quinta-feira, 12 de março de 2026
caetano de cima
Uma das coisas que se aprende por esse "mundão de meu Deus" e que a identidade sócio política passa pela produção de alimentos e quantos mais estes alimentos não forem "abençoados" por insumos externos mais farão conexões com pontos da realidade local. Seria exagero destacar a pesca artesanal como uma das atividades humanas menos impactantes para o meio ambiente? Menos impactantes e mais sofridas, segundo o que se ouviu na reunião do movimento dos atingidos pelas renovaveis que aconteceu na comunidade Caetano de Cima município de Amontada estado do Ceará. E por esse sofrimento tornou se uma atividade pouco atraente e interessante para a sociedade de maneira geral. Comprar um bom peixe pro almoço, um camarão para uma torta, uma cambada de caranguejo para quebrar em cima da mesa e um sururu pra um caldo, ficou fácil. Saber quem foram os pescadores e os catadores, bem difícil. Eles formam um segmento da sociedade coberto pela invisibilidade. Moram distante das cidades que se abstém de maiores contatos preferindo os intermediários que compram o pescado para os restaurantes servirem em pratos caros ou para exportação. O consumidor final fica na sala de estar; não vai na cozinha ver o preparo. Construiu-se barreiras ideológicas culturais e físicas. Na sala de estar, o consumidor conversa amenidades com seus pares. Na cozinha, os produtores não perdem o foco porque senão o caldo desanda. O mundo do consumidor ( mundo de fora) para na copa. Sente o cheiro e pressente a vinda da comida. O turismo de base comunitária experimentado por várias comunidades pesqueiras no litoral cearense como Caetano de Cima pode ser uma forma de quebrar essas barreiras assim como também tornar visíveis para a sociedade os modos de produção da qual os moradores tiram seus sustentos.
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