http://www.independent.co.uk/environment/nature/britains-taste-for-cheap-food-thats-killing-brazils-other-wilderness-2266062.html#
).
Assinada por Martin Hickman, a matéria estabelece as interconexões entre o
hábito britânico de comprar comida barata nos supermercados e a devastação
do
Cerrado para o plantio de soja, processo que coloca em risco espécies da
fauna e
da flora, além de descaracterizar o modo de vida das populações
tradicionais. "O
que era, há apenas uma geração, uma extensão contínua de 2 milhões de
quilômetros quadrados na região central do Brasil, tornou-se agora um campo
de
plantação de grãos de soja, esperando para alimentar porcos e galinhas na
Europa
e na China" (tradução livre).
A reportagem de duas páginas, com fotos de tamanduá, arara, anta e veado,
destaca ainda a importância do Cerrado para a biodiversidade, para a
"produção"
de água potável e para a manutenção do carbono no solo (uma vez que as
árvores
detêm um estoque significativo de carbono em suas raízes) e cobra uma
pressão
para que os supermercados britânicos e fazendeiros comprem soja somente de
produtores que atuem dentro das normas da Round Table on Responsible Soy
(RTRS),
respeitando os limites de desmatamento e uso de agrotóxicos.
O motivo do destaque no jornal foi a visita ao Brasil da Secretária de Meio
Ambiente do Reino Unido, Caroline Spelman, que esteve no País na semana
passada
para 'acompanhar' os preparativos da Rio+20 e visitou o Cerrado, ciceroneada
pela ministra Izabella Teixeira.
Entre as fontes ouvidas estão: Michael Becker, coordenador do Programa
Pantanal-Cerrado da WWF/Brasil; e José Correia Quintal, representante da
Cooperativa Sertão Veredas. Quintal deu o seu recado, publicado no The
Independent: "desenvolvimento é importante, não somos contra, mas entendemos
que
ele deve ser balanceado (...). O desenvolvimento tem trazido dinheiro e
lucro,
mas, ao mesmo tempo, agrotóxicos estão afetando a saúde da população e
contaminando os rios. A biodiversidade do Cerrado é muito importante, porque
cada planta, cada fruta tem um uso medicinal ou serve de alimento. Nossa
preocupação é que muitas espécies estão desaparecendo, animais e vegetais, e
nós
dependemos delas para sobreviver"
terça-feira, 12 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
PI: Câmara Municipal da cidade de Hugo Napoleão notifica a empresa Suzano Papel e Celulose
A Câmara Municipal da cidade de Hugo Napoleão enviou ofício notificando à empresa Suzano Papel e Celulose a apresentar documentos que deram autorização para implantação dos referidos serviços na zona rural do município.
O ofício foi encaminhado no último dia 15 de março e fixou prazo de 15 dias para que a empresa apresentasse a documentação. O prazo estabelecido excedeu no último dia 30 e até a presente data a empresa não apresentou nenhuma documentação.
O correspondente do Portal GP1, do município de Hugo Napoleão, teve acesso ao conteúdo do ofício.
Segundo o presidente da Câmara, vereador Francisco Fantana, caso a empresa não se manifeste, será encaminhado nos próximos dias, à Prefeitura Municipal, um documento solicitando a imediata suspensão dos trabalhos em andamento em todo o território hugonapoleonense, até que a situação de regularize.
A Lei Orgânica do município de Hugo Napoleão determina que para instalação de serviços iguais o que a empresa implantou no território hugonapoleonense seja feito um projeto direcionado. Exigindo-se ainda, publicidade do ato.
O que se sabe é que foi desmatada uma grande área de terra na zona rural do município de Hugo Napoleão. Com isso os animais silvestres que habitavam a área ficaram expostos aos predadores. Segundo relatos de testemunhas, a toda hora se veem veados, tatus, cutias, entre outros animais, à deriva, procurando o habitat natural que não mais existe.
Veja o ofício na íntegra:
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 01
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 02
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 03
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 04
Texto e imagens: Valdomiro Gomes
www.gp1.com.br
O ofício foi encaminhado no último dia 15 de março e fixou prazo de 15 dias para que a empresa apresentasse a documentação. O prazo estabelecido excedeu no último dia 30 e até a presente data a empresa não apresentou nenhuma documentação.
O correspondente do Portal GP1, do município de Hugo Napoleão, teve acesso ao conteúdo do ofício.
