sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Baixo Parnaíba na área do Semiárido Brasileiro

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados (CINDRA) aprovou, nesta quarta-feira (18), Projeto de Lei 2043/2015, de autoria do deputado Hildo Rocha (PMDB/MA), que regulamenta os fundos constitucionais, para incluir na área do semiárido os municípios localizados no Baixo Parnaíba, no Estado do Maranhão.

Segundo Hildo Rocha, apesar de estar localizado em área fora do bioma Caatinga, os municípios localizados na região do Baixo Parnaíba maranhense, possuem características climatológicas e geográficas idênticas aos que fazem parte do semiárido brasileiro. “São municípios que apresentam clima mais quente; rios intermitentes; estão sujeitos a secas; e a cobertura vegetal vem diminuindo rapidamente. Logo, necessitam de investimentos do governo federal capazes de impedir a desertificação do território e criar condições de sustentabilidade para a população local”, destacou.
A proposta prevê a inclusão dos municípios de Água Doce do Maranhão, Anapurus, Araioses, Belágua, Brejo, Buriti, Chapadinha, Magalhães de Almeida, Mata Roma, Milagres do Maranhão, Santa Quitéria, Santana do Maranhão, São Benedito do Rio Preto, São Bernardo, Tutoia e Urbano Santos.
O relator da matéria, deputado Vitor Valim (PMDB/CE), recomendou parecer favorável à proposta e afirmou que torna-se imprescindível que o Baixo Parnaíba maranhense seja incluído na área que forma o semiárido brasileiro, definido pela Lei 7.827, de 27 de setembro de 1989, antes que a diminuição do volume médio das chuvas verificada nos últimos anos provoque um déficit hídrico que comprometa a recarga dos aquíferos.
Projeto ainda precisa ser apreciado pelas Comissões de Finanças (CFT) e Tributação e de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ).
Foto: Agência Câmara
http://www.blogsoestado.com/zecasoares/

Grupo Suzano Papel Celulose que anuncia investimentos em fábrica de Imperatriz prejudicou a região do Baixo Parnaíba

    aldir
Foram milhares de famílias da região do Baixo Parnaíba, que foram expulsas de nove municípios em que o eucalipto se tornou a praga que retirou delas posses centenárias, muitas das quais mediante fraudes em cartórios. Inúmeras foram as denúncias de que terras devolutas, que poderiam ser utilizadas para a reforma agrária estão incorporadas ao patrimônio do grupo empresarial.
      O tão decantado desenvolvimento proposto pelo grupo Suzano Papel Celulose para o Baixo Parnaíba, sempre ficou no discurso e na proteção do poder público. O eucalipto que destrói a capoeira e os grandes mananciais de recursos hídricos e atropelou quem tentou continuar vivendo da pequena agricultura.
      Centenas de denúncias foram feitas pela Comissão Pastoral da Terra, Fetaema, Fórum Carajás, Fórum do Baixo Parnaíba, Igreja Católica e outras entidades da sociedade civil organizada, mas mesmo assim a exploração continuou muitas vezes com a violência e a participação de força policial. Muitas fraudes foram vergonhosamente feitas em cartórios para que prepostos expulsassem posseiros e com as terras negociassem com o grupo Suzano Papel Celulose,
       A verdade é que nos nove municípios em que os tentáculos do eucalipto se impôs, ninguém prosperou até mesmo que as promessas de instalações de industrialização deram lugar a exploração do carvão vegetal para abastecer usinas de ferro-gusa, dentre as quais a Margusa, que chegou por muito tempo a ser arrendatária de algumas áreas e aumentar consideravelmente a destruição do meio ambiente.
      Se realmente o governo tem pretensões efetivas de desenvolver uma politica de produção de alimentos a partir da agricultura familiar,   tem o dever de arrecadar as terras devolutas que estão incorporadas ao patrimônio do grupo Suzano Papel Celulose no Baixo Parnaíba.
       Grande parte do cerrado maranhense perdeu criminosamente as suas referências, principalmente no que concerne aos seus frutos naturais como o piqui, o bacuri, variedades de goiaba, fauna e flora e outras riquezas, diante dos avanços do eucalipto e a soja de maneira extensiva. Felizmente a resistência que persiste, são de famílias organizadas com o importante e decisivo apoio do Fórum do Baixo Parnaíba e do Fórum Carajás.

