segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Edital de apoio a pesquisas no Cerrado

Confira o novo edital do UNICOM para apoio a projetos de pesquisa no Cerrado

O ISPN receberá, até o dia 15 de setembro de 2011, propostas de apoio a pesquisas sobre temas relevantes para o uso sustentável da biodiversidade do Cerrado e das áreas de transição para os biomas vizinhos.



Essa iniciativa faz parte do Programa Universidades e Comunidades do Cerrado – UNICOM, desenvolvido com o apoio da União Européia, no âmbito do projeto Florelos.

Faça download do arquivo:

Edital UNICOM 2011

Comunidades denunciam desmatamento e venda ilegal de terras em Barreirinhas/MA



Nós, abaixo-assinados, lavradores, moradores e associados das associações e dos assentamentos de Anajás, Buriti, Gonçalo, Braço, Mangas, Bartolomeu, Pacas, Guaribinha, Munim, Tiririca, Tabocas, Cocal, Onça, Pati, Armazém I, Armazém II e Guaribas dos Neves, município de Barreirinhas, vêm por meio deste oficio denunciar Paulo Canavieria Araujo e sua esposa Zoeli Canavieira Araujo, assentados da reforma agrária no projeto PE Munim, pois os mesmos levam pessoas desconhecidas para comprar terras devolutas de nosso município, inclusive abrindo variantes nas chapadas que estão dentro de povoados já mencionados neste abaixo-assinado. Nestas regiões de Chapadas existem muitas cabeceiras de riachos que servem a população como: riacho do Anajá, riacho do Munim, riacho do Braço e o rio Preguiças.


Barreirinhas(MA), 24 de junho 2011










http://www.forumcarajas.org.br/

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Made in Maranhão

O minério de ferro é o produto que mais movimenta o complexo portuário de São Luis, capital do Maranhão. Pela carteira de minerais, de semi-elaborados e de grãos que são exportados pelos portos se depreende que só a soja e o ferro-gusa saem diretamente das terras e das empresas maranhenses para a Europa e para a China. Quer dizer, nem tanto assim, porque parte da soja exportada vem do Piaui e do Tocantins e parte do ferro-gusa vem das guserias do Pará. Como se pode conferir, o Maranhão se especializou na exportação de uns poucos itens que em nada refletem as características socioambientais das suas comunidades. A ponta-de-lança da exportação é o minério de ferro que a Vale transporta em seus vagões pela estrada de ferro Carajás desde a mina em Parauapebas, no estado do Pará. O número disseminado pelos meios de comunicação discorre sobre 42 milhões de toneladas de minério de ferro. Os números mais escondem do que revelam. A exportação do minério de ferro em sua forma original, assim como a soja, significa que o Maranhao continua sendo um mero entreposto espaço-territorial para empresas de mineração e de grãos. Os projetos de plantios de cana e produção de etanol que parte da elite maranhense depositava suas esperanças vendem seu etanol para o mercado interno quando a pretensão original seria exportar para os Estados Unidos. Pegue-se o caso da Suzano que pretende se instalar na região sudoeste do Maranhão. Nada de novo no front. Com o projeto da Suzano, o Maranhão se especializará em mais um item, a monocultura do eucalipto, que pouco acarretará de mudança no ambiente socioeconômico do estado.    
Mayron Régis

terça-feira, 2 de agosto de 2011

MA: Agravam-se os problemas quilombolas no estado, e compromisso firmado pelo Governo Federal não tem qualquer resultado prático


A denúnica pública do dr. Diogo Cabral(CPT/MA) não é a única ocorrência de violência e ameaças. Em Colinas grileiro de terra quilombola, Jaldo Henrique, primo do deputado federal Carlos Brandão, coloca do carro cabo da polícia militar e adentra comunidade quilombola Peixe. Denunciado por depoimento do líder quilombola Raimundo Mestre à Ouvidoria de Segurança do Estado, Capitão do destacamento vai à casa, dentro do quilombo, de testemunha e não imprime depoimento dizendo que manda depois colher assinatura, de testemunha analfabeta. Além disso, mulher e filho da testemunha estavam na casa e atemorizados com a presença do capitão. Atitude denunciada pelo Forum Maranhense de Segurança Alimentar e Nutricional que se colocou para participar das audiências de depoimento a fim de garantir imparcialidade e transparência ao processo. Nenhuma garantia aos quilombolas, que além das ameaças à perda do lar ancestral também recebem ameaças de morte.
Os casos se multiplicam no Estado a cada dia. Não há tempo sequer para atender o emergencial, muito menos para se planejar uma ação.
Por: Ermelinda Coelho-Forum Maranhense de Segurança Alimentar e Nutricional

