quinta-feira, 12 de março de 2026

quinze anos

Quinze anos e aquela gente não era mais a mesma. As casas assumiram outra feição. Antes, as pessoas se ajuntavam tipo em ocas. Uma família se ajuntava a outra e um povoado surgia. Centenas de pessoas apareciam e desapareciam para serem vistas mais tarde em comunidades perto ou bem distantes. Vendiam o que não tinham e prometiam o que não podiam para tentarem uma nova vida repleta de incertezas. O Jerry, morador de Pau serrado, povoado de Santa Quitéria, extremando com Barreirinhas, a beira do rio preguiça, ridicularizava cada suposta venda de terra por aquelas bandas. "A mulher vive em Barreirinhas e planeja vender uma posse de 800 hectares rica em bacuri. O marido dela, se fosse vivo, não faria isso". Não havia reconhecido Jerry de imediato. Na hora em que soltou a voz, a memória soou. Aquele indivíduo não era desconhecido. Naquela região de Chapadas cobertas e encobertas por bacurizeiros, pequizeiros, araticunzeiros e etc e cortada e entrecortada pelo rio Preguiça e seus afluentes, entre Santa Quitéria e Barreirinhas, conhecera tanta gente e uma dessas pessoas fora o Jerry. Eles almoçavam na cozinha do Ribamar, morador de Tabatinga, após uma reunião com a associação em que se discutiu a presença da AVB Aço Verde Brasil no povoado. A empresa alugou uma casa no povoado para seus funcionários sem permissão da associação.

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