terça-feira, 17 de maio de 2016

QUILOMBO DE SANTA MARIA: Encontros e desencontros da história



Uma história fabulosa que remonta os meados do século XIX, período pós-Balaiada, ciclo das fazendas e da produção de açúcar, rapadura e cachaça no leste maranhense. A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE SANTA MARIA, localizada no município de Urbano Santos, região do Baixo Parnaíba há poucos quilômetros da sede, vive suas memórias refletidas nas muralhas de pedra da antiga senzala do Sr. Fazendeiro João Paulo de Miranda. É presente a herança tradicional na comunidade, desde a produção de farinha, plantios de jaca e manga do outro lado do Rio Boa Hora, além de vários outros trabalhos na roça, nas águas e nas florestas. SANTA MARIA guarda belezas naturais e memórias que fazem parte de nossa cultura, mas que precisam ser preservadas. Outrora existiam ricas chapadas com muita fartura de bacuri, mangaba e pequi, mas aquele cerrado que abastecia seus moradores com frutos e caças foi invadido pelo agronegócio. O Rio Boa Hora que nasce para as regiões do “recanto da seriema” entre os povoados Bom Sossego e Cajazeiras, desce pelas comunidades Pedra Grande, Surrão, Raiz... cortando o quilombo. Sua situação fundiária merece ser tratada como um ponto vital e paciência, seus moradores necessitam do título da terra para viver em paz. Alguns conflitos tem se arrastado na luta por essa terra, os lavradores requerem toda área, somando um total de mais de 2.342 hectares de terra. A ouvidoria agrária do INCRA fez uma visita no mês passado para crivar alguns fatos que envolvia as famílias dos camponeses, pois o processo que tramita já tem anos de ferrenhas batalhas. Os quilombolas de SANTA MARIA praticam agricultura familiar, sobrevivem da caça e do extrativismo em especial a fabricação de farinha de puba e outros derivados da mandioca, também criam animais para ajudar na alimentação diária. No local onde era instalada a antiga fazenda restou os vestígios das muralhas de pedras feitas por escravos, o muro servia de fortaleza para proteção da casa grande e senzala. O Rio Boa Hora foi modificado por uma outra muralha de pedra para a construção de um engenho movido a água. SANTA MARIA, assim como muitas outras comunidades tradicionais do Município de Urbano Santos tem muita história perdida ainda não registrada, merecendo resgate, ajudando na valorização de nossa rica cultura rural do Baixo Parnaíba Maranhense.
José Antonio Basto

e-mail: bastosandero65@gmail.com

domingo, 15 de maio de 2016

Seminario Eucalipto Transgenico em Buriti

Senhor Luis Vitor denunciou a perda total de seu arroz por conta da pulverização de agrotóxicos nas fazendas de soja  e eucalipto situadas nas vizinhanças.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Agricultura resseca o Cerrado


ED. 242 | ABRIL 2016

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© MUSTARD LAB / UNIVERSIDADE BROWN
Imagens de satélite de região do Cerrado: área agrícola dobrou de tamanho entre 2003 (alto) e 2013
Imagens de satélite de região do Cerrado: área agrícola dobrou de tamanho entre 2003 (alto) e 2013
Quanto mais a vegetação nativa do Cerrado cede área para a agricultura, mais reduzido se torna o volume de chuvas disponíveis à própria atividade agrícola. O alerta é de um estudo conduzido por Stephanie Spera, da Universidade Brown (EUA), e colaboradores, inclusive a ecóloga brasileira Marcia Macedo, do Centro de Pesquisa Woods Hole (Global Change Biology, 29 de março). Eles analisaram imagens de satélite feitas durante 11 anos na região conhecida como Matopiba, que abrange os estados de Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia, e viram um grande avanço da fronteira agrícola. Em 2003, havia 1,2 milhão de hectares (ha) cultivados. Em 2013, a agricultura ocupava 2,5 milhões de ha. Três quartos do avanço do plantio ocorreram sobre terras antes cobertas por vegetação nativa, quase toda de Cerrado. Também a partir das imagens de satélite foi possível avaliar a quantidade de água lançada ao ar pelas folhas das plantas, a evapotranspiração. Na estação das chuvas, de outubro a abril, quando a lavoura está crescendo, a evaporação nas áreas com plantio é similar à verificada nas áreas com vegetação nativa. O problema ocorre no período seco, quando as lavouras estão na entressafra. Durante os meses de estiagem, o volume de evapotranspiração é em média 60% menor nas áreas com cultivo do que nas com vegetação nativa. O risco é de que a falta da umidade do ar agrave a seca e acabe por adiar o início da estação chuvosa, encurtando o período produtivo. Como a umidade circula por correntes de ar, os autores temem que os efeitos dessa seca não fiquem restritos ao Cerrado e cheguem à Amazônia. Uma forma de reduzir o problema é plantar dois cultivos por ano na mesma terra, como o milho safrinha em seguida à soja. Essa prática alonga o período de crescimento das plantas e pode representar uma redução menor da evapotranspiração.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Construção de Terminal Portuário privado ameaça moradores da Comunidade Cajueiro


