terça-feira, 6 de junho de 2023
forma de ler
A sua forma de ler e escrever era imprevisível. Lia por temas e um dos seus temas favoritos era cidade e tudo que se relacionava a ela. Seguia no Instagram um jornalista e historiador que entrevistava historiadores em seu programa na rádio. Certo dia, entrevistaria a historiadora Rafaela Basso que escrevia sobre alimentação em São Paulo do século XVII. Por conta do post, foi atrás dos livros e a leitura levou o a Sérgio Buarque de Holanda. Escrever ia no mesmo caminho. Ficara sem fazer nada e passou a se perguntar porque o navio que transportava o poeta Gonçalves Dias em sua viagem de volta para São Luís vindo da Europa tomara o caminho beirando o litoral de Guimarães na segunda metade do século XIX. E nessa decisão se deu o naufrágio do barco na baía de Cuma entre Guimarães e Alcântara com a morte do poeta Gonçalves Dias. Dessa especulação a mente se revirou em direção ao projeto do porto de Alcântara ou melhor projeto do porto na ilha do Cajual município de Alcântara. Que provavelmente a sua construção se dará na porção da ilha mais próxima de Alcântara e mais próxima do alto mar.
o eterno retorno
Fala se muito do ataque do agronegócio as comunidades tradicionais mas pouco se fala do ataque do agronegócio ao direito de exercer a posse da terra por parte dessas comunidades. O direito de exercer a posse pode estar no coletar de bacuris nas Chapadas das comunidades Vila Borges e Vila Chapéu. Essas comunidades coletavam bacuris nessas chapadas havia décadas e resistiram a várias investidas do agronegócio. Infelizmente não tiveram a menor chance de resistir no momento em que um empresário de São Paulo escudado por documentos fraudulentos desmatou centenas de hectares. Os documentos obtidos por esse empresário negaram o direito dessas comunidades ao exercício da posse. O exercício da posse e um direito que um indivíduo ou uma comunidade consegue por morar naquela ou viver daquela área por seus próprios meios. As comunidades tradicionais e quilombolas são antes de tudo posseiros. O assassinato do seu Edvaldo, liderança do território quilombola Jacarezinho, município de São João do soter, não foi desvendado mas se sabe que os grileiros ordenaram porque a atuação do seu Edvaldo ia no sentido de organizar as posses dos moradores numa grande posse. Caso o trabalho dele continuasse, as posses seriam regularizadas e tituladas em nome das comunidades e para o agronegócio isso e impensável. O agronegócio só aceita regularização da posse se for para entrar no mercado de terras.
fala se muito
vFala se muito do ataque do agronegócio as comunidades tradicionais mas pouco se fala do ataque do agronegócio ao direito de exercer a posse da terra por parte dessas comunidades. O direito de exercer a posse pode estar no coletar de bacuris nas Chapadas das comunidades Vila Borges e Vila Chapéu. Essas comunidades coletavam bacuris nessas chapadas havia décadas e resistiram a várias investidas do agronegócio. Infelizmente não tiveram a menor chance de resistir no momento em que um empresário de São Paulo escudado por documentos fraudulentos desmatou centenas de hectares. Os documentos obtidos por esse empresário negaram o direito dessas comunidades ao exercício da posse. O exercício da posse e um direito que um indivíduo ou uma comunidade consegue por morar naquela ou viver daquela área por seus próprios meios. As comunidades tradicionais e quilombolas são antes de tudo posseiros. O assassinato do seu Edvaldo, liderança do território quilombola Jacarezinho, município de São João do soter, não foi desvendado mas se sabe que os grileiros ordenaram porque a atuação do seu Edvaldo ia no sentido de organizar as posses dos moradores numa grande posse. Caso o trabalho dele continuasse, as posses seriam regularizadas e tituladas em nome das comunidades e para o agronegócio isso e impensável. O agronegócio só aceita regularização da posse se for para entrar no mercado de terras.
acumulaçao primitiva no maranhao
Acumulação primitiva no Maranhão
O Maranhão mantém traços característicos de outras épocas em plena atualidade. Um desses traços e o da acumulação primitiva do capital por parte da elite. Saliente se nessa capacidade de acumulação primitiva a incapacidade do estado do Maranhão em promover o desenvolvimento a partir dos seus próprios meios. Depende de iniciativas de fora para quem sabe angariar fundos. A região da baixada maranhense litoral oeste é uma das regiões onde se encontra maior concentração e diversidade de pescado e mariscos do Brasil. Esse fato não é nenhuma novidade, mas quantos milhões foram investidos para dinamizar a pesca no litoral maranhense? Como se encontra a infra estrutura de portos pesqueiros nos municípios? O governo do Maranhão vem com uma história de incentivar a construção de um porto em Alcântara com a finalidade de exportação de produção agrícola e mineral do oeste maranhense. Olha ai a acumulação primitiva. Retira se do solo as riquezas e exporta se ate esgotar em pouco tempo. A acumulação primitiva do capital pela cultura do café gerou a semana de arte moderna de 1922. A acumulação primitiva do agronegócio e da mineração no oeste maranhense vão gerar o que a não ser a destruição das comunidades tradicionais e quilombolas e de seus modos de produção e de convivência social e humana ?