Segundo o presidente da Câmara, vereador Francisco Fantana, caso a empresa não se manifeste, será encaminhado nos próximos dias, à Prefeitura Municipal, um documento solicitando a imediata suspensão dos trabalhos em andamento em todo o território hugonapoleonense, até que a situação de regularize.
A Lei Orgânica do município de Hugo Napoleão determina que para instalação de serviços iguais o que a empresa implantou no território hugonapoleonense seja feito um projeto direcionado. Exigindo-se ainda, publicidade do ato.
O que se sabe é que foi desmatada uma grande área de terra na zona rural do município de Hugo Napoleão. Com isso os animais silvestres que habitavam a área ficaram expostos aos predadores. Segundo relatos de testemunhas, a toda hora se veem veados, tatus, cutias, entre outros animais, à deriva, procurando o habitat natural que não mais existe.
Veja o ofício na íntegra:
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 01
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 02
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 03
Reprodução do ofício encaminhado à empresa Suzano Papel e Celulose pag. 04
Texto e imagens: Valdomiro Gomes
www.gp1.com.br
O Projeto "As Carrancas do Senhor Onésio", em Buriti de Inácia Vaz/MA
Acaso se apostasse no que redundará o projeto “As Carrancas do senhor Onésio” para o município de Buriti de Inácia Vaz e para o Baixo Parnaíba maranhense como um todo em que ponto do projeto a aposta flecharia? Uma parte dos apostadores, certamente, apostaria no fracasso do projeto tendo em vista outros projetos ou quimeras de projetos que se danaram por obra e graça de um ou mais políticos. Outra parte, certamente, apostaria que o projeto é uma forma de se apiedar com as comunidades que padecem dos efeitos deletérios da fronteira agrícola, mas nada que atormente muito o seu dia a dia. Uma mínima parte apostaria em afogar as mágoas dos outros com mudas de bacuri, de juçara e de buriti às margens do rio Preto, bacia do rio Munim, Baixo Parnaiba maranhense, antes que os desmatamentos das Chapadas assoreiem por completo o leito do rio. Esses plantios de soja, nas Chapadas de Buriti de Inácia Vaz, comportam mágoas que os moradores, simplesmente, evitam na hora do pega pra capar.
Cerrado no Baixo Parnaíba (arquivo Fórum Carajás)
Quem vendeu a sua posse de terra para os gaúchos, tão bem vendido, que a maior parte da comunidade foi pega de surpresa com o correntão espatifando a mata nativa da Chapada? O André, plantador de soja nas Carrancas e nas proximidades, propôs para o Vicente de Paula, que detém 180 hectares na Chapada, a troca de sua posse por pingos de propriedade, do tipo aqui vai 18 hectares, ali vai mais 18 e por ai vai. O Vicente balançou com a proposta, contudo, na reunião preparatória do projeto “As Carrancas do Senhor Onésio”, no dia nove de abril de 2011, o próprio desembarcou do regatear do André e embarcou com quase toda a família no projeto.
Na tarde do mesmo dia Vicente responderia ao representante do André com uma negativa para o regateio. O que argamassou a decisão do Vicente de suspender as tratativas foi a comparação da época em que resolvera morar naquela parte da Chapada, quando tudo era mais difícil, para aquele momento em que produzia de tudo um pouco. No seu intimo, talvez o Vicente acariciasse velhas incertezas quanto a posse dos 180 hectares. Ele protocolou junto ao Iterma um pedido de regularização fundiária e nenhuma equipe vistoriou a sua área. Quanta diferença quando o pedido surge de um agricultor familiar em vez de um plantador de soja ou de eucalipto, não é mesmo?
Por: Mayron Régis (Fórum Carajás)
http://territorioslivresdobaixoparnaiba.blogspot.com/
Fetag-PI vai promover audiência pública para discutir impactos provocados pela Suzano em Elesbão Veloso
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Piauí(Fetag-PI), pretende estar discutindo nos próximos dias através de audiência pública os impactos provocados pela Suzano Papel e Celulose em Elesbão Veloso, onde a empresa possui negócios. A informação é do secretário-geral do órgão, Anfrísio Moura que visitou a cidade recentemente e se mostrou preocupado com a situação que se encontra o município no que se refere a área ambiental.
