domingo, 20 de novembro de 2016

Campos Lindos


Campos Lindos, Tocantins. Rio Manoel Alves, afluente do rio Tocantins. Campos Lindos, o nome, faz pensar muito antes da soja. Não havia controvérsias. Não havia tensões. Havia muita água.  Siqueira Campos, ex-governador, destinou 100 mil hectares para 30 plantadores de soja. Nessa Chapada, havia um Cerrado de estremecer os sentidos. Um Cerrado insubstituível. Quebrou-se cascas e mais cascas de bacuri para saborear a polpa. Mordeu-se com desenvoltura os pequis sem recear os espinhos que envolvem os caroços. Aos poucos 300 familias, de um total de quase 400, mudaram-se para as periferias. A vizinhança (os sojicultores) tirava o sono e a produção dos moradores que viam seus espaços se reduzirem pelos desmatamentos e pelos agrotoxicos. Durma, sonhe e produza com um barulho desses. Pelas contas, restaram 30 familias identificadas como população tradicional em um estudo antropologico. A Associação dos Plantadores de Soja dos Campos Lindos entrou com um pedido de reintegração de posse da área onde vivem as 30 familias sob alegação de que elas se encontravam na área de reserva legal dos plantios. Chegou-se a um acordo. Essas famílias permanecerão nas suas posses sem que agreguem mais nenhuma pessoa a comunidade, ou seja, pelo termo de ajustamento de conduta, o número de viventes continuará o mesmo por toda a eternidade. Deve-se torcer, então, para que as famílias aguentem firme e que construam em seus cotidianos formas de resistência pacifica ou não à voracidade do agronegócio.
 
Mayron Régis

sábado, 19 de novembro de 2016

Indústria de Papel e Celulose · Compras de florestas reduzem custos e riscos da Suzano, diz Moody’s



São Paulo – A compra de ativos florestais no Maranhão e no Tocantins por parte da Suzano Papel e Celulose foi vista de maneira positiva pela agência de classificação de riscos Moody’s, que vê na aquisição uma boa maneira da companhia reduzir custos, riscos, sem pressionar a alavancagem da empresa.

“Os novos ativos florestais vão fazer a Suzano poupar cerca de R$ 110 milhões anuais em custos operacionais e de capital nos próximos dez anos, principalmente, porque reduz a distancia para transportar madeira da floresta para a moagem”, comenta a analista da Moody’s, Barbara Mattos.

Anunciada na semana passada, a compra de 75 mil hectares de imóveis, dos quais 40 mil são agricultáveis, acertada com a Companhia Siderúrgica Vale do Pinadré e com a Siderúrgica do Maranhão (Cosima) deve ter custo de US$ 245 milhões. Mattos aponta que a Suzano pode pagar a aquisição inteiramente em dinheiro, sem aumentar seu endividamento.

“Atualmente, a Suzano compra cerca 30% da suas madeiras de terceiros. Reduzir o transporte ao longo de estradas estaduais vai também diminuir as taxas que a companhia paga, enquanto diminui os riscos de interrupção no fornecimento e aumenta a competitividade da Suzano”, afirmou a analista.

 


Fonte: CAMILA DE LIRA / AGÊNCIA CMA

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Comer é um ato Político: Seminário Nacional do MATOPIBA debate soberania alimentar e agrotóxico

Comer é um ato político na avaliação de Maria Emília Pacheco da FASE e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). “Precisamos dialogar com a sociedade sobre a redução da nossa diversidade alimentar e as ameaças do uso de agrotóxicos, pois só comida de verdade no campo e na cidade produz Soberania Alimentar”, enfatiza Maria Emília.

