sexta-feira, 2 de março de 2012

Mulheres camponesas ocupam fazenda da Suzano Papel e Celulose no Sul da Bahia

    


Mais de 1.100 mulheres camponesas de acampamentos e assentamentos do MST no Sul da Bahia ocuparam a fazenda Esperança, localizada no município de Alcobaça, de propriedade da empresa paulista Suzano Papel Celulose, na manhã desta quinta-feira (1/3).
A reportagem é do portal do MST, 01-03-2012.

A ocupação, que faz parte da jornada de lutas das mulheres camponesas, organizada pela Via Campesina Brasil em torno do dia internacional de luta das mulheres, o 8 de março, cobra do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) agilidade nos processos de desapropriação dos latifúndios das grandes áreas do monocultivo de eucalipto.

O Grupo Suzano, que atua em diversos segmentos econômicos, controla 771 mil hectares, dos quais 326 mil de monocultura de eucalipto, concentrados na Bahia, no Espírito Santo, em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, no Tocantins e no Piauí.


Esse modelo de produção amplia o desmatamento da Mata Atlântica, descumprindo as determinações do Código Florestal vigente, que obriga a preservação da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente, as APPs. Dessa forma, as 23 mil famílias Sem Terra acampadas na Bahia poderiam ser assentadas, uma vez que as papeleiras não cumprem a função social da terra, como determina a Constituição.


Além disso, as mulheres camponesas denunciam que o Estado brasileiro prioriza o modelo do agronegócio, fazendo por meio de bancos públicos repasses para as empresas privadas do eucalipto e exigem investimentos do governo estadual e federal nos assentamentos da região.
Com essa ocupação, as mulheres denunciam com a ação o descaso social e ambiental que as empresas monocultoras de eucalipto praticam na região, aumentando a pobreza e desigualdade social com a expulsão das famílias do campo. O êxodo rural provoca o inchaço dos grandes centros urbanos, onde a população não tem os direitos sociais garantidos e são vítimas do aumento da violência. A região Sul da Bahia é considerada uma das mais violentas do país.
Essa é a 2ª ocupação de mulheres trabalhadoras rurais em uma área de eucalipto na região Extremo Sul da Bahia. A primeira aconteceu no dia 28 de março de 2011, no município de Eunápolis, na fazenda Nova América, de propriedade da Veracel. A Veracel é um oligopólio transnacional criado com a parceria de duas empresas líderes no setor de celulose e papel, a brasileira Fibria e a sueco-finlandesa Stora Enso.

A empresa controla 119.000 hectares de terra nos municípios de Eunápolis, Canavieiras, Belmonte, Guaratinga, Itabela, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. No ano passado, foram ocupadas diversas áreas dessa empresa e os trabalhadores rurais pressionam para transformá-las em assentamentos.

www.ihu.unisinos.br

De onde vem a força do agronegócio?


“De onde vem a força do agronegócio?” mostra, de maneira didática, quem ganha e quem perde na estruturação e financiamento do agronegócio brasileiro. O vídeo foi lançado na quarta-feira (29/2) durante café-da-manhã da Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados.

A reportagem é do sítio WWF, 01-03-2012.

Baseado em análise das pesquisadoras Regina Araujo, doutora em geografia pela universidade de São Paulo, e Paula Watson, também formada em geografia pela USP, o vídeo é a expressão gráfica da análise textual.

Texto e vídeo mostram que o Brasil é o segundo maior exportador individual de produtos agrícolas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, ambos com a produção apoiada na monocultura “Nossas leis ambientais estão em construção desde a década de 1930, e até agora não provocaram nenhum impedimento ao espantoso crescimento do agronegócio”, lembram as pesquisadoras.

“Grandes agricultores querem fazer a sociedade crer que a produção agrícola brasileira, entre as potências agrícolas, fazem do agronegócio o porto- seguro da economia brasileira.  No entanto nosso modelo agrícola não é ambientalmente sustentável, não favorece a sociedade, a agricultura familiar e colocará  em risco grande parte da biodiversidade , risco que hoje é controlado pela legislação ambiental brasileira. Daí o interesse em alterar o Código Florestal e favorecer ainda mais o grande agricultor”, mostra a animação.