"Vamos procurar os ambientalistas para conversar sobre o problemas dos desmatamentos que tem havido em Elesbão Veloso, aqui já é seco, imaginem daqui a a 10 anos", falou Anfrísio, prevendo fortes impactos, provocados pela Suzano, a partir do desmatamento de centenas de hectares de terra para a plantação de eucalipto.
Anfrísio propagou que nos próximos dias a Fetag-PI vai mobilizar os sindicato rural para que este provoque a prefeitura, a Câmara dos Vereadores, demais órgãos e moradores para que juntos possam discutir os prós e contras, a partir de 2009, quando a Suzano Celulose se instalou em Elesbão Veloso.
www.elesbaonews.com.br
"Vamos procurar os ambientalistas para conversar sobre o problemas dos desmatamentos que tem havido em Elesbão Veloso, aqui já é seco, imaginem daqui a a 10 anos", falou Anfrísio, prevendo fortes impactos, provocados pela Suzano, a partir do desmatamento de centenas de hectares de terra para a plantação de eucalipto.
Anfrísio propagou que nos próximos dias a Fetag-PI vai mobilizar os sindicato rural para que este provoque a prefeitura, a Câmara dos Vereadores, demais órgãos e moradores para que juntos possam discutir os prós e contras, a partir de 2009, quando a Suzano Celulose se instalou em Elesbão Veloso.
www.elesbaonews.com.br
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Empresa da Holanda prepara-se para explorar energia vegetal em Codó e região
Entenda um pouco sobre como funcionará o projeto da ENNECO
Nas cidades, por onde o projeto pretende passar no leste maranhense, milhares de famílias vivem do coco babaçu. Um trabalho duro que dona Maria Luiza Soares pratica desde os 12 anos de idade.
Da adolescência aos dias de hoje a mesma reclamação – o babaçu, para a extrativista, não tem valor. O quilo da amêndoa não passa de R$ 1,00.
“Comprar umas besteirinhas só pra menino…DÁ PRA COMPRAR ALGO PRA COMER? pra comprar arroz é obrigado ser uns 3 quilos…AÍ DÁ MUITO TRABALHO? Dá”, respondeu
Estimativas mostram que no Maranhão esta atividade é meio de vida para mais de 300 mil famílias. De olho nesta renda, investimentos holandeses estão chegando ao Estado com um projeto grandioso.
HOLANDA EM CODÓ
Por envolver proprietários de terras e, diretamente, a vida das quebradeiras de coco tradicionais, o projeto europeu tem demorado e a implantação já se arrasta há mais de dois anos. A fase atual é de conversa com os latifundiários de Codó, Timbiras, Coroatá, Cantanhêde e Pirapemas. A intenção é mostrar à eles que é possível lucratividade com sustentabilidade.
O cientista agrário, Osvaldo Albuquerque, que acompanhou a consultora internacional do projeto em visita de sensibilização, ontem, 5, à Codó, explicou que a empresa da Holanda (ENNECO) vai arrendar parte da propriedade que aderir à proposta e revitalizá-la tornando-a mais produtiva, vantagem, na visão dele, para o dono que a mantinha ociosa.
“ Ele define que tem uma área livre com babaçu que não sendo utilizada pra nada e ceder, plenamente ceder, à proposta ou seja, adquirir uma renda dessa área ociosa, que está sem produção nenhuma, sem comprometer as atividades de rotina da parte dele”, explicou Osvaldo
ENERGIA
Em cada município, os secretários de agricultura participam da sensibilização. José Cordeiro de Oliveira, da secretaria de Codó, revelou que a intenção maior do projeto europeu é produzir uma energia vegetal pouco explorada no Brasil.
“Por exemplo, o endocarpo que era levado in natura ou feito carvão vai ser transformado em péletes, que é uma pilha de energia concentrada e isso vai viabilizar o projeto”, disse Cordeiro
Quem vive do babaçu na região ver o projeto com restrições. Dentro da área que for arrendada quebradeiras de coco e seus familiares poderão trabalhar, mas para a empresa. Na opinião de seu José de Ribamar da Silva, que vive do babaçu e da lavoura, isso cheira redução de área livre para a sobrevivência de quem depende da roça e destas abundantes palmeiras.
“de que que nós vivemos, nós vivemos é de comer arroz, farinha e a farinha é da mandioca e a gente tem que plantar mandioca é da terra e o arroz, o milho é na terra… se arrendar como é que o pobre vai viver, vai morrer de fome”, questionou preocupado o quebrador
FÁBRICA
Uma fábrica será construída no município com maior densidade de babaçu. Este ainda não foi definido. Cuidando dos interesses do projeto já existe na região a chamada Associação Intermunicipal dos Cocais, envolvendo os municípios citados na reportagem.