(Texto/Imagens: Adilvane Spezia – MPA | Edição: Bianca Pyl, Coletivo de Comunicação do Cerrado)
A fala ocorreu durante o painel “O respeito aos modos de vida e a produção de alimentos saudáveis: soberania alimentar e a ameaça do uso intensivo de agrotóxicos”, realizado no Seminário Nacional “MATOPIBA: conflitos, resistências e novas dinâmicas de expansão do agronegócio no Brasil”, no dia 17.
Importante destacar que 75% dos alimentos produzidos no mundo vêm da agricultura camponesa, portanto, ameaças ao uso livre dos territórios e ao exercício dos livres saberes prejudicam a sociedade como um todo. “Não há biodiversidade conservada se não há o que chamamos de sociobiodiversidade, a qual não haveria sem as populações indígenas, quilombolas e camponeses”, argumenta a representante da FASE e CONSEA.
Essas ameaças têm afetando diretamente a alimentação das populações, que estão sendo forçadas a deixar de produzir, e consequentemente deixar de consumir, frutas e verduras e a substituir por produtos processados – uma das causas de problemas na saúde, como diabetes, colesterol e obesidade. Outra questão é a biofortificação de sementes, uma manipulação que torna as sementes artificiais e, por consequência, a alimentação.
Impacto na vida das mulheres quebradeiras de coco
Maria do Socorro, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), fala sobre os impactos na vida das mulheres quebradeiras de coco, considerando que o babaçu é fonte de renda para milhares de mulheres que vivem em área de Cerrado. “Os impactos desse modelo, afeta diretamente os territórios, e como é que vamos viver se estão tirando nossas terras, e não é só o babaçu, tem as plantas medicinais”, explica Socorro.
Ela ainda coloca que “o desenvolvimento sustentável é aquele em que você tem todos os dias o que comer, não é aquele que você tem só uma vez, isso não sustenta. Temos feito o lançamento da Lei do Babaçu Livre, para que as mulheres possam poder buscar o babaçu onde ele esteja. Babaçu livre é povo livre”.
Agrotóxicos
A imposição do uso de agrotóxicos é histórica e tem sido feita aos camponeses, criando um ciclo vicioso, com a contribuição do Estado. “O Agronegócio é uma aliança de classes entre as transnacionais e o latifúndio bancado pelo Estado. Não podemos esquecer do papel que a mídia tem cumprido na criação da monocultura da mente”, opina Cleber Folgado da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida. Sem contar que as grandes empresas têm isenções fiscais e recebem investimentos do Estado.

Desde 2008 o Brasil é campeão mundial em consumo de agrotóxicos. Como consequência desse uso abusivo, em comunidades próximas as fazendas ocorrem intoxicações e outras doenças, causadas pela acumulo diário do consumo de agrotóxicos em nosso organismo. Além da contaminação dos rios e igarapés. O uso abusivo de agrotóxicos tem causado consequências no meio ambiente também, como o extermínio da biodiversidade, causando impactos nos sistemas produtivos.
O Seminário Nacional “MATOPIBA: conflitos, resistências e novas dinâmicas de expansão do agronegócio no Brasil” iniciou no dia 16 e termina nesta sexta-feira, 18. Organização da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que tem como lema “Cerrado, Berço das Águas: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Apoie a carta chamando a FAO a rever a sua definição de floresta


Prezados amigos,.

A Conferência de Marrakesh sobre o Clima está acontecendo agora. O Acordo de Paris foi entrou em vigor no dia 4 de novembro, abrindo as portas para uma maior expansão das monoculturas de árvores. Isso é feito de diferentes formas, que vão desde a promoção de sumidouros de carbono até os chamados programas de reflorestamento ou restauração, e a promoção da madeira como fonte de energia para substituir os combustíveis fósseis. Uma das razões subjacentes a essa promoção é a definição de florestas da FAO. O Acordo de Paris – e a maioria dos países que o ratificaram – adota essa definição, que permite definir como floresta uma monocultura industrial de árvores.

As plantações industriais de árvores criam enormes problemas para as comunidades locais e não são uma solução para a crise climática! É urgente que a FAO mude sua definição de floresta. Se você ainda não assinou, nós o convidamos a apoiar a carta abaixo. A carta chamando à revisão da definição será enviada à FAO em 21 de março, quando se comemora o Dia Internacional das Florestas.

Envie um email para fao2017@wrm.org.uy e inclua o nome e o país da sua organização.

Desde já, obrigado!