A disseminação do vídeo ao maior número de pessoas tornará possível a reflexão e maior compreensão sobre o que está em jogo na reforma do Código Florestal Brasileiro e porque essa reforma é tão prejudicial à sociedade como um todo.

A WWF pede
:

Ajude-nos a divulgar o vídeo por meio de blogs, link em seus perfis das redes sociais, ou mesmo conversando sobre o assunto em casa, no trabalho e com amigos.

Veja aqui o vídeo:

De onde vem a força do agronegócio?

www.ihu.unisinos.br

Representantes de cinco biomas se reúnem para discutir mudanças climáticas

 

Vindos das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, indígenas, pescadores, quilombolas e agricultores familiares se reunirão em Salvador (BA) na próxima segunda-feira (5) para discutir o tema das mudanças climáticas. Durante o seminário Mudanças Climáticas e Desastres – analisando riscos e preparando alternativas locais integrantes de comunidades tradicionais e rurais, ligados a dezenove organizações brasileiras, terão a oportunidade de discutir metodologias para trabalhar o tema das mudanças climáticas e pensar formas de mitigar as consequências já sentidas no cotidiano das comunidades. Os participantes vivem em cinco biomas diferentes, a Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Zona Costeira.

O evento é uma ação do Programa Direito à Terra, Água e Território (DTAT), apoiado pela Agência Holandesa ICCO e ocorrerá até o dia 7 de março. A organização do seminário é da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP).

Na programação está prevista uma atualização sobre a Rio + 20 e as negociações internacionais sobre o Clima, além da apresentação da metodologia de Avaliação de Riscos Climáticos (CLID). “Especificamente iremos apresentar uma metodologia, que propõem uma abordagem bastante detalhada para informar as comunidades sobre o tema, avaliar os riscos a que poderão ser submetidas e planejar alternativas de enfrentamento”, explica Augusto Santiago, da CESE.

A metodologia CLID foi desenvolvida por duas agências de Cooperação Suíças – Heks e Pão Para Todos, a partir de trabalhos de CARE e outros, já tendo sido aplicada em países de todo o mundo. Ela é dividida em sete módulos: avaliação do modelo de desenvolvimento predominante na região em que a comunidades está inserida, apresentação do tema; busca das percepções que cada comunidade tem acerca dele; os impactos das mudanças climáticas; os riscos inerentes a região e que poderão ou não ser potencializados pelo modelo predominante; planejamento de estratégias de enfrentamento; e estratégias de mudanças.

Após o seminário, a metodologia deverá ser aplicada em várias comunidades para subsidiar avaliações, que serão sistematizadas e apresentadas em um segundo seminário. “A idéia é trabalhar para que possamos desenvolvê-la de forma que o método não seja mais importante que o aprendizado e percepções que cada pessoa e comunidade tem do problema. Nosso foco está no processo e no aprendizado do grupo. Estamos adaptando essa metodologia a nossa realidade socioambiental”, finaliza Augusto.

Povo Guarani e mudanças climáticas

Durante o seminário, o professor Guarani Osmar Veríssimo irá apresentar a Cartilha Mudanças Climáticas e o Povo Guarani, elaborada por professores da aldeia Tenondé Porã, em Parelheiros, São Paulo. A cartilha, lançada em dezembro do ano passado, é resultado das capacitações anteriores realizadas nas oficinas sobre Mudanças Climáticas do Programa DTAT.

Para o professor estadual Osmar Veríssimo, que participou da elaboração da Cartilha, é importante que a comunidade reflita sobre as mudanças que estão ocorrendo na natureza. “Hoje existem mudanças é importante pra comunidade entender o porquê disso”, conta. O professor explica que o cotidiano Guarani é baseado na natureza e as mudanças são sentidas no dia-a-dia. “Agora temos o material para explicar para as crianças sobre o tema, com linguagem bem simples”, disse Osmar durante o lançamento.