Por: Arcelio Trindade
blogdoaceliotrindade
Nas cidades, por onde o projeto pretende passar no leste maranhense, milhares de famílias vivem do coco babaçu. Um trabalho duro que dona Maria Luiza Soares pratica desde os 12 anos de idade.
Da adolescência aos dias de hoje a mesma reclamação – o babaçu, para a extrativista, não tem valor. O quilo da amêndoa não passa de R$ 1,00.
“Comprar umas besteirinhas só pra menino…DÁ PRA COMPRAR ALGO PRA COMER? pra comprar arroz é obrigado ser uns 3 quilos…AÍ DÁ MUITO TRABALHO? Dá”, respondeu
Estimativas mostram que no Maranhão esta atividade é meio de vida para mais de 300 mil famílias. De olho nesta renda, investimentos holandeses estão chegando ao Estado com um projeto grandioso.
HOLANDA EM CODÓ
Por envolver proprietários de terras e, diretamente, a vida das quebradeiras de coco tradicionais, o projeto europeu tem demorado e a implantação já se arrasta há mais de dois anos. A fase atual é de conversa com os latifundiários de Codó, Timbiras, Coroatá, Cantanhêde e Pirapemas. A intenção é mostrar à eles que é possível lucratividade com sustentabilidade.
O cientista agrário, Osvaldo Albuquerque, que acompanhou a consultora internacional do projeto em visita de sensibilização, ontem, 5, à Codó, explicou que a empresa da Holanda (ENNECO) vai arrendar parte da propriedade que aderir à proposta e revitalizá-la tornando-a mais produtiva, vantagem, na visão dele, para o dono que a mantinha ociosa.
“ Ele define que tem uma área livre com babaçu que não sendo utilizada pra nada e ceder, plenamente ceder, à proposta ou seja, adquirir uma renda dessa área ociosa, que está sem produção nenhuma, sem comprometer as atividades de rotina da parte dele”, explicou Osvaldo
ENERGIA
Em cada município, os secretários de agricultura participam da sensibilização. José Cordeiro de Oliveira, da secretaria de Codó, revelou que a intenção maior do projeto europeu é produzir uma energia vegetal pouco explorada no Brasil.
“Por exemplo, o endocarpo que era levado in natura ou feito carvão vai ser transformado em péletes, que é uma pilha de energia concentrada e isso vai viabilizar o projeto”, disse Cordeiro
Quem vive do babaçu na região ver o projeto com restrições. Dentro da área que for arrendada quebradeiras de coco e seus familiares poderão trabalhar, mas para a empresa. Na opinião de seu José de Ribamar da Silva, que vive do babaçu e da lavoura, isso cheira redução de área livre para a sobrevivência de quem depende da roça e destas abundantes palmeiras.
“de que que nós vivemos, nós vivemos é de comer arroz, farinha e a farinha é da mandioca e a gente tem que plantar mandioca é da terra e o arroz, o milho é na terra… se arrendar como é que o pobre vai viver, vai morrer de fome”, questionou preocupado o quebrador
FÁBRICA
Uma fábrica será construída no município com maior densidade de babaçu. Este ainda não foi definido. Cuidando dos interesses do projeto já existe na região a chamada Associação Intermunicipal dos Cocais, envolvendo os municípios citados na reportagem.
Por: Arcelio Trindade
blogdoaceliotrindade
terça-feira, 5 de abril de 2011
Geraldo Iensen comenta o Livro "AS CHAPADAS E OS BACURIS", de Mayron Régis
Amar o Brasil é a amar a Terra, os brasileiros, os índios, as árvores, as onças que esturram nas praias do rio das Mortes, os tatus que se enterram nos cerrados. Como amar essas coisas tão intocáveis? Eu conto: amar tudo isso é sobrevoar embasbacado o meu amado Goiás e ver seu chão coberto de intervenções humanas em larga escala; é atravessar as estradas vermelhas do Mato Grosso e sofrer ao ver a soja invadindo os buritizais e o paricá se tornar tapete no Pará; é passar pela região do Maracaçumé, no Maranhão e ver com amargura que o lindo rio agoniza e que a floresta amazônica sumiu sem deixar vestígio. Amar o Brasil é sentir-se feliz com o calor úmido da comunidade São Raimundo, escondida no meio do nada na chapada, nas nascentes do rio Preguiças.