 
¿Como a definição de Floresta da FAO prejudica pessoas e florestas?
Carta aberta à FAO
 
Lançada no dia 21 de setembro, Dia Internacional de Luta contra as
Monoculturas de Árvores


Em setembro de 2015, durante o XIV Congresso Florestal Mundial, milhares de pessoas foram às ruas de Durban, na África do Sul, para protestar contra a forma problemática em que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) insiste em definir as florestas.(1) A definição da FAO basicamente considera as florestas apenas como “um monte de árvores”, enquanto ignora outros aspectos fundamentais, incluindo as suas muitas outras formas de vida, como outros tipos de plantas, animais e as comunidades humanas que dependem da floresta. Da mesma forma, a definição ignora a contribuição vital das florestas para os processos naturais que proporcionam solo, água e oxigênio. Além disso, ao definir “florestas” como sendo apenas uma área mínima de terra coberta por um número mínimo de árvores com um percentual mínimo de altura e copa, a FAO tem promovido ativamente o estabelecimento de muitos milhões de hectares de plantações industriais de árvores, principalmente de espécies não nativas e nos países do hemisfério Sul. Como consequência, apenas um determinado setor tem se beneficiado: a indústria de plantações de árvores. As plantações industriais de árvores têm sido a causa direta de muitos impactos negativos sobre as comunidades locais e suas florestas, os quais têm sido bem documentados. (2)

Na marcha de protesto que aconteceu em Durban, as pessoas tinham cartazes dizendo Plantações não são florestas!, e a manifestação terminou em frente à sede do Congresso Florestal Mundial, que foi organizado pela FAO. Em resposta a um chamado de líderes da sociedade civil na marcha, um membro do WFC saiu do prédio onde ocorria o Congresso para receber um abaixo-assinado com mais de 100.000 assinaturas de pessoas e grupos de todo o mundo. O documento chamava a FAO a alterar urgentemente sua definição de floresta e reconhecer as florestas por seu verdadeiro significado. Mas, mais uma vez, a organização não alterou a sua definição.

No entanto, algo novo aconteceu: ao contrário do silêncio diante das reivindicações anteriores para que a FAO mudasse sua definição equivocada de floresta, desta vez a organização reagiu ao protesto e enviou uma carta. Um ponto que consta da carta da FAO é particularmente interessante: “Na verdade, há mais de 200 definições nacionais de florestas que refletem uma variedade de interessados no tema...”. E continua: “... para facilitar a comunicação de dados..., é necessária uma categorização globalmente válida, simples e operacional das florestas”, que permita “comparações constantes, durante longos períodos, sobre o desenvolvimento e as mudanças florestais globais”. Ao escrever isto, a FAO tenta nos convencer de que o seu papel é apenas o de harmonizar as mais de 200 diferentes definições de florestas de diferentes países.

Mas será que a definição atual de floresta da FAO não influencia a forma como as 200 definições nacionais foram formuladas? E a FAO está correta ao afirmar que as muitas definições nacionais de floresta refletem uma variedade de interessados nesses países, novamente menosprezando sua própria influência?

Nós acreditamos no contrário. Para começo de conversa, a definição de floresta da FAO foi adotada há muito tempo, em 1948. De acordo com uma análise conjunta feita recentemente por diferentes autores de conceitos e definições florestais, “a definição da FAO, acordada por todos os seus membros [membros da ONU], é a primeira a ser usada por todos os países para fazer relatórios com padrões comuns; a definição de floresta adotada pela FAO continua sendo a mais usada hoje em dia”.(3)

Um bom exemplo para ver se a definição da FAO está sendo usada é o Brasil, o país com a maior cobertura florestal no Sul global e, de acordo com fontes oficiais, com quase 8 milhões de hectares de plantações industriais de árvores, principalmente monoculturas de eucalipto. Em sua publicação Florestas do Brasil, de 2010 (4), o Serviço Florestal Brasileiro (SBF), que faz parte do Ministério do Meio Ambiente e é responsável por questões relacionadas a florestas, “(...) considera como floresta as tipologias de vegetação lenhosas que mais se aproximam da definição de florestas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)”. Como consequência lógica do fato de que sua definição se baseia no que a FAO já definiu, afirma que “o Brasil é um país (...) de florestas naturais e plantadas”, onde a expressão “florestas plantadas” se refere aos 8 milhões de hectares de monoculturas, em sua maioria de eucalipto. A forma como o governo brasileiro define floresta, portanto, não é resultado de um processo que “...reflete uma variedade de interessados no tema”. Pelo contrário, é resultado do que a FAO já havia determinado.