A publicação foi escrita em Português e Guarani para aproximar o tema das comunidades indígenas. Este é o primeiro material feito pelos professores indígenas da Aldeia Tenonde Porã. A cartilha foi realizada pela Comissão Pró-Índio de São Paulo com apoio de DKA-Áustria, CAFOD, além do Programa DTAT/ICCO. A Cartilha pode ser acessada em: http://www.cpisp.org.br/pdf/Cartilha_MudancasClimaticas.pdf

Por: Bianca Pyl para o DTAT

www.forumcarajas.org.br

BREVE ANÁLISE SOBRE O ORÇAMENTO ESTADUAL PARA 2012: AS PRINCIPAIS POLÍTICAS AGRÁRIAS E DE DIREITOS HUMANOS E A COMPARAÇÃO COM 2011.



Igor Martins Coelho Almeida[1]

Segundo a crença da maioria da população brasileira, o ano só começa, efetivamente, após o carnaval. Na administração pública, essa crença parece se tornar cada vez mais real, na medida em que, geralmente, o orçamento dos entes públicos só está liberado para utilização no mês de março. A partir daí, licitações são realizadas, contratos são assinados, compras começam a ser feitas e obras começam a ser executadas. Também é após o carnaval que as casas legislativas reiniciam os trabalhos.

Pois bem. É nesta esteira, pegando carona com o dito popular e com a abertura do orçamento (que deve ocorrer agora no mês de março) é que passamos a esta breve análise do orçamento do Estado do Maranhão para o ano de 2012.

Da mesma forma que o ano de 2011, o orçamento do Maranhão ratifica vultosas somas em áreas voltadas para ações e programas de publicidade. O orçamento para a Secretaria de Comunicação Social do Estado do Maranhão chega a ser quase 12 vezes maior do que o orçamento destinado para a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania, que entre outros, é responsável pela gestão do Procon e pelos recursos do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas ameaçadas (PROVITA).

Segundo estimativa da Lei Orçamentária, o Estado do Maranhão deverá ter uma receita total de no valor de R$ 11.058.722.883,00 (onze bilhões, cinquenta e oito milhões, setecentos e vinte e dois mil, oitocentos e oitenta e três reais), um acréscimo na ordem de mais de 1 bilhão e 300 mil reais. Isso representa quase todo o recurso destinado para a Secretaria de Estado da Educação (R$ 1.254.979.352,00), o segundo maior do Executivo Estadual. A Secretaria de Estado da Saúde é a detentora da maior receita prevista para 2012: R$ 1.789.640.461,00 (hum bilhão setecentos e oitenta e nove milhões seiscentos e quarenta mil quatrocentos e sessenta e um reais).[2]

Neste contexto, importante ressalvar como a Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão destinou as emendas ao orçamento do Estado. Secretaria de Infraestrutura (26,3 milhões), Fundo Estadual de Saúde (26 milhões), Departamento Estadual de Infraestrutura de Transportes (16,1 milhões) e Secretaria de Cultura (15,1 milhões) receberam os maiores recursos por parte dos deputados e deputadas estaduais. O Fundo de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial (FEDAGRO) e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário receberam, respectivamente, 4,7 e 4,1 milhões de reais. Secretaria de Segurança Pública (300 mil), a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (270 mil) e a Universidade Estadual do Maranhão (100 mil) foram os órgãos menos contemplados com emendas pelos parlamentares maranhenses.

Como dito acima, no campo das políticas públicas relacionadas com a afirmação e efetivação dos Direitos Humanos no Maranhão, a SEDIHC tem orçado para despesas o valor de R$ 3.835.035,00 (três milhões oitocentos e trinta e cinco mil e trinta e cinco reais). Deste valor, 618 mil reais estão alocados para serem investidos no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (PROVITA) estadual. Apesar de, a princípio, parecer um valor alto, o mesmo é insuficiente para atender todas as demandas das pessoas protegidas pelo programa, bem como arcar com os salários dos profissionais que realizam o acompanhamento social, psicológico e jurídico das pessoas protegidas.