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MA: Mansões irregulares nos Lençóis que Justiça mandou demolir seguem de pé

Reportagem especial exibida no domingo (31) no programa “Fantástico”, da Rede Globo, mostrou que em várias partes do Brasil casas, mansões e hotéis são construídos ilegalmente em áreas de proteção ambiental.


Mansões erguidas às margens do Rio Preguiças, em Barreirinhas, na região paradisíaca dos Lençóis Maranhenses, foram destaque na matéria.

Clóvis Fecury e Arione Diniz: mansões irregulares em Barreirinhas


O político maranhense Clóvis Fecury (DEM), suplente do senador João Alberto de Souza (PMDB), e o empresário Arione Diniz, dono das Óticas Diniz, foram citados na reportagem.


As mansões que eles possuem em Barreirinhas foram alvos de ações do Ministério Público Federal (MPF). Em dezembro de 2009, o juiz federal José Carlos do Vale Madeira (5ª Vara) mandou demolir nove (e não sete, como informado no “Fantástico”) construções levantadas irregularmente na área, entre elas as mansões de Fecury e Diniz. Os imóveis permanecem de pé graças a recursos judiciais.


Foto: Reprodução/TV Globo


Mansão de Diniz: rio desviado para fazer praia particular


O assunto foi tema de reportagem do Jornal Pequeno em 2009. O jornal revelou que, além dos imóveis de Clóvis Fecury e Arione Diniz – ambos localizados no povoado Cantinho –, a Justiça mandou derrubar a mansão do contador Waldely Leite de Moraes (povoado Cantinho); as casas de veraneio de Valter Dias (povoado Cantinho) e José Rodrigues de Paiva Júnior (povoado Cantinho); as pousadas de Miguel Costa Ribeiro (“Pousada Lagoa Azul”, no povoado Cantinho), Michael Rudolf Hipp (“Pousada Sossego do Cantinho”, no povoado Cantinho) e da Caetés Pousadas Turismo e Representações (“Pousada Caetés”, na praia de Caburé); a casa de veraneio de José Rodrigues de Paiva Júnior (povoado Cantinho); e o bar da empresa DB Milan (“Bar Terraço do Preguiças”, na praia de Caburé).


O JP também revelou que as nove sentenças do juiz José Carlos Madeira são parte de uma ação do MPF que apontou 82 imóveis irregulares na região, entre eles uma casa da desembargadora Cleonice Silva Freire, do Tribunal de Justiça do Maranhão.


Veja a seguir trecho da matéria do “Fantástico” referente ao Maranhão editado em destaque e também o restante da reportagem:


Áreas de Proteção Ambiental (APA), que deveriam ser preservadas, são invadidas e dão lugar a casas de alto luxo para o conforto de poucos.


Em maio de 2002, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) redefiniu as áreas de preservação permanentes em território brasileiro e proibiu construções a menos de 300 metros do mar.


A mesma resolução do Conama, que tenta proteger as praias, impõe uma regra cristalina: ninguém pode construir a menos de 30 metros da margem de qualquer rio brasileiro. Em um rio largo como o Rio Preguiças, na região dos Lençóis Maranhenses, o resguardo aumenta para 100 metros.


Navegando pelo Rio Preguiças, não foram avistados os bichos que deram nome ao rio. Não seria então o caso de rebatizá-lo como "Rio Mansões"? O Ministério Público Federal quer demolir 18 delas.


“A demolição, conforme os laudos técnicos do Ministério Público Federal, faz com que essa vegetação, que é de preservação permanente, volte a nascer”, explica o procurador Juraci Guimarães.


Para isso, o contador Waldely Leite de Moraes precisa tirar a mansão do caminho. O proprietário passou do limite do rio. No segundo andar da casa, tem uma churrasqueira e mais um quarto. A construção avançou além do que seria o limite da propriedade. O problema é que nem a propriedade pertence ao dono da casa.