Mas a influência da definição de floresta da FAO vai além de determinar as definições nacionais. Nestes tempos de mudanças climáticas, ela tem sido o principal ponto de referência para definir o que é uma floresta no âmbito da Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC). Ao adotar a definição estreita da FAO, baseada na madeira, a UNFCCC também promoveu uma visão da floresta como uma área de terra contendo apenas árvores. Para a UNFCCC, o mais importante em uma floresta são as árvores, por causa de sua capacidade de armazenar carbono à medida que crescem, e não as comunidades que dependem da floresta. Na maior parte, essas comunidades afetadas são impactadas negativamente pelas restrições impostas ao uso de recursos florestais por “projetos de compensação carbono florestal”, também chamados, muitas vezes, de projetos de REDD+ (5). Uma definição de florestas que trata apenas de árvores abre a porta para incluir “florestas plantadas” – leia-se: plantações industriais de árvores – uma forma completamente falsa de “redução do desmatamento e da degradação florestal” – como opção dentro da convenção de mudanças climáticas, através da qual o carbono pode supostamente ser sequestrado da atmosfera e armazenado permanentemente. Na prática, é apenas mais uma oportunidade para a indústria das plantações de árvores ganhar dinheiro e uma grande ameaça para as comunidades afetadas pela tendência de expansão dessas plantações como “sumidouros de carbono”.(6)

Na sequência das últimas negociações da UNFCCC, os países têm revisto suas leis florestais recentemente, na esperança de atrair o chamado “financiamento para o clima”. Previsivelmente, as definições usadas têm por base a definição de florestas da FAO. Em Moçambique, por exemplo, em um seminário sobre REDD+, um consultor propôs uma nova definição de floresta para o país. Assim como a da FAO, ela também se baseia na presença de árvores, dizendo que uma floresta é uma área onde há “... Árvores com potencial para alcançar uma altura de 5 metros na maturidade (...)”. Também na Indonésia, a apresentação do Ministério do Meio Ambiente e Florestas à Conferência da ONU sobre o Clima em 2015 declarou que tinha “... adaptado a definição de floresta da FAO...” para definir suas florestas. Mais uma vez, é uma formulação que define e valoriza uma floresta somente através de suas árvores e divide “florestas” em um número de diferentes categorias, incluindo “floresta natural” e algo chamado de “florestas de plantação”.

A definição de floresta da FAO também influencia as ações das instituições financeiras e de desenvolvimento que promovem atividades baseadas na madeira, como a extração industrial de madeira de florestas, as plantações industriais de árvores e a compensação de carbono por REDD+. O principal exemplo é o Banco Mundial (BM), o qual, como parte do conglomerado da ONU, tem feito parcerias com a FAO por décadas, em uma série de iniciativas relacionadas a florestas. Recentemente, eles uniram forças mais uma vez, em um dos planos mais ambiciosos lançados durante a COP 21 em Paris, a chamada Iniciativa para a Restauração da Paisagem Florestal Africana  (AFR100) (7).  A AFR100 visa cobrir com árvores 100 milhões de hectares de terras desmatadas e chamadas de “degradadas” em diferentes países africanos. O Banco Mundial vai disponibilizar um bilhão de dólares para o plano. Mas, para entender o que o Banco considera como “reflorestamento”, é crucial ver como ele próprio define uma floresta. Previsivelmente, sua definição também é emprestada da FAO, descrevendo uma floresta como “uma área de terra ... com cobertura de copa de mais de 10% e que tenha árvores ...”. (8) Ao definir florestas dessa forma, o Banco Mundial escancara as portas para que empresas de plantação da árvores expandam suas grandes monoculturas sobre os territórios comunitários na África e, assim, façam parte do ambicioso plano de “restauração” que ele está promovendo em conjunto com a FAO e outros parceiros. A proposta da AFR100 se parece muito com o fracassado Plano de Ação para a Silvicultura Tropical (TFAP) da década de 1980, que também foi idealizado pelo Banco Mundial em colaboração com a FAO.

Considerações finais

É urgente que a FAO pare de apresentar as plantações industriais de árvores como “florestas plantadas” ou “silvicultura”, pois governos nacionais, outras instituições da ONU e instituições financeiras, bem como os principais meios de comunicação, seguirão seu exemplo inadequado. Essa confusão deliberada de plantações de árvores com florestas está enganando as pessoas, porque as florestas em geral são vistas como algo positivo e benéfico. Afinal de contas, quem seria contra “florestas”?

