quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Soja, gado, agricultura familiar e chapadas

Antes a economia de um municipio se resumia a alguns projetos de criação de gado, projetos de manejo florestal e venda de babaçu e seus subprodutos. em geral circulava pouco dinheiro pela economia e prevalecia uma economia de escambo. Os agricultores trocavam suas produções de farinha e de babaçu por produtos industrializados nos comercios. Os comercios nos pequenos povoados se consagraram como locais de morada e de poder para os proprietários, de subserviencia para os moradores das vizinhanças e de hospedagem para os viajantes. As pessoas davam mais importancia aos comercios do que aos seus proprios lares. Essa importancia se refere ao fato de que só nos comercios surgia algo diferente do cotidiano empobrecido das comunidades rurais do Maranhão. Era tambem porque nesses espaços se ficava a par do que acontecia nos circuitos politicos do municipio e da região. Correto afiançar que a palavra importava para o que desse e viesse. Os moradores não sabiam ler e escrever portanto subtendia-se que dar a sua palavra a alguem cumpria um requisito imprescindivel em qualquer situação. Quantos deram suas palavras sem esperar nada em troca ou só esperar apenas uma congratulação? Talvez a resposta seja mais dura do que se gosria. As classes subalternas se atinham e ainda se atem as questões de honra e de palavra. As classes dirigentes, por outro lado, na primeira oportunidade renegam seus compromissos e discursos historicos. As Chapadas, por muito tempo, foram os espaços consagrados de convivencia pacifica entre a agricultura familiar e os criadores de gado. O lado bom ninguem mexia com ninguem. O lado ruim ninguem se preocupou em regularizar sua situação fundiária. A Chapada era mal vista por muitos. Isolamento, quentura, seco, trabalhosa e etc.  Só para soltar gado e olhe lá. Os vaqueiros interpretavam o papel de conquistadores da Chapada assim como de zeladores da garantia fisica do gado dos seus patrões. As Chapadas se mantiveram vazias em parte pelos preconceitos despreendidos contra elas e esses peconceitos favoreceram os criadores de gado e comerciantes na hora que resolveram vendê-las aos plantadores de soja , afinal ninguem morava nas Chapadas que só serviam para soltar o gado e nada mais. Qual foi o preço pago pelas Chapadas? Os "proprietários" não avaliavam as Chapadas pelo que elas poderiam trazer e sim pelo que não trouxeram. Qualquer dinheiro calhava de aceitarem. No transcurso da história, como e onde ficaram as comunidades tradicionais que tambem viviam dos recursos obtidos da Chapada (madeira, frutose etc)? Algumas delas conseguiram regularizar seus territorios. Entre os anos de 2005 e 2018, o Incra desapropriou  15 propriedades, o Iterma regularizou 5 territorios tradicionais e o ICMBIO criou uma reserva extrativista no Baixo Parnaiba maranhense. Impediu-se o desmatamento de mais de 50 mil hectares de Cerrado pelo agronegócio. Entretanto criadores de gado, empresas e empresarios do agronegocio mantem suas investidas sobre as áreas de Chapada pelo Baixo Parnaiba inteiro. Eis alguns casos
Urbano Santos - povoados São Raimundo, Capãozinho e Santa Rosa dos Garretos
Belagua - Estiva do Cangati
Buriti - Brejão, Carrancas, Areias
Brejo - Saco das Almas
Anapurus - Formiga e Buritizinho
Milagres - Borrachudo
Santa Quiteria - Fazenda Tabatinga, Baixão da Coceira 2, Barra da Onça, Vertentes
Chapadinha - Chapada do Sangue, barro vermelho
São Benedito do Rio Preto - Guarimã
Barrerinhas - Andreza, Rio Grande dos Lopes, mamede, Jurubeba, Passagem do Gado
São bernardo, Araioses e Magalhaes de Almeida - Pau Ferrado, Faveira, Baixão das Vassouras, Baixão da Subida.
essas comunidades de uma forma ou de outra recebem assessoria tecnica do Fórum Carajas em parceira com a SMDH, Diocese de Brejo, Fetaema e STTRs. ao todo as areas dessas comunidades chegam a mais de 30 mil hectares de Cerrado, babaçual, caatinga, restinga e floresta amazonica. 

