Por décadas, o
nome Garreto assombrou parte do município de Urbano Santos. Ele se apropriou de
milhares de hectares de Chapada e depois vendeu para a Marflora, braço
florestal da Margusa nos anos 80. Houve resistências por parte de algumas comunidades
que asseguraram pedaços da Chapada para sobreviverem. Nada comparável ao
tamanho da área que o senhor Garreto se apossou: quinze mil hectares. A dona
Teresinha, parteira e agente de saúde da prefeitura de Urbano Santos, cujo
marido possui uma propriedade próxima aos plantios de eucalipto da Suzano Papel
e Celulose, esclareceu que o Nego Garreto, para encerrar a questão, “deu” de
maneira aleatória pequenas áreas a algumas comunidades. Claro, deixando o “filé”
para a Margusa que comprou grandes extensões de mata por valores inexpressivos.
Nessa época, o Nego Garreto não vendeu para a Margusa a fazenda Santa Rosa que,
realmente, pertencia-lhe. Nas comunidades tradicionais de Urbano Santos não
valiam palavras como direitos humanos ou direitos sociais. Valia a palavra do
latifundiário que determinava as coisas quer fossem ruins ou quer fossem boas. Era
um tempo em que a pessoa não apresentava documento de nada sobre qualquer ato
seu. Essa prática perdura até hoje como se sabe. A Suzano Papel e Celulose que
adquiriu o mundo de terras da Margusa em Urbano Santos e Santa Quitéria após a
sua falência desmatou milhares de hectares sem que as licenças estivessem
corretas. A Secretaria de Meio Ambiente nunca concedeu pleno acesso ao processo
de licenciamento do empreendimento da Suzano Papel e Celulose no Baixo
Parnaiba. Isso decorre, em parte, da falta de transparência e de coerência de
um órgão cuja principal obrigação é zelar pelo meio ambiente. Quando o órgão ambiental
fecha os olhos para as agressões ambientais em prol de uma “bendita” sustentabilidade
financeira dada pelas grandes empresas, resta a quem é ou que pode ser atingido
diretamente por essas empresas exigir seus direitos. O Nego Garreto e a
Margusa/Marflora ao se constituírem donos de mais de quinze mil hectares de
Chapada fizeram com que as comunidades se contentassem com “as misérias” que
eles prometeram e as misérias naturais que depois de décadas de desmatamento e
de plantio de eucalipto ocorreram. Pode se afirmar que todos os brejos e igarapés
que formam os rios Boa Hora, Mocambo, Preto e Preguiças diminuíram seu volume
de água porque os plantios de eucalipto se alastraram de maneira inclemente
pelas Chapadas de Urbano Santos. O Nego Garreto se deu bem com os favores que
prestou as empresas de reflorestamento. Não só ele. As empresas socorreram inúmeras
figuras em tempos de campanhas
politicas. Entretanto, o patrimônio politico e o patrimônio financeiro do Nego
Garreto diminuíram. A fazenda Santa Rosa, que sobrara nos anos 80, entrou nos
seus propósitos de vender para a Suzano Papel e Celulose. Antes que o negócio
se efetuasse, a comunidade passou a frente do Nego Garreto e pediu ao Incra que
vistorie a área. Impossibilitado de vender a fazenda para a Suzano, os
familiares do Nego Garreto enviaram pistoleiros para intimidar as famílias e
com isso demove-las da ideia de desapropriação. Depois de inúmeras denuncias,
os pistoleiros foram presos e as coisas se acalmaram em Santa Rosa. A Chapada
de Santa Rosa se diferencia de outras como a de São Raimundo, no outro extremo
de Urbano Santos, e, ao manter a posse da comunidade sobre ela, faz-se com que
um trecho bastante preservado de Cerrado não seja substituído pela monocultura
do eucalipto.
domingo, 22 de setembro de 2013
SMDH solicitou ao MPF/MA medidas para regularização fundiária de Santa Rosa
Conflitos na área, em Araioses/MA, já se arrastam por mais de 20 anos. Entidade representou contra Incra e SPU
A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) ingressou na última sexta-feira (13) com representação ao Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Patrimônio da União no Maranhão (SPU).