Ainda na área de proteção aos direitos humanos, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Cidadania dispõe de um recurso anual de 40 mil reais para garantir a implementação do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos Ameaçados. Todo este montante deverá ser utilizado para montagem de uma equipe interdisciplinar para acompanhamento dos casos; pagamento de remunerações e despesas dos técnicos e das pessoas protegidas; aluguel de veículos, combustível, hospedagem, dentre outros gastos rotineiros para um programa que exige constante deslocamento para as mais diversas regiões de um Estado que é dos maiores da Federação.

Vale ressaltar que, atualmente, 21 maranhenses estão inseridos no Programa Federal de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Sabe-se que, infelizmente, a demanda é bem maior, em virtude de vários conflitos, principalmente agrários, que estouram pelos quatro cantos do Estado. A pergunta que fica é: o que será possível fazer em todo o ano de 2012 com um orçamento de 40 mil reais?

Como dito em parágrafos anteriores, a Secretaria de Estado da Comunicação Social mereceu atenção especial. Os recursos destinados em 2012 estão na ordem de mais de 53 milhões de reais. No detalhamento da despesa elaborado pelo Governo do Estado chama a atenção que, dos 07 programas específicos dentro do orçamento da secretaria, apenas 02 (Publicidade de utilidade pública e publicidade de atos legais) não tem relação com a divulgação de atos e/ou realizações por parte do Executivo Estadual (a famosa “propaganda do governo”). Para estas duas ações, foram destinados apenas 6,9 milhões de reais. Trocando em miúdos: o orçamento do Estado do Maranhão para divulgação de ações e eventos do governo; produção de reportagens; conteúdo para a imprensa; dentre outras, gira em torno dos 46 milhões de reais.

Em um Estado com uma população de cerca de 35% ainda morando na zona rural é fundamental que passemos a abordar agora a destinação dos recursos públicos para o desenvolvimento do setor agrário.

Nesse cenário é inevitável a comparação do orçamento destinado pelo Governo Estadual ao Agronegócio (voltado, majoritariamente, para o mercado externo) e à regularização fundiária e desenvolvimento agrário do Maranhão.

Para as questões do campo, a exemplo de outros Estados federados, a organização administrativa do Executivo Estadual prevê dois órgãos principais: a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Pesca (SAGRIMA) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (SEDAGRO). A primeira foi criada para estimular o desenvolvimento do agronegócio no Maranhão[3]. Já a segunda, foi criada para dar especial visibilidade nas ações de fortalecimento da agricultura familiar e apoiar concretamente os beneficiários dos processos de ordenamento e reordenamento agrário, alicerçado na articulação e interação das políticas e ações federais, estaduais e municipais de desenvolvimento agrário, desenvolvimento socioeconômico e igualdade racial.[4]

Em relação ao ano de 2011, o orçamento da SAGRIMA encolheu R$ 6.959.149 (seis milhões novecentos e cinquenta e nove mil cento e quarenta e nove reais). Para 2012, foram destinados apenas pouco mais de 12 milhões de reais para o desenvolvimento de suas ações. Posteriormente, foi incorporados apenas 1,2 milhão de reais (Anexo IX, art. 12, Lei 9.554/2012), destacando-se como uma das secretarias de estado que menos recebeu acréscimos em seu orçamento. Desse montante, podemos destacar algumas ações.

A primeira delas se refere à pesca. O Maranhão apresenta o segundo maior litoral do país. Felizmente, a produção pesqueira no Estado ainda é voluptuosa. Ressalte-se, por exemplo, que grande parte da lagosta consumida nos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte é pescada no litoral maranhense. Ainda assim, o executivo estadual parece não estar atento a esta peculiaridade do nosso Estado.

