segunda-feira, 6 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
Violência no campo impera no estado do Maranhão
Nos
últimos dias, uma onda de violência rural, patrocinada pelo
agronegócio, promoveu diversas violações aos direitos de povos
originários e de trabalhadores e trabalhadoras rurais no Maranhão. A
história de violência e tragédia se repete, com a vigorosa omissão do
Estado brasileiro. No artigo, confira alguns casos recentes de
conflitos:
(Por Diogo Cabral, advogado CPT/MA)
1. No dia 16.06.2015, a liderança rural Francisco de
Souza dos Santos, do território Campestre, zona rural de Timbiras (MA),
sofreu tentativa de homicídio quando retornava para sua casa, localizada
no Povoado Canafístula. Francisco vinha sendo ameaçado de morte há
algum tempo por conta de sua luta pela emancipação do território
tradicional ocupado por mais de 300 famílias. Em que pese referida
situação, não se tem notícia de instauração de Inquérito Policial a fim
de apurar tal crime, notadamente um crime político. Vale lembrar que em
fevereiro de 2014, nesse mesmo território, Raimundo Brechó, também
liderança camponesa, foi barbaramente assassinado, em razão do conflito,
que perdura há mais de 30 anos, sem que o Estado intervenha para acabar
com essa situação.
2. Na comunidade quilombola de Aldeia Velha,
localizada em Pirapemas (MA), tratores destruíram o território
quilombola, que é ocupado há anos por mais de 150 famílias. Apesar das
várias denúncias e solicitações feitas pela Comissão Pastoral da Terra
(CPT), em maio de 2015, ao governo do Maranhão e ao governo federal, não
foi instaurado inquérito policial para investigar crimes ambientais e
milícias rurais comandadas por fazendeiros da região, que ameaçam
constantemente os quilombolas, com armas de toda a espécie. Mais
recentemente, a própria Promotoria Especializada em Conflitos Agrários
do Maranhão encaminhou Ofício de Nº 84/2015, datado de 26.06.2015,
solicitando ao Estado do Maranhão, por meio da Secretaria de Segurança
Pública, que apurasse a responsabilidade criminal, face a existência de
indícios de crimes contra os moradores posseiros da mencionada área em
que se concentra o conflito, bem como crimes ambientais e possivelmente
formação de milícia armada (artigo 288-A do Código Penal). No entanto,
até o presente momento, nenhuma viatura policial foi até o local do
conflito a fim de realizar as designações do Ministério Público do
Maranhão. De janeiro até junho, as lideranças quilombolas já fizeram uma
centena de registros de ocorrências, todos sem nenhum tipo de
andamento.
3. O Poder Judiciário do Maranhão expediu, em 24 de
junho de 2015, por intermédio das Comarcas de Urbano Santos e Coelho
Neto, respectivamente, duas ordens de despejo contra as comunidades de
Guarimã (zona rural de São Benedito do Rio Preto) e Feitoria (Duque
Bacelar), situação esta que culminará com o desalojamento de pelo menos
60 famílias camponesas que trabalham e vivem nessas áreas há mais de 100
anos e que dependem, única e exclusivamente, da Terra para
sobreviverem. Os despejos poderão ocorrer a qualquer instante. As áreas
são disputadas por produtores de soja (Guarimã) e cana-de-açúcar
(Feitoria).
4. Em 26.06.2015, a liderança indígena do povo Kaapor,
Kapiti Kaapor, foi perseguido por homens armados que, em ato contínuo,
apontaram armas para sua cabeça numa tentativa de intimidação da
liderança. O índio tem participado ativamente da luta pela retirada dos
madeireiros do interior da Terra Indígena Alto Turiaçu. Em 09.06.2015, a
Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA encaminhou Ofícios ao Ministério
Público Federal, Polícia Federal e à Secretaria de Segurança Pública do
Maranhão para que os órgãos tomassem as devidas providências quanto à
onda de violência e selvageria realizadas contra o Povo Kaapor, que
vitimou, em 26 de abril de 2015, Eusébio Kaapor, crime este que sequer
foi esclarecido. No entanto, apesar da escalada de violência,
patrocinada por prefeitos e fazendeiros da região de Centro do
Guilherme, Maranhãozinho e Centro Novo do Maranhão, o Estado nada fez,
restando aos guerreiros Kaapor violência bruta e impunidade.