“Isso é uma surpresa para o Ministério Público Federal. Essa construção é feita para áreas locais, muitas vezes, com a proteção de políticos locais, de acordos com prefeituras e autorizações que o Ministério Público entende como ilegais”, diz Juraci Guimarães.


A sentença judicial que mandou demolir a mansão afirma que parte da obra "encontra-se encravada em terreno de marinha, que é bem da União", e portanto "de uso comum do povo".

Sentenças de demolição já foram expedidas para sete mansões no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Entre elas, está a de Clóvis Fecury [do DEM, ex-deputado federal maranhense e atual primeiro suplente do senador João Alberto de Souza, do PMDB].


O juiz disse o seguinte: como o terreno foi comprado de um "antigo morador que já o ocupava irregularmente", o político "não pode ser considerado proprietário, mas apenas ‘possuidor’ do imóvel", ficando, portanto, sem qualquer direito sobre ele.


A Justiça também mandou demolir a mansão do empresário Arione Monteiro Diniz [dono das Óticas Diniz], avaliada em R$ 4 milhões. Tem churrasqueira, estacionamento de lancha, deck, lago artificial para criação de peixes, mesinhas com choupanas dentro da água e até um campo de futebol.


A entrada do rio é um dos maiores problemas da casa porque foi construída artificialmente. É uma intervenção na natureza unicamente para atender aos desejos dos moradores de ter uma praia particular perto de casa.


O órgão ambiental responsável por áreas como essa no Maranhão é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É uma instituição federal criada em 2007, ligada ao Ministério do Meio Ambiente.
O coordenador de proteção ambiental do ICMBio, Paulo Carneiro, admite que no entorno do Parque dos Lençóis Maranhenses a fiscalização é falha. “Nosso número de agentes é restrito. Nossos fiscais atendem a demandas prioritárias. Então, em épocas de desovas de espécies ameaçadas de extinção, focamos nisso”, diz.
Os donos foram condenados em primeira instância, mas as mansões continuam de pé. Em nota, [Alfredo Dualibe], o advogado de Arione Monteiro Diniz e de Clóvis Fecury, diz que as casas têm alvará de construção fornecido pela prefeitura e que os proprietários tomaram as precauções necessárias e obtiveram as licenças dos órgãos públicos.


O advogado de Waldely Leite de Moraes afirma que a construção do imóvel foi precedida de licença e que “no local não havia mata ciliar e ou vegetação nativa”. (Do Fantástico, reportagem exibida em 31.07.2011)

Em várias partes do país, há construções ilegais em áreas de proteção ambiental


O “Fantástico” passou três semanas viajando o Brasil para mostrar até onde vai a ousadia de quem ignora a lei ambiental e constrói em áreas que deveriam estar protegidas. Na beira da praia, no alto de morros e na margem de rios são erguidas mansões e hotéis de luxo onde a natureza, por determinação da lei, deveria permanecer intocada.
A destruição de florestas, praias e rios se espalha por todo o Brasil. Será que os donos não sabiam que estavam construindo suas casas em áreas de preservação ambiental? Se não sabiam, pouco a pouco vão sendo avisados pela Justiça. São centenas de ações movidas pelo Ministério Público contra obras e autorizações irregulares.
Mas é bom deixar claro: muitas áreas de preservação permanente ficam dentro de propriedades privadas. O desrespeito à lei acontece quando os donos das terras resolvem desmatar aquilo que têm a obrigação de proteger.


Campos do Jordão (SP) – O repórter Rodrigo Alvarez descobre uma construção irregular e decide entrar. “Eles fizeram o Ministério Público de palhaço”, declara o promotor Jamil Simon.


A indignação do promotor é com o caso do Hotel Surya Pan. O luxuoso conjunto de casas e bangalôs, em Campos do Jordão, a 180 quilômetros de São Paulo, foi erguido com a destruição de 11 hectares de Mata Atlântica. Essa área, equivalente a 17 campos de futebol, foi desmatada em uma região de preservação ambiental, apesar da promessa do dono do hotel. “Ele fez um acordo comigo na Promotoria, para não mais intervir lá”, lembra Jamil Simon.