No projeto do orçamento de 2012 encaminhado pelo Poder Executivo, o recurso destinado para a Pesca Produtiva (gestão do programa; fortalecimento da cadeia produtiva da pesca extrativista; capacitação para dinamização econômica de empreendimentos pesqueiros; e coleta e sistematização de informações sobre a pesca extrativista maranhense) receberá, durante todo o ano, incentivos na ordem de 300 mil reais[5].

Em sentido contrário, a “Aquicultura Produtiva” receberá o triplo em investimentos/incentivos por parte do Governo Estadual: 900 mil reais. Ou seja, o Governo do Maranhão continuará permitindo que cearenses e potiguares continuem explorando predatoriamente o nosso rico litoral, e destinará boa parte de recursos orçamentários para o incentivo à produção de peixes e camarões em terra.

Merecem destaque ainda as repetitivas ações de visibilidade e publicidade das ações governamentais. As mesmas encontram-se espalhadas por todos os órgãos da administração estadual direta e indireta, e não apenas na Secretaria de Estado de Comunicação Social. Com a SAGRIMA não poderia ser diferente.

Serão destinados 80 mil reais para a “Publicidade de Utilidade Pública do Agronegócio”, que tem por objetivo implementar mecanismos de comunicação integrada interna e externa visando mostrar a importância do agronegócio à sociedade. Além disso, outros 300 mil reais serão gastos para a “Promoção do Agronegócio Maranhense” que visa propiciar aos produtores rurais e à sociedade em geral, o acesso às informações e inovações tecnológicas nas diversas áreas do setor agropecuário, projetando e divulgando a imagem institucional da SAGRIMA e detectar novas oportunidades de parcerias e trocas de informações para o desenvolvimento agropecuário.

Existem ações importantes que nas quais estão alocadas recursos para investimento pela SAGRIMA. Nesse segmento podemos destacar o apoio à estruturação de cadeias produtivas e arranjos produtivos locais; ao associativismo e cooperativismo agropecuário; ao desenvolvimento da agricultura orgânica; e implantação do zoneamento agroclimático do Maranhão. Contudo, os recursos para efetivar tais ações ainda são escassos: em média, 100 mil reais anuais para cada uma dessas ações. Tais ações são de fundamental importância na medida em que fixa o homem/mulher no campo, garantindo a produção sustentável e ecologicamente correta de um grande número de famílias, propiciando, desta forma, considerável aumento na qualidade de vida dessas pessoas.

Ainda neste contexto, o orçamento estadual deste ano desconsiderou algo que faz parte da história, da cultura e do modo de vida tradicional do campo maranhense, principalmente por parte das mulheres: a coleta e quebra do côco babaçu.

O orçamento de 2011 destinava 500 mil reais para o apoio ao agroextrativismo, em especial aquele realizado pelas quebradeiras de coco babaçu, possibilitando, destarte, agregar valor ao produto, promovendo o uso sustentável e integral das culturas, e ainda valorizar as entidades organizativas e extrativistas. Para 2012, não existe previsão de rubrica específica para o desenvolvimento de tais ações de fortalecimento.

Chama a atenção o aumento de recursos para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e para a Superintendência do Núcleo de Programas Especiais (NEPE). Em 2011, esses dois órgãos receberam 60,9 milhões de reais (14,6 milhões e 46,2 milhões, respectivamente). Para 2012, foram destinados pouco mais de 52,7 milhões de reais (47,1 milhões e 9,6 milhões, respectivamente).[6] Importante ressaltar que 44 milhões do orçamento 2011 do NEPE estavam ligados ao Programa de Redução da Pobreza Rural, fruto de um convênio com o Banco Mundial.

A Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (AGERP/MA) obteve um salto de 10,9 milhões (2011) para 16,1 milhões (2012). Nestes casos, é importante ressaltar que alguns programas e/ou ações foram deslocados para outros órgãos. Podemos citar como exemplo a ação “implantação de sistemas agroecológicos” que em 2011 era uma ação da AGERP/MA, passou a ser da SEDAGRO.