5. Em 28.06.2015, por volta das 14 horas, vários
homens armados e com coletes balísticos com o emblema da Polícia Militar
do Maranhão, invadiram o Assentamento Campo do Bandeira, localizado em
Alto Alegre do Maranhão, área ocupada por dezenas de camponeses, e
incendiaram casas e depósitos de arroz. Além do incêndio criminoso, os
pistoleiros atiraram em vários bens das famílias. A área em conflito
decorre de um litígio que envolve a fazenda Caxuxa Agropastoril. Os
trabalhadores rurais já foram despejados pelo menos sete vezes. Além
disso, já foram registradas pelo menos 32 ocorrências policiais, no
entanto não há um inquérito tramitando na delegacia local, apesar da
gravidade da coação sofrida pelos lavradores há anos, realizada por
organização paramilitar.
Diante deste cenário trágico, que atesta as reais condições de vida do
campesinato maranhense, é necessário que o governo do Maranhão determine
a constituição de grupo de delegados para investigar as condutas
criminosas aqui especificadas, o mais rápido possível, tendo em vista
que nas cidades em que ocorreram esses crimes não há estrutura alguma
para garantir as devidas investigações. Além disso, é necessário que a
Polícia Militar atue preventivamente nos locais de maiores concentrações
de conflitos agrários, especificamente em Codó, Timbiras, Alto Alegre
do Maranhão, Duque Bacelar, Coelho Neto, Pirapemas, São Benedito do Rio
Preto, Centro Novo do Maranhão, Centro do Guilherme, Maranhãozinho.
Todavia, não sendo possível o envio de policiais militares para essas
localidades, é necessário que o governador do Maranhão solicite ao
Ministro da Justiça agentes da Força Nacional para intervir nos
conflitos agrários. Igualmente, que o Ministério Público Estadual
instaure procedimentos a fim de verificar os crimes aqui relacionados,
tendo em vista a gravidade da situação elencada e, finalmente, que o
Poder Judiciário do Maranhão, por meio dos Juízes Cristiano Simas (que
responde interinamente pela Comarca de Urbanos Santos) e Raquel Castro
Teles de Menezes (titular da 1º Vara da Comarca de Coelho Neto)
suspendam as decisões contra as famílias camponesas, respectivamente de
Guarimã (Processo Nº 13772014) e Feitoria (Processo Nº4522015), visto
que as famílias dependem da terra para sobreviverem
Em busca do tempo perdido em Afonso Cunha
A cidade de Afonso Cunha
parece perdida no tempo e no espaço. A imagem de cidade sossegada do interior
do Maranhão não convence mais ninguém. Que
sossego é esse que desassossega? As comunidades do interior de Afonso Cunha
vivem em situação de penúria sem qualquer auxilio da parte do poder publico
municipal. A prefeitura de Afonso Cunha
iniciou a construção de cinco escolas em 2014. Uma delas é a escola do povoado
de São Pedro e fica ao lado da casa do Antonio Luis, liderança da comunidade. Nenhuma
das construções foi concluída. Buscava-se o Antonio Luis e o tempo perdido de
São Pedro e das demais comunidades com relação a regularização fundiária de
suas áreas. Por incrível que possa
parecer, até os dias de hoje, não foi criado nenhum assentamento por parte do Incra
ou do Iterma em Afonso Cunha. A razão para isso se detem no fato de que a família
Bacelar reteve em suas mãos por muito tempo quase todas as terras do município.