É uma tristeza ver o cerrado coberto de eucalipto. Mas como compreender essa tristeza? Leia esse livro: As chapadas e os bacuris, do jornalista Mayron Régis. Já escrevi sobre o trabalho desse autor, sua empreitada junto ao Fórum Carajás na defesa do cerrado. Embora eu me pareça mais o Quixote e ele mais o Sancho, sinto tanto esse papel invertido quando participo de suas jornadas. Talvez Baudelaire me chamasse Dandi, não sei do que chamaria Mayron, mas essa relação social artificial que imperana Modernidade, Baudelaire anteviu há bem mais de cem anos. Ou seja, a história é simples, tá aqui, na nossa cara. Mayron expõe nessas pouco mais de cem páginas as relações nefastas, irresponsáveis, corruptas que traçam os grandes projetos econômicos com o poder estatal, na implantação de um projeto desigual e injusto para as populações tradicionais locais, ou seja: os grandes projetos assumem a terra e as populações saem dela.
E o que o amor tem com isso? Nada a ver com romantismo, patriotismo, ou ufanismo.Mas é assim que os textos do livro se desenrolam: com amor. Não uma paixão pela luta, pela “defesa do meio ambiente”, nada assim, nenhum nome assim. Talvez seja difícil explicar com palavras, ou talvez fosse ainda com a potência de uma produção cinematográfica norte-americana; mas é fácil, pelo menos quando se está ali na Chapada, na comunidade São Raimundo vendo a Francisca, líder comunitária, cantar um hino que fez pra Mayron, e vê-lo avermelhar-se. Vê-lo ser chamado de amigo. Aquilo não é nada além de um largoensinamento do que é a vida; mais que um conflito entre Hegel e Cioran, que me ensinaram tão menos que uma viagem à chapada e seu povo simples.
Os textos do livro são um mosaico, assim como o cerrado com suas comunidades, se constrói no solo do maranhão, Estado que abriga (mal) o povo que explorou, uma vez que grande parte dessas comunidades é constituída de remanescentes de quilombos, as que não são, configuram-se como tantos outros explorados e esquecidos do país. Situação que é tão bem lembrada em alguns textos, como no que fala da Caravana da Cidadania de Lula, candidato a presidente, no ano de 1994. Nesse texto vemos as soluções fajutas para os problemas dos estados, soluções que como todas, visam unicamente a resolver os “problemas” dos mandatários, que querem sempre um quinhão maior. As populações? Essas que deem o seu jeito.
Há uma apresentação claríssima da sedução por poder econômico (por dominação tecnológica – de manejo da terra, das leis – do amasio com o projeto liberal de partes do poder público) através da narração (nada linear) de fatos ocorrido nas mais diversas comunidades, do Alto Parnaíba ao Munin. Nesse tema é certeiro quando escreve:
“Seguindo uma tendência totalitária da vida moderna, os setores agroexportadores querem virar as páginas da história rapidamente e assim, quem sabe, recomeçá-la de uma página em branco ou remontá-la com trechos apócrifos. A boca enche ao conjurar verdades cientificastais como os memorandos verbais do ministro da agricultura Reinold Stephanes e da senadora Kathia Abreu que execram o código florestale etc.De algum lugar do país, o ministro e a senadora defendem o Estado mínimo quando se refere à defesa do meio ambiente e o Estado máximo quando se refere a incentivos fiscais para os produtores rurais como se fossem versões tupiniquins de um santo-liberal europeu ou americano do pau-oco”.
Nesse mosaico o que se sobressai para análise do leitor é o corpo inteiro da comunidade, sua formação, sua atuação, seus potenciais. O texto é muito enxuto, são poucas linhas, cheias de poesia e de informação (de base). Isso mesmo:POESIA! Como o autor, um jornalista, consegue isso? É o talento raro, de um tipo raro de profissional, que pode se juntar a mais quatro camaradas para, num Fiat uno, percorrer centenas de quilômetros nas estradas maranhenses, que, como é sabido de todos, são as piores do país. Quem anda de Hylux são os assessores da Suzano.