À primeira vista, tem-se a impressão de um grande salto orçamentário previsto para esta ação (Implantação de sistemas agroecológicos). Em 2011, foram destinados apenas 610 mil reais para sua execução. Em 2012, 8,9 milhões de reais. Contudo, uma análise mais atenta e detalhada apresenta diferenças substanciais para além dos valores.

Segundo a Lei Orçamentária Anual (LOA)/2011, tal ação tinha por objetivo proporcionar aos agricultores familiares e pescadores artesanais a transferência de conhecimento na transição da matriz produtiva com a implementação de sistemas produtivos agroecológicos (roça stop, aléia, orgânica e outros). Já na LOA/2012 apresenta como objetivo implantar sistemas de transição ecológica em áreas de assentamentos rurais e comunidades tradicionais e promover a regularização fundiária.

Ou seja, os recursos alocados nesta ação para o ano de 2012 não atendem apenas o objetivo real da ação (a implantação dos sistemas agroecológicos) mas também outras ações diversas (regularização fundiária), que deveriam estar dispostas em órgãos e programas específicas, pois as mesmas são completamente diversas, dando assim a [falsa] impressão de grande aumento de recursos.

Em 2011, a ação Fortalecimento da Agricultura Familiar (dentro da AGERP) possuía 2,9 milhões de reais para a sua execução. Já em 2012, a mesma ação conta com 1,6 milhão de reais. Observa-se que, dos recursos das emendas parlamentares destinados ao FEDAGRO[7], nenhuma faz referência a Agricultura Familiar.

O Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (ITERMA) também sofreu redução orçamentária. Em números absolutos, para o desenvolvimento de todos os programas e ações (incluindo despesas com pagamento de pessoal), os recursos do órgão fundiário estadual caíram de 7,5 para 7,1 milhões de reais.

No que tange aos recursos para realização de reforma agrária, os números, além de continuarem ainda bastante tímidos, sofreram redução. Em 2011, as ações assentamento de famílias e regularização fundiária, vinculadas ao ITERMA, contavam com 2,3 milhões de reais. Em 2012, as mesmas ações somam apenas 2 milhões de reais!

A nota positiva vai para a criação da ação específica Regularização Fundiária em áreas de Remanescentes de Quilombos, não prevista em LOA’s anteriores. Contudo, no Estado com a maior quantidade de comunidades quilombolas do país[8], 150 mil reais parecem muito pouco para atender à demanda.

De maneira geral, esses são os números do orçamento estadual para 2012. Apesar do aumento de mais de 1 bilhão de reais em relação a 2011, áreas, programas e ações fundamentais para a efetivação de direitos humanos no Maranhão ainda possuem receitas que não atendem a demanda.

Destacam-se os elevados recursos para a publicidade das ações governamentais em detrimento de outras políticas fundamentais, como a agricultura familiar, a regularização fundiária e a política de direitos humanos. Podemos citar o orçamento de mais de 3,9 milhões de reais para a Secretaria de Estado de Assuntos Políticos, um pouco menos do que destinado a importantes órgãos que executam as políticas de trabalho e economia solidária (7,7 milhões) e direitos humanos (4,6 milhões) e bem mais do que o destinado para a Secretaria de Estado da Mulher (2,5 milhões).

No Maranhão, ainda existe um grande déficit das entidades da sociedade civil em incidir junto ao Executivo e ao Legislativo para alocar recursos em áreas fundamentais para a realização dos direitos. Fica o desafio para a construção da LOA 2013.