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Filosofia música e meio ambiente no Baixo Parnaíba


O filósofo e professor da UFMA Joedson Silva primava pelas boas músicas na sua lista seleta. O carro onde viajava não possuía som próprio e se não fosse por ele a viagem se resumiria a uma troca de conversas entre os ocupantes do carro. As músicas variavam de rock alemão dos anos 70, trip hop dos anos 90 e mangue beat recifense. O Dj filósofo perguntou se o carona reconhecia uma determinada música. O vocal melodioso lembrava a voz de Greg Lake do King Crimson. Errado. Velvet Underground. Banda americana icone dos anos 60. Um folk country urbano depressivo erótico. Uma viagem psicodélica que descomprimiu as impressões da viagem a noite pelo baixo Parnaíba. A manhã do dia seguinte se entregaria ao calor impenetrável. Vicente de Paula, recém recuperado de uma gripe, apresentava a Chapada ao filósofo que o fotografava com sua visão indolente. Ninguém esperava mais chuvas fortes no mês de junho em Buriti ou qualquer outro lugar. Vicente saira cedo dias antes para zelar a sua roça e não é que uma chuva se formou e derramou se rapidamente sem pedir licença e nem por favor. O calor do pós inverno é a norma da casa. Para onde iriam em seguida essa norma era mais cruel. Os agricultores de Brejo e Milagres não foram pareos ao agronegócio da soja. O século XXI não tem nada de ficção científica naquelas chapadas. Surgem máquinas mas não voadoras e sim suplantadoras do Cerrado Leste maranhense. Máquinas que aram (degradam) o solo. Entre tantos espaços vazios deixados pela soja recém colhida, um espaço se destacava pela vegetação e pelo gado que lá se recolhe. Os antigos posseiros aceitaram as propostas dos sojicultores e venderam barato suas posses. Só um não vendeu. Da destruição em massa promovida pela soja os impactos mais evidentes são a diminuição na fabricação de cachaça afinal não há mais madeira na Chapada para queimar nos alambiques e a poluição do Rio Buriti pelos agrotóxicos.
Mayron Régis