Por: Aldir Dantas
http://blog.oquartopoder.com/aldirdantas

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Fundo de pensão americano comprou terras irregularmente no Brasil, diz The New York Times


Gigante financeira norte-americana e parceiros brasileiros “despejaram centenas de milhões de dólares em aquisição de terras aráveis no Cerrado”, ressalta matéria, que ainda destaca os conflitos por terra e a relação dessas empresas com grileiros nos estados de Maranhão e Piauí.
 
(Por Simon Romero, Do The New York Times)
Gigante norte-americana do investimento que administra as contas de aposentadoria de milhões de funcionários de universidades, professores de escolas públicas e outros trabalhadores, a TIAA-Cref se orgulha de promover valores socialmente responsáveis, e celebra sua participação no processo de redação dos princípios das Nações Unidas para compra de terras agrícolas, com o objetivo de promover a transparência, sustentabilidade ambiental e respeito pelo direito à terra.
Mas documentos demonstram que as incursões da TIAA-Cref à fronteira agrícola brasileira podem ter avançado na direção oposta.
A gigante financeira norte-americana e seus parceiros brasileiros despejaram centenas de milhões de dólares em aquisição de terras aráveis no cerrado, uma imensa região à beira da floresta amazônica na qual vem acontecendo desmatamento em larga escala para expansão da agricultura, o que alimenta preocupações ambientais.
Em uma complicadíssima empreitada, o grupo financeiro norte-americano e seus parceiros acumularam vastas propriedades agrícolas novas, a despeito da decisão do governo brasileiro, em 2010, de proibir participação estrangeira em transações dessa escala.
Embora a ação governamental tenha bloqueado as ambições de outros investidores estrangeiros, a TIAA-Cref levou adiante suas intenções em uma parte do Brasil onde grassam os conflitos de terras, o que expõe a empresa e seus parceiros a acusações de que adquiriram terras de um especulador de credenciais suspeitas, acusado de empregar pistoleiros para roubar terras de agricultores pobres.
Os documentos possibilitam vislumbrar como um dos maiores grupos financeiros dos Estados Unidos participou daquilo que muita gente nos países em desenvolvimento define como apropriação indevida de terras. Respondendo à disparada no interesse internacional por terras no país, o ministro da Justiça brasileiro em 2010 limitou significativamente a participação de estrangeiros em aquisições de terras agrícolas em larga escala.
Investidores ocasionalmente encaram esse tipo de transação como maneira de diversificar suas carteiras. Mas alguns funcionários de governos e ativistas afirmam que elas resultam na expulsão de agricultores pobres, na transferência do controle de recursos vitais de produção de alimentos a uma elite mundial, e na destruição de tradições agrícolas em troca de plantações em escala industrial que produzem comida para exportação.
"Já tinha ouvido falar de fundos estrangeiros tentando contornar a legislação brasileira, mas algo nessa escala é espantoso", disse Gerson Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária e assessor de congressistas brasileiros, se referindo aos documentos sobre as aquisições de terras aráveis brasileiras pela TIAA-Cref.
Algumas das constatações são parte de um novo relatório por pesquisadores da Rede Social pela Justiça e Direitos Humanos, uma organização brasileira, e da Grain, uma organização sediada na Espanha que acompanha as aquisições mundiais de terras.