O restante parou nas mãos do grupo João Santos, de Coelho Neto, e do grupo
Costa Pinto, de Aldeias Altas. Os dois grupos em questão plantam cana de açúcar
e, para seus projetos, visam áreas de Baixão, mais próximas dos cursos de água.
As comunidades de Afonso
Cunha navegam na incerteza fundiária que se agravou e que agravou outras questões
como as socioambientais com os desmatamentos das Chapadas para os plantios de
soja. Quem vendeu as Chapadas foram os membros da família Bacelar. As áreas de soja em Afonso Cunha chegam a
cinco áreas. Uma supera a outra em tamanho. Bem na subida para a Chapada, a F W
reflorestamento desmatou mais de 600 hectares de Cerrado. Parte desse
desmatamento virou carvão vegetal que a Viena, empresa de ferro-gusa de
Açailandia, comprou. O restante da madeira os funcionários atearam fogo.
Segundo o Lindomar,
representante do STTR de Afonso Cunha, essa Chapada que abrange as comunidades
de Vereda e São Gonçalo aglutinava o maior numero de bacurizeiros em todo o município.
As comunidades de Vereda e São Gonçalo coletavam bacuris nessa Chapada. Com o
desmatamento, as comunidades ficaram sem bacuri e São Gonçalo ficou sem água,
pois o riacho da comunidade não segurou água no inverno de 2015. O
representante da carvoaria afirmou que
pela licença eles eram obrigados a preservar os bacurizeiros e os pequizeiros.
Como preservar?!!! Não ficou nenhum bacurizeiro e nenhum pequizeiro naquela
parte da Chapada. O representante da carvoaria respondeu que ele só cumpria
ordens do dono da fazenda.
mayron régis
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Agricultores são agredidos durante protesto contra a Vale
sexta-feira 3 de julho de 2015
Nas
últimas semanas, quatro comunidades rurais impactadas pela duplicação
da Estrada de Ferro Carajás (EFC), no município de Buriticupu (MA), a
417km de São Luís, têm se mobilizado para cobrar da mineradora Vale o
cumprimento de providências assumidas por ela durante o processo de
licenciamento ambiental.
Dentre
as condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), está a contratação de mão de
obra local. Os agricultores alegam ainda que a Vale tem descumprido seu
compromisso de destinar recursos para a construção de postos de saúde e
de sistemas de irrigação.
As
comunidades de Vila Casa Azul, Pau Ferrado, Vila Pindaré e 21 de Maio
têm realizado atos de protesto isolados, em datas diversificadas, desde o
início do mês de junho. O conflito provocou a abertura de ações
judiciais na Comarca de Buriticupu, por iniciativa da empresa. "A
comunidade Vila Casa Azul protestou apenas por meio de ofício
direcionado à Prefeitura e mesmo assim a empresa Vale S.A. está
processando judicialmente três membros da Associação de Moradores",
afirmam os integrantes da Associação.
De
acordo com relatos dos moradores das comunidades, em pelo menos dois
casos houve intervenção policial violenta com graves violações de
direitos humanos.
Apesar de estarem diretamente impactadas pelas obras da duplicação da EFC, três das quatro comunidades (21 de Maio, Vila Casa Azul e Pau Ferrado) não foram mencionadas no Plano Básico Ambiental elaborado pela Vale S.A., em processo simplificado de licenciamento ambiental.
Apesar de estarem diretamente impactadas pelas obras da duplicação da EFC, três das quatro comunidades (21 de Maio, Vila Casa Azul e Pau Ferrado) não foram mencionadas no Plano Básico Ambiental elaborado pela Vale S.A., em processo simplificado de licenciamento ambiental.