A pescaria numa terra proibida


Marquei uma pescaria no rio dos pretos – entre São Benedito e Urbano Santos – quase nos limites de Chapadinha, terra de criadores de porco e bode. Saira da sede da cidade as 14:00h, viajava pela chapada do meio – na estrada que dá acesso aos povoados Prata e Riacho Seco. O Bacabal de Santa Rosa era o ponto final. “A pescaria numa terra proibida” prometia.
Bacabal e Santa Rosa são duas comunidades vizinhas, áreas que estão em conflitos fundiários – de um lado a família Garreto e do outro os moradores. Bacabal nasceu de Santa Rosa – a Associação de moradores fora criada com o objetivo de entrar com um processo de desapropriação no Incra e arrecadar no Iterma o restante da chapada para as mais de trinta famílias camponesas que lá moram e trabalham de roça. Conheço o pessoal de Bacabal desde quando se iniciou o conflito há quase uma década atrás. Um povo hospitaleiro que vive no dia a dia do trabalho pesado da lavoura e da pesca artesanal, além de outras tarefas e práticas como o extrativismo. Participei de  muitas reuniões de organização, preparação e orientação da luta pela terra. Mas naquele dia a tarefa era outra – divertir-se um pouco com a arte da “pesca numa terra proibida onde quem chega por lá é indagado pelos moradores” e, interrogado sobre o que anda fazendo por aquelas bandas. É claro que essas interrogações não foram me dirigidas. Eles estão fazendo certo, pois a terra é seu bem maior, muitos visam aquela região de chapadas, babaçuais e matas virgens / poucos sabem seu importante valor econômico e social, cansaram de serem colonos e escravos dos que ainda se “dizem senhores”. A poeira da estrada estragara  minha garganta, rendendo mais de duas semanas de gripe forte e muita tosse. Mais de uma hora de viagem pelos “campos do gaúcho”. Este deu uma melhorada na estrada que vai para sua fazenda. Menos mal, mas não fizera a estrada para facilitar a vida dos moradores de Bacabal e Santa Rosa, mesmo assim eles a utilizam frequentemente, pois a outra estrada via Marçal é bem mais longe a distância para a cidade. Ao chegar, deixei a motocicleta em baixo do pé de jatobazeiro – arvore centenária que fornece uma boa sombra nas horas de reunião e também frutos para a meninada matar a fome. O enorme pé de jatobá é uma prova viva da existência e formação histórico-social daquela comunidade que se criara a partir das adjacências do campo de futebol – muito parecida com uma  aldeia indígena. Antes de ir para o rio, conversei um pouco com o presidente da associação sobre algum tipo de novidades, quase nada me dissera a respeito da questão que vem se arrastando, apenas falou da eleição da nova diretoria da associação que alguns dias tinha acontecido. As horas iam passando e eu tinha que pescar. A fome apertara também, pois não almocei nada naquele dia, esperava pegar algum peixe para comer assado com farinha lá mesmo na beira do rio. Segui para a ponte que liga o outro povoado vizinho, o rio baixara suas águas e, muito – notou-se a diferença de outras datas. Os anzóis e as redes foram pra dentro d´água, pouco beliscava, mas as redes fizeram a festa com as baranas e freixeiras, apesar das piranhas estragarem com seus afiados dentes. Anoitecia e outras iscas foram botadas para ferrar as catanas, tudo calmo – as horas passavam lentamente, se ouvia gritos de caçadores e latidos de cachorros ao longe, tiros de espingarda... as estrelas do céu eram a minha companhia. O pensamento viajava, concentrado lembrava de minha casa e decidia voltar ainda naquela madrugada. Fiz uma fogueira na beira do rio, botei alguns peixes para assar, depois jantei-os, bebi a água do rio preto e estava alimentado. Por volta de  1:00h hora da manhã decidi voltar pra casa, tinha pegado o suficiente para o almoço. No trajeto até o vilarejo de Bacabal Deus e a luz da lanterna eram meus guias. Chamei o morador da casa para pegar a chave da moto, não quis incomodá-lo, despedi-me e acelerei na volta para casa, subindo a ladeira até a planície da chapada. Viajar a noite não é uma boa experiência e ainda mais sozinho por aquelas brenhas. Os campos de eucaliptos faziam fronteiras com os carrascos e chapadas, a poeira ardia nos olhos. Mais de dois quilos de peixes vinha no côfo. O medo me apavorava.
Após horas de viagem, avistava-se os primeiros sinais das luzes da cidade. O medo foi passando assim que se aproximava da civilização. Chegava em casa as 3:00h da manhã, cansado, com peixe e uma bagagem para mais um ensaio literário... uma prosa sobre este tema que quase não tem tanto sucesso para muitas pessoas, mas para outras é de grande e estimável valor.     

José Antonio Basto


quarta-feira, 24 de abril de 2019

SEMA nega licenças ambientais para a familia introvini em Buriti

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais-Sema, em cumprimento ao disposto no art. 10, VII, Resolução 237 do CONAMA, torna público que indeferiu o pedido de Autorização de Supressão da Vegetação – ASV protocolado por meio do Processo SIGLA nº 16010015175/2016, que teve como requerente Jaquesson Introvini - CPF/CNPJ 638.434.551-04. São Luís, 21 de janeiro de 2019. MARCELO DE ARAUJO COSTA COELHO Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais-SEMA, em cumprimento ao disposto no art. 10, VII, Resolução 237 do CONAMA, torna público que indeferiu o pedido de Autorização para Utilização de Matéria Prima Florestal – AUMPF protocolado por meio do Processo SIGLA nº 15110041914/2015 , que teve como requerente Jaquesson Introvini - CPF/CNPJ 638.434.551-04 . São Luís, 17 de janeiro de 2019. MARCELO DE ARAUJO COSTA COELHO Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais

terça-feira, 23 de abril de 2019

Chuvas no Cerrado diminuíram 8,4% em três décadas



Estudo desenvolvido na pós-graduação em Ciências Florestais mostra a relação entre desmatamento e alteração climática

Ela é responsável por deixar o clima mais agradável, contribui para a preservação de espécies animais e vegetais, além de ser uma importante parte do ciclo hidrológico, abastecendo rios e mananciais e consequentemente as cidades. A chuva tem o poder de manter e transformar a vida na Terra. Mas para que essas pequenas partículas de água caiam do céu, são necessários vários processos, que envolvem desde a transpiração de árvores e plantas, a evaporação da água dos rios pela incidência solar, a condensação do vapor de água na atmosfera até o encontro das massas de ar.

