quinta-feira, 8 de outubro de 2026

fala e escrita

Não se fala como escreve e nem se escreve como fala. A fala antecede a escrita. Vejam bem as falas em um almoço que aconteceu em uma cidade do cerrado maranhense. O o prato principal era chambari e debatia se a ascendência indígena sobre o povo maranhense. "Quem bebia água de cabaça?", perguntou o dono da casa. Para bom entendedor meia palavra basta e a filha respondeu " eu ia para roça com meu pai só para beber água de cabaça". A cabaça e um artefato em que os agricultores guardavam água para beberem em momentos que a sede apertava. As falas de pai e filha sugeriam códigos entre os dois. Quem nunca tivesse tido contato com a fala cabocla ficaria boiando. A fala cabocla e de gente que viveu parte da vida nos matos caçando pescando rocando plantando colhendo e alimentando as criações. O cabocles tem estreita relação com as atividades primárias de produção. E e nos ambientes e reuniões familiares que, qndo menos se espera, essa fala aflora através de um comentário uma brincadeira uma alusão uma lembrança que recupera a herança indígena que muitos fazem questão de esquecer.

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