Veja as reivindicações de cada comunidade:
21 de Maio
A
manifestação ocorreu no início da manhã do dia 9 de junho e
reivindicava empregos, melhoria da estrada que liga a comunidade à
BR-222 e do abastecimento de água na região. Os moradores relatam que,
no dia 11 de junho, um funcionário da Vale esteve na comunidade
negociando com eles e disse que traria uma proposta no dia seguinte. No
entanto, por volta das 16 horas da sexta-feira, dia 12 de junho, um
forte aparato da polícia chegou ao local ameaçando os moradores. Alguns
policiais estavam com toca ninja e sem identificação. Um ônibus da
empresa que presta serviços para a Vale, também deu suporte à operação.
Uma
nova manifestação ocorreu no dia 17 de Junho. Na ocasião, moradores da
comunidade 21 de Maio interditaram a estrada que dá acesso à obra de
duplicação da Estrada de Ferro Carajás. O acesso estava permitido apenas
para moradores da comunidade e carros pequenos que não estejam
identificados como da empresa Vale. Mesmo com a interdição da via, as
obras não pararam, pois a empresa pode utilizar outra estrada de acesso
no município de Bom Jesus das Selvas
Segundo os moradores da comunidade, o constante movimento de veículos de grande porte, que transportam material para a obra, estaria comprometendo a infraestrutura da estrada, principal via de acesso desta comunidade.
Segundo os moradores da comunidade, o constante movimento de veículos de grande porte, que transportam material para a obra, estaria comprometendo a infraestrutura da estrada, principal via de acesso desta comunidade.
Ainda
segundo os moradores, um funcionário da Vale esteve no local, e alegou
que a empresa nada pode fazer, pois isso seria de competência da
Prefeitura de Buriticupu e a empresa já estaria cumprindo o seu papel no
repasse de recursos à Prefeitura. A interdição da estrada já dura 16
dias, três pessoas da comunidade receberam um oficial de justiça com uma
ação de interdito proibitório em seus nomes.
Vila Casa Azul
A
comunidade encaminhou um ofício no dia 20 de maio de 2015 ao prefeito
de Buriticupu, e no dia 22 uma cópia foi entregue também à Vale. Com
base nesse ofício a empresa entrou com ação judicial contra três
dirigentes da Associação de Moradores. O ofício cobrava da Vale e da
Prefeitura algumas ações compensatórias aos impactos da Ferrovia
Carajás. Dentre os pedidos feitos pela comunidade está a construção de
um posto de saúde, sistema de irrigação, melhoramento das estradas,
patrulha mecânica e instalações da rede elétrica.
Pau Ferrado
A manifestação ocorreu entre os dias 2 e 9 de junho de 2015 com a interdição da
estrada que liga a BR-222 (acesso da Casa Redonda) à comunidade, em Buriticupu. A comunidade reivindica que a Vale cumpra com a condicionante de contratar preferencialmente mão de obra local. Outra reivindicação é a melhoria da estrada, que segundo os moradores está danificada em decorrência da grande circulação de carros e caminhões da empresa.
estrada que liga a BR-222 (acesso da Casa Redonda) à comunidade, em Buriticupu. A comunidade reivindica que a Vale cumpra com a condicionante de contratar preferencialmente mão de obra local. Outra reivindicação é a melhoria da estrada, que segundo os moradores está danificada em decorrência da grande circulação de carros e caminhões da empresa.
Os
agricultores relatam que, durante a manifestação, um funcionário da
Vale esteve no local para ouvir as reivindicações e anotou os nomes e
dados pessoais de algumas pessoas sob o pretexto de encaminhá-los ao
Sistema Nacional de Emprego (SINE). Porém, os manifestantes relatam que
no dia seguinte que receberam um oficial de justiça para entregar uma
intimação justamente às pessoas cujos dados haviam sido concedidos.
Segundo o relato de pessoas que estavam no local, a polícia chegou com
um grande contingente de homens, inclusive alguns usando toca ninja e
sem identificação. Algumas motos foram apreendidas pela polícia e
levadas para a sede de Buriticupu.
A
Vale alega que a manifestação se restringiu ao inconformismo de 15
pessoas que não conseguiram emprego, o que contradiz com a grande
participação da comunidade nessas manifestações.