[1] Graduado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão; Especialista em Direitos Público pela UNIDERP/LFG. Advogado. Assessor jurídico do Centro de Cultura Negra do Maranhão e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos; membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA.
[2] Valores consolidados com o acréscimo das emendas parlamentares ao projeto de Orçamento encaminhado pelo Governo do Estado: Lei n. 9.554, de 16 de janeiro de 2012. DOE 17/01/2012.  O Projeto de lei encaminhado pelo Executivo estimava a receita total e as despesas em 10,9 bilhões de reais.
[3] Objetivo exposto no endereço eletrônico do Governo do Estado do Maranhão. Disponível em http://www.ma.gov.br/index.php/governo/?id=9910
[4]  Objetivo exposto no endereço eletrônico do Governo do Estado do Maranhão. Disponível em http://www.ma.gov.br/index.php/governo/?id=10003
[5] Somente na Assembleia Legislativa se conseguiu um acréscimo de 700 mil reais por meio de emendas dos deputados.
[6] As emendas previstas no Anexo IX da Lei 9.554/2012 acrescentaram pouco mais de 4 milhões de reais à SEDAGRO.
[7] Segundo Anexo IX da Lei 9.554/2012, foram destinados ao FEDAGRO 4,7 milhões de reais.
[8] Estimativa do movimento quilombola do Maranhão é de que existam cerca de 700 comunidades espalhadas por todo o Estado. Já foram certificadas, pela Fundação Cultural Palmares, 407 comunidades quilombolas: http://www.palmares.gov.br/?page_id=88

Mondi estuda compra de 50% de projeto da Suzano



O grupo anglo-sul-africano Mondi, produtor de papéis e embalagens com ações negociadas nas bolsas de Johannesburgo e Londres, estuda a compra de 50% do projeto de celulose da Suzano no Maranhão.  A indústria, que está sendo erguida no município de Imperatriz, receberá investimento de US$ 2,9 bilhões, dos quais US$ 2,3 bilhões em máquinas e equipamentos.

As negociações estão em fase preliminar, mas embora tenha ficado "assustado" com o investimento, o Mondi tem interesse na fábrica.  A Suzano procura um sócio na área de celulose, mantendo o controle do negócio, com o objetivo de reduzir o endividamento.

O grupo anglo-sul-africano Mondi, produtor de papéis e embalagens que tem ações negociadas nas bolsas de Joanesburgo (África do Sul) e Londres e receita anual da ordem de € 5,7 bilhões, está estudando a compra de 50% do projeto de celulose da Suzano Papel e Celulose no Estado do Maranhão.  A unidade fabril receberá investimento total de US$ 2,9 bilhões, dos quais US$ 2,3 bilhões referentes à parte industrial.

As tratativas, conforme uma fonte do setor, ainda estão em fase preliminar.  A Mondi tem interesse no negócio, embora tenha ficado "um pouco assustada" com o montante do investimento.  A fábrica, que está sendo erguida no município de Imperatriz, terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto e tem data prevista para iniciar operação em novembro de 2013.

A Suzano reiterou, recentemente, que o programa de financiamento da unidade está "substancialmente equacionado", com R$ 2,7 bilhões já contratados junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e mais R$ 1,2 bilhão em debêntures mandatoriamente conversíveis em ações, já colocadas no mercado.

Contudo, a empresa admitiu que poderá vender a um sócio estratégico uma parcela de seus projetos na área de celulose - a companhia também planeja uma nova fábrica no Piauí -, sem abrir mão do controle, ou determinados ativos de papel.  A medida teria por objetivo reduzir seu endividamento, uma vez que o nível de alavancagem já ultrapassou o teto de 3,5 vezes na relação medida entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).

Nos anos 90, a Mondi teve posição significativa na indústria brasileira de celulose, por meio da participação no bloco de controle da antiga Aracruz, fabricante de celulose branqueada de eucalipto que se uniu à Votorantim Celulose e Papel (VCP) na Fibria em 2009.  Em outubro de 2001, a Mondi Brazil, à época uma subsidiária da mineradora Anglo American, acabou vendendo sua fatia de 28% do capital votante, ou 12,3% do capital total, da empresa brasileira para a VCP por US$ 370 milhões.  Assim, os quatro grandes controladores da Aracruz passaram a ser o grupo Lorentzen, Banco Safra e VCP, cada um com 28% das ações ordinárias, e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com 12,5%.

