quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Criados comitês de Bacias Hidrográficas dos rios Mearim e Munim


Já estão criados os comitês de bacias hidrográficas dos rios Mearim e Munim. O anúncio foi feito, esta semana, pelo secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Victor Mendes. “Agora, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) parte para a criação de novos comitês que vão beneficiar as demais bacias hidrográficas do Maranhão”, anunciou o secretário.

A criação dos comitês teve a participação de representantes da sociedade civil e de representantes dos municípios banhados pelas duas bacias hidrográficas. A criasção dos comitês é resultado da mobilização incrementada, desde outubro de 2012, durante o 13º Encontro Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas, realizado em São Luís. Também decorre do processo de regulamentação da gestão de recursos hídricos estaduais, iniciada em 2011 pela Sema.

Os comitês vão aprovar e encaminhar ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (Conerh) a proposta do Plano de Bacia Hidrográfica (PBH) para ser referendado, além de acompanhar a sua execução. Vão aprovar as condições e critérios de rateio de custos de obras, ratificar convênios e contratos e arbitrar conflitos pelo uso da água. Compõem o Sistema Estadual de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos e representam um passo importante rumo à gestão participativa do uso da água nas bacias hidrográficas. Possibilitarão a descentralização das ações de uso, preservação e identificação de conflitos relacionados às disputas por água.

O próximo passo é iniciar uma grande mobilização social no Maranhão para o cadastramento de membros e a eleição da diretoria permanente dos dois comitês. O processo de mobilização social será coordenado pelas diretorias provisórias dos comitês.

Os membros que compõem o colegiado são escolhidos entre representantes de setores usuários de água, organizações da sociedade civil e poderes públicos dos municípios situados na bacia. Participam, também, organismos federais e estaduais atuantes nas regiões e os relacionados com recursos hídricos.

Competências

Segundo a superintendente de Recursos Hídricos em exercício, Andréa Leite as diretorias provisórias terão o apoio da Sema quanto aos aspectos operacionais iniciais. A partir da sua instalação os comitês terão suas atividades apoiadas por uma secretaria-executiva que, juntamente com o órgão gestor e com o Conerh, vão contribuir com uma gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos do Maranhão.

Legalmente, os comitês foram criados, desde o mês passado, por meio da Lei n° 9.957 (Mearim) e Lei n° 9.956(Munim). Com a homologação das leis, o presidente do Conerh dará posse aos membros da diretoria provisória em data a ser divulgada pela Sema.  As leis que estabelecem a criação dos dois comitês foram aprovadas por unanimidade pelo plenário da Assembleia Legislativa no dia 11 de novembro. O projeto de criação decorre de mensagem da governadora Roseana Sarney à Assembleia, a partir de iniciativa da Sema.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O evangelho segundo o agronegócio



