sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Safra de bacuri na reserva extrativista da Chapada Limpa

Segundo informações do Instituto Chico Mendes a produção de bacuri na reserva extrativista da Chapada Limpa em 2010 girou em torno de 80 mil a 100 mil frutos por comunidade. As comunidades que compõe a reserva são Santana, Juçaral e Chapada Limpa I e II, São Gabriel e da Pedra o que perfazeria de 480mil a 600 mil frutos o total colhido. Com esse número de frutos obter-se-ia de 20 a 24 toneladas de polpa de bacuri. Multiplicando por dez reais o quilo da polpa a produção da Chapada Limpa fecharia um valor entre R$200.000 e R$240.000 por safra.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Entre desenvolvimento local e desastre social


Maquete de uma unidade, da Tecbio, produtora de biodiesel em pequena escala

Na Amazônia quebradeiras de babaçu alertam: produção de biocombustível, que alimenta comunidades locais, está ameaçada por indústria do ferro-gusa
Por Mario Osava, em Envolverde/IPS
O biocombustível é a única fonte de energia alternativa que promove o desenvolvimento local, gerando emprego, conhecimento e tecnologia, mas também pode causar danos sociais. Este é o medo diante da exploração em escala industrial do babaçu, uma palmeira abundante no centro e norte do Brasil. Cerca de 400 mil mulheres e suas famílias dependem do babaçu (Orbignya phalerata martins) para sobreviver na faixa oriental da Amazônia e proximidades. Coletam os cocos desta palmeira para extrair amêndoas e produzem óleo, farinha, carvão e material para artesanato em pequenas quantidades, usando apenas as mãos e máquinas simples.
O Movimento Interestadual das Quebradoras de Coco Babaçu (MIQCB), que as reúne, alerta para um ameaça. Trata-se das indústrias de ferro-gusa (primeira fundição do minério) e de cerâmica, que usam o fruto da palmeira como carvão, em uma competição desigual que emprega simples catadores e catadoras mal remunerados, alertou Luciene Figueiredo. O fazem de forma inadequada, queimando o coco inteiro e desperdiçando sua amêndoa e sua polpa, já que contaminam o ar, criticou Luciene, assessora do MIQCB. O governo do Estado do Tocantins proibiu seu uso nas caldeiras, mas não nos outros três distritos onde o MIQCB atua, lamentou.
A queima da amêndoa oleaginosa gera acroleína, uma substância muito tóxica. Por isso, impede-se o uso de qualquer óleo vegetal como combustível para automotores antes de convertê-lo em biodiesel, embora seja operacional, explicou Marcelo Rodrigues, engenheiro químico da Tecbio, empresa de tecnologia para produção de biocombustíveis. A própria Tecbio é fonte de outras ameaças à economia extrativista do babaçu. Esta empresa com sede em Fortaleza, capital do Ceará, próxima à região de babaçuais, desenvolveu e procura vender um sistema de processamento industrial completo que substitui as tarefas das quebradoras de coco. Estas mulheres operam manualmente, batendo no coco – cuja casca é muito dura – com um pedaço de pau ou algo que sirva de martelo, contra um machado. Para tornar a operação menos perigosa, já foram criadas maquininhas, mas nenhuma foi aprovada pelas quebradoras.
O objetivo dessa tarefa é retirar as amêndoas, de três a cinco por coco, das quais se extrai o óleo, que serve para cozinhar e fazer sabão e cosméticos, deixando o farelo que é usado na alimentação animal. A polpa é rica em amido, por isso é consumida como farinha. A proposta da Tecbio, fundada pelo inventor do biodiesel no Brasil, Expedito Parente, é produzir etanol da polpa e para isso também desenvolveu uma fábrica que, segundo sua publicidade, produz 80 litros de etanol para cada tonelada de coco babaçu. Outra máquina da empresa faz briquetes (blocos sólidos) da casca, cuja compactação e formato aumentam o poder calorífico, segundo Marcelo. Há uma grande empresa interessada nesse substituto do carvão, acrescentou. Além de óleo, pode-se fazer biodiesel e bioquerosene para aviões, pela vantagem que tem de suportar o ar com pouco oxigênio nas alturas, acrescentou o engenheiro, ao participar da feira sobre energias renováveis All About Energy, que aconteceu em julho em Fortaleza.