Segundo
o parecer técnico produzido pelo IBAMA, a Vale teria cumprido com a
condicionante de contratar preferencialmente mão de obra local. Porém,
os próprios técnicos do IBAMA admitem que a metodologia utilizada para
aferir a porcentagem de mão de obra local empregada em cada município
(60% nos municípios de menor dinamismo econômico e 80% nos municípios de
maior dinamismo econômico) dificulta veracidade dos dados apresentados,
pois não houve fiscalização e as informações provêm de relatórios
produzidos pela própria empresa.
Vila Pindaré
A
manifestação ocorreu no dia 12 de junho e teve a participação de 45
pessoas que tinham como pauta de reivindicação o cumprimento da
condicionante da contratação de mão de obra local, além da melhoria das
estradas, posto de saúde e ambulância. A manifestação foi reprimida por
um forte aparato policial, distribuído em sete viaturas com cinco
policiais em cada uma. Além disso, carros da prefeitura e um ônibus da
empresa Camargo Correia (empresa terceirizada da Vale), que segundo os
manifestantes, havia sido preparado para conduzir todos os presos da
operação policial.
Segundo
relato dos moradores a polícia agiu com violência desnecessária, alguns
policiais estavam sem identificação no uniforme e outros usavam toca
ninja. Os manifestantes foram colocados em fila indiana e obrigados a
olhar para baixo, sem poder olhar para os policiais, que estavam com
armas em punho apontadas para eles. Conforme declarado por algumas
testemunhas, após liberarem algumas pessoas, os policiais mantiveram
preso um jovem de 23 anos que foi torturado: depois de ser agredido
fisicamente, depoimentos relatam que os policiais utilizaram spray de
pimenta por dentro de suas vestes, direcionando-o a seus órgãos
genitais, em seguida jogaram água para potencializar a dor.
Aumento dos conflitos ao longo da EFC
De acordo com uma pesquisa realizada pela Rede Justiça nos Trilhos,
nos últimos anos, o número de manifestações na Estrada de Ferro Carajás
tem se intensificado. Em 2012 foram registradas três manifestações ao
longo da EFC, em 2013 seis e em 2014 o número de protestos chegou a 15,
aumento de 400% em relação ao primeiro ano do levantamento. A pesquisa
aponta também que essas manifestações tem relação direta com o processo
de duplicação da EFC, da empresa multinacional Vale S/A.
A ditatura da expropriação das terras rurais do Baixo Parnaíba
Segundo a Bíblia Sagrada a terra foi
criada por Deus, mas ele não deixou nenhum atestado nomeando (A ou B) para ser
dono dela... a natureza surgiu junto com sua formula natural. Nasceram os
animais silvestres, as águas, os mares... em fim, tudo em 7 dias. Isso gerou
dúvidas em um certo monarca do Sião, em dizer que Moisés foi um tolo nas
afirmações do Gênesis que a terra foi preparada apenas em uma semana, o determinado
rei defendeu em sua filosofia que o planeta passou milhares e milhares de anos
para ser formado; duas versões existem até hoje: a criação e a evolução,
cansamos de estudar essas coisas pelos bancos escolares mas continuamos em
dúvida. Mas tudo bem, cada um com suas crenças filosóficas. Podemos talvez
acreditar que no início os humanos já viviam sobre essa terra e tiravam dela o
necessário para suas sobrevivências como comida e água. Depois de algum tempo o
homem sofreu seu processo de modificação psicológica decidindo então que o
espaço donde obtinha seu fundamental alimento, seria de sua propriedade... resolvendo-se
tomar posse da terra. Foi daí que surgiu o atrasado grau de inconsciência, de
intolerância... acreditando que a terra (um pedaço de chão) a partir de então teria um dono, o próprio
homem.