O termo de compromisso é de julho de 2000. Os donos do Surya Pan admitiram a responsabilidade pelos danos causados ao meio ambiente e prometeram a recuperação completa da área, em um tempo em que o que existia ali era só o começo de uma estrada. “Eles mentiam. Eles diziam que a vegetação estava em estágio inicial. Era pura mentira, falsidade, crime. Aí eles concediam as autorizações com essas declarações falsas”, afirma o promotor Jamil Simon.


O “Fantástico” procurou os responsáveis pelo Surya Pan, mas eles não quiseram se manifestar. Quem concedeu as autorizações para a obra do hotel, mesmo sem poder para fazer isso foi o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN), extinto em 2009.


A maior parte dos documentos tem a assinatura do então supervisor Francisco Fernandes Pereira Neto. “Será que ele está fazendo isso por ser incompetente ou por que ele está recebendo propina?”, questiona o promotor Jamil Simon.


Localizamos o ex-funcionário em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. Ele está desempregado, presta consultorias eventuais e ajuda a mulher em uma clínica veterinária. O engenheiro bota a culpa na Legislação Ambiental Brasileira que ele diz não ser clara: “Ninguém entendia a resolução do Conama”.

Francisco Fernandes Pereira Neto rebate as suspeitas de corrupção: “estou desempregado até agora e trabalho com a minha mulher”. O ex-funcionário foi demitido em 2004 e responde por crime ambiental.


Outro hotel, o Blue Mountain, aberto no ano passado, é um dos mais luxuosos de Campos do Jordão. A diária custa R$ 4.100 para um quarto de casal, com um escritoriozinho e a vista para Mata Atlântica.


Se os hóspedes têm uma vista maravilhosa é porque o Blue Mountain foi construído exatamente no ponto mais alto da montanha. Segundo o Ministério Público, a obra causou danos às nascentes de oito rios e interferiu na fauna de uma região com seis espécies ameaçadas.

“Toda a construção desse hotel está dentro de uma legalidade. Todos os alvarás e licenças foram concedidos pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo”, aponta Roberto Jeolás, administrador do Hotel Blue Mountain.


Só que em 2008, o próprio governo de São Paulo reconheceu o erro e cancelou as autorizações. “É um problema de estado, município, federação. Eles precisam se entender primeiro”, afirma Roberto Jeolás.


Há quatro meses, um juiz mandou demolir o Blue Mountain, obrigando os donos e o governo do estado de São Paulo a pagarem os custos de remoção do entulho e regeneração da natureza, mas ainda cabe recurso, e o hotel funciona normalmente.


São Sebastião (SP) – De cima, é possível ter uma visão muito clara do que acontece na Mata Atlântica e de como o ser humano avança pela natureza em áreas de preservação. Mas nem tudo o que parece é realmente crime ambiental. Algumas casas no cobiçado litoral norte de São Paulo receberam permissão do Ibama ou foram construídas antes das mudanças na lei que aconteceram em 2002. Em maio daquele ano, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) redefiniu as áreas de preservação permanentes em território brasileiro e proibiu construções a menos de 300 metros do mar.


Segundo o Ministério Público, o Condomínio Aldeia da Baleia [em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo], comete três faltas graves: destruição de mata nativa, construção em área de restinga, ou seja, quase dentro da praia, e casas grudadas na margem de um rio. “Ainda há mentalidade no cidadão de que, para ele construir, basta ele adquirir uma área”, ressalta o promotor Matheus Fialdini.


Em nota, a Associação Amigos da Aldeia da Baleia diz que os proprietários adquiriram seus lotes totalmente legalizados e que houve investimentos para minimizar os danos ambientais.


Angra dos Reis (RJ) – A equipe do Fantástico chegou a 4 mil metros de altitude, sobre uma floresta maravilhosa, que é uma sobrevivente. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, menos de 8% da Mata Atlântica resistiram à ação do homem.


De helicóptero, o repórter Rodrigo Alvarez se aproxima da Ilha da Cavala, em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro. Aparentemente, é uma ilha deserta. De repente, aparece um telhado, que se transforma em uma casa. Na verdade, é uma mansão de 1,5 mil metros quadrados. “Ele tentou enterrar a casa e deixou uma cortina de vegetação para quem passar de barco não detectar essa construção”, afirma o José Maurício Padrone, coordenador da Secretaria do Estado do Ambiente do Rio de Janeiro.