JOINT VENTURE COM A COSAN
As revelações sobre a TIAA-Cref demonstram que suas terras aráveis no Brasil chegaram aos 256.324 hectares em 2015, ante 104.359 em 2012, mais ou menos o momento em que a empresa começou a expandir suas transações, conduzidas por meio de uma joint venture com a Cosan, gigante brasileira do açúcar e biocombustíveis.
Stewart Lewack, porta-voz da TIAA-Cref, concordou em revisar diversos aspectos da complexa estruturação dessas transações, mas se recusou a discutir as aquisições de terras aráveis de forma direta. Ele intermediou outros contatos com executivos da Cosan, controlada por Rubens Ometto, bilionário cuja família opera no setor do açúcar desde os anos 30.
"A Cosan tem 70 anos de história na administração de terras agrícolas no Brasil, e tem compromisso para com elevados padrões de responsabilidade no investimento por meio das entidades que controla", afirmou uma porta-voz da Cosan em declaração.
As duas empresas começaram a adquirir terras aráveis no Brasil em 2008, depois de formar uma joint venture chamada Radar Propriedades Agrícolas, com 81% de participação de uma subsidiária da TIAA-Cref e 19% da Cosan. Embora a Cosan informe às autoridades brasileiras que controla a joint venture por meio de seu assento no conselho da empresa, a TIAA-Cref mlista a Radar como uma das "afiliadas nas quais temos participação majoritária".
Então surgiram as medidas brasileiras de repressão a aquisições de terras aráveis por estrangeiros, em 2010, um período de crescente nacionalismo quanto aos recursos naturais do país, exemplificado pelos esforços de impor maior controle ao setor de energia.
Na agricultura, as mudanças envolviam limitar a 5.000 hectares as vendas de terras a estrangeiros, a proibição a que eles controlassem mais de 25% das terras de qualquer município e a imposição de limites às operações de subsidiárias brasileiras de empresas estrangeiras.
"As medidas impuseram um freio ao investimento estrangeiro em terras brasileiras", diz Kory Melby, norte-americano que oferece consultoria a investidores em agricultura no Brasil.
Mas em lugar de reduzir a escala de suas operações, a TIAA-Cref intensificou as aquisições de terras agrícolas brasileiras, se concentrando especialmente na fronteira agrícola dos Estados nordestinos do Maranhão e Piauí. Em 2012, a empresa criou um fundo mundial cujo foco era a compra de terras agrícolas no Brasil, Austrália e Estados Unidos, atraindo investimentos de fundos de pensão suecos e canadenses.
José Minaya, executivo da TIAA-Cref que responde pelos investimentos do grupo em terras agrícolas, defende esse tipo de transação, afirmando que elas são uma maneira de adquirir "um recurso finito" em um momento de crescente demanda mundial por alimentos.
"O Brasil nos oferece diversificação em termos de safras e climas", disse Minaya a investidores em um vídeo sobre aquisição de terras agrícolas no maior país da América Latina.
Por conta da limitação ao investimento estrangeiro imposta em 2010, a TIAA-Cref e seus parceiros brasileiros criaram uma joint venture financeira para adquirir terras agrícolas. O grupo norte-americano detém 49% e a Cosan tem 51% de participação na empresa, de acordo com documentação apresentada às autoridades regulatórias brasileiras.
Embora o novo empreendimento no papel pareça ser uma empresa separada, na prática é difícil distingui-lo da parceria precedente. As duas compartilham de muitos dos mesmos funcionários e executivos de primeiro escalão, e funcionam em escritórios na avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, de acordo com pessoas conhecedoras das operações.