Por JM Cunha Santos

Na pretensão de instaurar um Terminal Portuário privado na comunidade de Cajueiro, próximo à Vila Maranhão, a empresa WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais vem infernizando as vidas dos moradores daquela comunidade. Cerca de 170 famílias se sentem ameaçadas por capangas e por constantes tentativas de compra das posses dos moradores.
O caso já chegou ao conhecimento do Secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela que constatou, pessoalmente, na última sexta-feira, as presenças de jagunços travestidos de segurança na área. Em reunião na Superintendência de Polícia Civil do Interior, da qual participaram, além do secretário, o superintendente Dicival Gonçalves, o representante legal da WPR, Dr. Fabiano Figueiredo, o presidente da União de Moradores Proteção de Jesus do Cajueiro, além de alguns moradores da área, o secretário Jefferson Portela disse: “Enquanto eu for Secretário de Segurança, ninguém faz capangagem no Maranhão”. E disparou: “Para a Polícia do Maranhão, existe dois tipos de gente: criminoso e não criminoso, o patrimônio não importa”. O secretário entende que as presenças de homens sem carteira assinada, sem crachá de segurança e com armas ocultas no matagal, como a polícia constatou, é crime. E instou o representante legal da empresa em São Luís, Dr. Fabiano Figueiredo, a não permitir que a empresa use força armada em contato com os moradores.
Defensoria Pública
Na ocasião, foi dado conhecimento de sentença prolatada pelo juiz Clésio Coelho Cunha, em face de Medida Cautelar do defensor público Alberto Tavares de Araújo Silva. Os principais argumentos da Defensoria Pública contra a WPR são os de que na comunidade do Cajueiro existem famílias que possuem título condominial de propriedade expedido pelo governo do Estado desde 1999 e que a área onde a WPR pretende instalar o empreendimento portuário está dentro do projeto de criação da reserva extrativista de Tauá-Mirim.
Em síntese, a Medida Cautelar da Defensoria Pública pede que a WPR se abstenha de realizar, direta ou indiretamente, quaisquer atos que ensejem a aquisição de propriedades ou da posse de proprietários e/ou possuidores de imóveis inseridos na área pretendida para o empreendimento portuário. (compra de casas e terras dos moradores); que se abstenha de praticar, direta ou indiretamente, quaisquer atos contrários ao livre exercício da posse pelos integrantes da Comunidade Cajueiro e de que o Estado do Maranhão não dê seguimento ao processo de licenciamento do Terminal Portuário de São Luís. Pedidos que já foram, inclusive, deferidos liminarmente pelo juiz Douglas de Melo Martins.
A sentença
O juiz Clésio Coelho Cunha julgou parcialmente procedente a Medida Cautelar proposta pela Defensoria Pública. Em suma, até o julgamento do mérito, a WPR poderá dar continuidade ao processo de licenciamento junto à Secretaria de Meio Ambiente, mas está impedida de praticar quaisquer atos contrários ao livre exercício da posse pela comunidade Cajueiro, dentre os quais realizar plantações, construções e o extrativismo, transitar livremente pelas vias públicas e pescar nas praias de Panauaçu e Cajueiro.
Desde 2004
Na próxima quarta-feira, o secretário Jefferson Portela, juntamente com outros membros da cúpula da Secretaria de Segurança, se reunirá com um representante legal nacional da WPR, quando deve repetir que a Secretaria de Segurança não vai aceitar qualquer forma de violência contra os moradores do Cajueiro. “Se houver violência, peço a prisão dos dirigentes da WPR e caberá à Justiça acatar o pedido ou não”, disse.
Os problemas da comunidade com essa empresa começaram em 2014 segundo informou Davi de Jesus Sá, presidente da União dos Moradores Proteção de Jesus do Cajueiro, quando apareceram por lá algumas pessoas com a proposta de construir um porto privado.
O processo de licenciamento vem do governo passado e, segundo ele, foi suspenso pelo governo Flávio Dino. Mas há cerca de 2 meses surgiu um novo cadastro, que estaria sendo elaborado sob os auspícios de Fernando Fialho, ex-secretário de Roseana Sarney. É o mesmo que, segundo denúncias na Assembleia, construiu estradas num povoado que não existia.

