quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Os desacatos em Santa Rosa e a vitória da Associação dos Pequenos Agricultores.
A história fundiária da comunidade
(Santa Rosa / Bacabal), município de Urbano Santos, Baixo Parnaíba Maranhense
tem suas entrelinhas nos pormenores que esclarece as diversas lutas pela posse
da terra desde quando a peleja começava em 2012, envolvendo as famílias
camponesas da localidade. O Leonilson, vice-presidente da Associação dos Pequenos Agricultores do Povoado Santa Rosa / Bacabal
apareceu na sede do Sindicato dos
Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais para anunciar a boa noticia de que a
entidade ganhara mais uma batalha na justiça, desta vez no Tribunal de Justiça
em São Luís. A questão se deu quando o latifundiário na época ameaçou alguns
trabalhadores rurais, conta-se que ele estava por traz do mandato das queimas
de casas de alguns camponeses, ameaças e recados... além de outras violações de
direitos praticadas contra as famílias. A associação convicta da futura
vitória, sabendo dos seus direitos sociais, entrou com um pedido de
desapropriação de 2.500 hectares de terras para fins de Reforma Agrária,
aguardando as determinadas decisões do INCRA. Um outro caso que surgiu com base
no conflito foi que pegaram duas pessoas de uma comunidade vizinha que detinham
dinamites e bombas caseiras e que estavam rondando as casas das lideranças, os
dois jovens foram denunciados e presos na Delegacia de Polícia Civil de Urbano
Santos -, acredita-se que os meliantes cumpriam ordens de alguém ligado ao
latifúndio relacionado a questão da terra. Os trabalhadores rurais protocolaram
um processo e registraram boletins de ocorrência a respeito do caso. A
Secretária Agrária da FETAEMA -
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Maranhão viajou
várias vezes para orientar os trabalhadores: como deveriam se comportar diante
da questão. O advogado da causa entrou com o processo no Tribunal de Justiça
contra os desmandos e ameaças para com os camponeses; portanto o resultado saiu
essa semana, segundo o Leonilson, favorecendo a associação de moradores. O
INCRA já fez a pré-qualificação da área – mas as famílias que moram lá esperam a
vistoria para o titulo final e construção das habitações e demarcação das
reservas legais de proteção ambiental. São mais de 30 famílias que vivem e
trabalham de roça para as suas subsistências, plantam várias culturas variando
de arroz, feijão, milho, mas a maior produção socioeconômica é a produção de
farinha de puba, o povoado fica bem próximo do Rio Preto, onde facilita a pesca
artesanal que ajuda na alimentação da população. Uma região de chapadas
repletas de bacuris, que já estão visadas pelo agronegócio que vivem nas
redondezas como é o caso da comunidade vizinha, Calabar. Durante a realização do III Seminário Agrário que aconteceu
este mês no STTR nós debatíamos os conflitos das áreas; a participação da Santa
Rosa / Bacabal foi muito especial, os moradores trouxeram arroz e farinha para
ajudar nas despesas de alimentação dos outros companheiros de outras
comunidades, deram seus depoimentos, mostrando com clareza seus otimismos com
relação a situação fundiária. Todo mundo é sabedor que o INCRA e o ITERMA são
lentos de mais, talvez pela grande demanda que o Maranhão apresenta, apesar de
muitas gente não concordar com isso. Pois as coisas só funcionam na pressão,
muitos processos que estão engavetados e caducos precisam da cobrança das associações,
como é o caso do São Raimundo da Francisca, também município de Urbano Santos,
São Raimundo espera pela titulação há muito tempo, além do enfrentamento direto
com o latifúndio local a comunidade guerreia com o agronegócio que destrói as
chapadas. O STTR ajudou no pedido de desapropriação fundiária por intermédio de
declarações emitidas pelo cartório municipal -, o Izaias – Secretário Agrário
da casa, preparou o documento juntamente com o Zequinha – atual presidente da
associação, requerendo junto ao INCRA a área das mais de 2.500 hectares, além
da parte das terras devolutas do estado, estas que o proprietário já estava
vendendo para o seu beneficio próprio. Se os camponeses trabalham e vivem desde
tempos remotos lá, é mais do que justo eles terem direito a posse. Muitos são
os desacatos em nossa Região do Baixo Parnaíba, problemas que se perpetuam
desde muitas décadas atrás. Santa Rosa / Bacabal é apenas um caso de tantos
outros envolvendo famílias de lavradores que aguardam por justiça e paz.
Façamos de nossas ideias as revoluções e com elas o grito que segue nas
palavras de ordem pela promoção e valorização das práticas tradicionais,
produção agroecológica, preservação ambiental, mais créditos para a agricultura
familiar! Abaixo as desordens, pistolagem e ameaças! E que sobretudo faça valer
a REFORMA AGRÁRIA neste país. Política essa que vem sendo feita rudimentarmente,
mas não a desejada como deveria ser. Avante Comunidade Santa Rosa! A vitória
sempre!
“A luta pela Reforma Agrária é
uma luta por vida”.
(Leonardo Boff)
Jose Antonio Bastos
Jose Antonio Bastos
Comitiva da Secretaria de Direitos Humanos visita áreas em conflito
Uma
equipe da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação
Popular (Sedihpop) visitou, na quinta-feira (1º), a comunidade de
Guarimã, localizada no município de São Benedito do Rio Preto. Na área
de 471 hectares, atualmente pretendida por uma suposta proprietária,
moram 12 famílias.
A comitiva verificou que muitos vivem
ali há mais de 60 anos, o que pode ser comprovado observando-se a
documentação apresentada por eles e as construções erguidas, nenhuma
recentemente. Dona Sebastiana Lopes, moradora mais velha do lugar,
nasceu em Guarimã, em 1932.
