domingo, 15 de março de 2026

Símbolos nacionais

A celebre frase que futebol samba e feijoada combinam deve ter nascido e se consagrado em algum subúrbio carioca. Deviam ter incluído as apostas nessa lista. Futebol, samba, feijoada e apostas. Nada mais falta nessa lista. Em dado momento o Estado brasileiro promoveu o samba como gênero de música nacional acima de outros gêneros musicais. Lá pelos anos 30. Na copa de 70, num momento em que o samba perde espaço, o Estado brasileiro elevou o futebol a máxima expressão da vida cultural e social da população apoiado em parte na música popular brasileira, não a melhor música e claro. Era absolutamente necessário transformar o samba em símbolo nacional assim como também o futebol e a feijoada ? A bem da verdade, parte dos símbolos instituidos pelo estado ao longo da história não caíram bem no gosto da população. Bandeira, hino nacional, independência, proclamação da república. Esses símbolos falam de um país de poucos para poucos. As apostas não foram transformadas em símbolo nacional como aconteceu com o futebol o samba e a feijoada e como gostariam diversos setores da sociedade brasileira. A razão talvez seja que os sentidos da simbologia ligada as apostas vao numa direção oposta aos sentidos dos outros símbolos. As simbologias das apostas vão nos sentidos do ganho fácil, do desperdício, do descontrole financeiro, do ilícito, da falta de responsabilidade, da violência física e simbolica e etc. Essa simbologia explica em parte os rumos que o Brasil tem tomado e explica também a corrosão da vida pública e social.

O esvaziamento da cidade histórica

Não e nada impensável concluir que o abandono e o esvaziamento por que ora passa a cidade histórica de São Luís e por que passam as cidades históricas de outros municípios maranhenses tenha estrita relação com o fato de que essa história fora construída por escravos. O abandono e o esvaziamento da cidade histórica não é só físico. Eles também sao histórico e subjetivo. Prepondera uma lógica de investir em reformas de casarões prédios igrejas e etc como forma de revitalizar (reviver ?) para reverter esse quadro que impera. A história age em desfavor daqueles que não compreendem seus processos. O esvaziamento e o abandono da cidade histórica de São Luís correspondem a abundância de construções nas praias, por exemplo. Quanto mais distante as classes sociais se situam menos apego a história política e social do Maranhão o que sinalizaria um apego ao individualismo e ao narcisismo como aspectos fundamentais do ser social. A cena de uma jovem perguntando onde ficava o palácio dos leões, antiga sede do governo do Maranhão, estando a poucos metros de encontra la um indivíduo que não se reconhece nessa história e portanto vai esvaziando a de significado.

os papeis dos intelectuais

Um dos papéis mais substanciais que um artista ou intelectual pode exercer perante a sociedade e perante a cidade onde nasceu e se criou e o de denunciar situações que se revelam desfavoráveis em termos simbólicos a vida da espécie humana e a vida de outros seres. A casa de Cláudio Lima no Aracagy região de recente expansão dos investimentos imobiliários no município de Ribamar e consagrada para outros seres. Numa rápida olhada deu se de cara com um maracujá da mata e segundo Cláudio as espécies de maracujá chegam a centenas. A grande maioria dos seres presentes na casa de Cláudio sao imaginários que saem de sua mente de artista e viram esculturas como a escultura do "surrupira" que e um ser da mata e que vive intocado num tucumzeiro. A febre de construção de condomínios chegou ao Aracagy muito por conta da ampliação da litorânea. Claudio descobriu por um lance de sorte um desmatamento. Um Pica-pau deu um alerta que algo estava errado nas imediações e ele foi verificar. Um grande desmatamento que atingia severamente uma nascente, segundo a postagem de Cláudio no Instagram. Não soube precisar o responsável pelo crime. Dias mais tarde, Cláudio recebeu o fórum carajás e levou a equipe ao local e lá se viu uma placa com a sigla NBR. A área desmatada em questão e provavelmente um afluente do rio Jaguarema que sofre os impactos da ampliação da litorânea em sua foz. A grande pergunta e : foi feito algum estudo pela NBR e quem deu as licenças para o desmatamento? De qualquer forma, governo do Estado, prefeitura de Ribamar e NBR bem articulados na agressão ao meio ambiente.