Além disso, o financiamento para as aquisições de terras agrícolas provém primariamente de subsidiárias da TIAA-Cref, em uma espécie de empréstimo que pode ser convertido em ações, de acordo com a documentação apresentada às autoridades regulatórias. Os pesquisadores da Grain argumentam que essa estrutura empresarial torna possível à TIAA-Cref ocultar o controle que ela exerce sobre as terras agrícolas adquiridas.
"Eles podem dizer o que quiserem sobre o controle, mas a questão é que" essas estruturas "foram criadas apenas com o propósito de canalizar fundos da TIAA-Cref para terras agrícolas no Brasil", disse Devlin Kuyek, pesquisador sênior da Grain.
Em declaração, a Cosan contesta essa posição. "Em todas as suas aquisições", a joint venture "segue rigorosamente a legislação em vigor", a companhia afirmou.
Os ativistas não acusam a TIAA-Cref e a Cosan de promoverem diretamente o desmatamento do cerrado. Em lugar disso, afirmam que as empresas adquiriram terras que já haviam sido desmatadas e obtidas por especuladores que podem ter usado táticas impiedosas.
RELAÇÕES COM GRILEIRO
O relatório da Grain registra como a TIAA-Cref e a Cosan parecem ter adquirido diversas fazendas controladas por Euclides de Carli, uma figura nebulosa do mundo dos negócios descrito por legisladores, estudiosos, e agricultores espoliados brasileiros como um dos mais poderosos "grileiros" dos Estados do Maranhão e Piauí.
Os grileiros são conhecidos por suas táticas de prestidigitação burocrática, entre as quais a falsificação de títulos de propriedade rural guardados em latões cheios de insetos, o que os faz parecer antigos e explica o apelido. Alguns grileiros também forçam agricultores a abandonar suas terras de diversas maneiras, o que inclui intimidar os ativistas que lutam pelo direito à terra e até assassinar agricultores pobres.
No caso de Carli, estudiosos brasileiros já descreveram como ele forçou dezenas de famílias a abandonar suas terras, usando táticas como a destruição de safras ou a queima da casa de um líder comunitário. Um proeminente legislador maranhense também acusou Carli de orquestrar o assassinato de um trabalhador rural por conta de uma disputa de terras.
Carli, que já foi alvo de investigações oficiais por suas compras de terras, não respondeu a pedidos de comentário. Em comunicado, a Cosan reconheceu que sua joint venture havia adquirido terras controladas por Carli, mas insistiu em que uma revisão abrangente em nível municipal, estadual e federal não havia identificado "qualquer processo criminal em nome do Sr. Euclides de Carli".
"A avaliação conduzida", afirmou a Cosan, "precisa observar documentos oficiais e informações que baseiem a segurança da aquisição".
Mas promotores públicos que conhecem a atuação de Carli ainda assim expressaram surpresa por investidores proeminentes realizarem esse tipo de transação quando uma simples busca na Internet revela uma longa lista de acusações de apropriação indébita de terras contra Carli.
"Euclides de Carli é um dos principais grileiros da fronteira agrícola brasileira", disse Lindonjonson Gonçalves de Sousa, promotor público que investigou as transações de terras de Carli. "Não deveria ser segredo para pessoa alguma que ele tem presença proeminente nos conflitos de terra na região".
Tradução de PAULO MIGLIACCI/Reprodução Folha de S.Paulo

