já tinha deixado claro suas intenções quando optou por assinar embaixo da lista de desejos dos ruralistas e sancionar, com poucos e irrisórios vetos, o projeto por eles elaborado, editando na sequência uma medida provisória para repor parte daquilo que eles rejeitaram.
Até Eremildo, o Idiota, sabia que aquilo era um golpe de marketing. Não tinha nenhum compromisso em ser politicamente viável. Afinal, quem poderia acreditar que, já tendo sido derrotado duas vezes pelos ruralistas nesse mesmo assunto, sancionando uma lei com praticamente tudo que eles queriam, o governo teria condições de negociar com os ruralistas e garantir um texto cheio de coisas que eles não queriam? O resultado, óbvio, está aí: mais e mais concessões, mais e mais prejuízos ao meio ambiente.

Os ruralistas, por sua vez, vão deixando cair as máscaras uma depois da outra. Já não precisam mais disfarçar nada, pois sabem que estão com tudo e não estão prosa. Se no começo da campanha pela revogação do Código Florestal clamavam por regras que tivessem “base científica”, alegando que a lei revogada era dela desprovida, agora fingem que não escutam as reiteradas advertências feitas pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) às regras que aprovaram. Ou alguém acha que a regra que permite plantar laranja em nascentes é fruto de uma recomendação técnica embasada no melhor conhecimento científico?

A senadora Kátia Abreu, que até a sanção da lei pela presidente Dilma afirmava que os maiores interessados na proteção de nascentes e riachos seriam os próprios produtores rurais, na comissão especial estava na tropa de choque que aprovou o fim das matas ciliares dos rios da Caatinga e transformou as Áreas de Preservação Permanente em “Áreas de Plantações Permanentes”. Agora ela já duvida publicamente da relação entre proteção de florestas e produção de água. Com isso, ganhou o título de Doutora Honoris Causa da Academia Brasileira de Filosofia. E uma forte indicação para integrar o ministério da presidente Dilma.

Para entender as mudanças já aprovadas, que já são lei, veja tabela abaixo:



Raul Silva Telles do Valle é advogado e ambientalista do Instituto Socioambiental.
Artigo originalmente publicado no ISA

Agrotóxico​s: vamos visibiliza​r o racismo ambiental?



Agrotóxicos: vamos visibilizar o racismo ambiental?

Gente amiga,

Venho convidar vcs para dar visibilidade à injustiça e ao racismo ambiental que atravessam a questão dos agrotóxicos no Brasil. A proposta é elaborarmos Cartas a partir de territórios indígenas, quilombolas, e outros povos que estão sofrendo com os venenos ou que estão construindo alternativas.

O contexto é o da construção da Etapa 3 do Dossiê Um alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde, que está sendo elaborado pela Abrasco - Associação Brasileira de Saúde Coletiva, no intuito de empenhar seu potencial científico para fortalecer a Campanha contra os Agrotóxicos e pela Vida.

A iniciativa tem tido bastante repercussão na mídia e até o momento, já foram lançadas duas Etapas do Dossiê:
·         Etapa 1 - Agrotóxicos, Segurança Alimentar e Saúde, lançado durante o World Nutrition Congress em abril, no Rio de Janeiro

·         Etapa 2 – Agrotóxicos, saúde, ambiente e sustentabilidade, lançado na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) - Cúpula dos Povos, em junho, no Rio de Janeiro

A Etapa 3 terá como tema Agrotóxicos, Conhecimento e Cidadania e será lançada no X Congresso Brasileiro  de  Saúde  Coletiva,  da  ABRASCO,  em  novembro,  em  Porto Alegre. Ela está sendo construída junto com a Campanha, bastante articulada junto aos movimentos sociais do campo, principalmente camponeses. Muitas vezes a questão do racismo do racismo está presente, mas nem sempre é visibilizada: daí ser fundamental a contribuição da nossa RBJA neste momento.

Assim, se vcs são/estão em contato com territórios/comunidades atingidos pela modernização agrícola, sofrendo impactos no modo de vida, na saúde e no ambiente ou construindo alternativas a ela, animem-se a registrar esta vivência e mostrá-la ao Brasil num contexto crítico e de luta.