Para cada comunidade havia uma recompensa. Ele só precisava abatê-las antes de aprenderem a voar. Assim que chegavam no Baixo Parnaiba, os plantadores de soja ou de eucalipto convocavam o Pedrão. Ele mantinha uma lista particular das várias comunidades que abatera. Não conhecia a derrota naquelas Chapadas de Urbano Santos, Anapurus, Santa Quitéria e Barreirinhas. O agronegócio o salvara da miséria e da fome no final dos anos 90 quando começaram os primeiros plantios de soja em Anapurus. O Pedrão administrava uma fazenda na qual plantava arroz e milho. Seu sustento, contudo, ele tirava dos desmatamentos das Chapadas e a produção de carvão vegetal nas baterias de carvoarias. Os plantadores de soja e de eucalipto reconheciam o seu jeito para lidar com as comunidades. Ele missionava as comunidades para o agronegócio. O agronegócio o salvara, mas o seu propósito não era salvar ou educar ninguém. Salvaria a própria pele, antes de salvar a de outra pessoa. Andava sempre só ou no máximo com sua mulher na garupa. O evangelho que pregava passava ao largo das palavras de justiça e respeito ao próximo. O seu evangelho prosperava a qualquer preço. Por onde se andasse pelo Baixo Parnaiba maranhense, via-se a expressão desse evangelho. Ou, melhor dizendo, via-se o desmatamento de bacurizeiros e de pequizeiros. O evangelho de Pedrão aboliu a carne, afinal os moradores não soltavam mais seus animais sobre as Chapadas porque os empregados do plantador de soja os matavam. O evangelho de Pedrão aboliu a carne, afinal os moradores não mais despregavam as carnes dos caroços de bacuri para guardarem e depois venderem-nas para os compradores que viriam de cidades próximas. O evangelho de Pedrão aboliu a carne e com isso desabitou as Chapadas e os Baixões de boa parte do Baixo Parnaiba maranhense. Esse evangelho dispensa habitações e, em consequência, dispensa pessoas para que se consagre.   Pedrão e seus patrões obtiveram inúmeros sucessos. Por baixo, eles abateram as Chapadas de umas cinco comunidades nas bacias dos rios Preguiça e Munim. Eles abatiam as Chapadas para manterem seus ritmos de vida. O senhor Loeff, patrão do Pedrão em 2005, pagou R$ 150 mil pela fazenda São Raimundo, em Urbano Santos. O desmatamento da Chapada e a produção de carvão vegetal renderiam quanto para eles? O suficiente para cobrir os seus gastos por algum tempo. O evangelho de Pedrão escamoteava o que, realmente, queria-se com aquela Chapada. Eles visavam o dinheiro da indústria do ferro-gusa e dos bancos que financiam os plantios de soja e de eucalipto. Como a comunidade de São Raimundo não permitiu o desmatamento, os caras nem viram e nem sentiram o cheiro do dinheiro da indústria de ferro-gusa e dos bancos. O evangelho de Pedrão depois dessa derrota nunca mais foi o mesmo. Ele jogou uma conversa para o presidente da Associação do Povoado da Jurubeba, município de Barreirinhas. Nessa conversa, o Pedrão prometia que o André, seu atual patrão, daria para a comunidade um campo agrícola e só bastava que a comunidade aceitasse o desmatamento da Chapada. O seu Chico Patrocinio respondeu “Pode esperar sentado”.      

 

Mayron Régis

Mangabas nos cerrados de Anapurus(MA)






Mangabeiras frutificando nas proximidades do Povoado Cruz dos Sarmentos em Anapurus(MA).




Mangaba é o fruto da mangabeira (Hancornia speciosa), fruta nativa dos cerrados

Novembro de 2013

Fotos: Edmilson Pinheiro

www.forumcarajas.org.br


Cajuí colhido nos cerrados de Milagres do Maranhão



O nome científico do cajuí : Anacardium Humile. Fruta nativa dos cerrados










Imagens feitas no município de Milagres do Maranhão ( área de chapada)

Fotos: Edmilson Pinheiro
www.forumcarajas.org.br 






MPF/MA consegue liminar que impede a exploração irregular de minério em assentamentos do Incra


O Projeto Gurupi, da MCT Mineração Ltda, tem área incidente em assentamentos do Incra e vêm causando conflitos com os moradores da região
O Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) teve decisão favorável da Justiça Federal, sobre a ação civil movida contra o estado do Maranhão e a MCT Mineração Ltda, em outubro de 2013, por conta de licenciamento irregular do Projeto Gurupi - empreendimento minerário que pretendia ser instalado em Centro Novo do Maranhão/MA.  A decisão, que é provisória, impede que a empresa  construa a usina de beneficiamento de ouro no município, sob pena de multa diária de R$ 25 mil, em caso de descumprimento.

O projeto possuía área parcialmente incidente nos assentamentos Água Azul e Sabiá, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e o MPF constatou a existência de conflitos entre a empresa e os moradores da região.

Em 2011, o MPF/MA instaurou inquérito civil público para investigar a instalação do projeto Gurupi em Centro Novo do Maranhão, depois de ouvir declarações prestadas por residentes do assentamento Água Azul, que relataram que a mineradora MCT teria solicitado a desafetação da área dos projetos de assentamento.

Na apuração, o MPF constatou três problemas quanto à instalação do empreendimento: irregularidades no licenciamento ambiental concedido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema); impedimento da MCT em efetuar pesquisa e lavra de recursos naturais em território brasileiro, por ser empresa equiparada à estrangeira e falta de consentimento do Incra quanto ao ingresso da MCT na área dos assentamentos Água Azul e Sabiá.