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

De tudo quase nada


Acaso alguem me pedisse alguma fala ou um breve comentário sobre meu livro "De tudo quase nada", eu responderia compre o livro, está tudo lá. Seria uma resposta muito impessoal e desagradável, até porque o que está lá a vista dos olhos não está explicito. Intitulei o livro "De tudo quase nada" por conta do artigo "Antes de tudo, um pouco..." sobre a comunidade quilombola de Barro Vermelho, municipio de Chapadinha, Baixo Parnaiba maranhense. Os quilombolas de Barro Vermelho vivem às margens do rio Munim e, para quem passa por sobre uma ponte antes de chegar em Chapadinha, o rio secou em boa parte da sua extensão. Perguntei para Zé Orlando se ele recordava outra sequidão como essa. Ele não esquece de 2005, contudo o ano de 2015 tem se mostrado muito mais seco. Tão graves quanto a diminuição das chuvas, para os quilombolas, são as mineradoras de areia que arregaçam o leito e as margens do rio Munim. E quem administra as mineradoras? A familia Leite que escravizou os moradores por decadas.
Mayron Régis

Quilombolas de Matões sofrem ameaças


Quilombolas do Território Lago do Coco no município de Matões do Norte-MA, denunciam que políticos, empresários e fazendeiros estão retirando madeira, extraindo pedras e fazendo caça predatória de animais silvestres dentro do Território.
O Território Lago do Coco é composto por cerca de 15 comunidades, formadas há mais ou menos 200 anos. Em 2013, a Fundação Palmares conferiu a Certidão de Auto definição dos remanescentes de quilombo.
Há anos o quilombo enfrenta conflitos, ameaças e constantes invasões de pessoas que querem tomar e mercantilizar seu território. Na década de oitenta, homens armados invadiram uma das comunidades, sequestraram pessoas e dispararam armas de fogo para intimidar os moradores.
De acordo com Francisco Xavier Casa Nova, presidente da Associação de Moradores Quilombolas de Lago do Coco, ele já perdeu as contas de quantas denúncias fez aos órgãos competentes, no entanto, ninguém nunca tomou providência.
“Já fiz Várias denúncias na Imprensa, no Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Delegacia de Polícia, Secretaria do Meio Ambiente e não sei mais a quem recorrer. Somos ameaçados de morte constantemente, até o governador já procurei e ninguém olha por nós” relatou emocionado seu Xavier.
Segundo os quilombolas, no mês de agosto, representantes da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Participação Popular – Sedihpop, fizeram uma visita á comunidade, prometeram voltar em oito dias e até agora ninguém apareceu por lá. No mês de setembro deste ano, seu Xavier protocolou na Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) e na Casa Civil do Governo do Estado, denúncias das agressões que vem acontecendo dentro do Território, dentre as quais, citou a Exploração ilegal de madeira de lei, extração de pedra bruta, caçada de animais silvestres e desmatamento na margem dos Igarapés. Seu Xavier denunciou também que, caçadores de São Luis, Arari, Bacabal e outros municípios invadem o território com armas de fogo, causando verdadeiro terror nas comunidades.
“O pior de tudo é que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Matões, juntamente com a prefeitura do município são coniventes com esses criminosos” disse seu Xavier. Para os quilombolas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, também é responsável pelo nascimento, crescimento e exacerbação do conflito, pois vem legitimando a grilagem de terras dentro do Território.
Os problemas vivenciados pelos quilombolas de Lago do Coco e as constantes violações de Direitos Humanos é revoltante. Tanto o governo federal quanto o estadual ignoram propositadamente o reconhecimento e a titularização das terras dos descendentes de escravos.

Cooperação amplia assistência técnica e fomento no Maranhão


INCLUSÃO PRODUTIVA

Parceria entre os governos federal e estadual permite incluir mais 6 mil agricultores familiares em ações de inclusão produtiva
publicado 11/11/2015 11h54
Foto: Ubirajara Machado/MDS
Brasília – Acordo de Cooperação Técnica publicada nesta quarta-feira (11), no Diário Oficial da União, garante que mais 6 mil agricultores familiares em extrema pobreza do Maranhão participem do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais. Com a parceria firmada entre os ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o governo do estado, chega a 30 mil produtores maranhenses que terão recebido assistência técnica e recursos não reembolsáveis para investimento.
O Programa de Fomento atende agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária. Até setembro de 2015, em todo o Brasil, 187,4 mil famílias foram incluídas no programa, para aumentar as capacidades produtivas para que possam gerar renda, incrementar sua produção de alimentos e deixar a situação de extrema pobreza que enfrentam.
A agricultora Maria da Conceição de Sousa, de Urbano Santos (MA), é beneficiária do Programa de Fomento. Com o acompanhamento de técnicos de extensão rural, ela investiu recursos para ampliar sua miniusina de extração de óleo de coco babaçu. Com a venda do produto em feiras locais e em outros municípios, a família já chega a gerar pouco mais de um salário mínimo de renda mensal.
“Esta parceria com o governo federal amplia a execução do Programa Mais IDH no meio rural do estado. O governo do Maranhão vai oferecer assistência técnica pelo Sistema de Agricultura Familiar e o governo federal vai ofertar, entre outras ações, recursos do fomento produtivo, proporcionando o resgate da dignidade desse povo sofrido”, explica Adelmo Soares, secretário estadual de Agricultura Familiar.
O secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos, destaca a importância deste Acordo. “O apoio governamental aos agricultores familiares mais pobres do Maranhão já vem produzindo resultados bastante expressivos, garantindo que essas famílias possam, com seu próprio trabalho e o apoio das políticas públicas, superar a condição de extrema pobreza e produzir seus alimentos. Com a expansão da parceria, mais famílias do campo poderão se beneficiar dos investimentos produtivos e do apoio dos técnicos da extensão rural.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