A representação pauta-se na morosidade da regularização fundiária da Gleba Santa Rosa, em Araioses/MA, que se arrasta desde 1995 – a luta da comunidade já tem mais de 20 anos. Durante o processo de resistência, trabalhadores e suas famílias têm recebido pressões por parte de Maria Esther Furtado, então proprietária da área. Seu falecimento não arrefeceu os conflitos na região e hoje as ameaças surgem de novos pretensos proprietários.
História – Ainda em 1994, SMDH, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Cáritas Brasileira Regional Maranhão encaminharam documento ao Delegado do Departamento de Patrimônio da União no Maranhão (DPU/MA) solicitando a intervenção daquele órgão “a fim de coibir a ação dos latifundiários [de] usarem bens da União como se privados fossem”, conforme texto do citado documento.
Nos últimos 20 anos, pelo menos cinco ações judiciais (possessórias e cíveis) envolveram lideranças da comunidade, conforme pesquisa cartorária realizada pela assessoria jurídica da SMDH.
Segundo Igor Almeida, assessor jurídico da SMDH, “é inconcebível que, em mais de 15 anos, os dois órgãos federais envolvidos na regularização fundiária da Gleba Santa Rosa não tenham conseguido dialogar para agilizar a tramitação desse processo. Esse é mais um exemplo do descaso do Estado Brasileiro com a política de reforma agrária no país. Enquanto isso, a comunidade é ameaçada por supostos proprietários, e ainda encontra dificuldades para a obtenção de outras políticas públicas fundamentais.”
Na representação ao MPF/MA, a SMDH solicita ao órgão ministerial “a adoção de providências para a imediata finalização do processo de regularização fundiária da comunidade de Santa Rosa”. (Por Zema Ribeiro)
A Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) ingressou na última sexta-feira (13) com representação ao Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA) contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Patrimônio da União no Maranhão (SPU).
A representação pauta-se na morosidade da regularização fundiária da Gleba Santa Rosa, em Araioses/MA, que se arrasta desde 1995 – a luta da comunidade já tem mais de 20 anos. Durante o processo de resistência, trabalhadores e suas famílias têm recebido pressões por parte de Maria Esther Furtado, então proprietária da área. Seu falecimento não arrefeceu os conflitos na região e hoje as ameaças surgem de novos pretensos proprietários.
História – Ainda em 1994, SMDH, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Cáritas Brasileira Regional Maranhão encaminharam documento ao Delegado do Departamento de Patrimônio da União no Maranhão (DPU/MA) solicitando a intervenção daquele órgão “a fim de coibir a ação dos latifundiários [de] usarem bens da União como se privados fossem”, conforme texto do citado documento.
Nos últimos 20 anos, pelo menos cinco ações judiciais (possessórias e cíveis) envolveram lideranças da comunidade, conforme pesquisa cartorária realizada pela assessoria jurídica da SMDH.
Segundo Igor Almeida, assessor jurídico da SMDH, “é inconcebível que, em mais de 15 anos, os dois órgãos federais envolvidos na regularização fundiária da Gleba Santa Rosa não tenham conseguido dialogar para agilizar a tramitação desse processo. Esse é mais um exemplo do descaso do Estado Brasileiro com a política de reforma agrária no país. Enquanto isso, a comunidade é ameaçada por supostos proprietários, e ainda encontra dificuldades para a obtenção de outras políticas públicas fundamentais.”
Na representação ao MPF/MA, a SMDH solicita ao órgão ministerial “a adoção de providências para a imediata finalização do processo de regularização fundiária da comunidade de Santa Rosa”. (Por Zema Ribeiro)
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Carta da diocese de Coroatá frente ao avanço da violência no campo
CARTA DA DIOCESE DE COROATÁ FRENTE AO AVANÇO DA VIOLÊNCIA NO CAMPO
Justiça no Campo e Paz aos Pobres da Terra do Maranhão
O Senhor dos que combatem é conosco, está com a gente, Ele é nossa fortaleza, é o Deus que nos defende (Salmo 46).
Aos: movimentos sociais, povos e pobres da terra, quilombolas,
ribeirinhos, posseiros, assentados, autoridades constituídas, poder
judiciário, executivo, legislativo, aos homens e mulheres de boa
vontade.
1. O Bispo da diocese de Coroatá, Dom Sebastião Bandeira Coelho, em
comunhão com os agentes de pastoral, vem a público manifestar sua
preocupação e indignação, bem como exigir das autoridades e órgãos
competentes respostas concretas frente ao acelerado aumento da brutal
violência que atinge profundamente comunidades rurais da Diocese que
toma proporções de verdadeiros conflitos armados.