Na comunidade é possível, ainda, observar os alicerces de uma construção antiga onde uma escola teria funcionado ali entre 1973 e 1993. A situação será levada pela Sedihpop à Comissão Estadual de Prevenção e Combate a Violência (COECV).
Tiúba/Chapadinha - Após cumprir agenda no Encontro de Comunidades do Baixo Parnaíba, em Brejo, o secretário de Estado de Direitos Humanos, Francisco Gonçalves, acompanhado por uma comitiva da pasta, visitou a comunidade de Tiúba, em Chapadinha. Na área residem 15 famílias há 10 anos e sentem-se ameaçadas por uma ordem de despejo e pela ação de jagunços. Sua ida para a área, à época, foi fruto de uma negociação entre o proprietário e o Banco do Nordeste, na tentativa de quitar uma dívida.
Moradores da área de cerca de 1.000 hectares relataram a queima criminosa de roças, casas e animais. O fornecimento de energia elétrica está suspenso desde dezembro de 2014, pois a fiação foi cortada a mando do proprietário, segundo eles.
O caso, também, será levado à COECV e a Sedihpop analisará a possibilidade de negociação com o proprietário através do crédito fundiário.
Na comunidade é possível, ainda, observar os alicerces de uma construção antiga onde uma escola teria funcionado ali entre 1973 e 1993. A situação será levada pela Sedihpop à Comissão Estadual de Prevenção e Combate a Violência (COECV).
Tiúba/Chapadinha - Após cumprir agenda no Encontro de Comunidades do Baixo Parnaíba, em Brejo, o secretário de Estado de Direitos Humanos, Francisco Gonçalves, acompanhado por uma comitiva da pasta, visitou a comunidade de Tiúba, em Chapadinha. Na área residem 15 famílias há 10 anos e sentem-se ameaçadas por uma ordem de despejo e pela ação de jagunços. Sua ida para a área, à época, foi fruto de uma negociação entre o proprietário e o Banco do Nordeste, na tentativa de quitar uma dívida.
Moradores da área de cerca de 1.000 hectares relataram a queima criminosa de roças, casas e animais. O fornecimento de energia elétrica está suspenso desde dezembro de 2014, pois a fiação foi cortada a mando do proprietário, segundo eles.
O caso, também, será levado à COECV e a Sedihpop analisará a possibilidade de negociação com o proprietário através do crédito fundiário.
Avança pesquisa com soja transgênica no Piauí e Maranhão
Fernando Sinimbu, Embrapa Meio-Norte
01/10/2015
01/10/2015
A Embrapa Meio-Norte está intensificando nos cerrados do Piauí e
Maranhão as pesquisas com as tecnologias transgênicas em soja. Os
trabalhos estão concentrados nas cultivares das linhas Intacta,
Cultivance e RR. A partir da safra 2015-2016, será ampliada a rede de
ensaios na região Meio-Norte, em parcerias com os produtores. Os
estudos, em parceria com a Embrapa Soja e a Embrapa Cerrados, estão
concentrados nos municípios de Uruçuí, no Piauí, e Chapadinha, no
Maranhão.
O pesquisador Paulo Fernando Vieira, responsável pelos estudos,
informa que duas novas cultivares da linha Intacta serão validadas.
Segundo ele, as cultivares são adaptadas à região e têm excelente
performance produtiva, alcançando mais de 60 sacas por hectare. A
disponibilidade de sementes ao mercado deve acontecer para a safra
2016/17.
O trabalho está avançando também com as novas cultivares da linha
Cultivance, desenvolvidas pela Embrapa e a BASF. O pesquisador diz que
essas cultivares podem ser “uma boa alternativa” para áreas onde o
controle de plantas daninhas está sendo ineficiente com o manejo do
herbicida glifosato, em pós emergência.
Hoje, a principal cultivar de soja da Embrapa plantada na região é a
BRS 333 RR. Segundo Paulo Fernando Vieira, a cultivar alcançou uma
média de 70 sacas por hectare em fazendas no município de Bom Jesus, no
Piauí. O último lançamento, a BRS 8890 RR, apresenta, de acordo com o
pesquisador, resistência a nematóide de cisto e pode ser uma alternativa
às áreas de refúgio das cultivares Intactas. Outro destaque é a
cultivar BRS Sambaíba RR.
Na região, os produtores podem continuar plantando cultivares
convencionais, como a BRS 8590, desenvolvida pela Embrapa. Paulo
Fernando Vieira destaca o perfil da cultivar: “A BRS 8890 apresenta
ciclo precoce, hábito de crescimento indeterminado, resistente a
nematoide de galha e tem boa produtividade”. Essa cultivar foi
registrada em 2014 e só agora está chegando ao mercado.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Seminário sobre Terra e Meio Ambiente em Urbano Santos (MA)
Algumas imagens do evento promovido pelo STTR de Urbano Santos (MA), realizado no dia 29/09/2015 onde foram debatidas as questões fundiárias do município.
Fotos: Fórum Carajás
www.forumcarajas.org.br
Algumas imagens da nossa visita a Guarimã- São Benedito do Rio Preto (MA)
Veículo atolado próximo a Comunidade Guarimã (S. Benedito rio Preto/MA)
Buritizal em Guarimã
Após muito esforço da Comunidade - a retirada do veículo
Conversa sobre a questão da terra com a Comunidade de Guarimã
Conversa regada a café, bolo de tapioca, bolo de macaxeira e bejú
Fotos: Fórum Carajás (29-09-2015)
www.forumcarajas.org.br
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