São Raimundo: um pedaço verde do mundo



A reunião da SMDH – Sociedade Maranhense de Direitos Humanos com a Associação Comunitária da Comunidade no dia 09/11/2015, que tinha o objetivo de falar sobre o Projeto de Rebrotamento de bacurizeiros nativos, estava preste acontecer.  Como não bastasse o deslocamento sempre complicado, pois a Roseane e a Drª Dayana já adivinhara as avalanches que aquelas estradas traziam para quem não sabe destrinchá-las, hoje em dia essas estradas foram modificadas pelos eucaliptos da Suzano, os velhos caminhos não são mais os mesmos. O projeto que está dando certo no Pará com as orientações dos técnicos da EMBRAPA-PA, pertente aplicar essas experiências no Baixo Parnaíba Maranhense. Uma das ideias é desenvolver esse trabalho em uma comunidade da região de chapadas bonitas de se ver, que cobre as comunidades vizinhas: Boa união, Santa Felomena, Bom Princípio e Bracinho. O São Raimundo deve puxar essa carruagem pelo espirito de lutas e conquistas que tem, a exemplo do documento que a associação elaborou há algum tempo atrás de proibição da derrubada do bacuri verde; além dos capítulos de resistência pela posse da terra e proteção das chapadas, entraves que até hoje vem sendo superados pelo desejo da Reforma Agrária. Partindo da consciência ecológica dos trabalhadores rurais do povoado que sustentam suas famílias com suas roças e coletas de frutos -, este fruto precioso e sagrado das comunidades chapadeiras, fonte de renda e de vitaminas. A SMDH pensava logo de primeira nessa possibilidade de implantação do projeto naquele “pedaço verde do mundo”. Pois alguns membros da comunidade já participaram de um projeto parecido “Manejos dos bacuris e reflorestamentos das chapadas com valorização dos frutos do cerrado”- orientado pelo saudoso Fórum Carajás, na pessoa do Mayron Regis, um jornalista que entende de criação de galinhas, segundo Rosy! O projeto da SMDH tende complementar os frutos colhidos dos já iniciados por esses órgãos-, tomando como orientação um artigo que o grande Professor e pesquisador Marcelo Carneiro da UFMA mandara para o e-mail da Roseane. O artigo mostra com clareza que na Região Amazônica do Pará deu certo esse trabalho, uma vez que é raro bacurizeiros... e aqui no Baixo Parnaíba que esses frutos nascem e brotam naturalmente em nossas chapadas? Acha-se que o projeto vai dá certo e vai mesmo. Temos muitas chapadas que precisam serem protegidas por lei, os problemas ambientais avançam a cada dia e o que temos de garantia para barrar tamanho empreendimento capitalista? Surge nesse cenário com os levantamentos dos problemas frisados pela Francisca do São Raimundo, a ideia de um “Encontro sobre o manejo sustentável dos bacuris e alimentação de propostas para uma lei municipal de proibição da derrubada dos bacuris verde” – alargando para outras fronteiras no território municipal e não apenas no São Raimundo, pois eles não precisam da lei, lá existe lei. Ficou marcado este encontro para o dia 02 de dezembro de 2015, com participação de autoridades do poder público municipal, poder legislativo, INCRA, SEMA, SMDH, STTR, associações rurais do município e militantes ativistas pelos direitos humanos. A associação juntamente com os alunos da escola local apresentarão trabalhos voltados para a biodiversidade do cerrado, escassez da água, preservação dos recursos e tratarão também sobre a terra e desmatamento. Voltando ainda a falar do projeto, a SMDH tem como proposta o manejo das técnicas desenvolvidas para o rebrotamento do bacuri e suas caracteristicas ímpares a partir de suas raízes; produção em curto prazo para aumento da renda familiar, além do reflorestamento de áreas desmatadas e aquelas não deveriam ser desmatadas.
Finalizando a reunião a Dª Dayana falou da questão da terra, sobre o demoroso processo de desapropriação do São Raimundo para fins de Reforma Agrária que não se entende entre o INCRA e o Loeff, o INCRA lerdo como é e o Loeff querendo vender a terra para o governo a preço de mercado – sendo que nem lá ele mora, não tem casa, nem sítio... quer pegar quase um milhão na terra! É o besta! Pois bem a reunião terminava com um suco de bacuri ou refrigerante? Preferi suco, antes do almoço de galinha caipira. São Raimundo: um pedaço verde do mundo é a historia viva das lutas fundiárias dos nossos tempos no leste maranhense; terra de gente humilde, hospitaleira... trabalhadores... pedaço do mundo que liga a chapada ao Rio Preguiças.
 José Antonio Basto
Novembro de 2015
Urbano Santos-MA