Na mansão que o dono tentou esconder, a terra que saiu do buraco da obra foi jogada sobre a mata e a destruiu ainda mais. O Ministério Público pede, além da demolição, que o dono, o empresário Antônio Claudio Resende, pague a conta da limpeza e da recuperação.
Em breve nota, a assessoria do empresário diz que não há pedido de demolição e que o processo de licenciamento está em curso.

Paraty (RJ) – Logo adiante, é avistado um paraíso cobiçado: o Saco do Mamanguá, em Paraty. No local, só sobrou o terreno da casa de R$ 5 milhões construída em área protegida. Foi tudo demolido em novembro passado. Outra casa, segundo o Ministério Público, em situação completamente irregular, avaliada em R$ 10 milhões.


Um rio foi desviado para passar embaixo da casa, e as pessoas poderem ver a água de dentro da sala da casa. Há outros bangalôs à direita e mais em cima um heliponto, para facilitar a chegada.


“Essas construções foram feitas de duas formas: ou negociando licença ambiental fajuta com funcionários corruptos dos órgãos de meio ambiente ou no peito, pelo proprietário”, explica José Maurício Padrone, coordenador da Secretaria do Estado do Ambiente do Rio de Janeiro.


O proprietário resiste. “Ele impede a demolição com recursos de liminares”, diz José Maurício Padrone, que prefere não falar sobre o dono da mansão, o empresário Alexandre Negrão. Em nota, a advogada dele afirma que a “residência foi construída mediante licença da prefeitura e possui autorização do Ibama”.

Na ação, o Ministério Público do Rio de Janeiro repete o pedido: demolição. Pode até parecer contraditório, mas, para aqueles que se empenham na defesa do meio ambiente, ainda vai ser preciso muita dinamite para deixar a natureza em paz. (Do Fantástico, reportagem exibida em 31.07.2011)
 
Por: Osvaldo Viviani
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Exigências da UE para biocombustíveis tiram o sono de sojicultores


Primeiro veio a afirmação: "Os critérios de sustentabilidade dos biocombustíveis que estão sendo impostos pela Europa são barreiras não tarifárias".  Em seguida, o alerta: "Se a soja for prejudicada em sua exportação a Aprosoja pode entrar com ação na OMC [Organização Mundial de Comércio]".

A frase, postada no Twitter por Glauber Silveira da Silva, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja), dá uma ideia do incômodo que as novas regras da União Europeia para entrada de biocombustíveis no continente causou entre os produtores brasileiros de soja.

Introduzida em 1º de janeiro, as diretivas impõem uma série de critérios ambientais para a importação não só do biocombustível, mas também de grãos e óleos que servem de matéria-prima para a produção local do biocombustível.

Depois de três anos de análises, consultas e debates exaustivos, os reguladores europeus decidiram ir além da exigência de que seus fornecedores estejam em dia com a legislação de seu país.  Eles querem agora saber até que ponto determinada produção - seja palma, soja, milho, cana-de-açúcar ou canola - prejudica o ambiente.

Dois pontos específicos estão tirando o sono do setor: um proíbe a plantação de grãos em áreas de pastagens com alta biodiversidade; o outro diz que o biocombustível importado deve ser capaz de reduzir em 35% as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta.  Segundo a indústria, não há embasamento científico em nenhum dos casos.

"O que é uma área de pastagem de alta diversidade?  Eles mesmos não definem isso", questiona o economista da Abiove (Associação Brasileira das Indústria de Óleos Vegetais), Daniel Furlan, que acompanha o setor de biodiesel.

A discussão se acirra quando o assunto é a redução das emissões de gases poluentes.  A UE estipulou uma "nota de corte" de 35%.  Isso quer dizer que, após serem misturados ao combustível mineral nos veículos europeus, o biocombustível deve reduzir em ao menos 35% os gases que joga na atmosfera.