As quebradoras de coco foram reconhecidas como uma das chamadas “populações tradicionais”, protegidas por uma série de legislações ambientais, juntamente com os seringueiros e pescadores. O governo brasileiro lhes assegura um preço mínimo para as amêndoas. Organizadas há 16 anos no MIQCB, que compreende associações cooperativas e grupos de trabalho, elas se dedicam basicamente a recolher cocos no campo e separar suas várias matérias-primas. Algumas centenas trabalham em 26 unidades onde são elaborados os produtos finais, como óleo e sabão. Este movimento luta pela preservação dos babaçuais ameaçados. A monocultura da soja já chegou ao sul do Estado do Maranhão e continua avançando. Também estão em expansão plantações de eucalipto para produção de carvão vegetal e celulose, que eliminam florestas nativas. O Maranhão tem uma legislação que proíbe cortar a palmeira, mas contém tantas exceções que acabou estimulando e não inibindo o desmatamento, afirmam ambientalistas.
Outra luta permanente das quebradoras de coco é recuperar o acesso livre aos babaçuais localizados em terras privadas e mantê-lo nas terras públicas desocupadas. A atividade tradicional destas mulheres se desenvolveu com liberdade no Maranhão até 1969, quando foi aprovada uma legislação que formalizou as propriedades rurais e fomentou a apropriação privada de áreas desocupadas, inclusive de forma irregular, com cercas que restringiram a circulação de pessoas. Desde então, o MIQCB conseguiu a promulgação de várias leis municipais que liberaram o acesso às quebradoras, inclusive em áreas particulares. Alguns Estados autorizaram legalmente o ingresso somente em terras públicas, deixando as privadas sujeitas à autorização de seus proprietários.
A meta é contar com uma lei nacional de livre acesso. Um projeto a esse respeito está em tramitação desde 2007 na Câmara dos Deputados, ainda sem perspectiva de votação, pelo menos no curto prazo. Mas agora o boom da bionergia pode mudar o quadro, com novos e poderosos atores disputando o babaçu. A demanda por biomassa energética cresce aceleradamente, disse Laércio Couto, professor aposentado de uma universidade estatal e agora consultor de grandes empresas. Europa e Japão estão assinando contratos de longo prazo para importar milhões de toneladas de biomassa compactada em pelotas para substituir combustíveis fósseis, ressaltou.
Uma grande empresa de celulose brasileira, por exemplo, está plantando eucaliptos no Maranhão para atender essas demandas, aproveitando sua experiência nessa monocultura para ampliar seus negócios ao campo energético, afirmou Laércio. Este acadêmico desenvolveu uma tecnologia para cultivo intensivo de eucalipto para atender esse crescente mercado de bioenergia. Diante da demanda por biomassa, uma empresa de melhoramento genético da cana-de-açúcar, em São Paulo, também procura desenvolver espécies que produzam mais fibras e menos sacarose, invertendo o esforço investigativo anterior.
É difícil fugir dessa febre energética. O babaçu é abundante em 185 mil quilômetros quadrados de quatro Estados, uma área equivalente a meio Japão, com maior concentração no sul do Maranhão, na transição entre o nordeste semiárido brasileiro e a Amazônia. Prolifera e se faz dominante em áreas desmatadas, porque se reproduz e cresce mais rapidamente onde não há nada para lhe fazer sombra. Dessa forma seu aproveitamento extrativo se aproxima ao da agricultura, distinguindo-se de outros que dependem de vegetação ou recursos dispersos, como a borracha natural na Amazônia. O desafio é incorporar as quebradoras de coco em uma exploração mecanizada e em escala crescente do babaçu, beneficiando-as com um salto de produtividade e ganhos. A lógica do negócio energético, entretanto, costuma ser diferente.
http://ponto.outraspalavras.net/2011/08/27/entre-desenvolvimento-local-desastre-social/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Abaixo-assinado da comunidade do Enxu contra o projeto da Suzano