Acima de tudo, a FAO deve assumir total responsabilidade pela forte influência que sua definição de “floresta” tem sobre as políticas econômicas, ecológicas e sociais globais. O abaixo-assinado de 2015, que foi apresentado à FAO em Durban, afirma que ela se apresenta, em seus princípios fundamentais, como um “fórum neutro, onde todas as nações se reúnem como iguais”. Para corresponder a essa afirmação, entre outras coisas, a FAO deve rever urgentemente sua definição de floresta, passando de uma visão que reflete as preferências e perspectivas de empresas de madeira, celulose/papel, borracha e comércio de carbono, para uma que reflita as realidades ecológicas, bem como os pontos de vista dos povos que dependem da floresta. Em contraste com a atual influência dominante que as indústrias baseadas na madeira exercem através da FAO, um processo transparente e aberto para estabelecer definições novas e apropriadas para florestas e plantações de árvores também deve envolver efetivamente essas  mulheres e esses homens que dependem diretamente das florestas e por isso as protegem.
 
1 -  “Terra com cobertura de copa (ou densidade equivalente) de mais de 10% e área de mais de 5 hectares (ha). As árvores devem ter potencial para atingir uma altura mínima de 5 metros na maturidade in situ”.
2 - Veja mais em http://wrm.org.uy/pt/navegue-por-tema/plantacoes-de-arvores/
3 - Chazdon, R. L., Brancalion, P. H. S., Laestadius, L. et al. Ambio (2016). doi:10.1007/s13280-016-0772-y. When is a forest  a forest? Forest concepts and definitions in the era of forest and landscape restoration (http://link.springer.com/article/10.1007/s13280-016-0772-y).
4 - http://www.mma.gov.br/estruturas/sfb/_arquivos/livro_portugus_95.pdf.
5 - Veja mais em http://wrm.org.uy/pt/livros-e-relatorios/redd-uma-colecao-de-conflitos-contradicoes-e-mentiras/
6 - http://www.greenpeace.org/international/Global/seasia/Indonesia/pdf/FREL_Report.pdf
7 -  http://www.wri.org/our-work/project/AFR100/about-afr100.
8 - http://tinyurl.com/j5d6mbv



sábado, 12 de novembro de 2016

79 famílias de Santa Quitéria e Boa Vista são beneficiadas com títulos de terra

munimDando continuidade à política prioritária de regularização fundiária a associações de trabalhadores rurais do Maranhão, o governador Flávio Dino entregou títulos de terras comunitárias para famílias de Boa Vista do Gurupi e Santa Quitéria do Maranhão. A solenidade, realizada no Palácio dos Leões, contou com a participação de representantes de associações de 79 famílias dos municípios.
 O título de terra é uma forma do Governo do Estado, por do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), reconhecer a propriedade plena da terra, pelos agricultores que a ocupam, como promover dignidade ao fortalecer a agricultura familiar. Ao todo, 34 famílias, da Associação de Trabalhadores Rurais de Japariquara – no município de Bela Vista – e 45 da Associação Comunitária do Baixão da Coceira – de Santa Quitéria – receberam a titulação.
 O governador Flávio Dino destacou que essa é uma política prioritária para o Governo porque é uma conquista de direitos, pois é o título de terra que dará acesso a obtenção de crédito, financiamento e segurança jurídica. “A gente fica muito feliz porque reconhecemos que é um passo a mais para que vocês possam obter aquilo que desejam e que é direito. Esse título representa um passo para outras conquistas”, enfatizou.
 A presidente do Iterma, Margareth Teixeira Mendes, explicou que a concessão desses títulos irá beneficiar 79 famílias com 2800 hectares de terra. “Essa regularização é a realização de um sonho porque a partir daí eles terão a segurança jurídica que serão donos dessas terras. O Estado fez o seu papel transferindo para essas pessoas de baixa renda e agricultores familiares de verdade”, reiterou.
 A presidente da Associação Comunitária do Baixão da Coceira de Santa Quitéria, Francisca da Silva, disse que esse título de terra representa a vitória de uma batalha que se estende há 10 anos. De acordo com ela, a associação deu entrada no Iterma em 2006, mas só agora, graças ao governador Flávio Dino, eles poderão comemorar essa conquista. “Não dá nem par externar o tamanho da alegria. Estou muito feliz. Foi muito tempo lutando. Toda a comunidade com certeza vai festejar’, sublinhou.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O que enche nossos sonhos de esperanças no chão de luta em que vivemos