A cana, considerada eficiente, reduz 71%, pelos cálculos da UE, e 90% pelos cálculos da Única (União da Indústria da Cana-de-Açúcar).  Já a soja, pela metodologia europeia, reduz a poluição em 31%.  "O óleo de soja não passa", diz Silva, da Aprosoja.  "O óleo de soja que representa 42% do total das matérias-primas utilizadas para a produção de biocombustíveis".

O percentual de redução de emissões do óleo de canola, a segunda matéria-prima mais usada para biocombustíveis e muito produzida na Europa, é de 36% - um ponto acima da "nota de corte".

"Que isso tem caráter político, tem.  Querem bloquear a nova fronteira brasileira de produção de soja no Mapito [Maranhão, Piauí e Tocantins]", afirma Furlan.

Apesar de o Brasil não exportar biodiesel, as regras da UE afetariam o setor de soja pois atingem toda a cadeia produtiva, diz a Abiove.  A razão é que os europeus têm de exigir certificação do grão ou do óleo importado para produzir localmente o biocombustível.

Para a indústria, se tudo for levado a cabo - ainda faltam pontos a ser regulamentados - não haverá matéria-prima para que a UE atinja seus objetivos ambientais.

As novas regras fazem parte das Diretivas para Energias Renováveis (Red, em inglês) da UE, um conjunto de metas ambientais que devem ser atingidas até 2020.  Entre elas está a mistura de 10% de biocombustíveis nos combustíveis, a substituição de 20% da energia de fonte suja por limpa e a redução de gases no setor de transportes.

A proibição da compra de grãos de áreas desmatadas após 2008 ou em pastagens com alta diversidade é uma resposta dos europeus a críticas de organizações não governamentais.  Indonésia e Malásia, os maiores produtores de palma do mundo, obtiveram essa posição às custas das florestas tropicais.  A expansão da soja, às custas da Amazônia e Cerrado.

Mesmo desconsiderados esses tópicos, os produtores de soja brasileiros teriam dificuldades em obter a certificação necessária para poder exportar à UE.  A maioria ainda detém passivos ambientais em suas propriedades rurais, como Reserva Legal e Áreas de Proteção Permanente, exigidas pela lei.

Por ora o setor não tem nenhum plano concreto para pressionar o governo e levar o caso à OMC.  "Estamos sempre conversando com o governo", diz a Abiove.  Em todo caso, o setor acompanha os desdobramentos nos EUA, que faz etanol de milho.  Recentemente, a American Soybean Association expressou preocupação com as diretivas europeias ao secretário de Agricultura, Tom Vilsak, e ao representante comercial do país, Ron Kirk.



Por: Bettina Barros -De São Paulo
Fonte: Valor Online


Conflitos marcam situação fundiária no Maranhão

A Anistia Internacional, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Secretaria de Segurança do estado foram acionados depois de dois agentes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) serem ameaçados de morte no Maranhão, na segunda-feira passada (25).

Minutos antes de uma audiência, o fazendeiro Edmilson Pontes de Araujo disse que precisa “passar o fogo de vez em quando”. Ele fazia referência ao advogado Diogo Cabral e ao padre Inaldo Serejo, que atuam na defesa da comunidade quilombola de Pirapemas. A disputa envolve mais de mil hectares de terras tradicionais, segundo relato do advogado.
“Vários outros têm sido ameaçado constantemente, seja por particulares, seja por policiais. É uma situação que temos denunciado há bastante tempo. Vêm as ameaças, depois as tentativas de homicídio e depois os homicídios. E fica por isso mesmo.”
Quase 1/4 da população maranhense vive abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Senso 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 50 municípios mais pobres do país, 32 são do Maranhão. Cabral lembra que o estado apresenta uma das maiores concentrações de terras do país.
“76% da população do estado do Maranhão é negra e hoje vivem no campo quase 40% da população do estado. O que ocorre é uma explosão de violência Ficam de um lado os trabalhadores rurais quilombolas com seus direitos territoriais ameaçados e, de outro lado, os fazendeiros, empresários, sojicultores e criadores de búfalo ameaçando, incendiando casas.”
Ainda segundo Cabral, a duplicação da estrada de ferro Carajás causará impactos em inúmeras comunidades. Os quilombolas não tiveram direitos reconhecidos no processo de licenciamento. A mineradora Vale é responsável pela obra.

Por: Jorge Américo, da Radioagência NP
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