Nós, moradores do povoado Enxu, município de São Bernardo, Baixo Parnaiba maranhense, abaixo-assinados vimos por meio deste oficio solicitar aos órgãos competentes tanto nas esferas municipal e estadual como na esfera federal que neguem a Suzano Papel e Celulose qualquer autorização de uso e ocupação do solo e supressão de vegetação. A área que a Suzano pretende desmatar chega a quinze mil hectares de Cerrado em excelente estado de conservação e cuja área beneficia as comunidades do Enxu, São José, Baixa Grande, Santo Antônio do Magu e Cabeceira do Magu através do extrativismo do pequi e do bacuri e do corte de madeira para construção de suas casas. Sabe-se que os documentos que comprovariam a propriedade da terra por parte da Suzano provavelmente resultam de fraude cartorial como é o caso do repasse de uma posse de terra do senhor Bernardo Cardoso que a vendeu para um senhor chamado Manuca que por fim vendeu para a Suzano. Só que a posse consiste ao todo em 46 hectares. Como essa posse não foi objeto de partilha entre os filhos e eles nada assinaram essa venda foi ilícita. A legislação do município de São Bernardo proíbe o desmatamento de mata nativa com finalidade de plantio de monocultura como é o caso do plantio de eucalipto em larga escala. Por essas razões reafirmamos nosso pedido que qualquer pedido de licenciamento seja negado.

São Bernardo, 10 de outubro de 2011

Quilombolas são qualificados em Barreirinhas

Uma parceria entre Secretaria de Estado de Igualdade Racial (Seir) e Secretaria de Trabalho e Economia Solidária (Setres), promoveu a qualificação profissional de 17 representantes de quilombos em Barreirinhas. Os alunos participaram do Curso de Fabricação de Sabão, onde aprenderam as técnicas de venda e produção de detergente, amaciante, água sanitária, desinfetante, sabão em pasta e em pedra.

A solicitação do curso partiu dos próprios quilombolas, que encaminharam o pedido à Coordenação Municipal da Igualdade Racial em Barreirinhas (Cemir). Cumprindo a missão de promover políticas de promoção da igualdade racial no estado, a Seir articulou a realização do curso junto à Setres, que foi a responsável direta pela capacitação gratuita dos 17 participantes indicados pelas Associações Comunitárias dos Povoados de Santa Cruz, Baixinha e Marcelino.

O Curso de Fabricação de Sabão foi realizado em 38 dias, totalizando 176 horas/aula. O primeiro módulo trabalhou junto aos alunos as técnicas de venda, onde eles obtiveram conhecimentos administrativos e financeiros. Já o segundo módulo, com duração de 140h, foi o momento de desenvolver as habilidades específicas e por a mão na massa. Todo o material didático e de fabricação foi disponibilizado sem ônus aos alunos, que, ainda, receberam uniformes e alimentação.

O teste prático dos alunos aconteceu na 2ª Feira Territorial de Economia Solidária e Agricultura Familiar dos Lençóis Maranhenses/Munim, realizada no período de 15 a 17 de setembro. A turma fez a exposição dos produtos, que foram devidamente embalados e etiquetados com o nome “Sabão Basafro”. O lucro das vendas alcançou um total de 300 reais, quantia repartida entre os novos empreendedores.

Para 2012, a coordenadora de Igualdade Racial em Barreirinhas, Usmarete Oliveira Lisboa, afirmou que o Curso de Fabricação de Sabão será mantido, tendo ainda a introdução do Curso de Beneficiamento de Frutos Nativos Regionais. A qualificação também vai alcançar outros públicos. Além das comunidades quilombolas de Cantinho e Santo Antonio, serão disponibilizadas vagas para a comunidade indígena do Tapuio e para a comunidade dos ribeirinhos de Laranjeira.