2. Muitos são os fatos que vem acontecendo nas diversas partes da
Diocese. As comunidades quilombolas de Santa Maria dos Moreiras e
Puraquê, em Codó e Aldeia Velha, em Pirapemas, são alguns dos exemplos
de comunidades que estão resistindo a longos anos as consequências da
escravidão. Em 31 de agosto de 2013, ocorreu a prisão ilegal do
trabalhador rural Francisco das Chagas Ferreira dos Santos, da
comunidade tradicional Livramento, em Codó, que foi conduzido pela
Polícia Militar do Maranhão em um carro do fazendeiro e permaneceu
algemado por mais de 8 horas. Em 12 de setembro de 2013, o camponês José
da Silva Pacheco, da comunidade Três Irmãos, Codó, foi procurado por
dois suspeitos, desconhecidos de sua comunidade, e por sorte, o mesmo
não se encontrava em casa. Em Vergel, também em Codó, três mortes já
ocorreram nos últimos anos, e nem mesmo inquérito policial foi
instaurado para apurar a morte do lavrador Alfredo, ocorrida em 2007, em
plena luz do dia, na porta de sua casa. Em Timbiras, o território
Campestre está sendo invadido por grileiros de terra, que promovem a
destruição das matas dos cocais, no entanto o INCRA, há mais de uma
década, não conclui o processo de desapropriação da área. Em Lago do
Coco, município de Matões do Norte, o quilombola Xavier Casanova é
permanentemente perseguido por grandes latifundiários, inclusive
empresários e parlamentares, pelo menos desde o ano de 1983! Quanto
sofrimento, quanta destruição, quanta dor!
3. Recentemente, no dia 14.09.2013, a sanha criminosa do agronegócio
promoveu na comunidade Campo do Bandeira, em Alto Alegre do Maranhão,
verdadeira guerra contra os lavradores. Durante todo o sábado, um bando
de jagunços, a serviço da Companhia Caxuxa Agropastoril, disparou
dezenas de tiros de escopeta, calibre 12, contra um grupo de 30
lavradores que nasceram e se criaram na localidade, em uma área de terra
devoluta, em processo de arrecadação sumária pelo ITERMA, que instaurou
procedimento em 2006 e nunca concluiu, e que foi grilada pelo antigo
proprietário, o ex-prefeito de Codó, Biné Figueiredo (PDT-MA). Em 2010, a
Fazenda Caxuxa Agropastoril foi adquirida, por um grupo empresarial do
Rio Grande do Norte, que comanda as ações criminosas contra os
trabalhadores rurais de Campo do Bandeira.
4. Segundo o Conselho Nacional de Justiça-CNJ, a região concentra, ao
lado do Baixo Parnaíba, o maior número de conflitos no estado e o
município de Timbiras concentra o segundo maior número de famílias em
conflito agrário. Frente a esta grave realidade, a presente carta é um
forte apelo pela paz e pela justiça no campo, em especial, às
comunidades rurais da diocese de Coroatá. Em continuidade, exige-se dos
órgãos fundiários, em especial do ITERMA e do INCRA, que realizem suas
missões constitucionais, a saber, realizar a Reforma Agrária e a
Titulação de territórios quilombolas, políticas públicas que foram
vergonhosamente abandonadas pelos sucessivos governos federal e
estadual, que sempre impulsionaram a expansão do agronegócio, em
detrimento de milhões de camponeses.
5. Na certeza de que a violência das armas não intimidará a promoção da
Paz, reafirmamos, como Igreja de Jesus Cristo, a missão e compromisso
proféticos de anunciar a Boa Notícia aos pobres em suas lutas por PÃO,
PAZ E JUSTIÇA.
Sebastião Bandeira Coelho
Bispo diocesano
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Sistemas Agroflorestais geram mais renda e emprego que gado, diz estudo feito no MT
Os sistemas
agroflorestais, além de serem uma importante alternativa para manter a
cobertura vegetal, geram 20 vezes mais empregos e até 93 vezes mais
renda que a bovinocultura extensiva. É o que conclui a dissertação de
mestrado do pesquisador Robert Davenport, aprovada pelo Centro de
Pós-Graduação em Agronomia Tropical, Pesquisa e Ensino (Catie), de
Turrialba, na Costa Rica.