Davi de Jesus Sá informou, ainda, que está correndo no Cajueiro um abaixo assinado “para saber quem quer o Porto e quem não quer”. “Antes, eles só queriam tirar uma parte das famílias do Cajueiro; agora querem tirar todo mundo”, lamentou.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

O tempo de Santa Maria



A comunidade quilombola de Santa Maria fica próxima a sede do município de  Urbano Santos. Ao mesmo tempo fica distante. Neste caso, estar distante não se refere a quilômetros e sim estar distante no tempo. O seu tempo se encontrava aquém de outros tempos. Sem educação. Sem qualquer incentivo a produção. Os seus moradores perderam as contas. E tambem perderam as letras. Eles procuraram as contas e as letras por onde quer que fossem. Algo as assustou e elas foram embora sem nenhum adeus e sem nenhum detalhe sequer. Como as caças que em outros tempos rondavam pela Chapada e pelo Baixão. Os desmatamentos de bacuri e de pequi as espantaram para bem longe. Quem desmatou, plantou eucalipto no lugar dos pés de bacuri e de pequi. A diminuição do rio veio logo em seguida.

Mayron Régis

Comunidade quilombola de Santa Maria

Comunidade quilombola de Santa Maria, municipio de Urbano Santos, denuncia grilagem de terras plantios de eucalipto, seca nos seus rios e desmatamento de pés de bacuri e de pequi nas suas Chapadas.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

A FLORESTA E O CAMPO LESTE




Havia um dia em que aquela floresta estava alegre e outro dia em que ela estava triste, para as bandas do Leste Maranhense, Região do Baixo Parnaíba as coisas eram rudimentares. Quando infelizmente se tratava da ganancia por terras, a terra que suprira as demandas da empresa. A mesma terra que durante séculos foi e continua sendo a mãe das comunidades rurais. Algum tempo atrás aquela floresta conseguiu seu apogeu, cantos e recantos para os confins dos ares. Desde décadas a floresta foi invadida pelo dinheiro da soja e do eucalipto. Os anos se passaram e a floresta continua lá, da forma que consegue até agora resistir. A chapada estava densa, cheia de vida, cheia de tudo: pássaros, bichos...  repleta de frutos e de pequenas espécies rasteiras e altas. Veio por ventura a grande e cruel devastação da flora e da fauna, o correntão abraçara tudo. O agronegócio se apresentou por essas bandas. Já não existia mais o tatu, nem o peba, nem a cotia, nem o mambira, nem a paca, nem os ratos, nambus e juritis que os camponeses conseguiam em suas espertas armadilhas (quebras e mundés). Os rios secaram e pararam de dá peixes... frutos da águas que alimentavam os ribeirinhos antes de partirem para suas roças. As práticas tradicionais lembrara aquelas lavouras sem perigo “roças agroecológicas” e tempos de outrora; velhos campos e farinhadas, jornadas pesados de trabalho no roçado para casa. Para o outro lado a grota da bicuíba ainda não secou e as piabas brincavam sobre o brilho da fonte, antes de tornarem torradas com farinha de puba. A fonte cantava com suas mães d`águas, uma música matinal e quase assombrosa.   Partiram dali os camponeses que viviam diretamente da floresta e das águas.  E a floresta avizinhava-se com o campo leste deste velho e cobiçado lugar.
José Antonio Basto
(98) 98607-6807