domingo, 13 de dezembro de 2015

O Futuro do Cerrado que queremos

Biodiversidade do Cerrado. Foto: © Bento Viana/WWF-Brasil
Biodiversidade do Cerrado. Foto: © Bento Viana/WWF-Brasil

O Cerrado, savana mais rica em biodiversidade no planeta, está ameaçada pelo desmatamento para expansão da fronteira agrícola. No período de 2010 a 2011, a região sofreu 12% a mais de perda da vegetação natural. Os dados foram anunciados no dia 25 de novembro, pelo Ministério do Meio Ambiente, e são resultados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite (PMDBBS), que indicam, ainda, que 66% da degradação das áreas nativas está concentrada, principalmente, na região MATOPIBA – estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Embora o relatório do Terraclass do Cerrado 2013 apresentado também neste dia tenha registrado – para a surpresa de todos que acompanham de perto estes números – que 54,5% do bioma ainda mantém sua vegetação natural, há muito a ser feito e consolidado para que este problema seja considerado resolvido.
Recentemente, o Living Forest Report, estudo que o WWF publicou no mês de abril, apontou que se não tomarmos providências, uma área de 170 milhões de hectares deve sumir nos próximos anos (principalmente nos trópicos). Esta área é equivalente ao território de Alemanha, França, Espanha e Portugal juntos.
A estimativa é que 15 milhões de hectares serão perdidos no Cerrado nos próximos 15 anos, cedendo lugar para a pastagem, que já ocupa 29,5% do bioma e a agricultura, que representa atualmente 8,5%. O problema é que o ritmo dessa conversão foi bastante intenso nos últimos 30 anos e a pressão sob o segundo maior bioma do país continua intensa.
Monitorar e proteger o Cerrado é portanto vital para manutenção dos recursos hídricos no país, uma vez que das 12 grandes bacias hidrográficas existentes, oito são abastecidas pelas águas geradas neste bioma, sendo por isso considerado a “caixa d’água do Brasil”. O aumento do desmatamento no Cerrado interfere na oferta de água que abastece boa parte da população brasileira.
As unidades de conservação funcionam como verdadeiros estoque de água, e hoje, por exemplo, no Cerrado, temos menos de 10% de todo o Cerrado são unidades de conservação e, destas, menos de 3% está sob Proteção Integral.
“Não há fórmulas mágicas para lidar com o desmatamento. Uma série de soluções precisam ser adotadas por toda a sociedade e pelos governos – e algumas delas já estão à nossa disposição”, afirma Carlos Nomoto, CEO do WWF-Brasil.
Segundo ele, para proteger o Cerrado o primeiro desafio é controlar e monitorar de maneira regular e efetiva o desmatamento, além de criar e garantir a melhor gestão de áreas protegidas na região. “As UCs ajudam na proteção de nascentes de água, na regulamentação do clima, na geração de renda para povos e comunidades tradicionais e na garantia das riquezas socioculturais, por isso defendemos a instituição de mais áreas protegidas no bioma”, defende.
Atuação do WWF 
O WWF-Brasil contribui para uma melhor gestão e implementação das unidades de conservação existentes, por meio da ferramenta RAPPAM (Rapid Assessment and Priorization of Protected Area Management) que avalia a efetividade de gestão das áreas protegidas. Recentemente foram avaliadas mais de 80 UCs de dois estados com presença predominante do Cerrado, Minas Gerais e Goiás.
A organização também incentiva a adoção das boas práticas agropecuárias, que busca adequar a produção aos preceitos da sustentabilidade. Além disso, promove o fortalecimento da cadeia do extrativismo dos frutos do Cerrado, agregando renda para os povos e comunidades tradicionais, ao mesmo tempo que mantem o “Cerrado em pé”.
“Um lugar que tem mais de 11 mil espécies vegetais dentre elas, diversas árvores frutíferas, como o pequi, o babaçu e o baru, entre muitas outras, tem um gigantesco potencial econômico de uso dos seus recursos naturais”, explica Nomoto. Somente no Mosaico Sertão Veredas Peruaçu (Norte de MG e sudoeste da BA) existe uma potencialidade de produção sustentável de mais de 500 toneladas de frutos por ano, que podem abastecer muitos mercados nos grandes centros.
Finalmente, o CEO do WWF-Brasil defende que é necessária de maneira urgente a implementação qualificada da lei ambiental, em especial do Código Florestal.
De acordo com ele ainda é preciso celeridade para a implementação do Código Florestal, começando pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR) e posteriormente pela adequação das propriedades privadas aos Planos de Regularização Ambiental (PRA). Estes instrumentos poderão funcionar como medidas que vão permitir o planejamento e o ordenamento das propriedades, além de garantir o cumprimento do compromisso de restaurar e respeitar as áreas de preservação permanente e de reserva legal “Com um CAR/PRA perpetrado, teremos mais áreas de Cerrado protegidas, além de mais condições de melhorar o fomento das atividades produtivas e, consequentemente, da possibilidade de identificar o desmatamento ilegal no bioma”, conclui Nomoto. (WWF Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Roberto Leite, membro da familia Leite de Chpadinha, famosa pelos conflitos com agricultores familiares e quilombolas, cerca o leito do rio Munim a fim de reservar passagem para o seu gado.