Com o tema “A eficácia de projetos de
conservação e desenvolvimento sustentável para conter o desmatamento na
Amazônia Mato-grossense comparada com a ação de políticas públicas de
comando e controle” a pesquisa analisou o impacto dos Projetos de
Desenvolvimento Sustentável nos assentamentos da reforma agrária
implantados pelo Incra, entre eles Iracema em Juína, Nova Cotriguaçu e
Vale do Amanhecer, municípios localizados no Noroeste de Mato Grosso,
região amazônica.
Para uma parte do grupo de agricultores que participou do estudo, os Sistemas Agroflorestais representam a principal alternativa de renda e de uso do solo nas propriedades deles. Davenport avaliou esses números para cada hectare cultivado, em propriedades com tamanho entre 50 a 100 hectares.
No caso do assentamento Vale do
Amanhecer, a combinação de assistência técnica, organização social,
certificação legal da produção sustentável, parcerias com diversos
setores e agregação de valor aos produtos, entre outros fatores,
garantiu uma cobertura florestal 39% maior que nas demais áreas de
estudo.
Davenport analisou os impactos dos
projetos sobre a viabilidade e legitimidade percebida pelos agricultores
a respeito das regras ambientais nos arranjos institucionais locais,
que incorporaram a preocupação com a segurança e sustento das famílias,
apoio a infraestrutura de cooperativismo e associações, além da atenção a
redução dos custos de transação da agricultura.
Variáveis
O mestrado envolveu a realidade de
agricultores familiares em assentamentos da reforma agrária nos três
municípios, avaliando variáveis institucionais, econômico-ecológicas e a
produção da agricultura familiar como fator de definição da tendência
de usos da terra pelos agricultores. O cumprimento da legislação
ambiental, pontos de vista dos agricultores sobre o Código Florestal
Brasileiro e as percepções das condições sócio ecológicas locais também
foram abordados. A pesquisa de campo foi realizada entre janeiro e abril
e a dissertação defendida na Costa Rica em julho deste ano.
Apoio
Foram também avaliados os resultados
alcançados pelo Projeto Poço de Carbono Juruena, desenvolvido pela
Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (Aderjur) e patrocinado
pela Petrobras, se destacando na pesquisa pelo apoio à implantação dos
Sistemas Agroflorestais.
Entre as ações de apoio estão
assistência técnica, apoio a organização social da cooperativa e
associações, realização de cursos, visitas, intercâmbios em outros
municípios, uso da serraria portátil para aproveitamento de madeira
morta, alcance do suporte financeiro da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) e respectivos programas de crédito, pelo
desenvolvimento de mercado e elaboração de contratos de aquisição com
comunidades indígenas, além do apoio com mudas de espécies nativas,
calcário e adubo.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Mesa de Regularização dos Territórios Quilombolas é instalada pelo Incra no Maranhão
A reunião é
fruto de uma determinação da Mesa Nacional de Acompanhamento de
Regularização Quilombola, no dia 20 de agosto, em Brasília. Este espaço
tem como objetivo manter um diálogo e monitoramento das ações que a
Autarquia desenvolve no âmbito da regularização dos territórios
quilombolas em todo o Brasil.
De acordo
com a coordenadora nacional de regularização fundiária do Incra, Givânia
Maria da Silva, essa é aquarta mesa instalada nas regionais em menos de
duas semanas. “Além da Mesa Nacional que já está funcionando,
priorizamos o Maranhão, Pará, Minas Gerais e Bahia para que as mesas
fossem instaladas em curto período de tempo devido a grande demanda
desses estados”, explicou.
Givânia
ressaltou também a importância da iniciativa do Incra atuar
conjuntamente com os movimentos sociais e entes do poder público e
sociedade civil, e não somente agir quando for demandado. “Nesse espaço
vamos aprofundar os entraves que estão dificultando o processo de
regularização no Maranhão. O que fugir da governabilidade dos atores que
compõem a Mesa Estadual será encaminhado para solução na Mesa
Nacional”, disse.
O
superintendente regional do Incra no Maranhão, José Inácio Rodrigues,
destacou que as questões colocadas servirão para que o Incra faça uma
avaliação da questão quilombola. “Muitas ações já estão em andamento.
Temos 336 processos abertos na Superintendência. Este espaço servirá
para encontrarmos os gargalos, buscar soluções e chegarmos a tão sonhada
regularização fundiária”, ressaltou.