A sentença proferida pela 8ª Vara da Justiça Federal acolheu os pedidos do MPF/MA, determinando: que a MCT Mineração não construa a usina e se abstenha de realizar qualquer intervenção nos assentamentos Água Azul e Sabiá ou negociação com as famílias assentadas, sem prévia participação do Incra. Determinou ainda que o estado do Maranhão suspenda as licenças e atos concedidos ao empreendimento.

 

Assessoria de Comunicação

Procuradoria da República no Maranhão

Tel: (98) 3213-7100

E-mail:ascom@prma.mpf.gov.br
Twitter @MPF_MA

ProSavana - Projeto agrário apoiado pelo Brasil é alvo de críticas em Moçambique

 

01/12/2013 - Folha Online - Andrea Fama Cecilia Anesi Colaboração para a Folha, em Moçambique
Um projeto de produção de alimentos em Moçambique, com financiamento do Brasil, vem recebendo críticas de pequenos agricultores e entidades do país do leste africano, ex-colônia portuguesa.

Com a ambição de ser um celeiro de alimentos para um dos países mais pobres do mundo, o ProSavana planeja revolucionar a produção agrícola no Corredor Nacala, uma área fértil no norte de Moçambique com 14,5 milhões de hectares de terras (área equivalente ao Ceará).

As características da região, parecidas às do cerrado, facilitaram o envolvimento do governo brasileiro.

O objetivo é aumentar a produção de alimentos para o mercado interno e exportar o excedente, mas Brasil e Japão (outro financiador do ProSavana) vêm recebendo criticas por estarem interessados apenas em promover o cultivo de produtos para exportação e biocombustíveis --o que os dois países negam.

Em maio deste ano, 23 entidades religiosas, agrárias e de direitos humanos moçambicanas, além de 43 organizações internacionais, enviaram uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff, a seu colega moçambicano, Armando Guebuza, e a Shinzo Abe, premiê do Japão.

Nela, as entidades apontam risco de "séria e iminente ameaça de usurpação de terras das populações rurais e remoção forçada de comunidades de áreas que atualmente ocupam".  Elas reclamam da falta de debate e transparência quanto aos objetivos do projeto.

Outra grande experiência brasileira em Moçambique, a da mineradora Vale, na região de Tete, colabora para a desconfiança.  Moradores reclamam de terem sido retirados de suas casas e dizem não terem recebido indenização adequada.

No caso do ProSavana, o receio é de que multinacionais do agronegócio tomem áreas para promover monoculturas de milho, soja, algodão e cana de açúcar, entre outras, aniquilando pequenas lavouras de subsistência e criando uma massa de trabalhadores sem terra.

Cerca de 70% da população moçambicana dependem da agricultura. 

"A sociedade civil foi ignorada até agora.  O envolvimento de agricultores é fundamental, pois são a base do país.  Se não há diálogo, não há solução para o problema", diz Anabela Lemos, da organização moçambicana Justiça Ambiental.

O programa ainda está na fase inicial.  Sua origem remonta a 2009, quando foi assinada uma parceria envolvendo Brasil, Japão e Moçambique de "assistência para produção agrícola" pelo pais africano.

O Brasil vivia então o auge de sua política externa de apoio à África, marca registrada do governo Lula.

Desde então, o governo brasileiro já investiu no projeto US$ 13,7 milhões, por meio da ABC (Agência Brasileira de Cooperação) e da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).  O Japão aportou outros US$ 23,8 milhões.

Mas o programa, que deveria estar operando neste ano, ainda não decolou.

Para os opositores do projeto, a grande ameaça é que seja criada uma situação de dependência dos pequenos agricultores com relação às grandes empresas.

O programa não prevê aquisições diretas de terra, mas esquemas de "cultivo por contrato", em que agricultores receberiam empréstimos para produzir determinada cultura para exportação.

Entidades temem que produtores caiam numa espiral de endividamento e deixem de produzir alimentos vitais para sua subsistência, contribuindo para um ciclo de fome e pobreza.