www.ma.gov.br

Pescadores do Taim, Vila Cajueiro e Vila Maranhão oprimidos e abusados



A zona rural da ilha de São Luís é lugar de desmando tanto quanto qualquer terra do Maranhão. Numa visita às vilas do Taim,  Cajueiro e Vila Maranhão o que se vê são terras sendo muradas e expulsão de agricultores e pescadores de locais ocupados por eles há muitas décadas. E para surpresa maior verifica-se a “onipresença” do agronegócio e de tantas outras empresas que abusam do meio ambiente sem sequer ouvir um ralhar maneiro da justiça ou do poder público.
Mas o que esperar de um lugar onde as leis estabelecidas são meros ornamentos e o que vale é a lei do mais forte? Até parece que estamos nos confins do Pará, onde agricultores que defendem a terra são abatidos à bala. Não estamos; estamos no meio urbano de uma capital com um milhão de habitantes, mas o “projeto de desenvolvimento” é o mesmo.
O Taim tá sendo invadido e estaria sendo empurrado pra dentro do mar, caso o mar também não estivesse sendo anexado como propriedade particular das empresas do agronegócio, das commodities. A vila Maranhão, que amarga debaixo da poeira dos caminhões das jazidas de areia diminui e se assemelha cada vez mais a uma periferia urbana abandonada pelo poder público. O trânsito de caminhões carregados é tanto que a estrada, construída há pouco tempo, já sumiu no meio da buraqueira.
Na vila cajueiro, espremida entre Vila Maranhão e Taim (defronte da ilha de Tauá-mirim – aquela que uma candidata a prefeita já quis colocar linha de ônibus, sem nem saber que se tratava de outra ilha), a comunidade de pescadores se depara com a potência da Suzano Papel e Celulose que ali pretende se apoderar de um trecho da Baia de São Marcos para construir seu “porto próprio”. Não bastasse a draga e o contêiner que serve de escritório, a empresa de agronegócio distribuiu seus pesquisadores para bisbilhotar a vida dos pescadores. A desinformação é tanta (seria proposital?), que o pescador da comunidade Arlindo Silva acreditava se tratar de uma equipe do Ministério Público Federal. Na nossa curiosidade de jornalistas eu e o senhor Mayron Régis, acompanhados do líder comunitário Alberto Cantanhede Lopes, descobrimo s se tratar de uma pesquisa encomendada pela Suzano para a PLANAVE. Plena de perguntas capciosas cujas respostas comporão os famigerados relatórios onde “se prova” que a comunidade, não é rural, que os pescadores não são pescadores e que a pesca é inexistente.
A vila Cajueiro, comunidade de pescadores e agricultores tem problemas de sobra. Há cerca de um ano apareceu um dono de terras que simplesmente pôs um portão na Estrada das Arraias, interrompendo o tráfego de agricultores às suas roças e matas e inviabilizando o uso dos Portos das Arraias, Londres, Gama e Capoeira, sobrando apenas o Porto de Arapapaí, porque este tem um caminho alternativo. O Porto das Arraias é usado há mais de cem anos pelos pescadores da região.
              Enquanto as dragas aprofundam o mar, os tratores entopem as nascentes e os jagunços expulsam os agricultores e pescadores. O ministério público, o judiciário e o executivo escolhem qual dos processos será mexido, para fazer girar as engrenagens do sistema que mantém oprimidos os oprimidos e mais enriquecidos os exploradores. A região que contém essas comunidades está dentro de um projeto de criação de reserva extrativista que está parado no Ministério do Meio Ambiente há anos. Todos os rituais foram cumpridos para a criação da RESEX, mas um documento fundamental simplesmente sumiu do processo. A “Carta de não objeção” do Governo do Estado foi assinada pelo ex-governador Jackson Lago, e talvez tenha sumido da mesma como sumiu o mandato do ex-governador, ou sabe-se lá por que outro Poltergeist. A criação da RESEX de Tauá-Mirim é de g rande importância, uma vez que a área está cercada por grandes projetos como Vale e Alumar. Se não for criada em poucos anos a área se tornará um grande depositário de minério e suas lixeiras. Continuando assim a própria ilha de São Luís tende a virar uma ilha cinza.

Geraldo Iensen - Jornalista

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Documentário Aperreio no Globale Rio 2011 - Festival internacional de filmes sobre globalização

Olá amigos,


Aperreio foi selecionado para o Festival internacional de filmes sobre globalização. Globale Rio 2011.