A diretora
de Programas da Secretaria de Política para Comunidades Tradicionais da
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
(Seppir), Bárbara Oliveira, disse que muitos desafios já foram superados
desde a implantação da Política de Regularização de Territórios
Quilombolas há dez anos. “Há avanços significativos na legislação. Agora
é fundamental que avancemos na implementação dos quilombos. O Estado
Brasileiro tem o dever e obrigação de avançar na construção dessa
política quilombola”, frisou.
Expectativas
O
presidente da União das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de
Itapecuru-Mirim (Uniquita), Justo Evangelista Conceição, ressaltou que a
instalação da mesa é uma forma de pautar as questões em defesa dos
negros. “Nós já sofremos anos e anos com desigualdades e discriminação.
Será que nossos filhos não têm os mesmos direitos dos filhos dos
brancos? Nós quilombolas também precisamos de acesso às políticas
públicas de saúde, educação e infraestrutura”, desabafou.
Durante
reunião foram feitos os seguintes encaminhamentos: a próxima reunião
será realizada no dia 17 de outubro; sugeriu-se a realização de um
convênio com o Instituto de Terras do Maranhão (Iterma) para a
regularização de 50 comunidades quilombolas no estado; também
deliberou-se pela realização de uma reunião na Justiça Federal para
tratar dos processos que estão com pedidos de imissão de posse e por fim
realizar uma ação conjunta com o Iterma para registrar no cartório as
áreas já tituladas pelo estado.
Participaram
da reunião cerca de 50 pessoas entre representantes do Incra-MA, da
Seppir, do Iterma, da Defensoria Pública da União, do Ministério Público
Federal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan); Secretaria de Estado da Igualdade Racial; da Federação dos
Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf); Comissão Pastoral da
Terra (CPT) e lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das
Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq); da Associação das
Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (Aconeruq); do
Movimento Quilombola da Baixada Ocidental Maranhense ( Moquibom) e do
Centro de Cultura Negra (CCN)
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Clima tenso em Campo do Bandeira, Alto Alegre do Maranhão
Famílias reocuparam área. Mais de 50 cartuchos disparados contra lavradores já foram encontrados
A comunidade Campo do Bandeira, em Alto Alegre do Maranhão, vive desde o fim da semana passada um clima tenso. 40 famílias reocuparam uma área devoluta de 1.485ha. 72 famílias foram expulsas das terras pela terceira vez em 2009.
O empresário e pecuarista Biné Figueiredo, ex-prefeito de Codó, deseja incorporar a área em litígio à sua fazenda Caxuxa Agropastoril, o que teria motivado as liminares de reintegração de posse, à época.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Coroatá, em comunicado encaminhado a diversas entidades do movimento social e meios de comunicação, dá ideia do terror instalado: “No dia 14 pela manhã [membros das famílias] são surpreendidos por um grupo de cinco pistoleiros armados de escopetas atirando em direção às famílias, na tentativa de afugentar os camponeses e limpar a área onde estão acampadas. Às 17h30min o acampamento é novamente atacado por 10 homens fortemente armados [...] disparando mais de 70 tiros em direção às famílias. Não conseguindo fazer vítimas, desferiram os tiros em direção às panelas e destruíram os pneus de quatro motos, deixando um rastro de violência, mostrando do que são capazes de fazer para atingir seus objetivos”, diz a nota.
O comunicado da CPT informa ainda que a fazenda Caxuxa Agropastoril pertence hoje a um grupo potiguar, que se utiliza das mesmas estratégias violentas para a consecução de seus objetivos, isto é, expulsar as famílias das terras.
Em 2011 o Incra repassou ao Iterma o processo para arrecadação da área. O mesmo não foi concluído até hoje, com camponeses inchando as periferias de Alto Alegre, Bacabal e Pindaré.
“Neste momento o conflito é intenso e há pessoas que se feriram na tentativa de se proteger de balas”, lamenta a Agente da CPT de Coroatá, Antonia Calixto. Quem também está no local é o assessor jurídico da Fetaema Diogo Cabral. Há pouco ele informou que “o clima é extremamente tenso” e que já foram encontrados “mais de 50 cartuchos de [espingarda] calibre 12 disparados contra os lavradores”. (Zema Ribeiro, com informações da CPT/Coroatá)
A comunidade Campo do Bandeira, em Alto Alegre do Maranhão, vive desde o fim da semana passada um clima tenso. 40 famílias reocuparam uma área devoluta de 1.485ha. 72 famílias foram expulsas das terras pela terceira vez em 2009.