     O destino do viajante que coordenara os representantes das comunidades do município de Urbano Santos era a cidade de Brejo. A velha cidade que no tempo de vila se tornara “quartel-general” dos corajosos rebeldes da insurreição dos balaios, ainda em 1839. Mas agora os tempos são outros. A reunião em 07/11/2016 seria uma audiência pública com os representantes do ITERMA – “Instituto de Terras do Maranhão” – em nome do Governo do Estado, com as comunidades que necessitam das regularizações fundiárias na Região do Baixo Parnaíba maranhense. Essas comunidades que já não aguentam mais esperar pelas vontades de quaisquer governos, desde os que passaram, o atual e os que hão de vir. Leonardo Boff, escritor, ativista ambiental e pai da Teologia da Libertação, dizia que “A luta pela Reforma Agrária é uma luta pela vida”. “Quando se trata da luta pela terra, pela água, pela segurança, por uma sociedade justa, igualitária e fraterna, estamos tratando da luta pela vida”, acrescentava Pe. Chagas, Pároco do município de Buriti de Inácia Vaz e coordenador do Fórum em defesa da vida do Baixo Parnaíba.
     A audiência começou com as várias e velhas denúncias dos representantes das comunidades dos municípios de Urbano Santos, Beláguas, São Benedito do Rio Preto, Chapadinha, Brejo, Milagres, Santa Quitéria, São Bernardo e Anapurus. Muitos problemas em todos os aspectos no que diz respeito às terras devolutas do Estado, terras soltas que esperam ser arrecadadas desde décadas passadas, são os trabalhadores e trabalhadoras rurais que moram nelas, por isso merecem respostas concretas do governo. O Território do Baixo Parnaíba, suas chapadas foram engolidas pelo agronegócio da soja e do eucalipto, basta olhar os grandes campos na estrada que liga Chapadinha à Anapurus e Brejo, o que antes era chapada, hoje só se ver deserto, aquelas áreas das comunidades tradicionais foram griladas por gaúchos e por outras empresas. A comunidade São João dos Pilões em Brejo que vive do artesanato do da fabricação de pilões, cumbucas e outros utensílios da madeira de pequi expostos na beira da estrada para a venda, não encontra mais a árvore em suas chapadas, suas áreas foram desmatadas pelos gaúchos, por isso compram troncos de pequi de outras regiões para a demanda dos pilões. O processo burocrático da conquista da terra pelos camponeses não é uma questão fácil, pois a luta não depende somente da vontade e da coragem dos lavradores, o Estado é o responsável pelo processo técnico e pela garantia da segurança e proteção dos homens e mulheres do campo.
     Os antecedentes de nossa história não marcam uma página bonita de se ver na luta pela terra no Estado do Maranhão – principalmente quando se fala dos camponeses pobres das comunidades rurais e quilombolas. Esse sentimento não é coisas de nossos dias atuais. Quando olhava o sertão da janela do carro que nos levou a Brejo, lembrava de quando o grupo do vaqueiro Raimundo Gomes e de Francisco dos Anjos (líderes da Balaiada (1838-1842), já se deslocavam de um lugar para outro combatendo naquela época com os grandes proprietários de terra, coronéis, latifundiários e o governo que oprimia os menos favorecidos e desprovidos de direitos. Os balaios lutavam por respeito, dignidade, pela vida, contra a escravidão... pela liberdade. Desafiaram o Império Regencial, mas como sempre, nosso estado repressor utilizou da força militar para massacrá-los. Restou em nosso meio a história de coragem dos caboclos rebeldes que deram os primeiros passos dessa batalha que se trava até os dias de hoje. A reunião foi proveitosa, no espaço de muitos encontros e eventos organizado pelas entidades de apoio ao movimento social, local esse que me refiro é o “Salão do Centro Diocesano de Brejo” – Seminário Santo Antonio. Em suas paredes estão mensagens de eventos e frases de solidariedade à nossa luta, a que mais me chamou a atenção foi o cartaz da Campanha da Fraternidade 2017, com o tema: “Biomas brasileiros em defesa da vida”. O evento terminava com as frases ecumênicas e românticas do Bispo D. Valdeci, que apelava para a organização dos trabalhadores, dos menos favorecidos, sustentando teses que lia na bíblia e contextualizando nas vivencias do dia-a-dia. Suas palavras e a experiência da coletividade nesta luta renhida travada desde séculos remotos é “O que enche nossos sonhos de esperanças no chão de luta em que vivemos”.  