Na região do Baixo Parnaíba, leste do
estado do Maranhão (um pedaço do mundo), área essa em quase toda sua estrutura
coberta de Chapadões e Brejais – que concentra uma grande quantidade de
nascentes e cabeceiras de rios, esse território livre foi invadido pelo
programa agroexportador do eucalipto e soja, o primeiro no início de 80 e a
segundo depois. Boa parte dessas terras foram griladas favorecendo aos grupos
empresariais representantes do capitalismo exacerbado – apoios políticos
somaram-se a essas questões na época. Com suas forças capitais e econômicas
destruíram o cerrado e quase toda biodiversidade, tanto a fauna quanto a flora.
O Baixo Parnaíba foi primeiramente habitado pelos índios Tremembés, depois teve
seu importante ciclo das fazendas de cana –de-açúcar, em seguida recebeu os
retirantes do Piauí, Ceará e Pernambuco – ajudando a formar a cultura de nosso
povo. Na década de 80 por exemplo, o território de intocáveis chapadas foi
vítima da plantação destruidora do eucalipto da antiga empresa Florestal LTDA,
gerando a partir de então um grande e infinito conflito agrário e sócio
ambiental. Os camponeses reivindicavam as soberanias das posses das terras onde
os mesmos exerciam suas atividades rurais e os campos de onde colhiam o bacuri.
Os trabalhadores (as) rurais, baseando-se nas práticas da agricultura familiar
como fonte de sobrevivência, tomaram consciência de que a luta pela terra,
mesmo que poderia ser uma batalha cerrada, valeria a pena -após conseguir tão
importante projeto seriam donos de seus próprios destinos. Aquelas terras eram
das associações, mas por falta de interesse não foi possível realizar o que realmente
queria: uma reforma agrária massiva com gente e desenvolvimento sustentável.
A ditatura da expropriação das terras
rurais do Baixo Parnaíba pelos setores do agronegócio é um problema social que
maltrata tanto as comunidades rurais quanto as fontes naturais do bioma
cerrado. A cada dia aparece caso de aviões pulverizadores que ateiam venenos
tóxicos nos campos de eucaliptos, gerando doenças nas pessoas e nos animais que
asseguram o equilíbrio do ambiente. As terras baixoparnaibenses são
concentradas em uma linha de ponta econômica que não pensa em perder essa
guerra de onde os trabalhadores rurais são vítimas desse impacto ecológico e
social. Precisa-se de informações que a coisa não é bem assim... os camponeses
são posseiros por tradição, os donos conhecedores da região do território que é
livre desde séculos bem remotos de nossa história.
José Antonio Basto
Militante dos Direitos Humanos
Email: bastosandero65@gmail.com
(98) 98890-4162
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Incra-MA cria o quinto Projeto de Assentamento em 2015
Publicado dia 01/07/2015
O assentamento Buritizinho do Sousa, situado na cidade de
Morros, distante 105 km de São Luís (MA), teve a implantação autorizada.
Este é o quinto projeto de assentamento criado em 2015 pela
Superintendência Regional do Incra no Maranhão. A Portaria nº 28 de 3 de
junho de 2015, foi publicada no Diário Oficial da União(DOU) na semana
passada.O P. A Buritizinho do Souza têm 3,9 mil hectares e capacidade para 93 famílias que serão agora incluídas na lista de benefícios garantidos pelo governo federal. Por meio do Incra os assentados terão acesso a políticas públicas como o Programa Luz para Todos e o ´Programa Minha Casa e Minha Vida.
Jovenilson Corrêa chefe do setor de Obtenção e Terras da Superintendência Regional do Incra no Maranhão explica que a partir da publicação da portaria, o Incra vai iniciar todos os procedimentos destinados a garantir a inclusão das famílias destes assentamentos nos programas destinados a garantir mais qualidade de vida aos assentados.
A partir da publicação da portaria de criação do P.A , é fixado um prazo de trinta dias para a inclusão do projeto de assentamento no Cadastro Ambiental Rural( CAR).
Ascom/Incra/MA
(98) 3245-9394
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