quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Os bacurizeiros da chapada do meio





Era manhã cedo quando eu adentrava por aqueles velhos caminhos com meu alforje de lado e um frito em direção a comunidade Riacho Seco, nos extremos limites dos Povoados Guarimã e Cocalinho. Atravessava-se grotiões, tabocais e avalanches. Avistava-se ao sair da chapada do outro lado dos carrascos os bacurizeiros mesmo sem frutos, mas com suas flores e belezas naturais como obra do criador, aquelas arvores já quase em extinção em sua totalidade na chapada do meio. Os bacurizeiros ali dividem seu espaço natural com a ótica dos campos devastados por gaúchos. Aquela chapada que antes era um verdadeiro pomar natural com espécies diversificadas tais como: mangaba, puçá, pitomba-de-leite, murici vermelho e muitas outras, elas morreram; pássaros que ajudavam na distribuição das sementes já também não se ouve seus cânticos e batido das asas; animais silvestres como paca, veado, peba, tatu que ajudavam no equilíbrio da natureza já não se ver nem suas batidas; tudo isso causado pelo impacto ambiental e devastação descontrolada. Mas os bacurizeiros lá resistem tudo isso, mesmo sabendo que um dia poderão expirar no sopro profundo da inexistência. Eu descia daquela chapada rumo aos cocais pela grota da bicuiba trilhando as capoeiras das nossas antigas roças de mandioca. As veredas fechadas com cipós e macambiras, o riacho da bicuíba que alimenta os bacuris da chapada ainda resta em seu grau de pureza em meio à impureza da intolerância humana, pois sua nascente felizmente por pouco não foi atingida diretamente pela destruição. Descia pisando n`água levemente para não espantar as piabas, até que sai no caminho e nas casas do Povoado Pequi. Ficara então na lembrança a luta dos bacurizeiros da chapada do meio que enfrentam desafios para sobreviverem -, vivem na resistência assim como quase todos os bacurizeiros das belas chapadas do baixo parnaíba maranhense. Os bacuris são frutos especiais para nossa alimentação e sustentação da saúde: o bacuri é rico em várias vitaminas, possui alguns nutrientes em ​​quantidades notáveis de fósforo, potássio, ferro, cálcio e vitamina C, e é sobretudo consumido cru ou em forma de suco. Sua casca também é aproveitada na culinária regional e o óleo extraído de suas sementes é usado como anti-inflamatório e cicatrizante na medicina popular e na indústria de cosméticos. Precisamos preservar os bacurizeiros de todas nossas chapadas, pois se você não sabia o bacuri também traz muitos benefícios para nossa saúde: é considerado um remédio eficaz para picadas de aranha, é também utilizado no tratamento de problemas de pele e dor de ouvido, a manteiga de bacuri também é conhecida e ajuda na remoção de manchas na pele e renova o tecido de cicatrizes, o óleo de amêndoas do bacuri é utilizado para o tratamento de eczema, é considerado um remédio natural contra reumatismos, além disso o bacuri também é usado medicinalmente no tratamento de artrites. Esses são alguns dos tantos outros itens que o bacuri nos oferece. Infelizmente muitas pessoas não respeitam esses valores, destruindo os bacurizais, o bioma das chapadas, a biodiversidade... a vida. Precisa-se de ações e consciência ecológica! “Um outro mundo é possível”.

José Antonio Basto
Militante dos Direitos Humanos
(98) 98890-4162

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