sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Os impactos da soja no Cone Sul

Campanha-BR-Livre-de-transgênicos

Número 596 – 10 de agosto de 2012
Car@s Amig@s,
A demanda europeia por soja impacta diretamente a forma como a terra e os agrotóxicos são usados nos países do Cone Sul. Contraditoriamente, esses mesmos países que demandam mais e mais da oleaginosa proíbem em seu território o cultivo de transgênicos e o uso de produtos tóxicos, como o Paraquat, cada vez mais aplicado nas áreas de soja Roundup Ready. Exportam para cá os impactos negativos de um modelo insustentável de produção. Em troca, exportamos para lá commodities de baixo valor agregado. Essas conclusões fazem parte do relatório recentemente divulgado por um grupo de pesquisadores ligados à UFSC (Brasil), Genok (Noruega), Redes-Amigos de la Tierra (Uruguai) e BASE (Paraguai).
Ao mergulhar na literatura científica e nos dados oficiais disponíveis para Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, os autores do estudo concluíram também que:
- a área destinada à produção de soja no Cone Sul cresce rapidamente, sobretudo após a liberação da soja transgênica;
- o aumento da área de soja é acompanhado por um movimento simultâneo de substituição e deslocamento de outras culturas e atividades agrícolas;
- os volumes crescentes de soja produzidos no Cone Sul são resultado direto do aumento da área cultivada e não do aumento da produtividade; isso também mostra que a introdução da soja transgênica não contribuiu para o aumento da produtividade da cultura;
- a expansão da área cultivada com soja contribui direta e indiretamente para o desmatamento, ampliando a fronteira agrícola nos países produtores;
- a atual dinâmica da produção de soja no Cone Sul está levando a uma concentração massiva da terra, com uma proporção significativa de propriedades em mãos de estrangeiros;
- a produção comercial de soja resulta num uso crescente de agrotóxicos, sobretudo herbicidas;
- o próprio manejo das plantações de soja RR leva ao desenvolvimento de plantas resistentes ao glifosato, que por sua vez puxa o consumo de produtos mais tóxicos, alguns deles banidos em outras partes do mundo;
- a massiva expansão da área de soja está ligada à demanda para ração animal e produção de biocombustíveis.
Essas conclusões estão todas fartamente amparadas em gráficos e tabelas sistematizadas no relatório e na revisão feita pelos autores. Sua mensagem final é que é necessária uma avaliação mais abrangente das complexas interações ecológicas, econômicas, sociais e mesmo éticas dessa corrida desenfreada pela produção e exportação de soja. Considerando que o próprio estudo já fornece essa análise, integrada e atualizada, o desafio que resta é político. No Brasil, 5% dos produtores de soja controlavam 59% da área cultivada em 2006. Ou ainda, 40 mil proprietários possuem atualmente 50% da terra e elegem entre 100 e 120 deputados. Enquanto isso significar base de apoio para a coalizão que mantém o governo, a questão do modelo de produção não será pauta de su a agenda política. Para um país que quer se ver sem miséria não cabe manter esse padrão que gera exclusão e desigualdade.

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