O Titulo



A livraria destaca os livros para regiões do conhecimento das mais variadas. Por alguma razão inexplicável, um dos volumes de “A Comédia Humana” do francês Honoré de Balzac se encontrava na estante de política. Quer dizer, para ser bem sincero, o livro se localizava na fronteira de politica e filosofia da estante. Quase isso. Quem saberia dizer o que pensou o atendente ao posicionar Balzac bem ali naquele lugar? Uma pergunta idiota: a politica é uma comédia humana? Sabe-se que o titulo “A Comédia Humana” se deve em parte à “Divina Comédia” do italiano Dante. Para algumas pessoas, Balzac seria apenas um escritor de sucesso na literatura francesa do século XIX. Como foi Alexandre Dumas em “Os Três Mosqueteiros”. Para a época atual, um escritor de best-seller. A crítica a Balzac não está totalmente errada, pois o escritor pensava em publicar seus livros e vende-los para sustentar seu ritmo de vida (beber e comer muito). Só que essa critica esquece de avaliar a narrativa de Balzac no contexto histórico do começo do século XIX. Balzac foi o grande historiador das mudanças sociais e econômicas pelas quais passou a França após as sucessivas revoluções, contra-revoluções e golpes de estado pós revolução de 1789. O que se depreende das narrativas de Balzac é a dificuldade em dar bons títulos aos seus romances e novelas. O melhor titulo que ele deu a uma obra sua foi “Ilusões Perdidas” sobre jornalismo e outras cosias mais. Se o leitor se ativesse apenas aos títulos jamais leria a obra de Balzac ou de qualquer outro escritor por completo. “Pai Goriot” ?!!! “Coronel Chabert”?!!! Para o leitor moderno esses títulos ou nomes não induzem a nada. Os melhores títulos na literatura francesa são de Julio Verne “Vinte Mil Léguas submarinas” e “A volta ao mundo em 80 dias”. Como ler os títulos de Verne e não querer adivinhar os seus conteúdos?  A quase totalidade dos títulos que se vê nas livrarias traz palavras como “morte”, “amor”, “vida” e etc. Tem que ser muito criativo e paciente para variações em torno de um mesmo tema. Balzac não variou muito nos títulos dos seus livros. Boa parte, nome de homens ou mulheres. Uma das responsabilidades do Governo do Estado do Maranhão é titular terras públicas em nome de comunidades ou de indivíduos. Ou seja conferir às terras públicas nomes de comunidades e de pessoas. Lê-se o mesmo repertório textual em cada titulo concedido pelo governo do estado. O que muda são os nomes, a localização e o tamanho das áreas. A Comunidade de Baixão da Coceira, município de Santa Quiteria, receberá o titulo da terra assinado pelo governador Flavio Dino. Não será titulada a área toda de mais de 1000 hectares. A razão para isso deriva da contestação do senhor Claudio Martelli, plantador de soja, que comprou irregularmente de Chico Zulmira uma área entre Baixao da Coceira e São José. Para que o processo prosseguisse, o Iterma excluiu a área em litigio. A Dona Francisca, presidente da associação de Baixao da Coceira, e o senhor José, seu esposo, na porta da casa deles, responderam que tudo bem em não titular a área total. Para eles, o Iterma excluir 300 hectares não quer dizer que a comunidade excluirá do seu território esse pedaço. A comunidade de Baixão da Coceira compreende que o titulo da terra garante seus direitos do ponto de vista legal, mas do ponto de vista prático essa terra é deles há muito tempo.  
Mayron Régis