sábado, 6 de janeiro de 2024

abordar uma situação

Antes de abordar uma situação, deve se antes de tudo saber o que se quer com relação a essa situação. Do que se trata e a quem se referir tanto num lado do campo como no lado oposto. Os impactos causados pela extração de gás na bacia do rio Mearim beiram os treze anos. Chegar a uma determinada idade leva a pessoa ou a instituição a uma análise. No caso da Eneva empresa responsável pela extração de gas esses anos levaram a um discurso de auto suficiência e pouco auto crítico. Esperar o que? Quando se está por cima da carne seca quanto menos crítica melhor. Seria muito ingénuo supor que a Eneva Discutiria em voz alta ou veicularia em rede nacional os impactos que a sua atividade económica trouxe para diversas comunidades quilombolas e tradicionais. O que ela faz em voz alta pelos municípios inseridos na área de influência direta do empreendimento e uma atividade de educação ambiental aqui e acolá. E com relação a TV e divulgar os seus feitos heróicos empresariais de extrair gás e transforma ló em energia e distribui ló no sistema. A empresa possui dinheiro para investir em marketing mas e o dinheiro para investir nas pessoas das comunidades, cadê? Dar uma boa conferida nas comunidades afetadas pela Eneva e devagarinho vem a sensação do silêncio e da desconfiança. As comunidades desconfiam de todos afinal desde sempre eles esperam algo vindo governo da universidade e de outros setores e nada vem. A prefeitura de Lima Campos ganha quanto de royalties da Eneva e quanto ela gasta na cidade? Na semana do aniversário de São Luís a Eneva patrocinou um evento de música no Arthur Azevedo organizado pelo governo do estado do Maranhão. Um evento bem seletivo para poucos. Na praça João Lisboa um taxista respondeu que ele não podia aceitar uma corrida porque estava a disposição de uma das pessoas presente ao evento o que deve ter custado um bom dinheiro. Esse patrocínio causou impacto na vida das comunidades em Lima Campos Santo António dos Lopes Capinzal Pedreiras ? Valeu a pena para esses municípios trocarem a biodiversidade a água de qualidade saúde física mental espiritual os laços familiares a agricultura familiar e o extrativismo pelos royalties do gás ?

Voltar a cena do crime: a arte de revisar o texto

O que se escreve num momento deixa de existir no momento seguinte em razão da correção dos erros na escrita e nas ideias. Corrigir deve ser uma das tarefas mais difíceis que o digam os professores que corrigem provas. O escritor a sua maneira corrige o que escreve. A frase não nasce pura, ela nasce corrigida. O grande ensinamento do jornalismo para a literatura foi a correção/revisão. O jornalista está constantemente a revisar o que escreve. A revisão é parte indispensável da tarefa diária do jornalismo. Só que o jornalismo revisa a forma, não revisa o conteúdo e nem as suas práticas. O grande revisor dos conteúdos e das práticas do jornalismo foi a literatura. As obras de Balzac George Orwell Dostoiévski Machado de Assis João do Rio são grandes revisoras do conteúdo e da prática jornalística. Dostoiévski escreveu Crime e Castigo a história do assassinato de duas velhas agiotas baseado em notícias de jornais. A incapacidade do jornalismo de voltar a cena do crime e publica e notória. O leitor de Crime e Castigo volta invariavelmente a cena do crime em sua memória.

alcantara

A cena que originou Lord Jim livro do escritor polones/inglês Joseph Conrad o impressionou de tal que ele acha que cada pedaço do seu bairro é um porto onde desembarcam e por onde trafegam figuras insondáveis das quais seria melhor manter distância. Um negro subiu os degraus do porto/bar da Baixinha e proferiu dezenas de frases desconexas que se vingaria de um dos clientes. O negro escutou uma conversa e pensou que se tratava dele. O problema da comunicação entre os segmentos sociais e suas consequências sociais e psicológicas dão uma dimensão parcial do quanto as comunidades quilombolas e tradicionais viveram e vivem no isolamento. As comunidades quilombolas da ilha de Cajual município de Alcântara que assinaram documento aceitando a construção de um porto na ilha entenderem do que se tratava?

