quarta-feira, 8 de julho de 2020
A critica politico-social na obra de Machado de Assis
Sabe como é a historia. Fascina-se pelo método de um autor e o jeito é comprar os livros que ele escreveu, que ele organizou ou os em que ele é citado. Assim aconteceu com Sidney Chalhoub, historiador brasileiro, e com John Gledson, critico literário americano. Sidney tem suas pesquisas voltadas para assuntos relacionados a escravidão e John Gledson tem sua analise voltada para a obra de Machado de Assis. A obra literária de Machado ganha um contorno histórico em dois livros de Gledson e também em um livro de Sidney. Os dois ressaltam a critica político-social presente, principalmente, nas obras maduras de Machado como também nas obras românticas que antecedem a fase realista. Geralmente, Machado é visto como um autor pessimista e a margem das discussões politicas do pais na época. Uma das criticas mais fortes que é feita a Machado e sua obra é o não se posicionar aberta e declaradamente em situações determinantes para a sociedade brasileira como foram a escravidão e a campanha abolicionista. Ledo engano. A passagem amplamente conhecida e citada por Raymundo Faoro é a que Bras Cubas, personagem de Memorias Postumas de Bras Cubas, ao caminhar pelas ruas do Rio de janeiro reencontra um negro que ele libertara e que naquele instante batia em outro negro que ele comprara. A analise de Faoro é que o negro para se sentir completamente liberto num pais escravagista precisa escravizar outro negro.
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terça-feira, 7 de julho de 2020
Guarimã
A comunidade de Guarimã é uma comunidade de pequenos produtores rurais e extrativistas do município de São Benedito do Rio preto. Produzem arroz, feijão, mandioca e juçara e criam peixes em tanques, galinhas caipiras e porcos. Desde o ano de 2013 a comunidade é reconhecida pela Fundação Palmares como comunidade quilombola.a A constituição de 1988 reconhece os direitos das comunidades quilombolas ao seu território, a sua cultura e ao seu modo tradicional de viver. Esses direitos vem sendo ameaçados e desrespeitados com a chegada de plantadores de soja que compraram a propriedade e compraram outras ao redor. A comunidade de Guarimã e banhada por três córregos que desaguam no rio Preto. Esses córregos vem recebendo os resíduos dos plantios de soja (produtos químicos e fertilizantes) e areai resultado da erosão provocada pelos desmatamentos e pelo revolver a terra. Até 2013 a qualidade da água era excelente nos três córregos. Isso mudou consideravelmente. Da pra ver na superfície dos córregos a piora. Uma prova da responsabilidade dos plantios de soja quanto a perda de quantidade e qualidade dos recursos hídricos em Guarimã é que em vários trechos pode se ve pezinhos de soja a beira dos córregos. Além deste crime ambiental há outros causados pelos plantadores de soja. A morte da vegetação das margens do córrego que recebe os resíduos provenientes dos plantios e o desmatamento dessa vegetação por pessoas que se suspeita sejam funcionários da fazenda e que praticam esse desmatamento para denunciar a comunidade como se ela fosse a responsável. Então, a comunidade de Guarimã pede aos órgãos responsáveis as garantias dos seus direitos constitucionais e a investigação dos impactos ambientais e crimes ambientais praticados pelos plantadores de soja.
segunda-feira, 6 de julho de 2020
João do Rio
Outro dia se comemorou o aniversário de João do Rio. Uma amiga fez questão de enviar uma página do facebook relativa a data. O interesse pela obra de João do rio nasceu no bojo de outros interesses literários e ensaísticos que diziam respeito ao modernismo brasileiro e sua intersecção com a republica e com a cidade. O modernismo brasileiro é uma expressão limitante e limitada. A data máxima do modernismo brasileiro seria o ano de 22, ano em que ocorreu a semana de arte moderna na cidade de São Paulo. A historia oficial tem uma predileção por datas , eventos históricos e rupturas politico sociais. A obra de João do Ri não prima por datas, eventos e rupturas. Ele escrevia no Rio de janeiro do começo do século XX em que a cidade se transformava pela modernização econômica social e de costumes já que ela deixara de ser capital do império para se tornar capital da republica. A sua pena revirava as páginas da inconstância dos novos costumes cariocas. Ele revirava as ruas atrás de temas capitais para a sua arte e as ruas se configuravam como um desses temas: “A rua é a transformadora das línguas. Os Cândido de Figueiredo do universo estafam-se em juntar regrinhas para enclausurar expressões; os prosadores bradam contra os Cândido. A rua continua, matando substantivos, transformando a significação dos termos, impondo aos dicionários as palavras que inventa, criando o calão que é o patrimônio clássico dos léxicons futuros. A rua resume para o animal civilizado todo o conforto humano. Dá-lhe luz, luxo, bem-estar, comodidade e até impressões selvagens no adejar das árvores e no trinar dos pássaros”.