As assertivas dos textos são sempre em tons certeiros; preenchem o corpo do livro como um índio mostra o caminho na mata pra um imberbe: “tá ali, ó, não tá vendo?!”. São trechos como “os desmatamentos das Chapadas no cerrado sul-maranhense atingem principalmente o extrativismo de frutas praticado pelas comunidades”; ou “os desmatamentos no Baixo Parnaíba maranhense se devem à falta de regularização fundiária e ambiental por parte dos governos federal e estadual e pela pressão das siderúrgicas da Amazônia oriental que fornecem ferro-gusa para os Estados Unidos”.
Um texto no qual a realidade mais se estampa seria: “... o funcionário da Suzano acercou o Sebastião por duas horas com sugestões do tipo “Digam o que querem. Querem educação, saúde ou produção?”. “O gestor municipal responde por essas áreas e não vocês.” - respondeu Sebastião”. Porque é nessa relação que o homem simples das chapadas se perde. Ele sabe das funções do estado, mas o estado oferece ao capital a possibilidade de barganha. É como se o aliciador de terras se oferecesse pra mediar o desenvolvimento das comunidades, através de sua bondade e de seu acesso ao poder público. Muitos se entregam, como Mayron mostra. Nem tudo é vitória.
A batalha pela conservação é grande e uma das características que o autor nos mostra é a impiedade com que se golpeia o adversário, como o cansaço não faz parte da luta, como a visão é otimista frente a tão poderoso inimigo: esse, o capital, a grande empresa, o agronegócio, essas instituições “tão sem cara”, que avançam sobre tudo que é tradicional e ameno.
São variados os caminhos percorridos pelo livro, desde análises amplas e gerais, sobre grandes movimentações financeiras, grandes investimentos (a monarquia das commodities), até a situação precária das comunidades por excesso ou falta de chuva, ausência de escola ou medicamentos, cada um na sua hora. Poderia escolher entre muitos pra encerrar esse breve comentário com uma citação. Tudo é motivo de interesse, tudo tem uma razão de ser e de estar, tudo caberia; escolho terminar questionando, baseado na obra de Mayron, a validade de estarmos raspando o cerrado, matando as nascentes dos rios e expulsando as populações locais pra sustentar de papel as necessidades imensas da China.
Há quem levante a voz contra isso. A arma é a verbo, e, como essência da vida, é arma honesta. Dentro do verbo a poesia, essência do homem.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Desmatamento do cerrado tem queda de quase 50%
Os dados do Ibama mostram que, por ano, a destruição do bioma equivale a 0,37% dos 2,03 milhões de hectares do cerrado. Antes o percentual era de 0,69%. O bioma ocupa um quarto do país e se espalha por doze unidades da federação. Em extensão e biodiversidade, o cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, perdendo só para a Amazônia. Nele nascem as três principais bacias hidrográficas do país: a Amazônica (Araguaia-Tocantins), a do Paraná-Paraguai e a do São Francisco.
O desmatamento anunciado em setembro de 2009 foi o primeiro divulgado pelo governo fruto de um monitoramento por satélite - o que já é feito na Amazônia há vinte anos. No entanto, o número foi revisado e caiu de 21.260 km2 anuais para 14.000 km2. O estado que mais desmatou entre 2002 e 2008 foi o mesmo que seguiu na liderança no ano seguinte: o Maranhão, que neste último período converteu 2.338 km2 (1,1% do total) de cerrado em carvão. Este é, segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, uma das principais causas da destruição do bioma.
Devastação pode cair em aproximadamente 40% De 2002 a 2008 o Maranhão derrubou 23.144 km2 árvores.
- A exploração da madeira do cerrado para fabricação de carvão vegetal é um fator importante. O novo dado indica que estamos vivendo uma tendência de contenção do desmatamento no cerrado - diz Bráulio, defendendo que, mantidas as taxas atuais, o governo cumprirá a meta prevista na lei climática de reduzir a devastação do bioma em 40% até 2020.
Depois do Maranhão, os estados que mais contribuíram para este resultado no último período medido foi Tocantins (1.311 km2 destruídos), Bahia (1.000 km2 destruídos) e Mato Grosso (833 km2 destruídos). Com o novo monitoramento feito pelo Ibama é possível identificar desmatamentos acima de dois hectares - uma precisão bem maior do que o sistema que checa a destruição da Amazônia, o Prodes, que so consegue "enxergar" derrubadas superiores a 6,25 hectares. A medição do cerrado também agora passa a ser feita anualmente.
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