Quando há interferência em algum desses mecanismos, a alteração das dinâmicas de precipitação é uma das consequências. No Cerrado, essa situação acontece há algumas décadas. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais (PGEFL) da Universidade de Brasília concluiu que houve redução de 8,4% nas chuvas em 33 anos (de 1977 a 2010). Isso quer dizer que 125,8 milímetros de chuvas deixaram de cair no intervalo, correspondendo a 3,7 mm de perda a cada ano.

O Distrito Federal é um ambiente propício para esse monitoramento, já que a atual crise hídrica enfrentada pela região tem, como uma das possíveis causas, a redução das chuvas no Cerrado. O estudo reúne indícios que apontam como causa o desmatamento e a reutilização do solo em atividades de agronegócio.

“Muito recentemente, diversas pesquisas têm chamado a atenção sobre a relação entre desmatamento e alterações climáticas”, explica a mestranda Juliana Campos, que explorou o tema em sua dissertação. Intitulado Variabilidade da precipitação no Cerrado e sua correlação com a mudança no uso da terra, o trabalho foi orientado pelo professor Henrique Chaves, do Departamento de Engenharia Florestal.

A pesquisadora analisou dados de 125 estações pluviométricas, distribuídas em nove estados onde o bioma Cerrado é encontrado, para verificar a variabilidade na dinâmica de precipitações. A tendência de diminuição nas chuvas foi observada em 89 estações, sendo que, em 18 delas – ou seja, 14% do total –, a mudança foi mais significativa.

Segundo Juliana, as maiores quedas no volume de precipitações foram registradas nos meses de janeiro e maio. No primeiro mês do ano, essa variação costuma ser menos sentida, por ser estação chuvosa. Em maio, entretanto, quando se inicia o período de estiagem, as consequências da menor incidência de chuvas costumam ser drásticas.

“Esse mês é muito importante para o Cerrado, porque é o mês de transição de estações. Se em maio há uma queda da precipitação muito abrupta, prolonga-se a estação seca, acarretando efeitos muito mais danosos”, explica a pesquisadora, referindo-se a prejuízos causados sobre o ciclo de águas e sobre a própria manutenção das espécies. 
Juliana Campos investigou os impactos do desmatamento no Cerrado e constatou sua relação com uma queda no período chuvoso. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

CAUSA – Apesar de as evidências não permitirem uma conclusão definitiva, Juliana Campos sugere que há uma correlação entre a variabilidade nas precipitações e a mudança nos usos da terra em função do desmatamento para a implementação de atividades agrícolas.

O cenário ficou evidente a partir do cruzamento de dados das estações sobre a frequência das chuvas e análises espaciais das áreas desmatadas: as alterações mais significativas se deram em regiões onde houve intensa retirada da cobertura vegetal. Simulações de modelos climáticos realizadas em outras pesquisas também foram utilizadas para embasar o estudo. A conclusão é a mesma: o desmatamento influencia diretamente as mudanças climáticas do bioma.

Em territórios do Cerrado mais ao sul, que incluem Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso, a variação negativa no regime de chuvas chegou a 10,6% no período estudado. Em estações específicas, os dados encontrados são ainda mais alarmantes. “Uma estação no Mato Grosso registrou redução de 60% no nível de precipitações ao longo desses 33 anos”, destaca a mestranda.

A porção ao sul da região é justamente onde ocorre maior desmatamento do bioma. Ali, apenas 35% da vegetação nativa ainda se encontra preservada. “O desmatamento do Cerrado se iniciou no século XVIII, mas o ápice foi nas décadas de 1960 e 1970, após a construção de Brasília e a Marcha para o Oeste, época de grandes incentivos agrícolas”, analisa Juliana Campos. Atualmente, quase metade das áreas de Cerrado em todo o Brasil já foi devastada, sendo a produção agrícola o motivo principal.

AGRAVAMENTOS – Diferentemente das culturas implantadas, a vegetação nativa apresenta maior eficácia no processo de reciclagem das águas. As folhagens mais escuras das árvores do Cerrado, por exemplo, são essenciais na absorção de energia solar, diferentemente das gramíneas utilizadas em pastagens, que deixam a superfície na terra mais clara e refletem a luz do Sol.

Quando há retirada de espécies nativas, perde-se essa capacidade de captação, necessária ao processo de formação das chuvas, aponta Juliana: “A falta de energia na superfície terrestre impacta os processos de evapotranspiração e convecção”.