"O ProSavana não vai alimentar os moçambicanos nem as comunidades do corredor de Nacala.  O objetivo é explorar a terra e impulsionar exportações.  Isso vai causar e já está causando conflitos sociais", afirma Augusto Mafigo, presidente do sindicato dos produtores rurais de Moçambique.

Para João Mosca, economista da Universidade Politécnica de Maputo, "pode haver uma agenda invisível buscando objetivos que são diferentes dos declarados".

Este artigo é parte do programa Innovation in Development Reporting, do European Journalism Centre.  A pesquisa de campo foi conduzida por Andrea Fama, Cecilia Anesi, Jacopo Ottaviani e Isacco Chiaf.

30/11/2013 - 03h10

domingo, 1 de dezembro de 2013

Grupo investirá R$ 1,2 bilhão em 14 parques eólicos em Araioses



Projeto de geração de energia eólica será desenvolvido por meio de dois complexos a serem instalados nas ilhas de Poldros e do Caju.

Ribamar Cunha
Subeditor de Economia

O Maranhão receberá mais um projeto de geração de energia tendo como fonte a matriz eólica. O grupo Rialma, que atua especialmente com energia limpa, renovável e de baixíssimo impacto ambiental, investirá mais de R$ 1,250 bilhão na instalação de dois complexos no município de Araioses, nas ilhas de Poldros e do Caju.
O projeto, que foi iniciado em 2010 com estudos anemométricos (estudos de qualidade do vento) e a análise de viabilidade de implantação, terá potência inicial instalada total de 420 MW nos dois complexos de geração eólicos, totalizando 14 parques, suficientes para abastecer em mais de 100 vezes o número de habitantes da região.
O diretor da Rialma, Ricardo Malaquias Ferreira, informou que a energia do complexo de Poldros será ofertada no 2º leilão A-5 de 2013 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) dia 13 de dezembro deste ano. Dependendo da efetivação no leilão, a previsão da empresa é iniciar as obras em 2016.
Ricardo Malaquias ressaltou que a energia a ser gerada em Araioses facultará a toda região a possibilidade de aparecimento de indústrias, além de alavancar a economia local. Além disso, serão gerados mais de 3 mil empregos diretos durante a fase de obras. O projeto também resultará em geração de impostos tanto para o Estado quanto para o Município.
“Vemos uma semelhança do município maranhense de Araioses com o de Buritinópolis, que tinha o menor IDH em Goiás e onde construímos três pequenas centrais hidrelétricas. Com isso, o IDH do município subiu para a média do estado. Temos a certeza de que o nosso projeto eólico também levará a uma expressiva melhora na qualidade de vida e na renda per capita do município de Araioses”, disse.
Na visão da Rialma, os benefícios dos parques eólicos em Araioses também se estenderão ao meio ambiente, que terá o mínimo de impacto quando comparada às demais formas de geração elétrica, sem falar que o valor da energia está entre os mais baratos existentes.
Potencial - Para o secretário de Estado de Minas e Energia, Ricardo Guterres, mais esse investimento em geração de energia eólica comprova o potencial do estado para esse tipo de matriz energética, especialmente na região que vai do Delta do Parnaíba até Paulino Neves, que se caracteriza por um quadrante de vento estável e constante.
Ricardo Guterres disse que o projeto da Rialma, nas ilhas de Poldros e do Caju, em Araioses, é uma etapa importante no processo de diversificação da matriz energética do estado, que já dispõe de geração hidrelétrica, térmica e de biomassa.

Mais


- O Grupo Rialma tem diversos investimentos em geração de energia elétrica. Já implantou cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e tem em desenvolvimento outras 10 usinas de energia deste tipo. Na área de energia eólica está desenvolvendo parques eólicos que somam mais de 1.500 MW de potência total. Três parques eólicos estão sendo instalados no Rio Grande do Norte.
- Além de geração de energia elétrica, o Grupo Rialma também atua nos setores comercialização de energia, mineração, pecuária e incorporação.

Números


R$ 1,250 Bilhão é a previsão de investimento da Rialma na instalação de parques eólicos no município de Araioses
3 mil Empregos deverão ser gerados na fase de obras de construção dos parques eólicos nas ilhas de Poldros e do Caju