As orientações de como proceder estão abaixo, e já é uma construção da RBJA ao Dossiê, pois se inspira no nosso Mapa de Injustiça Ambiental e Saúde (e pode vir a contribuir com ele também).

Com um forte abraço, e à disposição para dialogar,
Raquel Rigotto

Para elaborar as Cartas, trazendo as Vozes dos Territórios

Para dar visibilidade aos conflitos causados pelos agrotóxicos e às alternativas que vêm sendo construídas pelas comunidades/movimentos do campo e ainda, para aprofundar a relação academia-movimentos, identificar experiências para relatar:

·         explicitando como vivem o problema dos agrotóxicos em seu território, e como isto é perpassado pelo racismo ambiental e/ou
·         dando visibilidade às alternativas de produção de alimentos/soberania alimentar/agroecologia que vêm construindo

Queremos trazer para o Dossiê as Vozes dos Territórios, em sua concretude, com suas cores e dores.
E queremos também criar oportunidade de diálogos que (aprofundem) aproximem pesquisadores e professores dos movimentos e comunidades, de forma a permanecer um ganho organizativo.

2. Referencias para o que deve estar nas Cartas e/ou na Contextualização delas:

A proposta é que as Cartas sejam preparadas na forma de expressão/linguagem das comunidades. Podem ser somadas a elas fotos, depoimentos, mapas sociais que a comunidade considerar importantes. Em seguida, a própria comunidade, movimentos, entidades e pesquisadores[1] dialogam para contribuir na contextualização da experiência relatada e na complementação de alguns dados/informações listados abaixo.

2.1 Comunidades atingidas pelos agrotóxicos/agronegócio
·     Identificação da Comunidade:
o        Localização: município, fazenda ou assentamento, estradas, rios, etc;
o        Quem vive nela: grupo/etnia, quantas famílias e pessoas, há quanto tempo
·     Identificação do conflito com os agrotóxicos:
o        Como o problema é vivido pela comunidade
o        Quando começou e como tem evoluído
o        Tipos de cultivos envolvidos: soja, cana, eucalipto, fumo, algodão, etc...
o        Empresas envolvidas
o        Agrotóxicos: quais os ingredientes ativos e produtos utilizados, quantidades, tipos de aplicação (costal, pulverização aérea, pivô, trator) e formas de contaminação
o        Como a comunidade percebe a contaminação da água, do solo, do ar e dos alimentos, se for o caso
o        Como a comunidade percebe a contaminação e adoecimento das pessoas – casos, sintomas, queixas, grupos mais vulneráveis
·     Quem ajuda, quem dificulta a defesa da vida e da saúde na comunidade: aliados, estratégias das empresas, o papel dos órgãos públicos (saúde, meio ambiente, assistência técnica, universidades, etc)
·     Qual o recado da comunidade para os brasileiros que vão ler sua carta no Dossiê?
·     Outros temas que achar importantes


3.2 Comunidades em transição agroecológica/construindo soberania alimentar
·     Identificação da Comunidade:
o        Localização: município, fazenda ou assentamento, estradas, rios, etc;
o        Quem vive nela: grupo/etnia, quantas famílias e pessoas, há quanto tempo
·     Contando a experiência agroecológica/soberania alimentar:
o        Como a comunidade decidiu seguir este caminho?
o         Quando começou e como tem evoluído o trabalho?
o        Atividades desenvolvidas
o        Como constroem o conhecimento necessário?
o        Como a comunidade percebe os efeitos destas práticas para o seu bem viver e para o meio ambiente?
o        Como a comunidade percebe os efeitos destas práticas para a saúde das pessoas?
·     Quem ajuda, quem dificulta a defesa da vida e da saúde na comunidade: aliados, estratégias, o papel dos órgãos públicos
·     Qual o recado da comunidade para os brasileiros que vão ler sua carta no Dossiê?
·     Outros temas que achar importantes
Prazo: o material deve chegar na equipe do Dossiê até o dia 30 de setembro.


[1] A equipe do Dossiê auxiliará na identificação e articulação de pesquisadores da área de Saúde Coletiva na região das experiências relatadas, onde ainda não houver este diálogo.


Enviado por: Raquel Rigotto