Outros aspectos, como a rugosidade aerodinâmica das árvores do Cerrado – altura a partir da superfície onde ocorre a turbulência do ar – e o potencial de bombeamento das águas do subsolo pelas raízes vegetais, sobretudo durante a seca, também contribuem na evapotranspiração.

Plantações e pastagens comuns à atividade agropecuária, basicamente compostas de espécies rasteiras, dificultam a turbulência do ar, responsável pela circulação da umidade. Além disso, essas plantas rasteiras não possuem raízes tão profundas para recolher as águas subterrâneas. 

O retorno da água à atmosfera após a reciclagem do solo e das plantas é um dos pilares do ciclos de chuvas e do sistema de reabastecimento dos aquíferos (Confira no infográfico abaixo). “Dependemos muito da evapotranspiração da vegetação para a umidade do ar e, sobretudo, para as poucas chuvas que ocorrem na estação seca”, ressalta. 

Para Juliana, é necessário pensar em possibilidades menos degradantes de desenvolvimento agrícola, aliadas à redução do desmatamento. “Vários estudos buscam soluções de agriculturas alternativas que não impactariam tanto na evapotranspiração, como a agrofloresta e o plantio direto”, indica.

Mais do que perceber os danos ambientais trazidos por esses desequilíbrios, a pesquisadora considera importante dimensionar os impactos socioeconômicos. 

Terra de Papagaios


Aonde já se viu ? A terra dos papagaios. Como você sabe que esta e a Terra deles ? Viste algum deles ? Qual era a cor ? Escutei o som de um e perguntei ao Manoel se era um papagaio preso. Ele respondeu que não portanto um papagaio nativo. As terras de papagaio desciam para a beirada do Rio Boa Hora mais apropriadamente para as beiradas da fonte do Riachinho pertencente aos povoados Capaozinho e Riachinho, municipio de Urbano Santos. Os papagaios vivem soltos sobre os galhos das árvores frutíferas com destemor. Antes as Chapadas os animais e as pessoas se soltavam. De tanto viverem soltas as pessoas quiserem experimentar a desoltura. Os membros da associação de moradores de Capaozinho e Riachinho pretendiam desmatar mais de 300 hectares para plantar soja. Só que desistiram bem no começo da empreitada. Não foram adiante. Em uma conversa com o Fórum Carajás, Manoel, presidente da associação, foi tácito em afirmar que recuaram, pois prevaleceram a prudência e o entendimento da total inexperiência em lidar com a soja com os custos de produção e com sua comercialização. Por enquanto não mudam a fisionomia do lugar e os papagaios que cantam livremente.
Mayron Régis

WPR vira ré por crime ambiental na instalação de porto no Cajueiro Promotoria diz que houve descumprimento de condicionantes em licenças e autorizações. Também foram denunciados Walter Torre Júnior e Paulo Remy Neto






A juíza Oriana Gomes, da 8ª Vara Criminal de São Luís, aceitou, no último dia 20, denúncia oferecida pela promotora de Justiça Márcia Lima Buhatem, da 2ª Promotoria de Justiça em Defesa do Meio Ambiente, contra a WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais. Também foram denunciados os representantes legais da WPR, Walter Torre Júnior e Paulo Remy Gillet Neto, respectivamente, presidente do conselho da WTorre e ex-sócio da empreiteira.



De acordo com a assessoria do Ministério Público do Maranhão, a denúncia é baseada em inquéritos da Polícia Civil e investigações do próprio Parquet, e aponta que os envolvidos praticaram diversas condutas enquadradas na Lei de Crimes Ambientais, como: morte de animais silvestres; danificação de floresta em área de proteção permanente e manguezais; retirada de grande extensão de vegetação; irregularidades no processo de licenciamento ambiental.
Indica também o descumprimento das condicionantes impostas nos documentos de licença prévia, licença de instalação e autorizações para supressão de vegetação e captura e transporte de fauna silvestre.
“A construção do Terminal Portuário será sobre localidade que possui como parte de sua vegetação o manguezal, gerando, assim, grande impacto e promovendo a destruição e danificação do bioma na região”, argumenta Márcia Buhatem, no documento.
Por determinação da magistrada, a WPR, Walter Torre Júnior e Paulo Remy Neto têm o prazo de 10 dias, contados a partir da data de citação, para se manifestarem a respeito da denúncia.