Reunião na casa de Vicente de Paula, comunidade de Carrancas municipio de Buriti Comunidades ; Mato Seco, Araça, Baixão, Alto da Moderação, Travessão, Brejinho 3, Maraja, Cacimba, bacaba, Assuntos: seca, desmatamento, monoculturas, queimadas, caça, criação de pequenos animais









Afluente do riacho Feio, bacia do rio Munim municipio de Buriti, Brejinho do Tibalde propriedade do seu Teófilo

Eucaliptos mortos entre Chapadinha, Anapurus e Buriti

Sindicato evita expulsão de famílias empossadas pelo INCRA da Fazenda Imperial

 Segundo informações do advogado da FETAEMA, Sérgio Barros, 7.046 hectares, de um total  de 8.600, da chamada Fazenda Imperial, que fica às margens da BR-316,  foram desapropriadas.

Em novembro de 2014, o INCRA, após cadastrar, deu posse à 156 famílias (258 podem ser assentadas na área).
Na semana passada estas famílias passaram dois dias debaixo de muita pressão psicológica. Um grupo de homens ‘gigantes’ apareceu no local mostrando um documento do INCRA que devolvia a posse ao antigo dono (que pelo que explicou Antonio Barros do STTR,  até já faleceu e quem estaria na briga seria um arrendatário).
O problema, afirmou o advogado dos lavradores, estaria no NÃO pagamento do que foi acertado entre quem vendeu e o governo, via INCRA.
“Ela tá questionando hoje os valores das indenizações, o pagamento foi feito correto, se não foi feito correto, o que não é de interesse dos trabalhadores isso é uma briga entre governo, Incra e empresa, com os trabalhadores o problema está resolvido, a imissão na posse foi feita e daqui eles vão tocar a vida deles em diante”, explicou o advogado
A Polícia Militar, sob o comando do capitão Igor Vieira, foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Codó.
No local, não encontrou armas com os ‘gigantes’ que lá estavam, mas as famílias denunciaram que eles chegaram a mostrar uma motosserra que seria usada na derrubada das casas caso elas não fossem abandonadas até o meio dia da última sexta-feira.
Ao final da conversa, com a presença ostensiva da PM, os homens foram embora em duas Hilux,  e ficou acertado que as famílias continuarão no local, terminarão a construção das casas, plantarão e colherão, mas nenhuma outra entrará até que o impasse seja resolvido pelo INCRA ou pela Justiça Federal.
Antonio Barros criticou a postura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Esta semana vai marcar uma reunião com a direção em São Luís.
“E hoje o INCRA o documento dá um documento administrativo dizendo que a posse volta pra mão do dono e o prejuízo desses companheiros onde é que fica, eles são assentados da reforma agrária e as casas deles, onde é que fica, então nós vamos marcar uma audiência com o INCRA nessa semana e vamos junto com CONTAG, CCN, Aconeruq, vamos tentar da melhor forma possível tentar resolver o problema desses companheiro”, disse continuando
“Nós temos muito mais de 300 linhas de roça aqui dos companheiros, nós temos muito mais de 50 casas e vamos continuar aqui dentro, vamos lutar na Justiça, nessa próxima semana nós vamos tá marcando audiência com o INCRA PRA VER o que nós podemos resolver a situação desses companheiros que tão aqui dentro da área”, concluiu
Os lavradores também estão cobrando uma posição do órgão.
“A gente tem que saber a opinião do INCRA porque a gente veio pra cá não foi como invasão, nós fomos cadastrados e nós autorizados a vir pra cá, nós não vimos fazer invasão, nós viemos com ordem”, disse José Francisco Sousa Filho
Maria Francisca da Silva, uma das mais valentes da área, disse que todos só querem o direito de morar e trabalhar
“O que a gente quer é só ter o direito de trabalhar, um local pra gente poder criar as coisas da gente porque na cidade a gente não pode fazer isso (…) então a gente tá querendo um local pra gente criar os bichos da gente e trabalhar, plantar, tirar o sustento, fazer roça, é isso que a gente quer”, argumentou a lavradora em reportagem da TV Mirante

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Nascente do rio Preguiças em Anapurus






                                         Lagoa da Barra da Campineira, Anapurus, Baixo Parnaiba maranhense, cabeceira do rio Preguiça
Seca
Causas prováveis : desmatamento e plantio de eucalipto pela Suzano Papel e Celulose em sua área de captação de águas de chuva