polpa de bacuri

Vicente de Paulo divisava uma chuva distante quilómetros de sua casa. O serviço meteorológico previu muita chuva para todo o litoral norte maranhense. Pelo ritmo que andava a chuva no final de 2023, vai chuviscar. Admirara-se da capacidade de Vicente enxergar longe só com um olho. As nuvens se deslocavam rápido, umas vindo de Anapurus e outras vindo das bandas de Brejo. Quanto tempo tinham antes da chuva cair? Precisavam de tempo para se deslocarem a comunidade da Bacaba pegar uma polpa de bacuri. Enfim, percorreram a chapada e viam o número de bacurizeiros aumentar em certas partes em contraposição a outras partes completamente alijadas de bacurizeiros e de outras espécies. A chuva se alastrou rápido. Comecou fraquinha e passou a torrencial. Na casa de Marcelo, encontraram no metido na rede. A polpa de bacuri estava guardada na casa do vovô na pindoba, ele disse. Não, eles não desistiriam da polpa. Foram atrás. Corriam o risco da chuva ter enchido os caminhos. Em vez de enchente, os caminhos permaneciam secos. Uma parte da chapada chovera muito em outra chovera fino. O vovô sairá e quem ficara responsável fora os familiares. O seu sogro antes de morar na pindoba um baixo morara na chapada cercado de bacurizeiros. O André introvini como de tantas outras vezes pressionara o para abrir mão da sua posse em troca de uma área no baixo. Ele aceitou. A polpa que vovo e família vendiam provinha de um único pé de bacuri em frente a casa deles. Como seria se ainda morassem na Chapada com inúmeros bacurizeiros ao redor?

conversa de zapp

Qualquer informação é sempre bem vinda ainda mais se é de alguma serventia. Numa conversa de zapp, a pessoa solta mais do que deveria: "Participei de uma reunião desse povo e eles estavam preocupados". Sem entender de imediato, o interlocutor se pergunta que povo. Aí a ficha caiu. O outro lado da linha do zapp se referia ao pessoal da soja numa certa parte do centro leste maranhense. Celebrada como mais uma fronteira agrícola como outras tantas no Maranhão, pairavam dúvidas sobre a possibilidade ou não de plantar soja nesse recanto do cerrado maranhense que pouca gente se dá conta e nem quer. Para que saber pelo que os outros passam. Nessa safra final de 2023 e começo de 2024 nada fora plantado. E o tempo está passando como dizia o gênio da lâmpada no sítio do picapau amarelo. E a possibilidade de acontecer uma queda da renda na zona rural do Maranhão nos próximos meses aumenta.

energia eolica

A realidade de Paulino neves não é um cartão postal como e o divulgado pelos órgãos oficiais e pelo turismo referente a realidade de Barreirinhas. Não se vende a ideia de um paraíso preservado por Deus, afinal a indústria eólica chegou e apropriou se de várias extensões das praias de Paulino neves. Se Deus existe em Paulino neves esse Deus se chama Omega que construiu um parque eólico sem dar maiores explicações das suas razões. A empresa evita qualquer contato com a população e com sua história. A empresa não mantém um escritório na sede do município como seria de prache. O escritório fica na área do empreendimento. Isso quer dizer muita coisa. Não querem papo e ponto final.

omega

A realidade de Paulino neves não é um cartão postal como e o divulgado pelos órgãos oficiais e pelo turismo referente a realidade de Barreirinhas. Não se vende a ideia de um paraíso preservado por Deus, afinal a indústria eólica chegou e apropriou se de várias extensões das praias de Paulino neves. Se Deus existe em Paulino neves esse Deus se chama Omega que construiu um parque eólico sem dar maiores explicações das suas razões. A empresa evita qualquer contato com a população e com sua história. A empresa não mantém um escritório na sede do município como seria de prache. O escritório fica na área do empreendimento. Isso quer dizer muita coisa. Não querem papo e ponto final.