O empresário e pecuarista Biné Figueiredo, ex-prefeito de Codó, deseja incorporar a área em litígio à sua fazenda Caxuxa Agropastoril, o que teria motivado as liminares de reintegração de posse, à época.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Coroatá, em comunicado encaminhado a diversas entidades do movimento social e meios de comunicação, dá ideia do terror instalado: “No dia 14 pela manhã [membros das famílias] são surpreendidos por um grupo de cinco pistoleiros armados de escopetas atirando em direção às famílias, na tentativa de afugentar os camponeses e limpar a área onde estão acampadas. Às 17h30min o acampamento é novamente atacado por 10 homens fortemente armados [...] disparando mais de 70 tiros em direção às famílias. Não conseguindo fazer vítimas, desferiram os tiros em direção às panelas e destruíram os pneus de quatro motos, deixando um rastro de violência, mostrando do que são capazes de fazer para atingir seus objetivos”, diz a nota.
O comunicado da CPT informa ainda que a fazenda Caxuxa Agropastoril pertence hoje a um grupo potiguar, que se utiliza das mesmas estratégias violentas para a consecução de seus objetivos, isto é, expulsar as famílias das terras.
Em 2011 o Incra repassou ao Iterma o processo para arrecadação da área. O mesmo não foi concluído até hoje, com camponeses inchando as periferias de Alto Alegre, Bacabal e Pindaré.
“Neste momento o conflito é intenso e há pessoas que se feriram na tentativa de se proteger de balas”, lamenta a Agente da CPT de Coroatá, Antonia Calixto. Quem também está no local é o assessor jurídico da Fetaema Diogo Cabral. Há pouco ele informou que “o clima é extremamente tenso” e que já foram encontrados “mais de 50 cartuchos de [espingarda] calibre 12 disparados contra os lavradores”. (Zema Ribeiro, com informações da CPT/Coroatá)
A mulher que sovina água para os eucaliptos em Urbano Santos
Os plantios de
eucalipto da Margusa no norte de Urbano Santos completam mais de seis anos. As
comunidades da Serraria, Mocambinho, Jacu e Gonçalo dos Moura venderam suas
áreas de Chapada para intermediários que as revenderam para a Margusa. Os
moradores dessas comunidades eram posseiros ou seja eles não tinham domínio da
terra. Eles venderam o seu direito ao uso. Quando a Margusa desmata milhares de
hectares para plantar eucalipto, a Chapada perde o seu potencial de uso e de
fixação do homem sobre ela. Não existe a menor chance de alguém viver próximo a
um plantio de eucalipto. Não há vida em um plantio de eucalipto. A comunidade
da Joaninha reivindica quinhentos hectares entre Chapada e Baixo. A senhora
Roseane, presidente da associação, ressalta a importância da sua Chapada para o
município de Urbano Santos. É tanta gente que coleta bacuri na Chapada que ela
prefere não impedi-los. Os administradores da fazenda maranhão, propriedade da
Margusa, gostariam de ampliar os plantios de eucalipto para o município de
Barreirinhas, mas, desde 1996, aprovou-se uma lei que proíbe as monoculturas. A
câmara municipal de Santa Quiteria aprovou em caráter de urgência, por obra e
graça da pressão exercida pelas comunidades, uma lei que inibe os plantios de
eucalipto e soja. Com essas duas leis, as empresas de reflorestamento e os sojicultores
se veem limitados em seus projetos de expansão pelo Baixo Parnaiba maranhense.
Depois de saber que a lei fora aprovada em Santa Quitéria, a Roseane perguntou
quais segmentos da sociedade os vereadores de lá representavam porque os vereadores de
Urbano Santos dialogam mais com sindicatos de professores do que com os
agricultores familiares. Ela também criticou a secretaria de meio ambiente de
Urbano Santos porque permite que a Margusa colha água em um riacho próximo ao
povoado de Vertentes sem que a empresa mostre alguma autorização. Segundo os
funcionários da Margusa, a dona Roseane sovina água já que ela não deixa que
eles peguem mais água no riacho da Joaninha. Acaso fosse para apagar um incêndio,
ela anuiria, no entanto, os funcionários apanham água para molhar os eucaliptos
na Chapada.
Mayron Régis
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