segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Safra dos bacuris nas comunidades de Urbano Santos: territórios longe das monoculturas agressivas!




Se aproxima a temporada de colheita do bacuri, fruta especial das chapadas do município de Urbano Santos e toda região do Baixo Parnaíba maranhense. Rica em vitaminas, o bacuri é nativo da floresta tropical amazônica, essa fruta pouco maior que uma laranja, com pele mais espessa de uma cor amarelo-limão pertence à família (Guttiferae), oferece muitos benefícios para a saúde e é usado em cremes, geleias, doces, bolos, purê e licores.
O bacurizeiro, conhecido cientificamente como (Platonia insignis) pode atingir mais de 40 metros de altura, com tronco de até 2 metros de diâmetro nas árvores mais desenvolvidas. Sua madeira considerada nobre também tem variadas aplicações, mas é proibida a derrubada, apesar dos crimes de capitação ilegal. É encontrada naturalmente desde o Piauí seguindo a costa do Pará até o Maranhão. A massa possui alguns nutrientes em ​​quantidades notáveis de fósforo, potássio, ferro, cálcio e vitamina C; a casca também é aproveitada na culinária regional e o óleo extraído de suas sementes é usado como anti-inflamatório e cicatrizante na medicina popular e na indústria de cosméticos. Comunidades tradicionais de Urbano Santos como São Raimundo, Boa União, Bom Princípio e Bracinho praticam o extrativismo do bacuri servindo como fonte de renda para as famílias camponesas, além de uma alimentação saudável. Um dos problemas nesse período de safra é a derrubada do fruto ainda verde, mas as associações destas comunidades citadas se juntaram para defender o território (chapadas) e criaram autonomamente uma lei que proíbe a derrubada do bacuri verde, pois o bacuri para ser colhido deve-se esperar o fruto cair de maduro – assim colaborando para a reprodução da espécie - quando se joga rebolo e bagunça seus galhos, no ano seguinte aquele pé não brota mais, atrasa de 1 a 2 anos para voltar ao normal.  Com leis severas, o conselho de fiscalização formado pelos presidentes das associações desde algum tempo já fazem a fiscalização rondando as variantes das áreas, punindo aqueles que desobedecerem as leis do Estatuto Social das entidades e o documento oficial que foi discutido coletivamente. Os moradores do São Raimundo lutam pela terra, batalham pela sobrevivência em convivência com a natureza. Chegando agora o período do inverno os frutos desabam no chão, homens e mulheres sobem o carrasco e as chapadas com seus côfos e jacás para a colheita. Os catadores devem ter a consciência de colher o bacuri no tempo certo, essa prática faz parte de suas vidas. Problemas fundiários que se arrastam há décadas envolvendo empresas, latifundiários e famílias camponesas atrapalham o modo de vida destas comunidades.
A terra é o bem comum, as chapadas onde estão localizados os bacurizeiros são devastadas e transformadas em campos limpos para o plantio de eucalipto e soja. Empreendimentos no campo com investimentos capitalistas que não visam o desenvolvimento das comunidades rurais são aplicados a cada dia. As empresas da monocultura nunca respeitaram os modos de vida das comunidades tradicionais, os camponeses sempre levaram a sério o processo de racionalidades por serem resistentes nos seus modos de reprodução social e cultural na agricultura familiar, no extrativismo numa relação amorosa com a natureza – espaço sagrado e coletivo. Os bacurizeiros e pequizeiros são espécies mais conhecidas de nossa região e merecem respeito, merece respeito toda biodiversidade. Destacando as lutas em defesa do meio ambiente percebemos que ainda temos muito que avançar. Para acentuar, nós do movimento social travamos uma luta em 2016, encabeçando um projeto de lei de iniciativa popular com o apoio dos trabalhadores rurais, com a proposta de se criar uma lei junto ao legislativo para proibição do desmatamento do cerrado para o plantio de monoculturas e uso de transgenia no município de Urbano Santos, tomando como exemplo as leis de municípios vizinhos que não aceitam a entrada do eucalipto. Com a concretização dessa lei, os camponeses só tem a ganhar, pois os espaços de extrativismo, agricultura e cabeceiras de rios serão mais protegidos longe as monoculturas que tanto destrói, atrapalham e matam o pouco que ainda resta de vida em nossa região.

José Antonio Basto

E-mail: bastosandero65@gmail.com

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