Desde julho de 2007, o grupo Mondi deixou de fazer parte da estrutura da Anglo American, diante da decisão da mineradora de se concentrar em suas principais áreas de negócio.  Multinacional que atua no segmento de papéis e embalagens, a Mondi está presente em 28 países e empregava, ao fim do ano passado, 23,4 mil funcionários.  As principais operações do grupo estão situadas, hoje, na Europa Central, Rússia e África do Sul.

No ano passado, o grupo Mondi registrou resultados recordes, conforme relatório que acompanha o balanço financeiro.  No exercício, o grupo apurou receitas de € 5,739 bilhões, uma alta de 2,3% ante o verificado em 2010.

O lucro operacional consolidado, por sua vez, avançou 35,8%, para € 622 milhões, impulsionado pelo cenário positivo para os negócios em que está presente, a despeito da desaceleração da demanda na segunda metade de 2011.  A divisão Europa e Internacional, por meio dos negócios de papéis finos não revestidos, ondulado e sacolas, contribuiu com € 611 milhões do resultado.  Outros € 62 milhões vieram da divisão sul-africana.  A divisão de papel imprensa, por sua vez, registrou perda de € 18 milhões no ano.

Conforme a fonte ouvida pelo Valor, a Suzano tem buscado potenciais compradores para sua máquina de papel-cartão e unidade de papel offset, mas os valores pedidos têm desestimulado eventuais ofertas.  Procurada, um porta-voz da Mondi na África do Sul informou que o grupo "não comenta especulações".  A Suzano, por sua vez, afirmou que "não confirma absolutamente as informações relacionadas a negociações de participação em alguns de seus ativos".Fonte: Valor Online

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mais uma violência da Suzano contra comunidades tradicionais no Maranhão

COMPAS,

TEMOS UM DESPEJO ACIONADO PARA A COMUNIDADE GUERREIRO, PARNARAMA, MOVIDO PELA SUZANO PAPEL CELULOSE. ACABEI DE RECEBER A NOTICIA VIA INALDO. ESTOU TENDO ALGUMA DIFICULDADE DE CONTATO, POIS ESTOU NO CEARA E SOMENTE AGORA CONSEGUI ACESSO À INTERNET. SÃO 70 FAMÍLIAS QUE VIVEM HA MAIS DE 110 ANOS NA ÁREA E EU MESMO JA ESTIVE LA.

VELHA ESTRATEGIA: ENTRAM CONTRA UM MEMBRO E DEPOIS VEM O DESPEJO CONTRA A MESMA.

AINDA PODEMOS AGRAVAR

DIOGO

Numeração Única: 371-04.2011.8.10.0105
Número: 3712011 ( TRAMITANDO )
Classe CNJ: PROCESSO CÍVEL E DO TRABALHO | Processo de Conhecimento | Procedimento de Conhecimento | Procedimentos Especiais | Procedimentos Especiais de Jurisdição Contenciosa | Reintegração / Manutenção de Posse
Data de Abertura: 31/08/2011 11:12:46
Comarca: PARNARAMA


AUTOR: SUZANO PAPEL E CELULOSE S/A
Advogado(a): ANDRE ROCHA VIEIRA DE BRITO
REU: OSMAR BANDEIRA BARROS


Quinta-feira, 01 de Março de 2012

132 dia(s) após a movimentação anterior

ÀS 11:40:45 - EXPEDIçãO DE OFÍCIO

Usuario: 113852 Id:15 Resp: 113852

ÀS 11:35:27 - EXPEDIçãO DE OFÍCIO

Usuario: 113852 Id:15 Resp: 113852

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

51 dia(s) após a movimentação anterior

ÀS 11:45:04 - EXPEDIçãO DE CARTAS DE INTIMAÇÃO

Usuario: 114249 Id:13

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

 

ÀS 12:09:58 - CONCLUSOS PARA DESPACHO / DECISãO. (PENDENTE)

apreciar pedido de liminar Resp: 113852

ÀS 11:12:46 - DISTRIBUíDO POR COMPETêNCIA EXCLUSIVA

Distribuição. Usuário: 113852 Id: 15

Fotos das cisternas de Pvc que amoleceram e afundaram no Municipio de Cedro/PE