domingo, 5 de julho de 2020
Cidades invisiveis
Se uma cidade é invisível como provar que ela existe ou existiu ? Essa, com certeza, não foi a premissa de onde partiu ítalo Calvino ao escrever “As cidades invisíveis”. “Se cada cidade é como uma partida de xadrez, o dia em que eu conhecer suas regras finalmente possuirei meu império apesar de nunca conhecer as cidades que ele contém”. Pelas páginas de “Cidades Invisiveis”, lê-se vários diálogos erráticos entre o conquistador mongol Kublai Kahn e o viajante italiano Marco Polo e várias descrições de cidades por espaços inverossímeis. Ou seriam descrições de cidades impossíveis ? Italo Calvino escreve cidades inexistentes ou quase existentes pelo menos nas longas apresentações de Marco Polo a Kublai Kahn. “As descrições das cidades visitadas por Marco Polo tinham esse dom: era possível percorre-las com o pensamento, era possível se perder parar para tomar um ar fresco ou ir embora rapidamente”. A descrição das descrições de Marco Polo ressalta sutilmente que as cidades descritas pelo discurso só existem na mente e não na memoria porque seria impossível ele ter passado por tantas cidades e te-las memorizado para depois recria-las em seu intimo. Marco Polo não recria cidades e sim as cria na sua imaginação para o deleite de Kublai Kahn. Só uma cidade não é criada em sua imaginação e portanto é recriada por sua memoria.”Todas as vezes que descrevo uma cidade digo algo a respeito de Veneza”.
Bar do Leo
Eles acertaram o horário no dia anterior. Com relação ao local onde conversariam ainda duvidavam de qual escolher. “Cara, fui ontem ao bar do Leo e senti-me um bolsonominion” “é uma sensação passageira, vamos lá” “Meio-dia, então”. Ele aproveitava essas ocasiões para deixar o celular e desapegar um pouco dele. A idosa se benzia dentro do ônibus incontáveis vezes. Ela enxergava a cidade esparramada pelos manguezais. A cidade que sonhou ser indestrutível e invencível e que joga fora seus pesadelos no leito do rio. Ele chegou adiantado alguns minutos no mercado do Vinhais. Adiantara a sua chegada para conferir a quantidade de fregueses no bar ( cheio, meio cheio ou vazio) e puxar rumo de prosa com o Leo. Entre os dois havia perspicácia de tanto tempo que nada passou.
sexta-feira, 3 de julho de 2020
Papeis velhos
Pouco se saia de casa. O dia se perpetuava em poucos espaços e em poucas aberturas para deslocamento. As pessoas se deslocavam para o trabalho e para a escola no centro da cidade e retornavam para almoçar. Novamente saiam em direção ao centro com objetivos escolares e objetivos trabalhistas. A vida no bairro se comprazia nos comércios de esquina em que se comprava uma manteiga que se enrolava e pães que se enrolavam em papéis velhos para o café da manhã e nas feiras onde se comprava um litro de juçara e um quilo de farinha seca para a sobremesa do almoço. O comercio aglomerava compradores de bens de consumo não duráveis e espectadores do espetáculo cotidiano que davam um tempo no local para procurar o que fazer em outro canto. A feira dispensava aglomeração dentro e fora dela. Comprava-se rápido e com pouca exigência. Não podia ser diferente. Quem trabalhava como feirante naquelas condições sanitárias não queria estar lá. Ganhava-se pouco, uma miséria para falar a verdade. Tirando um outro privilegiado, a maioria da população ganhava o insuficiente para sobreviver. Quem trabalhava na feira, trabalhava não porque queria, mas sim porque nesse espaço se podia atender as exigências da sociedade que eram poucas para esse tipo de trabalho. As pessoas não queriam saber de brincadeiras. Eram espaços muito adultos, o comercio, a rua e a casa. A noite se vislumbrava uma abertura e um afrouxamento na vigilância. As crianças brincavam juntas porque praticamente passavam o dia sozinhas em seus afazeres domésticos e em seus afazeres escolares. A rua à noite era o espaço de aglomeração e de perdição de poucas horas. Coisa que não se permitia no restante do dia.
quinta-feira, 2 de julho de 2020
Um rio e um conto
Um rio e um conto
Deus não lhe deu o direito de escrever certo por linhas tortas. Ele mal escreve errado por linhas áridas. Ele ri ou ele conta? Se ele estiver nervoso, melhor rir; se ele estiver sério, melhor contar. Antes rir do que chorar um rio ou um vale de lágrimas. A tristeza não conta nesse final de história. De quantos contos ele precisa ? Ele conta o que sabe e mente sobre o que não sabe. A mentira ri de suas pernas curtas e conta a verdade inculta. Quem conta não esquece jamais.
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