a sema e a ostra
O capitalismo e uma construção histórica da humanidade. Quer dizer ele não nasceu num passe de mágica e nem por graca divina. As vezes ou quase sempre a humanidade esquece que o capitalismo nasceu a partir de suas necessidades e nesse esquecimento busca opções como a religião em momentos de crise económica social e ambiental. Um desmatamento e um fato histórico que quase nunca e lembrado porque desmatamentos sempre houveram na história. A humanidade se vale do desmatamento para abrir espaco e construir numa direção. O problema é que o desmatamento parece não ter fim. E a perspectiva de não ter fim e a histórica. O filme a história sem fim do alemão Wolfgang pertensen cabe bem nessa ideia. O seu Raimundo morador do povoado anaja município de Pastos bons começou a intuir que o desmatamento na chapada ao redor do seu povoado não teria fim porque os tratores entravam nas bordas quase na área de proteção permanente. Mais de seis mil hectares entre os municípios de pastos bons paraibano e sucupira para plantar soja. Pelo tamanho o IBAMA deveria ter sido consultado e pelo número de municípios afetados audiências deveriam ter ocorrido. Nem uma coisa e nem outra. A Sema como sempre se comporta feito uma ostra. Nada contra as ostras. Tudo contra a Sema.
quarta-feira, 12 de abril de 2023
as aguas que atolaram os tratores
As pessoas podem não se aperceber mas suas vidas são reguladas diariamente pela força e pelo ritmo das águas. Basta um pouco de água no lugar e no momento certos para tudo sair fora do planejado. Os funcionários da Bomar e da Terpas planejaram tudo direitinho. Chegariam de madrugada a comunidade do Baixão dos Rocha, municipio de São Benedito do rio preto, expulsariam os moradores e derrubariam suas casas. Não contavam nesse planejamento com a astúcia das águas. Os tratores atolaram numa passagem de água e não puderam ser retirados. E bem capaz que se os funcionários das duas empresas tivessem desatolado os tratores, alguém afirmaria que não havia provas da participação das duas empresas. E alguém a dizer tal feito podia ser o prefeito de São Benedito o governador do estado e etc. Como os tratores ficaram atolados havia uma prova de que duas empresas ordenaram a derrubada de casas na calada da noite. As imagens dos tratores circularam pela mídia o que causou comoção em setores que geralmente não se comovem e nem se dignam a sair de seus escritórios para ver a realidade das comunidades quilombolas e tradicionais do Maranhão. As autoridades competentes se dignaram a verificar in Loco o acontecido. Da verificação surgiu um número mágico. 357 hectares que a justiça determinou que o Iterma regularizasse em nome da comunidade do Baixão dos Rocha. Como assim 357 hectares se a comunidade luta por 600 hectares e quem sabe 1400 hectares de terras públicas que as duas empresas desmataram e plantaram soja? A destruição das casas valeu de que mesmo se quem ganhou mesmo foram as duas empresas e não a comunidade que viu seu pleito ser desfigurado?
rio mearim
A gente fica chateado, mas tem que agradecer por chuvas". Lula sobrevoou e visitou as áreas alagadas pelo rio Mearim no inverno de 2023 a convite do governador Carlos Brandão. Ao tratar dos efeitos da chuva, lula fez um contraponto entre o sentimento do cidadão solidário as comunidades afetadas e o sentimento do cidadão consciente de que a chuva e a que menos tem culpa nessa história. Brandão convidou lula somente para ouvir a sua solidariedade ou esperava um compromisso mais sério do tipo "precisamos de grana"? De qualquer forma, Brandão gastou um cartucho com o sobrevoo de Lula que ele poderia ter gasto em outra ocasião. E qual seria essa ocasião? Sabe se que o governo do Maranhão pretende oferecer num futuro não muito próximo ou um futuro tão tão distante dois projetos de infraestrutura para receber aportes do BNDES que são o porto de Alcântara e a ferrovia Alcântara/Acailandia. A melhor ocasião seria "lula faz um favor de vir ao Maranhão que eu quero te mostrar uns projetos vantajosos". Quem sabe nesse dia Brandão chega no ouvido de Lula e conte uma outra história "Deixa eu te contar um segredo os dois projetos vão afetar diversas comunidades quilombolas ribeirinhas assentamentos povoados vao afetar a pesca de água doce e de água salgada e etc. Como e que nos faz ? Não temos nenhuma experiência em lidar com esse público e com esse negócio de meio ambiente
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