pensando bem

Pensando bem, nunca havia dado a devida atenção aquelas pedras. A urbanização das praias em São Luís fez com que as faixas de areia diminuíssem e as dunas desaparecessem. A faixa de areia entre a praia do Aracagy e a praia do Olho d'água era bastante larga e agora com a ampliação da litorânea, ela diminuiu. Contudo, essa perda fez com que notasse uma estrutura de pedra a beira da praia. Quando mais novo, via várias dessas estruturas pela faixa de areia e pensava ser obra da natureza. Enganara se. Um amigo indicando a estrutura alertou que a estrutura seria uma construção indígena. "Para que?". Ela serviria de armadilha para os peixes. A maré subia e os peixes iam junto para dentro da estrutura. A maré ao baixar deixava os peixes presos para os indígenas pegarem. A obra de ampliação da avenida litorânea apresenta vários defeitos dos pontos de vista do projeto e da execução e um desses defeitos e a falta de estudos para identificar sítios arqueológicos como essa estrutura de pedra.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Os caminhos não vistos na praia de olho de porco

Descobriu se que andar pela praia e não deixar indícios da sua presença e que nela nada permanece por muito tempo. A falésia inexpugnavel que regia aquele trecho entre o olho d'água e o aracagy não resistiu ao que muitos achavam impossível : a destruição do litoral da região metropolitana de São Luís. A matéria física vem sendo rasgada, raspada, triturada por maquinas a mando de homens. Nem tudo, as máquinas destruíram. A memória resiste e documenta. As crianças que saiam da escola e seguiam a pé por quilômetros para alcançarem suas casas na praia olho de porco continuam andando pelo meio porque a praia é larga. Elas marcam um caminho só visto por si. Nesse marcar, constroem um mapa mental e que cruza com outros caminhos não vistos pela maioria das pessoas e pelos governos como o caminho dos pescadores e de suas redes de pesca.

O fim da história em uma comunidade pesqueira na região metropolitana de São Luís

O passado é uma construção. Tanto uma construção simbólica como física. E como qualquer construção pode desmoronar. Essa passagem, de certa forma, relembra as leituras do historiador marxista Giulio Carlo Argan em Arte Moderna e história da arte como história da cidade em que ele argumenta que a arte pode chegar a um fim como qualquer coisa produzida pelo homem. A arte é um fenômeno histórico e portanto tem início meio e fim. O fim da história é possível dentro dessa argumentação ? O problema é mais embaixo. O homem não pode decretar a história porque ele não e a história. Ele faz parte da história. Outra coisa: o fim da história pressupõe um começo. Alguem saberia dizer onde iniciou a história? A sociedade maranhense, ultimamente, tem acelerado o motor da história para alcançar determinados fins. Acelerar e fim tem relação. Só que diferente de sociedades mais desenvolvidas que decretam o fim da história por livros, o fim da história no Maranhão vai no sentido da destruição do todo. Sem Cerrado, amazonia, litoral, comunidades tradicionais quilombolas e ribeirinhas não pode haver história porque essas comunidades e os biomas mantém resíduos nao apagados do que aconteceu há séculos. Pode haver o fim da história específico para uma comunidade tradicional? O prefeito de um município da região metropolitana de São Luís comprou diversas áreas em uma comunidade tradicional para desenvolver seus projetos porque antes de ser prefeito ele é um empresário. Projetos que fornecem areia para outros projetos destrutivos.

conversa de pescadores

Iniciaram a conversa com os pescadores. O que eles achavam daquela obra. Pela resposta que deram, por enquanto, como não havia iniciado o transporte de carros pela balsa entre Anajatuba e São João Batista, a estrada asfaltada e a rampa onde atracaria a balsa viraram pontos turísticos, de fluxo de gente, ponto de pesca e de diversão. Como qualquer rio, o rio Mearim e atravessado por várias pontes que ligam diferentes regiões e que encurtam distâncias. Quem vai para a baixada ou para a região Tocantina atravessa uma ponte. Como o transporte de gente subindo o rio Mearim devia ser difícil. Falando de regiões como a foz do rio Mearim onde água doce se mistura com água salgada. Águas agitadas que qualquer descuido o barco pode virar. Pesca farta. Não há pontes para ligar os dois lados da foz. Anajatuba, de um lado. São João Batista, do outro. O governo do Estado do Maranhão resolveu construir uma estrada que passa pelos dois municípios com uma balsa transportando veículos pela foz. Pelo que aparenta, e uma forma de integrar essa região ao restante do Maranhão. Essa ideia do governo e ao mesmo tempo instigante e duvidosa. Instigante pelas promessas de que são capazes os políticos e duvidosa com relação a capacidade de integração. Quem vai de sua casa em São Luís para pescar em Anajatuba ou São João Batista ou para esperar não se sabe quanto tempo enfrentando as correntes oceânicas e do rio ? A verdade é que esse projeto não e para o povo de Anajatuba ou para o povo de São João Batista diferente do que acham os pescadores as margens do rio. E uma forma de articular uma região de baixa densidade demográfica com a vinda de grandes projetos que requerem grandes extensões de terra e grande quantidade de água como carcinicultura energias renováveis e infra estrutura portuaria.