Atualmente, o Globale acontece em três cidades alemãs, em Montevidéu (Uruguai), desde 2009, e em Varsóvia (polônia) desde 2010. O Rio de Janeiro terá sua primeira edição em novembro de 2011.

O Festival que não tem fins lucrativos, se propõe, através da organização e exibição de filmes de ficção e documentário, construir momentos de debate sobre temas relacionados aos processos de globalização.

Abraços,

Humberto Capucci

Café Cuxá Filmes


http://festivalglobalerio.blogspot.com/

“O BODE” DA SUZANO PAPEL E CELULOSE EM ENXU, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE



As pessoas custam, mas voltam ao Enxu. Com essas palavras ditas em sua quitanda, no dia nove de outubro de 2011, Moacir, morador desse povoado de São Bernardo, Baixo Parnaiba maranhense, numa área limítrofe com o município de Santa Quitéria, recupera certa dualidade que os moradores de Enxu levam consigo para qualquer lugar que forem, até na volta para casa.
Uma dualidade bem representativa como a de um dos seus moradores que se ateve à Chapada e por lá se deparou com um caçador do município de Brejo. Quis saber o que o motivava a ir tão longe para caçar. O caçador respondeu que aquela Chapada ainda permitia caçar enquanto que nas Chapadas de Brejo havia poucas caças devido aos desmatamentos para os plantios de soja. E que ficara sabendo que queriam acabar com a Chapada do Enxu para plantar eucalipto. O morador se calou por toda aquela verdade que ouviu do desconhecido.
A Suzano Papel e Celulose começou a demarcar os picos para desmatar mais de quinze mil hectares de Chapada no município de São Bernardo. Diga-se de passagem que este município, desde 2005, proíbe a produção de carvão vegetal e os plantios de monocultura em seu território. A lei de autoria do ex-vereador Gilvan Alves periga que os vereadores da atual legislatura a derrubem por conta de um acordo do prefeito Coriolano e da Suzano Papel e Celulose para que esta financie a sua campanha em 2014.
Na primeira parte da quitanda de Moacir, no povoado do Enxu, averígua-se vários produtos industrializados que ultimamente abarrotam os comércios dos interiores, mesmo os mais miseráveis e mais distantes. A distância e a miséria descalçam tanto o cotidiano dessa comunidade e de tantas outras comunidades do Baixo Parnaiba maranhense que um “calçado” qualquer é festejado. E que “calçado” é esse? A responsabilidade social da Suzano Papel e Celulose que no começo da década levou uma biblioteca móvel e depois a removeu da comunidade do Enxu. Da mesma forma que a empresa não perguntou se os moradores queriam ou não queriam uma biblioteca, ninguém perguntou sobre o que eles achavam sobre a venda irregular da terra por parte de posseiros para a Suzano Papel e Celulose.
A empresa montou em cima da comunidade e continuou por cima da carne seca porque depois desse encontro em que levou a biblioteca móvel a Suzano se mandou para só dar as caras, recentemente, visto seu interesse em desmatar os quinze mil hectares da Chapada. Em tempos remotos, alguém descobriu a pólvora e com a pólvora as potências derrubaram muros e subjugaram povos indômitos. Em tempos recentes, alguém descobriu a responsabilidade social que a Suzano usou e usa muito bem para “amarrar seu bode” em todo o Maranhão.
“Amarrar um bode” denota que alguém quer distrair sua atenção com algo que diverge da sua realidade e quando cobram o que realmente significa aquilo a pessoa responde que o “bode”, ou a biblioteca móvel ou a escola digital  corresponde a toda uma conquista histórica da comunidade. Contudo, a comunidade do Enxu quer saber como a Suzano deteve quinze mil hectares de Chapada se uma das posses, que ela adquiriu da mão do senhor Manuca que adquirira do senhor Bernardo Cardoso, consistia em 26 hectares? Essa posse, na verdade, que ainda é da família do senhor Bernardo Cardoso em razão dos seus filhos não terem assinado nada, consiste em 43 hectares.
Mayron Régis, jornalista